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Grande Prêmio da Holanda de 1980

A temporada de 1980 chegava ao fim com Alan Jones liderando o campeonato com onze pontos de vantagem sobre Nelson Piquet quando a F1 chegou à Zandvoort, mas o australiano da Williams estava descontente por ter perdido vitórias certas na Alemanha e na Áustria, permitindo a aproximação do brasileiro da Brabham, que só havia vencido uma única vez em 1980 e na carreira, mas Piquet era um discípulo de Niki Lauda, seu antigo companheiro de equipe na Brabham, e assim o brasileiro ia amealhando pontos no campeonato a ponto de incomodar bastante Jones. A Alfa Romeo trouxe Vittorio Brambilla de sua aposentadoria para colocar o italiano no seu segundo carro, no lugar de Patrick Depailler. Jochen Mass havia sofrido um acidente na Áustria e tinha fraturado uma vértebra. O veterano alemão ainda tentou correr em Zandvoort, mas as dores impediram Mass de correr. A Arrows saiu às pressas pelo paddock à procura de um piloto para substituir o alemão e encontrou o jovem Mike Thackwell, piloto reserva da Tyrrell e na Holanda apenas como expectador. Sensação da F3 Inglesa, Thackwell estreou na Arrows 35 anos atrás com 19 anos e 5 meses, se tornando o piloto mais jovem a participar de um evento oficial da F1. Só participar mesmo, pois sem experiência prévia no Arrows, o jovem neozelandês acabou de fora do grid. Ainda fora das pistas, a Marlboro anuncia que a McLaren seria gerida pelo chefe da equipe de F2 Project Four a partir de 1981. O nome dele era Ron Dennis. 

Mesmo Zandvoort sendo bem diferente de Zeltweg, onde a Renault dominou completamente os treinos, com os carros franceses ficando com a primeira fila, com René Arnoux ficando com o melhor tempo pela segunda corrida consecutiva. Assim como ocorreu na Áustria, a Williams ficou com a segunda fila, sendo que Jones teve que superar dois grandes acidentes durante os treinos. A Brabham tinha trazido uma nova suspensão para o seu carro, deixando a dirigibilidade melhor, mas a novidade só ficaria mais evidente durante a corrida e Piquet teve que se conformar com a quinta posição. A Michelin trouxe novos pneus e a Ferrari consegue uma leve melhora em uma temporada miserável para os italianos, com Villeneuve finalmente conseguindo um lugar no top-10 no grid.

Grid:
1) Arnoux (Renault) - 1:17.44
2) Jabouille (Renault) - 1:17.74
3) Jones (Williams) - 1:17.81
4) Reutemann (Williams) - 1:17.82
5) Piquet (Brabham) - 1:17.85
6) Laffite (Ligier) - 1:18.15
7) Villeneuve (Ferrari) - 1:18.40
8) Giacomelli (Alfa Romeo) - 1:18.52
9) Watson (McLaren) - 1:18.53
10) Andretti (Lotus) - 1:18.60

O dia 31 de agosto de 1980 amanheceu frio em Zandvoort, até mesmo com algumas nuvens, mas os ventos fortes à beira da praia expulsaram as chances de chuva e a corrida aconteceria com tempo bom e pisco seco. Tentando se recuperar de alguns resultados abaixo do esperado nas duas últimas corridas, Jones larga forte, também se aproveitando do famoso retardo do turbo do motor Renault. Jones força por dentro e chega na primeira curva lado a lado com Arnoux, assumindo a ponta, enquanto Jabouille cai para quinto, ultrapassado por Reutemann e por um incrível Jacques Laffite, numa ótima largada do francês. 

Jones rapidamente abre 2s sobre o pelotão, mas de forma estranha, o australiano quase perde o controle do seu Williams na curva Hugenholtz. Jones consegue manter seu carro na pista, mas é alcançado por Arnoux. Usando sua conhecida agressividade, Jones fecha Arnoux, mas isso faz com que todo o primeiro pelotão fique compacto na frente, mas a corrida do australiano dura muito pouco. Ainda no final da segunda volta, ele vai aos boxes com problemas na saia do seu carro. Era a terceira corrida consecutiva onde Alan Jones perdia uma chance de ouro de vencer e, pior, não marcaria pontos, pois ele ficaria três voltas parado, com a equipe Williams tentando consertar o seu bólido. Contudo, o erro de Jones, admitido por ele depois da prova, fez com que os primeiros colocados ficassem juntos, proporcionando várias ultrapassagens nas primeiras voltas. Laffite ultrapassa Arnoux para ficar em primeiro, enquanto Jabouille ultrapassa Reutemann para ficar em terceiro. Utilizando os novos pneus macios da Michelin, Villeneuve sobe ao quinto lugar, mas com ultrapassagens agressivas sobre Piquet e Reutemann, logo o canadense da Ferrari estava ameaçando o terceiro lugar de Jabouille. Na sexta volta, Jabouille vai aos boxes com problemas de dirigibilidade em seu Renault. O azarado francês, que havia liderado tantas voltas em 1980, havia acertado uma parte do carro de Jones no erro do australiano ainda na segunda volta, deixando Jabouille com o carro bastante difícil de controlar. O francês ainda retornaria à corrida, mas abandonaria com problemas no diferencial do seu Renault.

Nelson Piquet tinha boas recordações de Zandvoort, onde havia pontuado pela primeira vez na F1 em 1979. Quando os pneus de Villeneuve começaram a se desgastar em demasia, o brasileiro deixou o canadense para trás e partiu para cima dos líderes. Laffite tinha problemas de estabilidade em seu Ligier, mas Arnoux fazia uma corrida de espera com seus pneus duros. Piloto mais rápido da pista no momento, Piquet rapidamente encosta em Arnoux e, por conseguinte, em Laffite. Nelson daria graças a Deus por ter se livrado de Villeneuve logo. Sem pneus, mas extremamente audacioso, Villeneuve não deixava ninguém passa-lo e fazia um buraco entre os três primeiros e o resto. Na décima volta, Piquet ultrapassa Arnoux, enquanto Bruno Giacomelli aproveita-se da indecisão de Reutemann e ultrapassa o argentino, passando a atacar Villeneuve. Quando o italiano da Alfa Romeo finalmente ultrapassa a Ferrari de Villeneuve, ele já estava 4s atrás de Arnoux. Na 13º volta, Piquet ultrapassa Laffite e assume o comando da corrida, enquanto Giacomelli se aproximava de Arnoux para brigar pelo terceiro lugar. Rapidamente Piquet abre 7s sobre Laffite, enquanto Arnoux era atacado por Giacomelli e Reutemann, após o argentino ter se livrado de Villeneuve, que acabaria tendo que fazer um pit-stop, tamanho era o desgaste dos seus pneus. Após longo e tenebroso inverno, Mario Andretti fazia uma corrida decente com a Lotus e o ítalo-americano se juntava na briga pelo quarto lugar. Outro que fazia uma corrida surpreendente era Giacomelli, que após ultrapassar Arnoux, tentava se aproximar de Laffite para brigar pelo segundo lugar, enquanto Piquet controlava a sua distância para o segundo colocado. Seja ele quem fosse. Mais atrás, Arnoux, Reutemann e Andretti garantiam o entretenimento da corrida em uma animada disputa pelo quarto lugar. Na volta 29, Reutemann tenta recuperar sua posição sobre Andretti, mas o americano não alivia (até por que ele não gostava do argentino...) e os dois andam lado a lado por algumas curvas, com vantagem para Andretti. Tudo isso fez com que um quarto elemento (Jarier), entrasse na briga.

