O Moco

15/09/2010

Ele não acreditava em sorte, mas em técnica e levou até o fim o lema que orientou sua maravilhosa e curta carreira: "- pé na tábua ! "


Certa tarde de domingo, na jovem-guardíssima rua Augusta dos anos 60, um adolescente paulistano alto - 1,80 metro - e meio gorducho -mais de 100 quilos - começou a mostrar a determinação como um dos registros mais fortes do seu caráter. Paquerou Elda Regina D'Andrea, uma gata recatada, na fila do cine Majestic.

Depois da sessão seguiu-a até o Ibirapuera, ainda uma região bucólica da cidade, comandando o seu envenenado Simca Chambord branco, suspensão rebaixada e escapamento aberto. Mandou recados, atirou bilhetinhos no jardim, telefonou - e dez anos depois casou-se com ela, quando a firmeza de propósito já se manifestava em outra de suas paixões, o automobilismo.

A cerimônia de casamento de José Carlos Pace com Elda Regina, no consulado brasileiro em Londres, coincidiu com o começo de sua arrancada para a Fórmula 1, um ciclo de vida emocionante e conturbado, que revelaria um traçado de destino contra o qual a determinação não funcionou: a inclinação para o trágico. Sua vida, pontuada de algumas alegrias e obstáculos constantes, voou pelos ares a bordo de um avião monomotor que se espatifou em 1977, quando ele ainda não havia completado 33 anos.

"O Zé era tímido mas bem humorado, calado mas muito calmo", lembra Elda, saudosa dos tempos do namorico de portão, quando Pace ainda escondia de todos a obsessão pela velocidade e pelo risco, participando das provas com o pseudônimo de "Moco" (calado). A noiva e a própria família do piloto -dona Amélia e seu Ângelo - só souberam que ele corria quando ouviram pelo rádio o verdadeiro nome do campeão Moco. Já então, quase nada havia a fazer: donos de uma próspera tecelagem no bairro do Ipiranga, os Paces resolveram apoiá-lo em seu sonho, e no início dos anos 70 - pesando já pouco mais de 70 quilos por força de um regime jamais abandonado - Moco mudou-se para Attleborough, vilarejo da Inglaterra, sede da famosa escola de pilotagem de Jim Russell.

Viveram meses tumultuados - Elda, recém-casada, dividia um minúsculo sobrado com o marido e o secretário Francisco Rosa, o Chiquinho, antigo administrador do autódromo que leva o nome de seu chefe, José Carlos Pace. Morava também lá o corredor Fritz Jordan, outro aspirante a campeão. "Eu não sabia cozinhar, o dinheiro era curto porque as despesas ficavam todas por conta -do aluno, e o Zé, apesar de ter abandonado as massas e os refrigerantes, sempre gostou de comer bem", conta Elda. Acostumada à comidinha farta, quente e bem temperada da classe média brasileira, rapidamente cedeu ao encanto das carnes semi-prontas e dos legumes pré-cozidos do dia-a-dia inglês. Cinco meses depois voltou ao Brasil para o nascimento da primeira filha do casal, Patrícia.

Para Pace, não havia cautela nem moderação quando se tratava de pistas de corrida - ele avançava aceleradamente rumo à Fórmula 1, ao mesmo tempo que Emerson e Wilsinho Fittipaldi inauguravam suas carreiras internacionais. O garoto veloz, que construía os próprios carrinhos de rolimã para sair ladeira abaixo no acidentado Pacaembú, onde morava quando criança, já havia cumprido algumas etapas fundamentais. Correra de kart e orgulhava-se do título de campeão brasileiro de Marcas dividido com Luiz Pereira Bueno, em 1967, pilotando um Renault-Gordini. Passou como um bólido pelos estágios mais técnicos e exigentes. Na Europa, em 33 largadas, Moco obteve seis vitórias e sete segundos lugares. Foi o campeão inglês de Fórmula 3 em 1970, batendo seis recordes.

