1982 - Keke Rosberg

20/10/2010

A Temporada de Fórmula 1 de 1982 foi a 33ª realizada pela FIA. Teve como campeão o finlandês Keke Rosberg, da equipe Williams.

Ferrari e McLaren voltaram a conseguir bons resultados na temporada 1982 de Fórmula 1. A escuderia de Maranello faturou o título de construtores enquanto a equipe inglesa obteve o vice-campeonato.

Mas o campeonato de pilotos ficou com o finlandês Keke Rosberg, da Williams. Vencedor de uma única prova ele levou o título pela consistência de seus resultados.

Enquanto Nelson Piquet e Carlos Reutemann amargavam uma péssima temporada na qual o brasileiro ficou apenas no 11º lugar e o argentino em 15º.

No entanto, o ano foi palco de muitas tragédias dentro das pistas. O piloto canadense Gilles Villeneuve morreu durante o terino de classificação para o GP da Bélgica. Já o italiano Riccardo Paletti perdeu a vida após colidir com o carro do francês Didier Pironi no GP do Canadá.

Apesar de ter sobrevivido, Pironi – que era companheiro de Villeneuve – sofreu outro acidente no GP da Alemanha onde ficou gravemente ferido e abandonou a Fórmula 1.
O campeonato de 1982 começava sob o signo da controvérsia e polémica.

Ainda se falava dos carros que em 1981 corriam abaixo do peso mínimo regulamentado. Foi o ano do regresso de Niki Lauda (austríaco) à Formula 1 após dois anos de ausência. Houve tragédia, greve (guerra entre pilotos e equipes) e regulamentos contestados. Seria um campeonato que não deixaria saudades.

A FOCA e a FISA acordaram num novo contrato que os pilotos teriam que assinar para obter a super-licença. Essa super-licença era emitida em nome do piloto mas especificamente para uma equipe. Desta forma os pilotos não podiam mudar de equipe antes que o seu contrato terminasse. Ao regressar à Formula 1, Lauda apercebeu-se dessa cláusula que prejudicava os pilotos e alertou Didier Pironi (francês) que era o presidente da GPDA (GP Drivers Association – Associação dos Pilotos de GP).

Em face disso, no primeiro GP do ano, em Kyalami (Africa do Sul), os pilotos fizeram greve e não compareceram aos treinos. Os pilotos ficaram no hotel sendo entretidos por Elio de Angelis que tocava piano. O “braço de ferro” entre Ecclestone (presidente da FOCA – Formula One Constructor Association) e Pironi durou toda a noite mas Pironi conseguiu abolir essa cláusula do contrato.

O GP da Africa do Sul foi o palco de uma brilhante performance de Alain Prost e do Renault RE30B. A Renault domina a corrida. Prost chega à liderança ao ultrapassar Arnoux, seu colega de equipe, mas na 41ª volta fura um pneu que o obriga a ir às “boxes”. Quando regressa está na 8ª posição. Mas efetua uma excelente recuperação chegando à liderança do GP a nove voltas do final. O segundo classificado foi o argentino Carlos Reutemann (Williams) e René Arnoux ficou em terceiro.

No GP do Brasil, a FISA mantinha a decisão sobre os 6 cm de altura ao solo que os carros tinham que ter. E não seria possível completar os depósitos antes das verificações técnicas depois da corrida. Esta medida teve consequências imediatas neste GP. Nelson Piquet (brasileiro) foi o primeiro e Keke Rosberg (finlandês) foi o segundo. Mas o Brabham de Piquet e o Williams de Rosberg foram pesados abaixo do peso mínimo autorizado porque não foram autorizados a repor a água nos falsos depósitos de refrigeração dos travões. Assim os dois foram desclassificados e Alain Prost, que tinha sido terceiro, foi declarado o vencedor. A Brabham e a Williams ainda tentaram recorrer mas a desclassificação foi confirmada. O irlandês John Watson (McLaren) foi o segundo e o britânico Nigel Mansell (Lotus) foi o terceiro. Carlos Reutemann (Williams) não termina a corrida e decide por um ponto final à sua carreira na Formula 1.


Carlos Reutemann estreou-se na Formula 1 no GP da Argentina de 1972.

Realizou 146 GP’s, venceu 12 vezes. Fez 6 pole-position e 6 melhores voltas. Foi vice-campeão em 1981. Passou por 4 equipes: Brabham (1972 a 1976), Ferrari (1976 a 1978), Lotus (1979) e Williams (1980 a 1982).

