História do Circuito de Daytona

28/09/2010

Daytona International Speedway é um circuito oval localizado em Daytona Beach no estado americano da Flórida.

No circuito é disputada primeira corrida da temporada Nextel Cup da NASCAR, a Daytona 500, realizada desde sua inauguração em 1959, atualmente essa prova oferece a premiação de mais de 1 milhão de dólares ao vencedor. Também é realizado as 24 horas de Daytona, evento semelhante as 24 Horas de Le Mans, e recebe mai 7 eventos da NASCAR.

É disputado no circuito também o Shoot-out que é uma prova de aquecimento para a temporada da NASCAR. Ocorre sempre na semana anterior as 500 milhas de Daytona.

O circuito é no formato tri-oval, possui 2,5 milhas ou 4,2 km de extensão com inclinações de 31° nas curvas longas, 18° na curva que delimita a linha de largada e chegada e 2° nas retas. Possui um circuito misto interno com 5,7 km e um lago com 178 mil m². Acomoda mais de 150 mil espectadores.

Como funciona a Daytona 500
A Daytona 500 acontece todo fevereiro no Autódromo de Daytona, com a presença de aproximadamente 200 mil fãs e uma gigantesca audiência na TV americana. Um prêmio de cerca de US$ 2 milhões é o que espera o vencedor. Mas isso, o ouro e o glamour, são apenas uma parte da mística da corrida.

Também há toda uma tradição na corrida mais prestigiosa da Nascar (sigla em inglês de Associação Nacional de Corrida de Stock Car). A primeira Daytona 500, ou 500 Milhas de Daytona (uma prova de 800 quilômetros), ocorreu em 1959, e desde então a Nascar cresceu além de suas raízes provincianas do sudeste americano e se tornou um fenômeno nacional. Atualmente, a audiência televisiva da Nascar é a segunda entre os esportes, perdendo apenas para a NFL, a Liga Nacional de Futebol. E a Daytona 500 sempre se manteve como a corrida mais importante da Nascar.

Cerca de 200 mil pessoas peregrinam à Daytona 500 a cada ano, e outros milhões assistem pela TV

"Daytona ainda é o maior evento neste esporte", afirma Darrell Waltrip, que ganhou a Daytona 500 de 1989 e agora é comentarista das transmissões da Fox Sports. "É a corrida que todos querem ganhar. Qualquer um que ganhar em Daytona passa a fazer parte de um clube muito seleto".

Daytona já criou heróis e construiu carreiras, mas também destruiu sonhos e partiu corações. Já foi o cenário de grandes triunfos e terríveis tragédias.

"Nem sei se Daytona é mais uma pista de corrida ou um santuário", continua Waltrip. "Há um sentimento de reverência nesse lugar".

A Daytona 500 é diferente das outras 35 provas da Nascar Nextel Cup, mas não apenas por causa da Flórida, que oferece aos fãs o oceano Atlântico, palmeiras e biquínis.

A Daytona 500, que se realiza no fim de fevereiro, é o ápice de uma orgia de motores de duas semanas conhecida como Speed Weeks (semanas da velocidade). Os maníacos por velocidade adoram as Semanas da Velocidade.

Até mesmo antes das Semanas da Velocidade começarem, o lugar já está fervendo, pois as equipes da Nascar passam todo o mês de janeiro testando seus carros no circuito, para então as coisas realmente esquentarem com a 24 Horas de Daytona (uma corrida de resistência para carros esporte), a Corrida Internacional dos Campeões (um evento com os melhores pilotos de várias modalidades de corrida diferentes), a Bud Shootout (uma exibição de 70 voltas da Nascar com os pilotos que obtiveram as pole positions na última temporada), uma corrida com picapes preparadas, uma corrida da Nascar com pilotos de divisões inferiores, duas corridas classificatórias para a Daytona 500 e, finalmente, o evento principal.

Parece loucura? E é!

A Daytona 500, também conhecida como "Super Bowl da Nascar", é a primeira corrida no calendário da Nascar, com várias semanas de eventos anteriores a data da corrida

A Daytona 500 é a única corrida da Nascar em que a posição de largada não é determinada pelos treinos de classificação (nos quais os motoristas ganham suas posições de acordo com as velocidades conseguidas após correrem sozinhos na pista por uma ou duas voltas). Na Daytona 500, só as duas primeiras posições são definidas pelas velocidades nos treinos de classificação, o restante das posições de largada é definido pela posição dos pilotos após duas corridas de 125 milhas (200 km).

Parece confuso? E é.