Já com o patrocínio do Banco Português do Brasil, cumpriu parte do calendário da Fórmula 2 em 1971 mas entrava ao mesmo tempo numa fase quase interminável de problemas com carros, um drama em sua carreira. Azar? "Não acredito em azar nem em sorte", costumava dizer. "Só creio em técnica." Esse atributo Pace tinha de sobra, mas mesmo assim não se enquadrava na categoria dos pilotos considerados perfeitos, como Emerson Fittipaldi, Jackie Stewart, Jim Clark ou Ayrton Senna, de acordo com o sistema de valores estabelecidos pelos experts em automobilismo. Esta avaliação compreende atributos como dirigibilidade, vontade de vencer, autodomínio e inteligência. Apenas as duas primeiras qualidades, diziam os homens da velocidade, eram características de Moco de modo absoluto. Outra coisa: "Ele conhece pouco de mecânica", avaliava na época Wilson Fittipaldi, pai de Emerson e Wilsinho e experimentado comentarista automobilístico.

Um único êxito na Fórmula 2 - a vitória em Imola, na Itália, em 1969 -, favoreceu sua entrada na Fórmula 1, onde estreou na temporada seguinte, correndo para Frank Williams e voltando a exibir grandes virtudes e alguns defeitos básicos. O apego à velocidade, decisivo em momentos críticos da corrida, era muitas vezes anulado pelo desprezo e desatenção a detalhes como o perigo das curvas, das pistas molhadas, e nas quais o piloto ignorava as necessárias reduções de marcha . Era um pé-de-chumbo, como se diz na gíria automobilística. Apaixonado, impulsivo, venceu as dificuldades com o carro da equipe de John Surtees e chegou a alguns bons resultados, um quarto lugar na Alemanha e um terceiro na Áustria.

- Os ventos pareciam mudar de direção quando se transferiu para a prestigiosa Brabham, fazendo dobradinha com o argentino Carlos Reutmann e na terceira prova da temporada de 1975, no ainda chamado Interlagos, ganhou seu único Grande Prêmio.

Os ventos pareciam mudar de direção quando se transferiu para a prestigiosa Brabham, fazendo dobradinha com o argentino Carlos Reutmann e na terceira prova da temporada de 1975, no ainda chamado Interlagos, ganhou seu único Grande Prêmio. "Correu como um campeão", diziam os jornais da época, mas a previsão não se confirmou. Algo empacava a carreira de Pace, e ele discretamente, atendia às sugestões dos amigos na tentativa de se livrar da tal "ziqui-zira".


A conselho da venerada Mãe Menininha do Gantois, inverteu o sentido de direção da seta que enfeitava seu capacete azul-escuro - colocou-a voltada para cima, que foi imediatamente corrigida em seu capacete pelo amigo Anisio Campos.

Aceitou também um presente da mãe, igualmente carregado de simbolismo, e passou a usar uma estrela de ouro de cinco pontas cercada por um círculo prateado, desenhada, num sonho pelo pai, já morto. E lia com atenção os livretos da seita Seicho-no-iê, de origem japonesa, que prega o otimismo e a alegria como armas contra a dificuldade.

A devoção ao perigo e à velocidade pareciam mais fortes, e Moco - já então um exímio esquiador aquático - começou a tomar aulas de pilotagem de avião. Continuava com o pé na tábua.


Num passeio com o amigo Marivaldo Fernandes e o piloto Carlos Roberto de Oliveira, Pace morreu no meio de uma tempestade, poucos minutos depois de levantar vôo do Campo de Marte, em São Paulo, rumo à Araraquara, no interior do Estado.

Viajava como mero passageiro, mas selou vida e carreira voando baixo - do mesmo jeito que experimentou suas maiores e mais intensas emoções...


O CAMPEÃO MUNDIAL SEM TÍTULO
por Claudio Medaglia

Responda rápido: O que é melhor: um churrasco com os amigos ou camarões fritos a beira-mar ? A minha resposta é que não há um melhor.

- Depende da época.
- Depende do clima.
- Depende da oportunidade.


O mesmo raciocínio vale para a eterna pergunta; quem foi o melhor, Ayrton Senna ou Nelson Piquet ? Eu procuro, sempre, ficar fora desta discussão.


- Ela não esclarece nada.
- Ninguém convence ninguém.
- É pura perda de tempo.

