Os desconhecidos da Fórmula 1

27/09/2010

Bom galera o post do leitor desta segundo foi de João Alberto dos Santos de Campo Grande, obrigado João pela sua contribuição.

Alguns pilotos, por nunca terem sido campeões na Fórmula 1, são desconhecidos da maioria apesar do sucesso que eventualmente obtiveram em outras categorias e atividades correlatas à F-1. Um deles é Jackie Oliver, que apesar de ser um piloto muito veloz e de ter corrido pela a Lotus, BRM, McLaren, e Shadow (F-1 e Can-Am) durante oito anos não consecutivos, nunca sobressaiu na categoria máxima.

Quando corria de Brabham na F-3, despertou o interesse de Jim Endruweit, chefe de equipe de Colin Chapman, que o contratou para pilotar um Lotus de F-2.


Sua primeira prova de F-1 foi logo acontecer no difícil traçado de Mônaco, em 1968, e substituindo ninguém menos do que Jim Clark, que havia recentemente falecido em Hockenheim. Como se já não houvesse pressão suficiente sobre o novato, Colin Chapman chegou para ele no grid e disse: “Meu rapaz, basta manter o carro na pista e marcar um ponto, só isso...!” Resultado: esborrachou-se numa parede na saída do túnel para não atingir Scarfiotti e Bruce McLaren, que estavam esparramados no meio da pista. Apesar de ter ouvido de Chapman, ao regressar ao box, que jamais pilotaria para ele novamente, terminou a temporada. Com o Lotus 49 liderou o GP da Inglaterra, até a quebra da transmissão, e subiu no pódio no México. Foi porém substituído por Jochen Rindt para a temporada de 1969.

Em 1973 no GP do Canadá, Oliver, com um Shadow, até que não foi mal. Muitos acreditam até que foi o real vencedor da prova, e que somente por motivo de forte chuva, e de uma inacreditável confusão com os mapas da corrida, acabou ficando oficialmente com o terceiro lugar. Foi porém vencedor incontestável em provas de Endurance, como em Daytona, Sebring, Monza, Spa, Le Mans, onde detém o record do circuito do Sarthe, e campeão da Can-Am. Após vencer a Le Mans de 1969, em dupla com Jacky Ickx, pilotando um GT 40, Edsel Ford lhe disse que estava enviando para a sua casa um carro igual como troféu dessa importante conquista. Toda a sua alegria desapareceu quando recebeu a fatura e descobriu, surpreso, que não seria um presente...

Oliver talvez seja mais conhecido como proprietário de equipe de F-1 do que como piloto. É que ao sair da Shadow como campeão da Can-Am, juntou-se com Tony Southgate, Dave Wass, Alan Rees e o banqueiro Franco Ambrosio para fundar a Arrows. Logo depois Ambrosio iria parar na cadeia envolvido num escândalo com o seu banco, o Banco Ambrosiano.


Rapidamente a Arrows conseguiu montar um primeiro carro, o FA/1 que, em sua terceira corrida, chegou a marcar pontos nas mãos de Riccardo Patrese, em Long Beach. Acionados judicialmente pela Shadow, alegando que o carro da Arrows era uma cópia do modelo DN9, foram obrigados a produzir um novo carro. Conseguiram realizar essa proeza em somente 52 dias! Com patrocínio da cervejaria Warsteiner colocaram até um segundo carro na pista, pilotado por Rolf Stommelen.

Apesar de nunca haver sobressaído como um time de ponta em seus 24 anos de vida, a Arrows foi uma espécie de “faculdade” para diversos pilotos de F-1. Por lá passaram nomes como Berger, Cheever, Warwick, Villeneuve, Alboreto, Boutsen, Frentzen, entre vários outros. Por lá passaram também cinco pilotos brasileiros: Chico Serra, Christian Fittipaldi, Ricardo Rosset, Pedro Diniz e Henrique Bernoldi. A Arrows detém o nada invejável recorde histórico de 382 participações em Grandes Prêmios sem nenhuma vitória! Keith Jack Oliver manteve sua participação acionária na Arrows até o ano de 1999, quando vendeu suas ações para Tom Walkinshaw.

Uma curiosidade que deve ser mencionada é que dos quadros da Arrows fez parte um jovem projetista que viria a se tornar famoso muitos anos mais tarde como estrategista, e agora recentemente como dono de equipe, chamado Ross Brawn. Foi ele o responsável pelo desenho dos modelos A-10 que, em 1988, beliscaram um 3º e um 4º lugar em Monza, no melhor ano da equipe na F-1, e no qual marcaram 23 pontos. Brawn tem um certo talento como projetista, pois é dele também o desenho do Jaguar XJR-14 vencedor do Mundial de Marcas de 1991. Martin Brundle levou este carro à vitória em Monza, e em Le Mans.

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