Senna – 91
A luta contra Mansell
A força da Ferrari e de Prost não resistiu ao inverno europeu. Em 91, Senna venceu as quatro primeiras corridas, liderando praticamente de ponta à ponta. Estranhamente, reclama do carro, atribuindo as suas vitórias a uma combinação de sorte e fraqueza dos adversários.
McLaren e Honda, no limite da competição por anos seguidos, eram como lojas com todas as suas mercadorias na vitrine. O novo motor Honda de 12 cilindros era mais pesado, exigia mais combustível e sofria de excessivo atrito interno, produzindo mais calor e demandando maior área de refrigeração.
O maior peso exigia maior potência, o que realimentava o ciclo, influindo também no consumo dos pneus. Era muito difícil amarrar todas as pontas juntas.
A outra parte do problema era que os Williams estavam de volta, empurrados pelos motores Renault de 750 cv e uma incrível parafernália eletrônica, que fazia aquele carrinho deselegante como uma inglesa quarentona mais parecer um computador sobre rodas.
Eles quase ganharam no Brasil. Liderando, Senna tem problemas de câmbio. Riccardo Patrese, o 2º colocado, está 40 segundos atrás mas desconta rapidamente a diferença com doze voltas para o final, uma fina garoa caindo sobre o autódromo.
A diferença continua caindo e Senna pede o final da prova, gesticulando dentro do carro. O diretor da prova resiste e Senna cruza a linha três segundos a frente da Williams.
O que o brasileiro fez para manter o carro na pista - a chuva era apenas uma dificuldade a mais naquela altura dado que Senna sofria de espasmo muscular no pescoço e ombro - permanece um mistério. Muitos pilotos experientes duvidaram que seria possível controlar um Fórmula 1 numa pista naquelas condições sem o auxílio do câmbio e virar em 1m25s (a melhor volta da prova tinha sido assinalado por Mansell, na casa de 1m20s). Piquet, naturalmente, foi o mais debochado: "Isso é impossível só com a sexta marcha. É cascata mesmo. Ele apagou fisicamente e não tinha mais força".
No pódio, Senna levanta a taça bem alto, num gesto de força e dor. O Brasil enlouquece de alegria e admiração. "Comparado a este dia, só em 88, no Japão, quando ganhei o meu primeiro campeonato, diz Senna.
Ele tinha toda a razão quanto a fraqueza do McLaren. A partir do México, os Williams começam a ganhar - quatro vitórias seguidas - e se tornam favoritos ao título, apesar de Senna estar oito pontos à frente.
A Hungria é a virada. Nos dois meses anteriores, os japoneses tinham praticamente refeito o motor Honda enquanto a McLaren reduzia o peso do chassi tanto quanto era possível.
A sorte dá uma ajuda e Senna ganha na Hungria e na Bélgica.
E ajuda de novo em Portugal. Mansell corria em direção à vitória mas quando pára para trocar os pneus um mal entendido entre os mecânicos da Williams faz com que ele arranque antes que a porca da roda traseira direita esteja totalmente apertada.
A roda escapa quase que imediatamente e o carro para, com três roda, em plena reta dos boxes. A equipe corre, levanta o carro com os próprios braços e conclui a troca. Mansell volta apenas no 17º lugar, iniciando uma recuperação selvagem mas recebe a bandeira preta: é proibido ser atendido fora da área dos boxes. Desta vez, ele vê a bandeira preta.
De novo a decisão fica para o Japão. Berger, companheiro de Senna, parte na frente, cabendo ao brasileiro o trabalho de controlar Mansell já que este precisava da vitória de qualquer maneira.
Na 10ª volta, na grande curva depois da largada, a mesma onde Senna e Prost haviam batido em 90, Mansell erra, entra forte demais e vai para a terra, de onde não consegue mais sair.
O campeonato estava acabado. Senna ainda vai alcançar e passar Berger para, na última volta, na última curva, quando faltavam menos de 50 metros para a bandeirada, parar o seu carro e deixar o austríaco vencer a corrida, num gesto inusitado, sem precedentes na Fórmula 1, do qual Senna certamente se envergonha e Berger, constrangido, pouco tem a dizer.
Schumacher - 98
Quase Campeão
Em 1998, Schumacher foi vice-campeão e viu o piloto finlandês Mika Hakkinen, da McLaren, sagrar-se campeão mundial de Fórmula 1 pela primeira vez. A temporada, no entanto, foi disputada até a última etapa, e poderia ter dado o tricampeonato para Schumacher se David Coulthard, no GP de Spa - Bélgica, não houvesse atirado com o alemão para fora de prova quando estava a ser ultrapassado, num grande prêmio disputado sobre um enorme dilúvio. Anos mais tarde, em 2003, após acidente semelhante envolvendo Fernando Alonso e David Coulthard, desta vez como vítima, o piloto escocês insinuou que causara o acidente de Spa intencionalmente, dando assim o título de pilotos ao companheiro de equipe.
A principal novidade no regulamento para este ano era a proibição dos pneus “slicks”, que foram substituídos por pneus com ranhuras: o objectivo era reduzir a velocidade.