Não querendo perder tempo, costumo responder que, entre Senna e Piquet, prefiro o José Carlos Pace. A minha resposta costuma provocar reações diversas e distintas, dependendo do interlocutor.

1) Pessoas com baixo conhecimento de automobilismo. Não sabem quem foi o Moco. Apos ouvirem um breve histórico, mudam de assunto e não enchem mais o meu saco.

2) Pessoas com médio conhecimento de automobilismo. A minha resposta causa um grande efeito. Pensam que eu sou um "erudito" e, temendo demonstrar pouca familiaridade com o tema, calam-se. É uma boa tática.

3) Pessoas com grande conhecimento de automobilismo. Adoram a resposta. Aproveitam para contar histórias sobre o Pace que, muitas vezes, eu não conhecia. O papo fica agradável e produtivo.


Tive o privilégio de ver o Jose Carlos Pace, ao vivo, no Rio Grande. Ele participou de diversas corridas lá. Vi todas. Certa vez, Moco declarou que o carro que mais lhe deu prazer em dirigir tinha sido o Karmann Ghia Porsche 2000 Dacon.

Aqui vai uma belíssima foto do Moco perseguindo seu companheiro de equipe, Wilson Fittipaldi Jr.

Retomando a comparação entre Senna e Piquet, tenho o atrevimento de dizer que o Moco tinha o melhor dos dois pilotos. Moco, como Senna, era rapidíssimo.

Em SPA, numa prova do Mundial de Marcas, Pace pilotava uma Ferrari e Ickx, outra. Nos treinos, a disputa pela pole foi fenomenal. Ickx, belga e rei de SPA, ficou inconformado e pediu ao Moco para descrever como ele estava fazendo o traçado da pista.

Moco começou a responder: – Aqui eu entro em 4a marcha, estico para 5a............e na Eau Rouge eu entro flat. Ickx interrompeu:

– Duvido. Ninguém faz a Eau Rouge com o pé embaixo.
– Pois eu faço, respondeu Moco.
– Vem atrás de mim que eu lhe mostro.

Os dois foram para a pista e Moco fez a Eau Rouge sem tirar o pé, abrindo mais de 20 metros de Ickx. Frank Williams, testemunha dessa história, conta essa cena para todo o mundo, até hoje. Moco era técnico, como Piquet. Sua condução era suave e redonda.
Bernie Eclestone dizia que o carro de Moco terminava as corridas em melhor estado que o de Reutemann. Era, como Piquet, um grande acertador de carros.

Os mecânicos da Brabham em geral, e Gordon Murray, em particular, sempre declararam que Jose Carlos Pace iniciou um caminho que logo depois foi trilhado por Nelson Piquet.

A oportunidade para escrever este artigo foi dada, esta semana, ao garimpar um sebo e encontrar uma relíquia: O livro "O Campeão Mundial sem Título", de Luiz Carlos Lima, cuja capa reproduzo. Lá dentro, encontro uma dedicatória.

Ao ( ilegível ) do amigo
W.Fittipaldi/ 85

O peso da Flecha

José Carlos Pace estava com o rosto iluminado antes do GP dos Estados Unidos naquele 6 de outubro de 1974. Pensei que fosse pelo seu aniversário — ele fazia 30 anos naquele domingo. Depois, imaginei que ele vibrava com a decisão do título, que pendia entre Emerson Fittipaldi, Clay Regazzoni e Jody Scheckter. Mas não era nada disso. A única pista que Moco me deu foi tamborilar com os dedos sobre o capacete como se me passasse informações em código morse. E, quando ia entrar no carro, ainda me deu uma última dica:

— Está tudo aqui! — gritou, batendo com a mão fechada na cabeça, coberta pelo capacete.

Intrigado com a charada proposta por Pace fui para a largada torcer por Emerson Fittipaldi. Aliás, José Carlos Pace, o Moco, não era fácil de decifrar. Agia como se tivesse quatro personalidades.