No GP dos EUA (Long Beach), o italiano Andrea de Cesaris (Alfa-Romeo) surpreende ao fazer a pole-position. De Cesaris liderou as voltas iniciais mas depois foi ultrapassado por Niki Lauda (McLaren) que venceu a prova, a terceira depois do seu regresso. Rosberg (Williams) foi o segundo classificado e Gilles Villeuneve (canadiano) foi desclassificado, tendo perdido o terceiro lugar devido a um aileron irregular do seu Ferrari. Riccardo Patrese (italiano), beneficiou com a desclassificação do canadiano, ficou em terceiro com o Brabham.

No GP de Imola, a maioria das equipes favoráveis à FOCA boicotaram a prova como forma de protesto às desclassificações do GP do Brasil. A corrida realizou-se apenas com 14 carros (Ferrari, Renault, Alfa-Romeo, ATS, Osella, Toleman e Tyrrell). Para além deste aspecto houve outro fator que faria com que este GP ficasse ligado à tragédia que viria a acontecer no GP seguinte, na Bélgica.

Arnoux (Renault) liderou grande parte da corrida mas teve que abandonar à 44ª volta deixando Villeneuve (Ferrari) na liderança seguido de Pironi (Ferrari). A equipe Ferrari teria delineado uma tática para a corrida na qual se abrandaria o ritmo mantendo as posições assim que se tivesse 40 segundos de vantagem sobre os outros. E Villeneuve abrandou o seu ritmo quando as ordens das boxes assim o determinaram. Mas Pironi aproveitou e ultrapassou Villeneuve. À 49ª volta Villeneuve volta a passar Pironi e abrandou novamente. Uma vez mais Pironi volta a passar o seu colega de equipe. À 59ª volta Villeneuve liderava novamente mas na última volta Pironi volta a ultrapassa-lo e vence a corrida. Villeneuve, furioso por Pironi ter desrespeitado o acordo e as ordens da equipe, não lhe falou no pódio e terá jurado nunca mais lhe dirigir a palavra enquanto fosse vivo. Terrível premonição para o que estaria para acontecer na próxima corrida. O terceiro classificado foi Michele Alboreto (italiano) num Tyrrell. O seu primeiro pódio na Formula 1.

Decorridos quatro GP’s, o campeonato de pilotos era liderado por Alain Prost (18 pontos). Nas marcas, a Renault era líder (22 pontos).

Ao chegar à quinta prova do campeonato, em Zolder, a tensão, na equipe Ferrari, entre os pilotos Gilles Villeneuve e Didier Pironi (francês), estava em níveis elevadíssimos. Tudo porque Pironi teria desrespeitado o acordo e ordens da equipe no GP anterior.

Nos treinos, no sábado, Pironi e Villeneuve discutiam entre si a pole-position. Momentos antes de terminar a qualificação e com Pironi provisoriamente na pole-position, Villeneuve tenta desesperadamente bater o seu colega de equipe mas embate no carro de Jochen Mass (que regressava às boxes). O Ferrari de Gilles levanta voo e após várias cambalhotas o piloto é projetado. Gilles Villeneuve não recuperou os sentidos e morre no hospital.

Gilles Villeneuve tinha 32 anos quando morreu. Apenas venceu 6 corridas mas quem o viu correr diz foi dos mais excitantes pilotos que a Formula 1 já teve. Conseguiu 2 pole-position e 8 melhores voltas. Dos 67 GP’s em que participou, 66 foram pela Ferrari e 1 pela McLaren, precisamente o da sua estreia na Formula 1 (GP da Grã-Bretanha em 1977). É considerado um campeão sem coroa.

E agora o que menos interessa do GP da Bélgica de 1982, o resultado final. John Watson (McLaren) venceu, Keke Rosberg (Williams) foi o segundo e Eddie Cheever (Ligier) foi o terceiro. A Ferrari não participou na corrida. Nos próximos 3 GP’s a Ferrari apenas corre com um carro, o de Pironi.

No GP do Mónaco, o italiano Riccardo Patrese (Brabham, com motor Ford. Piquet utilizava o Brabham com motor BMW Turbo) vence o seu primeiro GP na Formula 1. Foi uma corrida bastante atribulada. Os franceses da Renault dominam a prova mas perdem a corrida nas voltas finais. René Arnoux liderou as 14 primeiras voltas mas depois abandona. Alain Prost assume a liderança e é o primeiro até à 73ª volta quando tem um acidente que o leva ao abandono. Patrese assume a liderança mas faz um pião e Pironi (Ferrari) fica na liderança. Mas Pironi tem problemas elétricos (falta de combustível?) na última volta (76ª). Andrea De Cesaris (Alfa-Romeo) é agora o líder mas também lhe falta o combustível. Patrese reassume a liderança e vence a prova monegasca. Pironi fica em segundo e De Cesaris em terceiro.