Antes das Semanas da Velocidade, as equipes já passaram um mês inteiro testando e ajustando seus carros, uma indicação do quão importante é a Daytona 500: o Super Bowl da Nascar. Mas enquanto o Super Bowl é a final da temporada de futebol americano, a Daytona 500 é a abertura da temporada da Nascar. Por quê? Porque a Nascar acha que isso produz o máximo de tensão.

Parece que eles trocaram as bolas? Trocaram mesmo!

Mas a estratégia funciona. "Acho que é uma grande idéia", diz Sterling Marlin, que venceu a Daytona 500 duas vezes. "Começamos a temporada com a tensão lá em cima. Há muita expectativa, muita ansiedade, e então fazemos a maior corrida da temporada, o que, de certa forma, prepara o palco para o resto do ano. Para mim, vencer em Daytona é como vencer o Super Bowl, a única diferença é que acontece em um momento diferente".

A diferença é que o vencedor da Daytona 500 não vai necessariamente ser coroado o campeão da temporada. A Nascar tem um sistema de pontos (em inglês), realçado por uma disputa de 10 corridas (no fim da temporada) que se chama de Perseguição da Nextel Cup e que determina o campeão de toda a temporada. Os pilotos ganham seus pontos baseados em suas posições a cada corrida do calendário.

Parece matemático demais? E é.

A Daytona 500, por outro lado, é fácil de se entender: o piloto que primeiro cruzar a linha de chegada é o vencedor e, no processo, recebe uma certa medida de imortalidade.

A mística da Daytona 500 foi sendo produzida ao longo de décadas. Na próxima seção, vamos examinar a história da corrida, incluindo o motivo de ela acontecer na ensolarada Flórida.

A Daytona 500 foi realizada pela primeira vez em 1959, mas suas raízes nos levam até 1903, pois foi nesse ano que alguns sujeitos audazes decidiram que as areias niveladas e maciças de Ormond Beach, na Flórida, seriam um local perfeito para descobrir a que velocidade máxima um carro de corrida poderia chegar. Desde então, corridas de praia na área de Daytona viraram uma febre.

Antes de construírem o Autódromo de Daytona, os carros corriam na praia

Em 1934, um mecânico chamado "Grande Bill" France se mudou de Washington para Daytona. E a única coisa que France gostava de fazer mais do que consertar carros era disputar corridas com eles. Ele, como um verdadeiro visionário, olhou além da areia e viu o futuro.

As corridas com carros do tipo stock car (que basicamente eram carros normais preparados) possuíam fãs específicos. Os eventos aconteciam principalmente em pequenas pistas de certos pontos do sudeste rural. Mas France mudaria isso. Em 1955, ele anunciou seus planos para construir o gigantesco Autódromo Daytona Beach Motor Speedway (que hoje é chamado de Daytona International Speedway). Quatro anos depois, realizou-se a primeira Daytona 500.

E foi o próprio France quem fundou a Nascar e começou a organizar o que antes era um esporte sem regras. Como France morava em Daytona e sua pista também estava lá, nada mais lógico do que construir a sede da Nascar nessa cidade da Flórida também.

Bill France Sr. (esquerda) foi o visionário que fundou a Nascar e planejou a construção do Autódromo de Daytona

E Daytona provou ser o local ideal para o centro administrativo da Nascar. A Daytona 500 abre a temporada da Nascar todo mês de fevereiro, um momento do ano em que muitas outras pistas ao redor do mundo estão cobertas de gelo e neve, oferecendo aos fãs a chance de escapar do inverno e de ter sol, surfe e velocidade. Cerca de 200 mil fãs lotam a Daytona 500 todos os anos.

Além disso, o autódromo de Daytona recebe anualmente uma segunda corrida da Nascar durante o fim de semana de Quatro de Julho, Dia da Independência dos Estados Unidos. Mas apesar de acontecer na mesma pista e com os mesmos carros e pilotos, definitivamente não é a mesma corrida, da mesma maneira que, embora haja várias corridas no Jockey Club Brasileiro, no Rio de Janeiro, só uma é o Grande Prêmio Brasil. É a mesma lógica do que acontece em Daytona.

"Para um piloto, quando você dirige por aquele túnel e entra na perte interna de Daytona, é como se estivesse entrando pelo portão do céu", afirmou Darren Waltrip. "Se você entra na pista de Daytona sem ficar todo arrepiado, pode ter certeza de que você não é piloto, cara".

E realmente, o Autódromo de Daytona é único.

