Emerson Fittipaldi faz parte daquele seleto clube de pilotos campeões mundiais de Fórmula 1. Alías, do clube dos bicampeões, para ser mais exato. Ao seu lado, apenas Alberto Ascari, Jim Clark, Graham Hill, Mika Hakkinen e Fernando Alonso. E se somarmos aos dois títulos mais um título na Indy Cars, não acharemos mais ninguém (Mario Andretti e Jacques Villeneuve também venceram o campeonato da Indy, mas foram somente 1 vez campeões na F1). Adicione a esta soma mais duas vitórias nas 500 milhas de Indianápolis e os outros pilotos ficam bem pequeninos ao lado do nosso maestro da velocidade.

Mas não era somente dentro da pista que Emerson mostrou sua grande habilidade. Foi o primeiro piloto da história da F1 a assinar um contrato valioso: mais de um milhão de dólares norte-americanos foram pagos ao piloto pela Philip Morris para tirá-lo da Lotus, ao final de ano de 1973 para colocá-lo na McLaren. Lá, em seu primeiro ano deu para a equipe seu primeiro título mundial na categoria!

Dentre as diversas passagens interessantes que Emerson teve na equipe, uma delas está ligada exatamente a genialidade do brasileiro. Estávamos em Mosport em 1974 com muito frio – que novidade, alguém já viu calor no Canadá? A prova era a penúltima do mundial daquele ano e Emerson tinha 43 pontos contra 46 de Clay Regazzoni, então na Ferrari. Nos treinos classificatórios o maior desafio para os pilotos era esquentar adequadamente os pneus, pois sem atingir a temperatura ideal, os pneus não geram aderência suficiente para um F1 contornar as curvas velozmente. (já falamos disso anteriormente com mais fotos)

As Ferraris de Regazzoni e Lauda estavam mais rápidas e Regazzoni liderava o mundial de pilotos. Era preciso um "algo a mais".

No primeiro treino um, com poucas voltas Emerson conseguira achar um bom equilíbrio em sua McLaren-Ford M23, mas não encontrava uma forma de aquecer melhor os pneus, o que refletia nos tempos de volta. No segundo treino de sexta-feira, a equipe melhorou o carro, mas Emerson continuava reclamando da temperatura dos pneus, que o impedia de atacar as curvas como gostaria.

Ao terminar o treino livre de sábado pela manhã, Emerson estava preocupado. Afinal, sem conseguir fazer com que os pneus atingissem sua temperatura ideal, certamente teria problemas no treino classificatório final; pior ainda quando olhava a tabela de melhores tempos e via que as Ferraris estavam na frente dele. Foi ai que entrou em cena aquela pequena diferença que distingue o gênio de nós, seres vivos normais. Emerson conversou com seu chefe de equipe, Teddy Meyer, e pediu para que os pneus fossem levados ao carro da equipe e que o sistema de aquecimento do mesmo fosse ligado, deixando os pneus trancados lá até a hora do treino classificatório. Meyer concordou na hora e, depois que Emerson deu duas voltas apenas para verificar o equilíbrio do carro, a equipe buscou os pneus e colocou na McLaren do brasileiro. Pronto, Emerson foi para a pista e... fez a POLE! Genial, inovador e surpreendente!

As vezes é preciso dazer mais do que apenas correr para se vencer um GP e Emerson Fittipaldi mostrou ser um piloto diferenciado.

Depois deste fato, a McLaren desenvolveu uma engenhoca para aquecer os pneus antes dos treinos e das corridas. Todavia, foi a descoberta de Emerson que deu origem a tudo isto; hoje as equipes se utilizam de cobertores elétricos para aquecer os pneus. Sem eles, não os pilotos levariam cerca de duas voltas para conseguir gerar temperatura nos mesmos, correndo o risco de sair da pista até fazê-lo.

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