Bruno Giacomelli fazia a sua melhor corrida na F1 e já estava colado na traseira de Jacques Laffite quando o italiano se empolgou e acabou saindo da pista numa tentativa de ultrapassagem. O piloto da Alfa Romeo, muito rápido, com certeza, mas nada muito mais do que isso, voltava à pista apenas em sétimo e com problemas na saia do seu carro. Giacomelli abandonaria a corrida voltas mais tarde devido aos problemas de dirigibilidade em seu Alfa Romeo, acabando com uma grande corrida. Jones corria em último, mas tinha um bom carro nas mãos. Quando o australiano se aproxima de Reutemann para descontar uma volta, Jones não respeita o companheiro de equipe e força a ultrapassagem. Duas voltas mais tarde, Jones ataca Andretti como se estivesse disputando posição com o piloto da Lotus. E Andretti trata Jones como um adversário na pista. Isso faz com que Andretti e Reutemann perdessem contato com Arnoux na luta pelo terceiro lugar. E com Jones finalmente ultrapassando Andretti. Arnoux fazia uma corrida de espera e após poupar seu carro, o piloto da Renault começava a descontar tempo de Laffite, trazendo atrás de si Jones (três voltas atrás), Andretti e Reutemann. Na volta 61, o grande susto da corrida. O disco de freio de Derek Daly, da Tyrrell, quebra no final da reta dos boxes e o irlandês, passageiro do seu carro, bate muito forte na barreira de pneus, fazendo com que o Tyrrell desse uma cambalhota para atrás das barreiras. Todos pensaram no pior, mas felizmente Daly teve apenas pequenos arranhões e nada demais. Era o segundo acidentes espetacular de Daly em 1980. E novamente sem consequências.

A corrida chegava ao seu final com Arnoux se aproximando rapidamente de Laffite, que parecia com problemas de dirigibilidade devido ao desgaste de pneus. Faltando duas voltas para o fim, Arnoux ultrapassa facilmente Laffite, que nem defende o seu segundo lugar. Infelizmente, Andretti não aproveita os problemas de Laffite ao ficar sem gasolina na penúltima volta. Enquanto isso, numa prova dominadora, Nelson Piquet recebe a bandeirada em primeiro, sua segunda vitória na F1 e entrava, definitivamente na luta pelo título de 1980. Apenas dois pontos atrás de Jones, Nelson Piquet era agora um piloto de ponta da F1 de fato e de direito. E o seria por mais de dez anos na F1!

Chegada:
1) Piquet
2) Arnoux
3) Laffite
4) Reutemann
5) Jarier
6) Prost  

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Grande Prêmio da Bélgica de 2000

Spa-Francorchamps era e ainda é uma pista tão especial, onde a F1 sempre fez um grande esforço para correr lá. Quinze anos atrás, o Grande Prêmio da Bélgica ficou em risco devido a proibição do governo belga da propaganda tabagista, mas para se ter a F1 em seu país, os governantes tiveram que abrir uma exceção e a corrida seria realizada normalmente. Afinal, se em Mônaco se ganha o dinheiro na F1, em Spa se formam os heróis. Circuito de baixo downforce, Spa era ideal para a McLaren do agora líder Mika Hakkinen, enquanto a Ferrari teria que sair de sua má fase de quinze anos atrás se quisesse quebrar o tabu de 21 anos, mas a McLaren era a grande favorita em Spa.

Os treinos livres foram realizados com pista seca e clima agradável, com domínio absoluto de Hakkinen. Na classificação, Hakkinen consegue a pole com certa facilidade, abdicando até mesmo de sua tentativa, mas atrás dele várias surpresas aconteceram. A Jordan tinha feito uma ótima corrida em 1999 e um ano depois os carros amarelos de Eddie Jordan continuavam muito bem, com Trulli conseguindo um ótimo segundo lugar no grid. Jenson Button, já sabendo que será emprestado para a Benetton em 2001 para dar lugar ao caliente Juan Pablo Montoya, conseguiu o melhor resultado da Williams em 2000 e ficou em terceiro, colocando três décimos em cima de Ralf Schumacher, sexto. Michael Schumacher acabou atrapalhado por uma bandeira amarela em sua volta final e terminou em quarto, mas o alemão ainda superou a McLaren de Coulthard, irreconhecível após sua vitória em 1999. Para os pilotos de equipe de ponta, o pior foi Barrichello, apenas décimo.

Grid:
1) Hakkinen (McLaren) - 1:50.646
2) Trulli (Jordan) - 1:51.419
3) Button (Williams) - 1:51.444
4) M.Schumacher (Ferrari) - 1:51.552
5) Coulthard (McLaren) - 1:51.587
6) R.Schumacher (Williams) - 1:51.743
7) Villeneuve (BAR) - 1:51.799
8) Frentzen (Jordan) - 1:51.926
9) Herbert (Jaguar) - 1:52.242
10) Barrichello (Ferrari) - 1:52.444

O dia 27 de agosto de 2000 amanheceu até com tempo bom na Bélgica, mas Spa não seria Spa se não chovesse pelo menos em um dos três dias do Grande Prêmio da Bélgica. Com pista molhada, o warm-up viu o fortíssimo acidente de Giancarlo Fisichella na curva Stavelot, que destruiu o seu Benetton, com o italiano tendo que largar com o carro reserva. Quando a corrida estava prestes a começar, a chuva parou e começou a interrogação: com qual pneu largar? Diniz, largando apenas em 15º, apostou alto e saiu para a volta de apresentação com pneus slicks. O único a fazê-lo. Ainda na memória da famosa carambola da largada de 1998, decidiu-se largar atrás do safety-car e Hakkinen liderava o pelotão sem qualquer mudança significativa na ordem, apenas com Barrichello tomando o nono lugar do seu ex-companheiro de equipe Herbert.

Com Trulli tendo dificuldades na pista molhada, Hakkinen logo disparou na frente, com Trulli, Button, Schumacher e Coulthard andando colados. O inglês tentou tomar o segundo lugar de Trulli na Bus Stop, mas Jenson acabou errando e abriu passagem para Schumacher, que não quis perder tempo e logo atacou Trulli, ganhando o segundo lugar na Le Source. Button tenta pegar uma carona de Schumacher, mas acaba acertando a traseira de Trulli, o fazendo rodar e abandonar no local. O italiano ficou furioso com a manobra do inglês da Williams. Com a direção avariada, Button perderia rendimento a partir de então, enquanto deixava Coulthard em terceiro e Ralf Schumacher em quarto. Ainda na quinta volta, os primeiros pilotos arriscam e colocam pneus slicks, enquanto a pista secava a olhos vistos. Com pneus trocados, Alesi marca a volta mais rápida e sinalizava claramente: era hora de colocar pneus slicks. Schumacher e os estrategistas da Ferrari trazem o alemão imediatamente para os boxes. A McLaren traz Hakkinen aos boxes na volta seguinte, enquanto Coulthard, coitado, teria que andar mais uma volta com os pneus inadequados e perde muito tempo. Após todas as paradas, Hakkinen ainda liderava à frente dos irmãos Schumacher, com Michael claramente sendo mais rápido do que o piloto da McLaren. Na volta 13, com o ferrarista cada vez mais próximo e bem mais rápido, Hakkinen comete um erro não forçado na Stavelot e deixa a liderança para Schumacher. A transmissão da TV não mostrou a imagem da rodada de Hakkinen, mas mostrou Mika voltando rapidamente à pista e Schumacher passando voando no asfalto. Até que o piloto da McLaren se recuperasse, já com a pista praticamente seca, Schumacher já tinha ganho uns 10s de vantagem.