Isso mesmo: quatro. Para Elda, sua mulher, prevalecia o Zé, romântico e brincalhão, que matava as aulas para ir nadar no Palmeiras, onde foi recordista juvenil dos 100 metros livres. O Carlos, ou o Carlinhos, como era chamado em casa, era o garoto comportado, que fez o segundo grau e foi eleito pela família para ser o sucessor do pai no negócio de tecelagem. O Carlos Pace, piloto de grand prix, que se isolava do mundo voando a 300 km/h, era a sua identidade preferida. Mas ainda havia o Moco, uma corruptela de mouco, o apelido que o acompanhava desde a infância porque ele se fazia de surdo, só ouvindo o que lhe interessava.

A corrida foi uma festa brasileira. Emerson Fittipaldi se tornou bicampeão, com um quarto lugar (Regazzoni e Scheckter não terminaram a corrida), e Moco chegou em segundo e fez a volta mais rápida. Poderia ter vencido, mas seu boxe mandou manter posição para garantir a dobradinha da Brabham, já que Carlos Reuteman, seu companheiro de time, era o líder.

Finalizada a corrida, era hora de resolver a charada. Voltei à carga. Pace riu, fez a cara do Zé e mostrou novamente o capacete. Entrei em pânico. Ali estava uma grande notícia e eu não conseguia enxergar. Antes que ele voltasse a ser o Moco implorei:

— Qual é o mistério?

Ele encarnou o Carlinhos, pegou o capacete reserva e colocou ao lado do que tinha usado na corrida. Comecei a entender o enigma: o capacete titular não tinha a seta da flecha, o que estava ali era apenas uma faixa amarela. E fiquei mais surpreso quando ele me confidenciou que seu falecido pai tinha aparecido na noite anterior desaprovando o desenho.

— A flecha apontada para baixo pesa muito, meu filho, livre-se desse peso — aconselhou o pai.

Moco saltou da cama e de gilete em punho raspou as pontas agudas da flecha, transformando-a numa simples faixa vertical.

Levei outro susto quando ele pôs a mão abaixo do coração e soltou um gemido. Dessa vez o mistério foi mais fácil de decifrar. Durante a segunda volta da corrida, num impacto contra a lateral do carro, o cinto havia se soltado do cockpit. Moco teve duas costelas quebradas. Estava gemendo de dor.

Um sonho interrompido
Por Daniel Frazão

"Eu, ídolo? Nunca. Nem sonhei com isso como tanta gente faz. Eu sonhava em ser profissional, em viver disso. Minha fronteira era Interlagos e era ali que me imaginava melhor." A declaração foi feita pelo piloto brasileiro José Carlos Pace em 1975, numa entrevista à Folha de S. Paulo, e soa atualmente como uma profecia. Afinal, em cinco anos de Fórmula 1, ele ganhou apenas uma corrida na carreira: justamente o GP do Brasil, em Interlagos. Morto dois anos depois, deu nome ao autódromo paulistano, terminando esquecido pela maioria dos brasileiros.

Moco, como era chamado pelos amigos, entrou na principal categoria do automobilismo internacional em 1972. Começou correndo na March, do inglês Frank Williams, dono da Williams de hoje. Mesmo assim, ele continuou atuando na Fórmula 2, principal campeonato de acesso da época, no time de John Surtees, ex-piloto e campeão de 1964. No entanto, seu melhor resultado na temporada acabou sendo um quinto lugar no GP da Bélgica. O carro ainda não era competitivo e não completou quatro etapas por conta de problemas mecânicos na maioria das vezes.

Em 1973, Pace se transferiu para a escuderia de Surtees na Fórmula 1, mas os resultados continuaram minguados. Para se ter uma idéia, ele abandonou logo nas quatro primeiras corridas. Pelo menos, conseguiu o primeiro pódio de sua trajetória, obtendo uma terceira colocação no GP da Áustria. Contudo, recusou uma mudança para a Ferrari nesse período, equipe que defendia no Campeonato Mundial de Marcas. Moco preferiu levar em consideração a amizade e a lealdade com Surtees. Enquanto isso, seu também amigo Emerson Fittipaldi já tinha um título e algumas vitórias guiando a Lotus preta.