O Autódromo de Daytona é uma pista que pode botar medo. Com cerca de 4 km de extensão, ela não é o maior circuito da Nascar (essa honra fica com o Autódromo de Talladega, no Alabama, com seus 4,18 km). E ela também não é a pista mais rápida (esse título fica com o Autódromo de Atlanta). Mas com uma reta que produz velocidades em torno de 320 km/h, pode-se dizer que Daytona é muito rápida.

O formato dela é chamado de trioval. A superelevação da pista varia de 31 graus nas curvas a 18 graus na reta dos boxes e 3 graus na principal. E quão íngreme são 31 graus? É só pensar em uma montanha de esquiar. Se a superelevação não fosse tão grande, os carros sairiam voando da pista quando estivessem procurando fazer as curvas na maior velocidade possível.

É a superelevação de Daytona que permite que os carros andem a velocidades tão altas
Em Daytona e outras pistas grandes semelhantes, os pilotos usam uma estratégia chamada de "pegar o vácuo". O carro da frente faz um buraco no ar e os carros de trás andam no vácuo criado por ele (lembre-se de que quando você anda na estrada e coloca sua mão para fora da janela, ela leva um baita empurrão do ar. Mas se colocar sua mão atrás do retrovisor, esse empurrão acaba, pois o retrovisor pára o vento. Então, de uma maneira bem simplificada, podemos dizer que sua mão está pegando o vácuo do retrovisor).

Dois ou mais carros andando um atrás do outro podem ganhar velocidade, enquanto um carro separado irá acabar ficando para trás. Mas então como é que o carro de trás faz a ultrapassagem? O truque é ganhar velocidade no vácuo e usar essa força para estilingar e ultrapassar o carro da frente.

Embora todos os campos de futebol tenham quase o mesmo tamanho e uma trave de cada lado, nem todos eles são o Maracanã.

E quando, no meio de um jogo com seus amigos no campinho de área "Barrigas de Cerveja Unidas do Bairro", você tem um pênalti para bater, não tem pressão nenhuma. Basta escolher um lugar da área que não tenha buraco e enfiar o pé na bola. Mas e se o pênalti fosse no Maracanã lotado, com 80 mil pessoas gritando, as câmeras todas em você, os narradores ansiosos e um cara chamado Marcos fosse o goleiro do outro time? Deu para ter uma idéia?

Devido às placas restritoras, os carros rodam perigosamente próximos em Daytona

"Com certeza há muita pressão em Daytona", afirma o lendário e aposentado piloto Darrell Waltrip, que venceu 84 corridas da Nascar, mas apenas uma vez a Daytona 500. "É o começo de uma nova temporada e há uma tremenda e crescente tensão. Nessa corrida, há mais meditação do que em qualquer outra. Você fica o tempo todo consciente da situação e da aura que envolvem o local, e isso acaba pesando na sua mente".

A concorrência é mais dura em Daytona do que em qualquer outro lugar. Como é a abertura da temporada, todas as equipes estão descansadas, ansiosas e cheias de ambições. Todas elas passaram o inverno se preparando e semanas treinando.

Além disso, há os aspectos técnicos da corrida. Os autódromos de Daytona e Talladega são as duas únicas pistas do circuito da Nascar em que placas restritoras são exigidas. Essas placas restritoras são colocadas sobre o carburador para limitar a entrada de ar, o que diminui a potência e a velocidade.

E por que a Nascar quer uma corrida "mais lenta" nessas duas pistas? É que as velocidades haviam subido tanto que os carros estavam começando a decolar, literalmente. No fim da década de 80, em Talladega, Bobby Allison e seu Buick de 1.542 kg saltaram da pista e quase pularam um muro de 3 metros que separava a pista de uma arquibancada lotada. Foi aí que a Nascar decidiu que seria melhor colocar rédeas na velocidade.

Mas as placas restritoras não são a solução perfeita. Os pilotos reclamam que as placas restritoras diminuem a resposta de aceleração e deixam os carros lerdos. Sterling Marlin, que venceu a Daytona 500 duas vezes, afirma, "É como dirigir no cimento molhado".

Mais importante, os carros costumam ficar agrupados muitas vezes quatro lado a lado, colados uns aos outros a uma velocidade de 320 km/h. E assim, basta uma desatenção, um soluço, para que o "The Big One", um engavetamento monstro - como chamam os americanos - aconteça. Marlin continua: "Depois de terminar as 500 milhas de Daytona, a primeira coisa que você faz é arrancar seus dedos do volante. Depois, você solta o ar".

Os pilotos capazes de controlar todos esses elementos e chegar à vitória em Daytona serão famosos pelo resto da vida. Na próxima seção, veremos uma lista dessas lendas, os homens que venceram a Daytona 500.

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