De um final de semana até então decepcionante, Michael Schumacher tinha uma boa vantagem de 11s sobre o rival Mika Hakkinen na liderança da corrida, quando o alemão abre a segunda rodada de paradas na volta 22. Hakkinen faz sua paradas cinco voltas depois, voltando à pista apenas 7s atrás do líder e começando a andar constantemente mais rápido do que Schumacher, cuja Ferrari tinha desgastado os pneus mais rápido do que a McLaren no primeiro stint com pneus slicks. Era o prenúncio de uma briga histórica. Mais atrás, Coulthard 'ultrapassa' Frentzen na segunda rodada de paradas, assumindo apenas o sétimo lugar, enquanto Barrichello, após fazer várias voltas mais rápidas, se aproxima dos pits para uma terceira parada, mas um problema de pressão de combustível acabou com a corrida do piloto da Ferrari, que ficou parado na entrada dos boxes. Jean Alesi, vindo num ótimo quinto lugar, perdeu a chance de pontuar pela primeira vez em 2000 quando teve um problema parecido com o de Barrichello. Ralf Schumacher fazia uma corrida solitária em terceiro, com Button subindo para quarto com os abandonos de Alesi e Barrichello, mas vendo Coulthard se aproximar rapidamente. O escocês assumiria o quarto lugar já nas voltas finais, numa corrida decepcionante para o segundo piloto da McLaren. Porém, todos os olhos do mundo estavam prestando atenção na briga pela primeira posição, com Hakkinen se aproximando rapidamente. As voltas finais prometiam! E entregaram!

Com claros problemas de superaquecimento de pneus, Schumacher tentava esfriar seus pneus nos poucos pontos molhados da reta Kemmel. Hakkinen era bem mais rápido, mas a pergunta era: como Schumacher iria se comportar no final da prova? A fama de vilão de Schumacher ainda era enorme quinze anos atrás, mas Mika era claramente mais rápido. Após ficar colado na Ferrari por algumas voltas, Hakkinen saiu da Eau Rouge embutido na traseira de Schumacher e o alemão imediatamente fica à direita da pista, ficando por dentro para a freada da Les Combes. Hakkinen tinha mais velocidade, mas Schumacher ficou no caminho do finlandês a mais de 320 km/h. Foi uma manobra perigosa, mas isso não diminuiu o ímpeto de Hakkinen. Na volta seguinte, ambos se aproximaram da Eau Rouge tendo o retardatário Ricardo Zonta pela frente. Schumacher pensou em usar a BAR do brasileiro como escudo e passou Zonta pela esquerda. Havia uma espaço muito pequeno entre o carro de Zonta e a grama, mas foi por ali que Hakkinen colocou seu carro, numa margem mínima para erros e quando Schumacher e Hakkinen completaram a ultrapassagem sobre o retardatário Zonta, era Hakkinen que estava por dentro da freada Les Combes. Uma manobra épica! 'São dois loucos!', exclamou em entrevista após a corrida Ricardo Zonta. Foi uma ultrapassagem extraordinária e Schumacher tinha sido batido de forma inapelável. Após a corrida, mostrando o respeito que nutriam um pelo o outro, Hakkinen e Schumacher conversaram amistosamente sobre a manobra. Para os que duvidavam do talento de Mika Hakkinen, de que ele só conquistava títulos devido ao grande carro que tinha, o finlandês mostrou naquela tarde de quinze anos atrás que mereceu cada vitória que conquistou na F1 e talvez por isso, seja até hoje considerado o maior rival que o multi-campeão Michael Schumacher já teve na F1.

Chegada:
1) Hakkinen
2) M.Schumacher
3) R.Schumacher
4) Coulthard
5) Button
6) Frentzen

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Grande Prêmio da Áustria de 1985

O Grande Prêmio da Áustria de 1985 era uma corrida triste para a F1, pois era a primeira prova após a trágica morte de Manfred Winkelhock, quando o alemão espatifou seu carro contra um muro em Mosport Park, numa corrida Esporte-Protótipos. Porém, o show deveria continuar e a RAM teria Kenny Acheson para o lugar de Winkelhock. Aproveitando que correria em casa, Niki Lauda anuncia a sua segunda aposentadoria para o final de 1985. Desgastado com Ron Dennis e numa temporada muito ruim com a McLaren, Lauda diz que sua decisão estava tomada, enquanto o chefe de equipe já tinha contratado Keke Rosberg da Williams, que negociava com Nelson Piquet para 1986. 

O rapidíssimo circuito de Österreichring favorecia os carros com motores potentes, no caso em 1985, os motores da Porsche (McLaren) e Honda (Williams). Mesmo na briga pelo título, Alain Prost ainda não havia largado na pole em 1985, algo que o francês consegue na Áustria, tendo a Williams de Nigel Mansell na primeira fila. Na segunda fila, a mesma ordem McLaren-Williams, com Lauda tentando fazer uma ótima corrida em sua prova derradeira em casa. A Ferrari tem uma classificação decepcionante, o mesmo acontecendo com Senna, que vinha se destacando nas classificações trinta anos atrás, mas o brasileiro tem vários problemas durante o final de semana e consegue apenas o 14º lugar no grid.

Grid:
1) Prost (McLaren) - 1:25.490
2) Mansell (Williams) - 1:26.052
3) Lauda (McLaren) - 1:26.250
4) Rosberg (Williams) - 1:26.333
5) Piquet (Brabham) - 1:26.404
6) Fabi (Toleman) - 1:26.664
7) De Angelis (Lotus) - 1:26.799
8) Tambay (Renault) - 1:27.502
9) Alboreto (Ferrari) - 1:27.516
10) Patrese (Alfa Romeo) - 1:27.851

O dia 18 de agosto de 1985 amanhece muito nublado em Zeltweg, com risco de chuva durante a prova. Durante a noite, uma chuva forte caiu na Áustria, chegando a alagar os arredores do circuito e deixando os estacionamentos e os locais de camping cheios de lama. Porém, a pista secou e não havia chuva na hora da largada. Porém, a grama continuava muito escorregadia. Numa reta estreita e cercada pelo muro dos boxes de um lado, e o guard-rail de outro, as confusas largadas em Zeltweg se tornaram lendárias e trinta anos atrás não foi diferente. Lauda consegue uma largada estupenda, pulando para primeiro, enquanto Mansell larga muito mal, permitindo a Piquet pular para terceiro. Fabi sai ainda mais lentamente, causando o caos ao seu redor, com muitos carros se envolvendo numa batida, notadamente Alboreto e Gerhard Berger e a bandeira vermelha aparece, indicando uma segunda largada. Alboreto e De Angelis trocam de carro, o mesmo fazendo Prost, que mesmo não envolvido no acidente, descobriu um superaquecimento em seu motor. Para largar novamente, Fabi utiliza o carro de Piercarlo Ghinzani, que estreava naquele dia pela Toleman e já estava fora da prova. A segunda largada acontece com mais cuidados, mas novamente Mansell não aproveita a vantagem da primeira fila, mas quem pula para frente é Keke Rosberg, assumindo a segunda posição.

