Olá,
Mais uma semana terminando e como já é habitual temos um novo resumão de uma corrida em algum lugar nestes mais de 50 anos de Fórmula 1. A data escolhida para hoje é o dia 11 de setembro de 1988, no autódromo de Monza, dia do Grande Prêmio da Itália que foi marcante por dois motivos. Foi a primeira corrida após a morte do Comendador Enzo Ferrari, falecido aos 90 anos enquanto dormia no dia 14 de agosto do mesmo ano, portanto, o clima era de luto no circo da Fórmula 1, embora o dia estivesse ensolarado. O outro motivo, bom, você descobrirá ao longo do texto. A corrida foi disputada em 51 voltas de 5800 metros totalizando 295,800 km com a média de 242,864 km/h.

O ano de 1988 demonstrou o maior domínio de uma equipe sobre as rivais de toda a história da F1, conseguido pela McLaren com seu MP4/4 impulsionado pelo motor Honda RA186E 1.5 V6 Turbo e pilotado por dois gênios do automobilismo, o brasuca Ayrton Senna que venceria seu primeiro campeonato neste ano e o então bicampeão mundial em 1985 e 1986 e com alguns vices na bagagem, o francesinho narigudo, o Professor, como ficou conhecido no circo, Alain Prost; aquele que viria a ser o maior rival nas pistas de Ayrton Senna.

Como todo carro vencedor não surge da noite para o dia, o McLaren MP4/4 não foge á regra. A McLaren até 1987 utilizava os motores Tag Porsche Turbo com os quais havia vencido os campeonatos de 1984 com o austríaco Nick lauda e 1985 e 1986 com o Professor, mas, já em 1986 a equipe inglesa percebe que seu carro já não era o melhor dentre os inscritos no campeonato. Prost somente se sagrou campeão graças a dois fatores importantíssimos: sua regularidade característica, pensando sempre no campeonato e não nas corridas individualmente e à briga interna entre Nelson Piquet e o Leão Nigel Mansell. Acrescente-se aí uma pitadinha de sorte, pois a estratégia da Williams na última prova, no grande prêmio da Austrália, nas ruas de Adelayde mostrou-se incorreta com o estouro do pneu traseiro direito do carro de Mansell obrigando Piquet a parar para um pit stop e deixar a corrida e o campeonato no colo de Prost. Em 1987 a superioridade da Williams falou mais forte e o Piquet sagrou-se Tricampeão mundial sobre o inglês Nigel Mansell a quem Piquet cumprimentada com um sorridente aceno e o cordial elogio de “panaca”! A parceria da Williams com a Honda havia iniciado em 1983 e durou até 1987, obrigando-a a usar o limitado Judd CV 3.5 V8 aspirado no seu Williams FW12 no ano seguinte.
Em 1988 a McLaren contrata o expoente Ayston Senna que fez vários milagres com a Lotus Renault Turbo (1985 e 1986) e com a Lotus Honda Turbo (1987) e de quebra recebeu o poderosíssimo motor Honda Turbo que equiparia ela e a capengante e decadente Lotus para onde havia migrado o número 1 devido a contratação, a peso de ouro, do tricampeão Nelson Piquet, entretanto, motor não é tudo como a própria Lotus pode perceber e o McLaren MP4/4 nasceu infinitamente superior, fruto da evolução do maior fracasso de um dos gênios da criação de carros de corrida, o sulafricano Gordon Murray, o Brabham BT55, apelidado por muitos de “skate” de tão baixo que era. Murray era parceiro de Piquet e ganharam muitas corridas e campeonatos juntos além de inventar várias coisas interessantes, mas, isso eu vou deixar pra contar outro dia. Em 1986, Murray se muda para a Williams e continua a aperfeiçoar sua idéia que chega ao ápice no McLarem MP4/4 com o motor Honda, muito menor do que o BMW da Brabham. A superioridade deste carro foi tanta que ele venceu 15 das 16 corridas co campeonato e, adivinhe você, qual corrida ele não venceu? Esta mesmo, por um capricho do destino, o Grande Prêmio da Itália de 1988 foi vencido e com direito a dobradinha pela Ferrari como forma de uma homenagem póstuma ao Comendador. Eu sei, a introdução ficou grande, mas o evento mereceu e agora, alguns vão descobrir e outros relembrar como foi esta corrida.