As equipas candidatas aos títulos mantiveram os pilotos do ano anterior: Ferrari (Michael Schumacher e Eddie Irvine), McLaren (Mika Hakkinen e David Coulthard) e Williams (Jacques Villeneuve e Heinz-Harald Frentzen).
O campeonato iniciou sob o domínio da McLaren, que venceu os dois primeiros GP’s do ano, ambos com a dobradinha: Mika Hakkinen venceu na Austrália e no Brasil, sendo secundado pelo seu colega de equipa, David Coulthard (escocês). A Ferrari respondeu no GP da Argentina com uma vitória de Michael Schumacher (alemão) mas Hakkinen obteve o segundo lugar.
Os 3 GP’s seguintes foram novamente palco de vitórias da McLaren: no San Marino, Coulthard vence e Schumacher é segundo (Hakkinen desiste), na Espanha (nova dobradinha da McLaren) e no Mónaco é Hakkinen que sai vitorioso. Ao fim de 6 provas, a McLaren dominava com 5 vitórias contra apenas uma da Ferrari. Mas a equipa de Jean Todt respondeu de forma polémica ao vencer os 3 GPs seguintes por Schumacher: no Canadá Schumacher teria lançado para fora da pista o Williams de Frenzen, quando este regressava à pista após uma parada nos boxes, na França Schumacher beneficiou de uma segunda largada (na primeira tinha lardago mal) para vencer, a McLaren reclamou; em Silverstone Hakkinen esteve brilhante numa prova disputada com chuva mas um problema deixou-o apenas com o segundo lugar, enquanto Schumacher aproveitou para vencer, apesar de lhe ter sido atribuído um stop and go de 10 segundos já depois de cruzada a meta! Na Áustria e na Alemanha, a McLaren e Hakkinen regressaram novamente às vitórias e logo com outras duas “dobradinhas”. Na Hungria, com uma estratégia bem estudada, a Ferrari e Schumacher vencem de forma brilhante sendo Coulthard o segundo. Hakkinen fica apenas em sexto lugar.
No GP da Bélgica, o inglês Damon Hill (ex-Arrows) deu à equipa de Eddie Jordan a primeira vitória na F1 e logo com uma “dobradinha” porque Ralf Schumacher (alemão) ficou em segundo lugar com o outro Jordan.
No entanto a prova ficou marcada pelo polémico acidente que envolveu Schumacher e Coulthard: o escocês seguia na frente do alemão quando este choca na traseira do McLaren, Schumacher acusou Coulthard de travar deliberadamente. Hakkinen também não terminou a prova. No GP de Itália a Ferrari recupera-se em relação à McLaren ao fazer a segunda dobrinha da época (a outra tinha sido em França), Schumacher é o vencedor e recupera face ao 4º lugar de Hakkinen, empatando com o finlandês no campeonato. No penúltimo GP da época, em Luxemburgo no circuito de Nurburgring, Hakkinen beneficiou do melhor desempenho dos pneus Bridgestone para vencer a prova e chegar ao último GP com uma vantagem de 4 pontos sobre Schumacher, que foi o segundo. Deste modo chegou-se ao Japão com Hakkinen e Schumacher separados por 4 pontos e esperando-se uma excelente prova pela decisão do título. Schumacher fez a pole-position tendo ao seu lado Hakkinen. No entanto, após a volta de apresentação Jarno Trulli (francês) deixou ir apagar o motor de sua Prost sendo obrigatória uma segunda volta de apresentação, obrigando Trulli a largar da última posição. Na nova formação, o azar “bateu” à porta de Schumacher. A embreagem, sendo um elemento sensível, não teria suportado o esforço de todo este ritual que foi repetido, e o motor do Ferrari foi-se abaixo quando Schumacher tentou engrenar a primeira mudança. Assim, Schumacher foi obrigado a largar da última posição, deixando Hakkinen sem a pressão do adversário na sua “sombra”. Schumacher ainda efectuou uma excelente recuperação desde o último lugar até ao terceiro lugar mas o furo de um pneu acabou com as ténues hipóteses que Schumacher ainda tinha de se sagrar campeão. Mika Hakkinen venceu o GP do Japão, sagrando-se campeão com 100 pontos (8 vitórias) contra os 86 pontos de Schumacher (6 vitórias). A McLaren venceu campeonato de construtores com 156 pontos (9 vitórias) e a Ferrari ficou em segundo lugar com 133 pontos (6 vitórias).
Senna – 91
Vitorias 7
Pontos 96
Podiuns 12
Poles 8
Voltas mais Rápidas 2
Colocação no Campeonato 1º
Principais Adversários Nigel Mansell, Alain Prost
Schumacher – 98
Vitorias 6
Pontos 86
Podiuns 11
Poles 3
Voltas mais Rápidas 6
Colocação no Campeonato 2º
Principais Adversários Mika Häkkinen
Placar
Senna não tinha mais o melhor carro assim com Schumacher embora a Mclaren fosse pouca coisa melhor que a Ferrari de Schumy. Senna foi mais constante e novamente várias poles e vítórias valeram a ele o campeonato, também devemos creditar a este campeonato o afobamento do leão Nigel Mansell. Schumacher novamente com sua malandragem, todo ano ele sempre armou alguma pelo visto, com isso Senna novamente vai ser ganhador deste ano.
Senna 18 x 8 Schumacher.







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