Os três primeiros colocados (Prost, Rosberg e Lauda, na ordem) disparam na frente, com Piquet sendo quem liderava o segundo pelotão, porém, a corrida de Rosberg durou muito pouco, com o finlandês tendo o motor quebrado ainda na quarta volta. A corrida fica à mercê dos pilotos da McLaren, pois o terceiro colocado Piquet fica a quase 20s dos líderes em menos de dez voltas, mas para desespero da torcida local, Prost abre uma diferença confortável de 5s sobre Lauda, que parecia incapaz de alcançar o companheiro de equipe nas primeiras voltas. Na volta 14, Andrea de Cesaris perde o controle do seu Ligier na saída da rápida curva Texaco. Quando o italiano encosta na grama molhada, a velocidade do Ligier aumenta e De Cesaris inicia uma espetacular série de capotagens, tornando essa imagem uma das mais conhecidas dos anos 80. Porém, havia apreensão para saber a situação do popular piloto italiano, mas quando De Cesaris emerge ileso do seu carro, mesmo que sujo de lama, todos aplaudem. Menos Guy Ligier. Cansado dos prejuízos de Andrea de Cesaris em 1985, o chefe da equipe demite o italiano ainda nos boxes.

Senna fazia uma bela corrida de recuperação, se aproveitando dos azares alheios e subindo o pelotão com seu belo Lotus. Na volta 15, o brasileiro ultrapassa Teo Fabi e já aparecia na zona de pontos, ficando atrás do seu companheiro de equipe Elio de Angelis, ultrapassado por Mansell, tentando se recuperar de sua péssima largada. Prost sabia da sagacidade de Lauda, ainda mais com o austríaco motivado pela sua despedida em casa. O francês tem dificuldades em ultrapassar os retardatários e permite à Lauda encostar de vez, porém, Prost muda de estratégia e vai aos boxes na volta 26 para trocar pneus, voltando ainda em segundo. Na volta seguinte, o terceiro colocado Piquet, já atacado por Mansell, tem o turbo do seu motor quebrado, mas o inglês da Williams não se aproveita da queda do seu futuro rival e tem o motor Honda quebrado. O segundo motor japonês no dia! Quem aparecia em terceiro era Ayrton Senna, que tinha acabado de ultrapassar De Angelis e numa prova sensacional, já estava com um lugar no pódio, mesmo que longe da briga pela vitória. Com pneus novos, Prost marca a volta mais rápida, mas Lauda se mantém na pista com tranquilos 17s de vantagem. A torcida austríaca fica ouriçada, mas o motor Porsche de Niki Lauda explode na Rindt Kurve (nome do outro ídolo austríaco da F1...) e o tricampeão pára o seu McLaren na reta dos boxes. Para enorme tristeza local, Lauda não venceria sua última corrida em casa.

Isso deixava Prost com uma liderança fantástica, permitindo ao francês dosar o seu ritmo nas voltas finais. Com Elio de Angelis perdendo rendimento, o italiano é alcançado pelas duas Ferraris, com Alboreto na frente. Brigando pelo campeonato Alboreto tentava marcar o maior número de pontos possíveis e se aproveitando dos vários abandonos, num final de semana em que a Ferrari não foi bem, o italiano já estava no pódio! Alain Prost recebe a bandeirada para a sua vigésima vitória na F1, com Senna coroando uma belíssima corrida para ser segundo, acabando com uma série de sete abandonos consecutivos. Alboreto ainda tentou uma aproximação em cima de Senna nas voltas finais, mas não havia tempo suficiente e o italiano da Ferrari garantiu o seu oitavo pódio em 1985. A vitória de Prost o fez reassumir a ponta do campeonato, mesmo que empatado com Alboreto, mas o francês tinha mais vitórias. O campeonato esquentava, na mesma medida em que a F1 começava a se despedir do mito Niki Lauda.

Chegada:
1) Prost
2) Senna
3) Alboreto
4) Johansson
5) De Angelis
6) Surer

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Os rumores para 2016

Caros Amigos do Gpepxert,

A F1 está de férias,mas nem tudo para nesta época do ano,principalmente os rumores.Vamos tratar de alguns rumores:
Primeiramente, é provável dispensa de Kimi Raikkonen e sua virtual aposentadoria.Ninguém nega o contato da Ferrari com Bottas, a quem diga que é uma questão de acerto de multa, a Williams precisa da grana,mas não deve segurar um piloto que não quer ficar na equipe.Resta ver, se a Ferrari não dará uma última chance a Kimi,não é perfil dos italianos.
Outro que caminha a bons passos para a aposentadoria é Jenson Button.Embora tenha um contrato com opção de mais um ano,parece que a paciência de Ron Dennis acabou com o conterrâneo, para piorar, ter um Alonso como parâmetro é sempre difícil.O mais curioso é que o favorito a sua vaga não é Magnussen, o piloto preparado pela equipe, mas Van Doorne.Button ainda é especulado, como possível substituto de Bottas, mas só se levar muito "caixa" para Sir Frank, a equipe já tem um piloto experiente, para que precisaria de outro?
O substituto natural de Bottas seria Hulkenberg,mas impressionante como este não consegue subir na F1,parece que seu talento,não é acompanhado pelos patrocínios,nem por um bom trabalho de marketing nos bastidores.
Outra pergunta, quem serão os pilotos da Haas?Se fala que Esteban ou Vergne será um dos pilotos pelo trabalho com a Ferrari,mas por que não ficar com os dois?A Haas gostaria de ter um piloto pelo marketing e para impulsionar a F1 no US,mas que piloto jovem americano está pronto para F1?Nenhum.
O Ponto chave das mudanças para 2016 é a Renault.Pode acontecer de tudo na fábrica Francesa.Comprar uma equipe (STR ou Lotus),sair da F1, ficar como está.Isto tudo é muito doido.A RBR e a STR gostariam muito de trocar de motor para terem um 2016 mais competitivo (leia-se Mercedes para uma e Ferrari para outra),mas devem respeitar seus contratos de mais um ano.O curioso é que a essa altura do ano a Renault não ter tomado uma decisão definitiva, pois já começa os preparativos dos carros para 2016.
Vamos aguardar os próximos capítulos.
Abraços and keep yourself alive!

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Pra quê,Piquet?

Caros Amigos do Gpepxert,

O assunto de hoje é o comentário de Piquet sobre Senna tão falado essa semana.
Primeiramente,respeito demais Nelson Piquet.Foi um dos melhores pilotos da história da F1,um grande acertador de carro,um piloto arrojado e autêntico.
Respeito sua opinião, embora não concorde.Não concordo,pois a argumentação de Nelson foi fraca.Dizer que Senna era sujo, pois colocou ele na parte suja da pista na briga de posição na Hungria?Meu caro,isso é corrida de automóvel,não é pra deixar passar assim.Dizer que Senna bateu de propósito em 90,sim,mas ele esqueceu do que ocorreu em 89?O calmo e ponderado Piquet faria o quê?Finalmente, a batida de Senna e Brundle na F3 não foi na última corrida, mas sim, na antepenúltima e foi uma batida totalmente discutível de pilotos inexperientes.
E outra coisa,Piquet pode até achar Senna sujo e ter seus problemas pessoas com o Ayrton,para que reabrir feridas com uma pessoa que nem pode se defender?
Para que desqualificar dessa forma alguém  que participou também da sua história tão importante na F1?
Para que gerar essa mídia desnecessária para quem já é tão consagrado?
Pra quê, Piquet?Pra quê?


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Grande Prêmio da Alemanha de 1990

Devido aos acontecimentos iniciados em setembro de 1989, essa corrida em Hockenheim de vinte e cinco anos atrás representou um marco importante para a história do Grande Prêmio da Alemanha. Pela última vez desde o início da F1 em 1950, a corrida seria chamada de Grande Prêmio da Alemanha Ocidental, pois com a reunificação alemã, a partir de 1991 a corrida seria chamado apenas de Grande Prêmio da Alemanha. Nos bastidores da F1, o destino do extremamente promissor Jean Alesi era disputado quase que a tapa entre Williams e Ferrari, com vantagem para o time de Frank Williams, que tinha em mãos um pré-contrato assinado com Alesi, mas a Ferrari fazia pressão para ter o francês a partir de 1991. Outra novidade era a saída da Subaru como fornecedora de motores de F1, abandonando a Coloni após meia temporada e uma temporada terrível. A Subaru encontraria seu habitat natural no Mundial de Rally anos mais tarde.