Porém, enfim veio o momento no qual Pace entraria no cockpit de uma equipe grande. Em 1974, ele recebeu o convite do britânico Bernie Ecclestone para defender a Brabham. Assim, Moco passou a ser companheiro do argentino Carlos Reutemann, futuro vice-campeão em 1982. Os resultados melhoraram, mas ele demorou para engrenar uma pontuação que o pusesse como postulante ao título da temporada. Mas a proximidade da primeira vitória foi anunciada no GP dos Estados Unidos, quando faturou um segundo lugar.

A vitória no GP do Brasil

Após três anos completados na F-1, enfim José Carlos Pace ganhou sua primeira corrida na categoria em 1975. A cidade de São Paulo fizera aniversário no sábado e Interlagos recebia a quarta edição do GP do Brasil. Moco conseguiu a sexta posição no grid de largada e já corria para surpreender o público. O domingo amanheceu quente e seco, a ponto de os bombeiros esguicharem água com mangueiras para refrescar os torcedores. Emerson Fittipaldi era o segundo antes da luz verde.


Na primeira curva, o francês Jean Pierre Jarier, da Shadow, perdeu o primeiro lugar da pole position para Reutemann, tentando dar o troco ainda antes da segunda passagem. Entre a quarta e a quinta volta, ele passou o argentino no final do retão, reassumindo a ponta da corrida. Pace, por sua vez, buscava o segundo lugar, administrando os ataques de quem vinha atrás. Na 13ª volta, o paulista teve a chance de ultrapassar seu companheiro de Brabham, ficando em segundo. Só que a vantagem de Jarier já estava em 19 segundos, fazendo-o favorito para a vitória.

Já Fittipaldi conduzia a sua McLaren para completar a dobradinha. No começo, ele não conseguia ultrapassar a Tyrrell de Jody Scheckter. Mas o sul-africano abandonou a corrida e Emmo foi para cima do austríaco Nick Lauda. Entre a 24ª e 25ª volta, ele deixou a Ferrari para trás e apareceu em terceiro. O público brasileiro não sabia muito bem para quem torcer, demonstrando uma certa preferência por Emerson. Na 32ª volta, Jarier saiu da corrida com um problema na bomba de óleo e um pneu furado. "Quando vi o carro dele encostado na Curva do Sol, senti a mais forte emoção da minha vida. Faltavam oito voltas para acabar a corrida e eu tinha uma grande vantagem em relação ao Emerson", destacou Pace, descrevendo o momento no qual o êxito estava praticamente garantido. Quase dez segundos atrás, restou a Fittipaldi cumprimentar o amigo com um aceno, emparelhando seu carro ao de Moco.


A torcida estava tão entusiasmada com a primeira vitória da carreira de Pace, assim como com a primeira dobradinha brasileira na história da F-1, que ele não conseguiu levar seu carro de volta até os boxes. Com isso, teve de ser levado nos ombros. Com fortes dores de cabeça, ele apenas entrou na garagem, sentou no chão e chorou copiosamente. Sem muita experiência nesse tipo de ocasião, subiu no pódio errado, sendo o último a chegar para a comemoração regada a champanhe. Depois de receber a tradicional coroa de louros, Moco pegou uma bandeira do Brasil entregue por Emerson e balançou-a para o público. A tragédia que pôs fim à promessa

José Carlos Pace fechou a temporada de 1975 com a melhor colocação de sua carreira, ocupando um sexto lugar. No campeonato seguinte, mesmo ainda a bordo da Brabham, ele encerrou o ano em 14º, em dificuldades para acertar os motores Alfa Romeo de 12 cilindros. Entretanto, em 1977, Moco era considerado um dos favoritos para se tornar campeão, nos primeiros testes antes da disputa, sua equipe tinha o carro mais rápido. Além disso, ele ainda tinha a preferência de Ecclestone.


Mas uma fatalidade matou Pace em 18 de março daquele ano, num acidente aéreo, portanto, bem longe das pistas que poderiam consagrá-lo definitivamente. Ele voltava da fazenda do amigo Marivaldo Fernandes, também morto na queda do monomotor PP-EHR, em Mairiporã, na Grande São Paulo. Seu corpo ficou mutilado e foi reconhecido somente por causa de uma sapatilha azul. Dessa forma, deixou inúmeros fãs inconsolados, assim como a mulher Elda e os filhos Patrícia e Rodrigo.

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