No segundo GP dos EUA, o irlandês da McLaren, John Watson, obtêm a sua segunda vitória da temporada. Eddie Cheever (americano) consegue o segundo lugar para a Ligier e Pironi (Ferrari) fica em terceiro lugar.

O GP do Canadá fica marcado por mais uma tragédia. Riccardo Paletti (italiano), jovem piloto da Osella, morre num acidente na largada do GP. O motor do Ferrari de Pironi, que era o pole, foi abaixo e Pironi fica parado na largada. Vários pilotos conseguiram evitar o Ferrari mas Paletti, que não viu o Ferrari, embate na sua traseira com violência. O jovem piloto sofreu ferimentos fatais. A sua mãe tinha vindo ao Canadá assistir à segunda participação do seu filho. Palleti tinha 23 anos. Estavam decorridos 8 GP do campeonato de 1982 e já tinham morrido 2 pilotos. Este era já um campeonato para lamentar.


Nelson Piquet venceu o GP do Canadá. Foi a primeira vitória de um motor BMW Turbo na Formula 1. Riccardo Patrese foi o segundo, com o Brabham Ford. John Watson (McLaren) foi o terceiro.

Decorrida que estava a primeira metade do campeonato, Watson era o primeiro (30 pontos) seguido de Pironi (20 pontos). A McLaren era líder (42 pontos) seguida da Ferrari (26 pontos).

No GP da Holanda, a Ferrari, novamente com dois carros, vence a corrida com Pironi a impor-se aos adversários. Nelson Piquet (brasileiro) fica em segundo lugar com o Brabham BMW Turbo. Keke Rosberg (finlandês) consegue levar o Williams Ford à terceira posição.

No GP da Grã-Bretanha, em Brands Hatch, Rosberg consegue a sua primeira pole-position na Formula 1 mas não termina a prova. O austríaco Niki Lauda (McLaren) consegue a sua segunda vitória depois de regressar à Formula 1, nesse ano. Os dois Ferrari completaram o pódio, Pironi em segundo e Tambay em terceiro. Neste GP, Gordon Murray, da Brabham, reintroduziu o reabastecimento nas corridas de Formula 1. A última vez que esta tática tinha sido utilizada tinha sido nos anos cinquenta. Murray concluiu que o motor BMW Turbo necessitava de mais combustível que os Ford aspirados logo o Brabham pesava mais que os adversários. Pensou então que se o Brabham corresse com menos combustivel (mais leve) e pneus macios poderia fazer uma paragem ao meio da corrida para reabastecer e mudar de pneus e mesmo assim vencer a corrida. Esta teoria não chegou a ser completamente posta em prática nesta corrida porque Piquet abandonou à 10ª volta quando liderava.

No GP da França o domínio pertenceu à equipe da casa, a Renault. René Arnoux faz a pole-position e lidera a corrida seguido de Alain Prost. Na equipe Renault teria ficado combinado que Arnoux deixaria passar Prost para a frente porque este estava em melhor posição no campeonato. Contudo Arnoux não cumpriu o que estava acordado e venceu o GP da França. Prost ficou com o segundo lugar e Pironi foi o terceiro. Foi a primeira dobradinha da Renault.

Nos treinos do GP da Alemanha, sob uma intensa chuva, Didier Pironi embate na traseira do Renault de Prost e sofre várias fraturas nas pernas. Pironi não viu o Prost porque estava encoberto pelo “spray” dos carros. Foi um acidente muito semelhante ao de Villeneuve mas a Ferrari já tinha reforçado o monocoque depois da morte do canadiano. Didier Pironi ainda tentou, depois de uma longa recuperação, regressar à Formula 1 mas esse regresso nunca se chegou a concretizar. Pironi viria a falecer, em 1987, num acidente ocorrido numa prova de motonáutica.

Patrick Tambay, ao volante do Ferrari, vence a corrida germânica. Foi a sua primeira vitória na Formula 1. René Arnoux (Renault) ficou em segundo lugar e Keke Rosberg (Williams) foi o terceiro. Ficou para a história da Formula 1 a cena de pugilato protagonizada por Nelson Piquet (Brabham) e o chileno Eliseo Salazar (ATS). Piquet liderava a corrida quando, à 18ª volta, ao ultrapassar Salazar numa das chicanes, o chileno atrapalhou-se e embateu na traseira do Brabham de Piquet, ficando os dois fora da corrida. Piquet furioso esmurrou Salazar em direto na televisão. Muitos anos depois, Paul Rosche, da Brabham, confidenciou que depois da corrida o motor BMW foi aberto e verificaram que apenas duraria mais duas voltas.
Após 12 GP’s, no campeonato de pilotos Pironi era o primeiro com 39 pontos, seguido de Watson (30 pontos) e Rosberg (27 pontos). Nos construtores, a Ferrari era líder com 61 pontos.