Durante os treinos, Nannini teve um sério acidente com seu Benetton novo, mas o italiano correria normalmente com outro chassi novo. A McLaren aproveitou a enorme potência do motor Honda para uma dobradinha no grid, com Senna (oh novidade) superando Berger, enquanto a segunda fila era toda da Ferrari, mas os carros vermelhos a mais 1.5s atrás do duo da McLaren. Num circuito com tanta potência como era Hockenheim, as equipes apoiadas por montadoras tiveram vantagem e a terceira fila era ocupada pela Williams-Renault. Após as três equipes principais da F1 em 1990, veio o resto do pelotão, liderado por Nelson Piquet.

Grid:
1) Senna (McLaren) - 1:40.198
2) Berger (McLaren) - 1:40.434
3) Prost (Ferrari) - 1:41.732
4) Mansell (Ferrari) - 1:42.057
5) Patrese (Williams) - 1:42.195
6) Boutsen (Williams) - 1:42.380
7) Piquet (Benetton) - 1:42.872
8) Alesi (Tyrrell) - 1:43.255
9) Nannini (Benetton) - 1:43.594
10) Capelli (Leyton House) - 1:44.349

O dia 29 de julho de 1990 amanheceu com muito calor e sol em Hockenheim, num dia perfeito para uma corrida de F1. Porém, esse clima de verão europeu poderia ser muito prejudicial aos motores, tão exigidos em Hockenheim. A largada se dá sem muitos problemas na frente, com Senna permanecendo na ponta, seguido de Berger, Mansell e Prost. Na parte de trás do grid, Stefano Modena fica parado no grid, com problemas na embreagem do seu Brabham e acabou acertado pela Dallara de Emanuele Pirro. A pancada nem foi tão forte assim, mas Pirro acabou desmaiando no seu carro e o resgaste durou algumas voltas, mas no fim o italiano teve apenas uma pequena concussão. Apesar do resgate de Pirro ocorrer no meio da reta dos boxes, várias bandeiras amarelas foram mostradas e a corrida não foi interrompida. 

As primeiras voltas vê uma corrida estática e tirando um erro de Boutsen na terceira volta, onde o belga caiu de sexto para décimo, as primeiras dez voltas viram a McLaren na frente com alguma vantagem sobre a Ferrari, que por sua vez abria para a Williams de Patrese. Com um carro bem acertado, mesmo não tendo um motor tão potente quanto os demais na frente, Piquet vinha em sexto e próximo do italiano da Williams. Contudo, Piquet passa reto numa das chicanes e quem assume a última posição pontuável era seu companheiro de equipe Nannini. Na volta 15 Mansell sai ligeiramente da pista, mas à alta velocidade. Aparentemente o inglês controla bem o carro e até mantém a terceira posição, mas duas voltas mais tarde Mansell entra nos boxes com o carro nitidamente desequilibrado. A saída de pista não tinha sido em vão e o assoalho da Ferrari acabou bastante danificado, acabando com a corrida de Mansell. Porém, Prost não assume a terceira posição. Fazendo uma prova bem burocrática, o francês faz seu pit-stop uma volta antes do abandono de Mansell e retorna à pista em sétimo. Berger vai aos boxes na mesma volta e volta à pista em quinto.

O forte calor na Alemanha faz com que as paradas fossem antecipadas e Senna faz um ótimo pit-stop na volta 18, mas é ultrapassado por muito pouco por Nannini. Correndo com os pneus duros da Goodyear, Nannini resiste o máximo que pode na pista e planeja não parar. Senna ainda ataca o italiano da Benetton nas primeiras voltas após sua parada, mas Nannini se defende bem e mantém a sua surpreendente primeira posição. Na metade da prova, vários carros das equipes menores já tinham abandonado com problemas mecânicos, mas as equipes grandes resistiam bem ao calor em Hockenheim e fora o abandono de Mansell (que foi ocasionado por um erro do inglês), McLaren, Ferrari e Williams resistiam bem na corrida. Porém, Nannini era um penetra na festa dos grandes. O bom chassi projetado por John Barnard fazia com que o Benetton não consumisse tanto os pneus, mas nem a magia de Barnard poderia impedir a potência do motor Honda de Senna. Na volta 34, apenas onze para o fim, Senna aproveita de um pequeno erro de Nannini na primeira curva e com mais momentum, o brasileiro efetua a ultrapassagem facilmente numa das longas retas de Hockenheim.

Nannini não resiste e ele sabia que sua posição estava boa demais. Piquet havia estourado o motor mais cedo e o italiano da Benetton sabia que não podia abusar da sorte, fora que estava numa posição acima do potencial do seu carro. Com pneus mais novos, Berger esboça um ataque em cima de Nannini nas voltas finais, mas não há mais tempo. Para falar a verdade, a corrida em Hockenheim foi bem enfadonha, ao contrário do que muitos imaginam, de que só havia corrida boa no passado. As voltas finais foram tranquilas e Senna recebe a bandeira quadriculada para 24º vez, se igualando ao número de vitórias da lenda Juan Manuel Fangio. Para melhorar, Prost teve uma corrida irreconhecível e acabou apenas em quarto, mais de 50s atrás de Senna. Com esse resultado, Senna reassumia a ponta do campeonato com quatro pontos de vantagem. Numa pista que favorecia a McLaren, Ayrton Senna fez o seu dever de casa, se aproveitou de uma tarde opaca de Prost e ainda se igualou a uma lenda da F1 há vinte e cinco anos atrás. Senna, aos poucos, já se colocava no patamar, também, de lenda da F1.

Chegada:
1) Senna
2) Nannini
3) Berger
4) Prost
5) Patrese
6) Boutsen  

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Lágrimas na Hungria

Caros Amigos do Gpexpert,

Antes falarmos da Hungria,vou citar Bianchi,mas só citar já falei do acidente no passado, vou só lembrar minha posição.Se a corrida tivesse sido no sábado como alguns queriam como eu para fugir do tufão,nada disso teria ocorrido.Só mais uma coisa, Jules não morreu sexta passada,na prática,foi no instante da batida.Sua morte 9 meses depois do acidente,apenas nos choca menos,já que sabíamos da gravidade sua situação.Será uma corrida de Luto depois de 21 anos.
As corridas da Hungria são 8 ou 80, ou são muito boas ou muito chatas.Vale lembrar das boas como 86,88,89,90,2006,2011 e 2014.
Parecida com Mônaco e com previsão de chuva, esperamos um pouco de pressão nas Mercedes e quem sabe uma derrota de Hamilton,mas talvez apenas mais uma derrota de Rosberg.
Ficamos na torcida e com a foto.
abraços and keep yourself alive.


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Grande Prêmio da Inglaterra de 1985


Apesar de aparentemente Monza, Zeltweg e Hockenheim serem os circuitos mais rápidos da F1 até a década de 80, principalmente por causa de suas enormes retas, a verdade era que Silverstone era o circuito mais veloz da Formula 1 naqueles tempos, por causa de suas rapidíssimas curvas e poucas freadas fortes. Apenas a chicane Woodcote travava um pouco o veloz traçado de Silverstone e não por coinscidência, era um dos favoritos dos pilotos naquele momento.