Demonstrando toda a sua força, a McLaren fica com a primeira fila do Grid com Ayrton fazendo sua 26ª pole position (a 36ª da McLaren e a 32ª da Honda) com o tempo de 1'25''974, quase meio segundo mais rápido que o Professor que fez o tempo de 1'26''277. A segunda fila foi formada pelas Ferrari com Berger em terceiro e Alboreto em quarto e a terceira fila preenchida pela surpreendente Arrows e seu Arrows A10B equipado com o motor Megatron M12/13 1.5 L4 Turbo, tendo o yankee Eddie Cheever em quinto e o inquebrável destrutor de carros Derek Warwick em sexto. Megatron foi o nome dado aos motores BMW da f1, fornecidos para a equipe Arrows e Ligier nas temporadas de 1987 e 1988. A Arrows, inclusive, terminou a temporada em quarto lugar com 23 pontos, a mesma quantidade da capengante equipe Lotus Honda mas que perdia nos critérios de desempate. A Lotus apareceria apenas na quarta fila, com Piquet largando em sétimo com o tempo de 1'28''044, mais de 2 segundos pior que o tempo da pole position e seguido por Boutsen e Alessandro Nanini, respectivamente em oitavo e nono, ambos da Bentton Ford Cosworth, que terminari a o campeonato na terceira posição, com 39 pontos atrás da Ferrari, a segunda força de 1988. Fechando o top tem, A Williams FW12 Judd CV 3.5 V8 do Italiano e eterno coadjuvante Riccardo Patrese, o que demonstrava seu retrocesso com a perda dos motores Honda para a McLaren. Para se ter uma idéia do tamanho do problema, a outra Williams largaria apenas na 22ª posição.

Para a corrida, 31 carros foram inscritos mas, como apenas 26 poderiam largar não passaram pela pré qualificação Johnatham Palmer (Tyrrell 017 Ford DFZ 3.5 V8), o sueco Stefan Johansson (Ligier JS31 Judd CV 3.5 V8), Gabriele Tarquini (Coloni Ford DFZ 3.5 V8) e fechando a fila, Stefano Modena e o argentino Oscar Larrauri (só o Fangio mesmo que guiava por lá) da asmática EuroBrun e seu ER188 equipedo pelo modesto Ford DFZ 3.5 V8.

Na largada, Prost se da melhor que Senna que se recupera e retoma a ponta antes da primeira chincane. Nelson Piquet manteria a sétima posição e Gugelmin que largara em (13º) péssimo terceiro (como diria Milton Neves), assume o péssimo primeiro (11º) lugar após a largada. A bela Benetton B188 de Nanini que lembrava um avião de caça por causa das entradas de ar do motor, tem problemas e ele parte para a corrida com quase uma volta de atraso em relação à Senna.

Logo na segunda volta a Osella de Nicola Larini abandona pela quebra do motor Osella 890T 1.5 V8 Turbo que na verdade era Alfa Romeo. Pelo mesmo motivo, abandoram Nakagina (Lótus Honda), Martini (Minardi Ford), Alex Caffi (Dallara Ford) Piercarlo Ghinzani (Zakspeed), Alliot (Lolla Ford), todos até a 33ª volta. No 12º giro, abdandonam a Minard Ford de Luis Perez-Sala por quebra do câmbio e Piquet pela quebra da embreagem, mesmo motivo da AGS Ford de Phillippe Streiff da 31ª passagem. Na volta de número 27, A Rial Ford de Andréa DeCesaris abandona por problemas no chassis, dez voltas depois do abandono da outra Rial pilotada por Yannick Dalmas por problemas no radiador.
Senna seguia firma na ponta seguido por Prost e pelas Ferraris de Berger e Alboretto respectivamente até que o motor de Prost começa a apresentar perda de potência. O francês perde o segundo e terceiro lugares para as Ferraris até abandonar com o motor quebrado na 34ª volta.

Este realmente não era o dia da McLaren porque as Ferraris começam a andar muito mais rápido que o carro de Senna até que, faltando apenas duas voltas para o fim da corrida, ao tentar ultrapassar o retardatário e estreante Jean-Louis Schelesser na Williams Judd de número 5, que era piloto de testes da Williams em 1988, Senna é abalrroado pelo rapaz e abandona a prova, lembrando muito a cena (sem trocadilho algum) entre Piquet e Eliseo Salazar no GP da Alemanha de 1982. Veja a semelhança: um brasileiro, líder da prova tenta ultrapassar um retardatário em uma chincane, e a lesma bate no líder e o tira da prova. Piquet não deixou barato e deus umas pancadas no Salazar. No caso de Senna não houve nem como repetir a atitude pois a Williams seguiu na prova.

Assim, o que era para ser mais um dia dominante para a McLaren terminou em festa para os torcedores da Ferrari que viram os carros vermelhos vencerem a prova com a dobradinha de Berger e Alboretto que foi a melhor forma possível de homenagear aquele que havia criado a marca mais famosa da Fórmula 1, talvez, do esporte a motor, o Comendador Enzo Ferrari, impedindo os 100% de vitórias da equipe inglesa.




Até Mais

1 comentários:
Cada vez vc se supera mais Rangel, parabéns pelos "comentários"
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