No GP da Áustria, a Brabham provou que a tática das paragens nas boxes podia funcionar com sucesso. Riccardo Patrese (italiano), que liderou metade da corrida, conseguiu manter essa liderança durante a paragem nas boxes. Mas o seu Brabham BMW sofreu uma quebra no motor. Alain Prost (francês) assumiu a liderança mas o seu Renault acabou por ter problemas a cinco voltas do fim. Elio de Angelis (italiano) fica na primeira posição mas com Rosberg (Williams) colado à traseira do Lotus do italiano, fazendo tudo para o ultrapassar. Foi um dos mais emocionantes finais de corrida. De Angelis bateu Rosberg por 0,125 segundos. Foi a primeira vitória de Elio de Angelis na Formula 1. A Lotus ao fim de quatro anos voltava a vencer um GP.

O GP da Suíça voltou à Formula 1 depois de 28 anos de ausência. Mas a prova realizou-se em Dijon (França) porque a Suíça tinha proibido as corridas de automóveis no país devido ao acidente ocorrido nas 24 Horas de Le Mans em 1955.

O GP da Suíça foi dominado por Prost (Renault) mas na penúltima volta foi ultrapassado por Rosberg (Williams), que venceu a corrida. Prost foi segundo e Lauda o terceiro. Rosberg venceu a sua primeira corrida na Formula 1 e assumia a liderança no campeonato.

A Ferrari contrata Mário Andretti (ítalo-americano) para fazer as duas últimas corridas do ano. No GP de Itália Andretti faz a pole-position mas apenas termina em terceiro lugar. O francês René Arnoux (Renault) domina e vence a prova italiana. Arnoux já tinha assinado pela Ferrari para o ano de 1983. Patrick Tambay (Ferrari) ficou em segundo lugar.

Ao chegar à última corrida do ano, em Las Vegas (EUA), Keke Rosberg (Williams) era o primeiro com 42 pontos e Watson era o terceiro com 33 pontos. Didier Pironi (belga) era o segundo com 39 pontos mas desde que sofreu o acidente no GP da Alemanha que estava afastado das corridas sem previsão de retorno, como tal, não podia lutar pelo título. Então apenas Rosberg e Watson tinha hipóteses de conquistar o título, com vantagem para o finlandês da Williams. Para Watson a tarefa era difícil, Rosberg não podia pontuar e Watson tinha que vencer o GP.

Nas marcas, a Ferrari ainda podia ser alcançada pela McLaren mas tinha que terminar nas duas primeira posições, o que se previa também difícil.
Keke Rosberg fez uma prova cautelosa terminado em quinto lugar e sagrou-se Campeão do Mundo. Watson apenas consegue o segundo lugar. A surpresa veio da Tyrrell. Michele Alboreto (italiano) consegue a vitória após muitas voltas de domínio de Prost (Renault). Alboreto vence pela primeira vez na Formula 1 e a equipe de Ken Tyrrell voltava às vitórias quatro anos depois.
Rosberg foi o primeiro com 44 pontos, seguido de Watson e Pironi com 39 pontos. A Ferrari sagrou-se campeã com 74 pontos e a McLaren ficou em segundo lugar com 69 pontos. A Williams terminou o campeonato na quarta posição com 58 pontos.

O campeão de 1982 foi o que conquistou menos pontos na história da Formula 1 e apenas venceu uma vez. Foi também o campeonato que teve mais pilotos a vencer GP’s. Onze: com duas vitórias (Prost, Watson, Pironi, Arnoux e Lauda), com uma vitória (Patrese, Piquet, Rosberg, Tambay, De Angelis e Alboreto). Sete equipes venceram Gp’s: McLaren (4), Renault (4), Ferrari (3), Brabham (2), Lotus (1), Williams (1) e Tyrrell (1).

Sistema de pontuação:
  • 1º lugar – 9 pontos
  • 2º lugar – 6 pontos
  • 3º lugar – 4 pontos
  • 4º lugar – 3 pontos
  • 5º lugar – 2 pontos
  • 6º lugar – 1 ponto

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1 comentários :

INFORROCK disse...

Cmapeão com apenas ......
ARRUMA AI CAMPEÃO!