No auge dos motores turbo e suas especificações especiais de Classificação, a expectativa era enorme para a um tempo muito baixo na Classificação. A BMW era conhecida pelos seus extremamente potentes motores especiais de Classificação e vinha motivada com a vitória de Piquet na última corrida na França. Nelson Piquet diria anos mais tarde que nunca se soube a real potência desses motores porque o dinâmometro só marcava até 1.250 cavalos. E o motor continuava debitando potência! Porém, a Honda era o motor do momento e proporcionou a Keke Rosberg, com seu Williams, a incrível média de 259,005 km/h e o finlandês ficou quase 20 anos como o recordista de média de velocidade na F1. O detalhe foi que Rosberg completou a volta com um dos pneus furados...

Grid:
1) Rosberg (Williams) - 1:05.591
2) Piquet (Brabham) - 1:06.249
3) Prost (McLaren) - 1:06.308
4) Senna (Lotus) - 1:06.324
5) Mansell (Williams) - 1:06.675
6) Alboreto (Ferrari) - 1:06.792
7) De Cesaris (Ligier) - 1:07.448
8) De Angelis (Lotus) - 1:07.581
9) Tabi (Toleman) - 1:07.678
10) Lauda (McLaren) - 1:07.743

O dia 21 de julho de 1985 estava nublado em Silverstone, mas apesar do temor inicial de uma chuva fazer parte da prova, a pista estava seca e não havia perspectiva de chuva durante a prova. Além de ser ótimo em uma volta rápida, outra característica importante de Senna que estava ficando claro em seus primeiros anos como piloto de ponta era como ele sempre largava bem. Perfeccionista ao extremo, o brasileiro queria ficar à frente o mais rápido possível e disparar na ponta. Sempre que podia, Senna fazia isso. Mesmo largando em quarto, Ayrton consegue uma largada espetacular, se aproveitando da indecisão dos protagonistas da primeira fila, que patinaram bastante, em particular Piquet. Apesar da péssima largada, Rosberg acabou atrapalhando Prost e ainda segurou a segunda posição, fazendo que o francês fosse ultrapassado por Mansell e caísse para quarto. Piquet havia caído para sexto.

Um acidente no meio do pelotão envolvento quatro carros ainda na primeira curva não atrapalhou o andamento da prova e Senna rapidamente se distanciava do pelotão da frente, enquanto uma surpresa azul vinha detrás. Apesar de italiano, Andrea de Cesaris fez toda sua carreira de base na Inglaterra e conhecia Silverstone como poucos. Com um bom motor Renault em seu Ligier, o italiano largou bem e na segunda volta ultrapassou Prost para assumir o 4º posto. Não demorou e De Cesaris estava pressionando Mansell, que vinha numa temporada apagada até então, e tomou do inglês a 3º posição. Prost assistia toda a disputa de camarote, preferindo conservar pneus e, principalmente, combustível. Como era um circuito em que a potência era usada quase que na totalidade, o consumo era muito alto e não raro, pilotos abandonavam corridas em Silverstone com pane seca.

Porém, quando viu um Mansell escorregar numa poça de óleo na Stowe, Prost aumentou seu ritmo e após herdar a posição do inglês da Williams, que também sofria com problemas de embreagem, Prost passou a atacar De Cesaris, ultrapassando o italiano algumas voltas mais tarde numa bonita manobra na chicane Woodcote. Apesar da potência do motor Honda, os pilotos da Williams ainda sofriam com a baixa confiabilidade do propulsor japonês e por isso Rosberg preferiu não atacar Senna de imediato, mas não tardou ao turbo do seu carro apresentar problemas e o finlandês diminuiu seu ritmo. Prost aproveitou a deixa e rapidamente se aproximou do piloto da Williams, o ultrapassando limpamente na freada da Woodcote. Com seu estilo limpo de guiar, Prost começava a se aproximar de Senna. Grandes pilotos, os estilos de pilotagens de Senna e Prost eram totalmente diferentes, praticamente o extremo entre técnica (Prost) e habilidade (Senna).

Mais atrás, Rosberg abandonava a corrida na volta 21 quando o turbo do seu carro finalmente deu adeus e isso deixava Lauda, que tinha tido problemas na largada e caído para as últimas posições, assumir o 3º posto em mais uma excepcional corrida de recuperação do tricampeão. De Cesaris permanecia numa ótima 4º posição, mas quando o italiano não sofria um acidente, algo acontecia com ele e o piloto da Ligier abandonou com problemas de embreagem no terço final da prova. Isso fazia com que Alboreto, que batalhava ponto a ponto com Prost no campeonato, assumisse a quarta posição após uma dura disputa com Piquet. Contudo, Lauda tem problemas elétricos no final da corrida e deixa o lugar no pódio para Alboreto, aumentando a tensão na briga pelo campeonato. Restava a Prost fazer sua parte e vencer a corrida.

Prost sabia que para triunfar em Silverstone, teria que derrotar um piloto audacioso e determinado, como Senna havia demonstrado quando o francês tentou a ultrapassagem na chicane Woodcote e o brasileiro não teve pudor algum em fechar a porta com vontade. Prost passou a estudar as linhas de Senna, esperando um erro do piloto da Lotus, colado na traseira do mítico carro preto. Claramente Senna forçava muito seu Lotus, enquanto Prost apenas o perseguia, mas nas últimas voltas a briga esquentou de vez quando Prost ultrapassou o Senna e o brasileiro deu o troco na volta seguinte. A briga leventou a torcida e havia muitos retardatários a ultrapassar. Senna foi agressivo quando tentou colocar uma volta na Brabham de Marc Surer e foi fechado, fazendo com que Prost aproveitasse o vacilo de Senna e o ultrapassasse novamente. Na chicane Woodcote, Senna tentou deixar Surer para trás, mas o suíço o fechou novamente. Essa foi a deixa para que Prost conseguisse uma vantagem sobre Senna, que não se deu por vencido e forçou tudo na tentativa de recuperação. Porém, isso teve um preço. Forçando em demasia desde o início, Senna não se preocupou com o consumo de combustível e ficou a pé quando faltava cinco voltas. Pane seca. Prost vencia ao seu modo, utilizando a inteligência para saber quando atacar na hora certa, sem destruir seu carro. Era o típico Alain Prost. Porém, o francês pela primeira vez teve um encontro com um piloto que marcaria para sempre sua carreira.

Chegada:
1) Prost
2) Alboreto
3) Laffite
4) Piquet
5) Warwick
6) Surer

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Grande Prêmio da Inglaterra de 1975


Apesar da inerente insegurança na F1, o ano de 1975 estava causando grande preocupação com as autoridades esportivas e por isso começaram a promover mudanças para evitar graves acidentes. No tradicional rodízio entre Silverstone e Brands Hatch, o primeiro voltaria a receber a F1 após o famoso acidente protagonizado por Jody Scheckter na Woodcote, onde vários carros ficaram amontoados ao longo da reta dos boxes logo na primeira volta. Silverstone tinha um dos circuitos mais rápidos e tradicionais do mundo, mas algo tinha que ser feito para evitar algo parecido e uma chicane foi construída na Woodcote, acabando com uma das curvas mais rápidas e desafiantes do calendário da F1. Quem clamava por segurança, ficou feliz. Para os puristas, a destruição da Woodcote foi um ultraje!

Em Monte Carlo, lugar onde havia conquistado cinco vitórias, Graham Hill tentou colocar seu carro no grid, mas o inglês falhou e naquele momento resolveu se aposentar de vez, passando a se dedicar inteiramente a sua equipe. Porém, faltava uma festa de despedida. Ídolo maior da torcida inglesa e dos pilotos mais carismáticos da história da F1, Graham Hill deu uma última volta pelo circuito de Silverstone após os treinos, sem usar capacete e sendo aplaudido de pé pela torcida. Foi um momento comovente para a F1 ver um piloto que estreou com carros ainda com motores dianteiro ter sobrevivido tantos anos e ainda ser aclamado pelo público. E Graham merecia!

A Inglaterra sempre trazia várias novidades, pois as equipes tinham sede na Ilha e 28 pilotos estavam inscritos. A maior novidade era a saída de Jacky Ickx na equipe Lotus após vários resultados desapontadores. A equipe ainda usava o velho modelo 72E e até mesmo Peterson estava insatisfeito, mas Ickx, uma verdadeira lenda do automobilismo, nunca mais teria um carro decente em mãos. Outra novidade era a pole de Tom Pryce em seu Shadow. Tendo estreado em 1973, o galês era uma das maiores esperanças para os britânicos, mas ainda assim não deixava de ser uma surpresa vê-lo em primeiro no grid, ainda mais que as Ferraris, dominantes em 1975, tiveram que se contentar com a segunda fila.

Grid:
1) Pryce (Shadow) - 1:19.36
2) Pace (Brabham) - 1:19.50
3) Lauda (Ferrari) - 1:19.54
4) Regazzoni (Ferrari) - 1:19.55
5) Brambilla (March) - 1:19.63
6) Scheckter (Tyrrell) - 1:19.81
7) Fittipaldi (McLaren) - 1:19.91
8) Reutemann (Brabham) - 1:20.04
9) Hunt (Hesketh) - 1:20.14
10) Mass (McLaren) - 1:20.18

O dia 19 de julho de 1975 estava muito nublado e a chuva era apenas questão de tempo em Silverstone. Uma paisagem normal para os ingleses, mas que transformaria este Grande Prêmio num dos mais confusos da história da F1. Porém, a pista ainda estava seca na hora da largada e a falta de experiência de Pryce em largar em primeiro pesou, quando o piloto da Shadow foi facilmente ultrapassado por Pace, seguido de perto pelas duas Ferraris, mas com Regazzoni à frente. Mais atrás, James Hunt consegue uma largada espetacular e pula para quinto, mas na volta seguinte era ultrapassado por Scheckter, que completava a primeira volta sem nenhum problema. Ao contrário de dois anos antes...

Precisando mostrar resultado, principalmente pelo desempenho do seu companheiro de equipe, Regazzoni parte para uma corrida agressiva e na décima volta ultrapassa Pryce e quatro voltas mais tarde assume a ponta da prova ao deixar Pace para trás. Lauda observava tudo com calma em 4º, enquanto Emerson Fittipaldi começava a crescer na corrida, ao ultrapassar Hunt e ficar em 6º, mostrando também o declínio da Hesketh, que alugava o carro reserva de Hunt a cada corrida, procurando dinheiro. Quando a corrida estava estabilizando as posições dos seus pilotos, a esperada chuva veio na volta 19 e pegou de surpresa Regazzoni, o primeiro a encarar a pista molhada e o suíço acabou rodando na curva Club, danificando sua asa traseira e tendo que ir aos boxes. Sempre é bom lembrar que fazer um pit-stop nos anos 70 era algo totalmente anormal e por isso o que se viu a partir da décima nona volta foi um Deus nos acuda dentro dos pits, com vários pilotos entrando nos boxes para colocar pneus para chuva.

Porém, alguns pilotos apostaram que a chuva seria passageira e permaneceram na pista com pneus slicks. E apostaram certo! Hunt, Fittipaldi, Pace e Mass permaneceram na pista e ficaram nas primeiras posições e foi aí que Emerson começou a se sobressair. O piloto da McLaren se aproveitou de um problema de motor de James Hunt para assumir a primeira colocação e para melhorar as coisas para os brasileiros, José Carlos Pace também subia para segundo. Quem foi aos boxes trocar pneus, não demorou para ter que voltar aos pits recolocar pneus slicks e a dupla brasileira ficou com a corrida nas mãos. Porém...

As nuvens carregadas em cima de Silvertone denunciavam que a chuva poderia voltar a qualquer momento e ela veio com força na volta 53. Muitos pilotos foram surpreendidos com a quantidade de água que se acumulou na pista e algumas curvas se tornaram um verdadeiro ferro-velho de F1. Na Club, ficaram Tony Brise, José Carlos Pace, Jody Scheckter, James Hunt, Brian Henton, John Nicholson (Lotus), Dave Morgan e Wilson Fittipaldi. Na Stowe ficaram empilhados Patrick Depailler, Mark Donohue e John Watson. A bandeira vermelha foi mostrada e como já havia sido cumprido mais de 75% das voltas, a corrida foi considerada válida, mas contando a volta 56. Emerson Fittipaldi foi considerado o vencedor, com José Carlos Pace, mesmo com seu Brabham estatelado na Club, em segundo. Foi uma prova onde a experiência de Emerson lhe deu a exata noção de quando parar ou não e, principalmente, se manter na pista. O que ninguém sabia naquele instante era que essa seria a última vitória na F1 do bicampeão.

Chegada:
1) E.Fittipaldi
2) Pace
3) Scheckter
4) Hunt
5) Donohue
6) Brambilla

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Grande Prêmio da Inglaterra de 1995

A F1 chegava à Silverstone para a oitava etapa da temporada de 1995 com a silly season em pleno vapor. Com vários pilotos de ponta tendo seus contratos se encerrando no final daquele ano, haviam muitas negociações em andamento, com destaque da possível ida de Michael Schumacher, líder do campeonato e vencedor de três das últimas quatro corridas naquele momento, para a Ferrari. Seu companheiro de equipe na Benetton, Johnny Herbert também estava com seu nome em pauta, mas de forma bem negativa. A política da equipe Benetton e seu chefe Flavio Briatore era dar total apoio ao primeiro piloto, no caso Schumacher, com o segundo piloto (Herbert) ficando com as sobras. O inglês raramente tinha andado no mesmo ritmo do alemão e nas duas últimas corridas, completado apenas duas voltas antes de se envolver em acidentes. Para piorar, o piloto de testes da Benetton, Jos Verstappen, estava à disposição da equipe, após a Simtek ter fechado as portas após o GP de Mônaco. Herbert chegou para a sua corrida caseira pressionado.

Um teste havia sido realizado em Silverstone uma semana antes e o mais rápido havia sido Damon Hill, vencedor da corrida de 1994, com Schumacher logo atrás. Os dois eram as grandes estrelas da época, assim como rivais amargos. Na sexta-feira, com Silverstone tendo um clima com muito sol e vento, Hill e Schumacher disputaram palmo a palmo a primeira posição, com vantagem para o inglês da Williams. Schumacher tinha esperanças de melhorar seu tempo no sábado, mas a chuva estragou os planos do alemão, além de outros pilotos, e abriu uma discussão dentro da F1. A maioria das TVs transmitiam apenas o treino classificatório de sábado, o mesmo fazendo o público, que preferia ir no final de semana. Porém, com a chuva em Silverstone naquele sábado 15 de julho, poucos pilotos foram à pista e tanto o público nas arquibancadas, como os telespectadores ficaram frustrados, pois o grid já estava definido previamente e poucas pessoas viram. Por causa desse episódio, foi decidido em reuniões posteriores que a partir de 1996, o treino classificatório seria apenas no sábado.

Grid:
1) Hill (Williams) - 1:28.124
2) Schumacher (Benetton) - 1:28.397
3) Coulthard (Williams) - 1:28.947
4) Berger (Ferrari) - 1:29.657
5) Herbert (Benetton) - 1:29.867
6) Alesi (Ferrari) - 1:29.874
7) Irvine (Jordan) - 1:30.083
8) Hakkinen (McLaren) - 1:30.140
9) Barrichello (Jordan) - 1:30.354
10) Blundell (McLaren) - 1:30.453

O dia 16 de julho de 1995 amanheceu nublado e o antigo warm-up foi realizado com pista seca, com um surpreendente Mika Hakkinen fazendo o melhor tempo usando um novo motor Mercedes. Porém, faltando poucos minutos para a largada, a chuva deu as caras em Silverstone, causando uma enorme dor de cabeça para equipes e pilotos. Porém, a chuva foi rápida e quando foi dada a ordem para a volta de apresentação, a pista estava praticamente seca e todos os pilotos estavam usando pneus slicks. Na largada, Damon Hill mantém sua primeira posição, mas quem faz uma largada inacreditável foi Jean Alesi, que pulou de sexto para segundo, deixando Schumacher, que normalmente largava muito bem (o que sempre levantou muitas suspeitas) em terceiro, seguido por Coulthard, Herbert e Hakkinen.

Sem Schumacher no seu cangote, Damon Hill imprimiu um ritmo fortíssimo na frente, chegando a abrir 1s por volta em cima de Alesi, enquanto Schumacher apenas perseguia a Ferrari e não esboçava uma ultrapassagem sobre o francês. Assim como hoje, perseguir um carro de F1 muito de perto causava problemas de turbulência aerodinâmica para o carro de trás e o resultado era um pelotão estático, praticamente sem nenhuma ultrapassagem. Irvine tentou ultrapassar Panis e acabou rodando e quebrando o motor na sequência, se tornando o primeiro abandono do dia. Barrichello vinha na zona de pontos em sexto, quando foi avisado que tinha queimado a largada e por isso, teve que fazer stop-and-go de 10s nos boxes. E o que era pior, era a segunda vez consecutiva que o brasileiro cometia a mesma infração, mas ainda pior era Panis, pego pela terceira (!) vez queimando a largada e tendo que esperar 10s nos pits! Com Alesi segurando Schumacher, Coulthard encostou no pelotão e com o escocês também preso atrás da Ferrari e de Schummy, a Williams antecipa a parada do escocês, o trazendo aos pits na volta 15. Infelizmente para David, seu limitador de velocidade falha logo depois e isso lhe traria muitas dores de cabeça mais tarde.

Alesi faz seu primeiro pit-stop na volta 18 e retorna à pista ainda na frente de Coulthard, para desespero da Williams que para piorar, ainda vê Schumacher aumentar seu ritmo e diminuir a vantagem para Hill, que ainda corria solitário na frente. Porém, durante o warm-up, Schumacher fez uma longa série de voltas em claro teste para um long run, no que poderia indicar uma estratégia de uma parada, ao contrário da tática normal de dois pit-stops. Correndo em terceiro lugar, Herbert força o ritmo e quando faz sua primeira parada na volta 21, surpreende ao superar Alesi e Coulthard, se mantendo em terceiro, mas garantindo-se na frente dos dois na pista. Mas ainda restava os dois líderes. Quando parariam? Hill entra nos pits na volta 22 e volta à pista 9s atrás de Schumacher que, com pouco combustível, aumentava a vantagem para o inglês da Williams e com a corrida chegando a metade, ficava claro que o Michael pararia apenas uma vez. Estreando na F1, Max Papis faz seu primeiro pit-stop na vida, mas o italiano acaba se atrapalhando na saída do pit-lane e bate seu Arrows bisonhamente. Quando Schumacher faz sua única parada na volta 31, a missão para Hill era clara: andar em ritmo de classificação até fazer sua segunda parada. Damon marca a volta mais rápida da corrida, abre de 20 para 27s sua vantagem para Schumacher, mas quando saiu dos pits na volta 41, Michael o ultrapassa por pouco. Porém, as últimas voltas do Grande Prêmio da Inglaterra seriam dramáticas, com uma luta direta entre os dois homens que decidiram o campeonato de 1994 num acidente entre eles. Com pneus novos, Hill foi para cima de Schumacher de forma agressiva, saindo até mesmo um pouco da característica do inglês. Na volta 46, tentou a manobra na curva Stowe, mas acabou atrapalhado pelo retardatário Jean Christophe Bouillon, mas na volta seguinte, não havia retardatário pela frente e Hill tentou a manobra na curva Priory, à esquerda. Schumacher manteve-se na linha de corrida, mas Hill já tinha sacrificado a freada e acabou batendo em Schumacher, tirando ambos da corrida. Schumacher saiu do seu Benetton cuspindo abelha africana, enquanto Hill saía do seu carro de forma melancólica, meio que sabendo que tinha sido otimista demais numa tentativa de ultrapassagem sobre um piloto agressivo como Schumacher (e Hill sabia muito bem disso), além de ter que abandonar na frente de sua torcida.

Contudo, as arquibancadas ainda tinham para quem torcer na luta pela vitória. Com seus dois primeiros pilotos de fora, Benetton e Williams viram seus dois segundos pilotos na ponta, com Herbert se mantendo na ponta após a segunda rodada de paradas, seguido muito de perto por Coulthard. O escocês quase emulou seu companheiro de equipe na Priory, mas David acabou recebendo a péssima notícia que seu limitador de velocidade nos pits não tinha funcionado na segunda rodada de pits e que seria punido com um stop-and-go. Experiente, Herbert deixou Coulthard passar e duas voltas depois o inglês viu o piloto da Williams se dirigindo aos boxes para cumprir a punição. O público inglês, agora torcendo bastante pelo simpático Herbert, ainda perseguindo sua primeira vitória na F1, ainda tinha com quem se preocupar: a Ferrari de Alesi se aproximava perigosamente. Animado por ter conseguido também sua primeira vitória um mês antes em Montreal, Alesi aumentou seu ritmo e quando tinha Herbert na alça de mira, a pressão de óleo do motor Ferrari começou a cair, forçando o francês a diminuir o ritmo e deixar Herbert mais aliviado nas últimas voltas para que ele também pudesse curtir a sua primeira vitória na F1, em seu 74º Grande Prêmio. Foi uma vitória bastante popular para Herbert, piloto muito querido no paddock da F1 na época, que vibrou como nunca, assim como a torcida inglesa. Alesi e Coulthard completaram o pódio. Hakkinen vinha em quarto, mas teve o motor quebrado. Mesmo punido no começo da prova, Barrichello se recuperara e estava lutando com Mark Blundell pela quarta posição. Na penúltima volta, Rubens tentou a ultrapassagem e acabou fechado por Blundell. Ambos os carros ficaram danificados, mas apenas Barrichello ficou parado na pista. Blundell ainda recebeu a bandeirada, mas acabou ultrapassado pelo também punido previamente Panis na última volta. Mesmo com a primeira vitória de Herbert, a polêmica manobra de Hill em cima de Schumacher tinha dado muito o que falar. Segundo a lenda, Frank Williams teria ido aos boxes da Benetton pedir desculpas a Schumacher e Briatore pelo incidente e chamando Hill de idiota. Isso nunca foi confirmado, assim como Hill não fez questão de se desculpar com Schumacher. Tudo isso era prato cheio para a próxima corrida, na Alemanha. Casa de Schumacher!

Chegada:
1) Herbert
2) Alesi
3) Coulthard
4) Panis
5) Blundell
6) Frentzen

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