1986 - Alain Prost

22/12/2010

A Temporada de Fórmula 1 de 1986 foi a 37ª realizada pela FIA. Teve como campeão o francês Alain Prost, da equipe Mclaren, sendo vice-campeão o britânico Nigel Mansell, da Williams.
McLaren e Williams protagonizaram um dos emocionantes campeonatos da década na temporada 1986 de Fórmula 1. Apesar da facilidade com que a Williams garantiu o título de construtores, a disputa entre pilotos foi decidida apenas na última prova.
Alain Prost, da McLaren, lutava contra o poderio dos carros Williams pilotados pelo brasileiro Nelson Piquet e o inglês Nigel Mansell.
E era justamente Mansell quem chegou com vantagem para a última corrida. Com seis pontos à frente de Prost e sete de Piquet, o inglês ainda fez pole position no GP da Austrália.
Mas, quando faltavam dezenove voltas para o fim da prova, o pneu traseiro esquerdo do carro de Mansell estourou e ele precisou abandonar a corrida quando ocupa a terceira posição, suficiente para que ficasse com o título.
Então a disputa ficou entre Alain Prost e Nelson Piquet. Mas o brasileiro foi chamado aos boxes pela Williams, que temia problema semelhante ao do companheiro de equipe, e o piloto francês assumiu a liderança.
Mantendo um excelente ritmo até o fim, Prost venceu a corrida e sagrou-se bicampeão mundial de Fórmula 1.

No primeiro GP do ano, no Brasil, Nelson Piquet teve o melhor início de campeonato que poderia desejar. Consegue a vitória em frente ao seu público. O Brasil vibrou ainda mais com o segundo lugar do brasileiro Ayrton Senna (Lotus). Pela segunda vez na história do GP do Brasil dois brasileiros ocupavam os dois primeiros lugares do pódio. Piquet ainda beneficiou das desistências de Mansell (Williams) e Alain Prost (McLaren).
No regresso da Formula 1 a Espanha, após 4 anos de ausência, assistiu-se a um duelo espectacular entre Ayrton Senna (Lotus) e Nigel Mansell (Williams). Foi uma reedição do GP da Áustria de 1982, no qual Elio de Angelis, num Lotus, venceu Keke Rosberg, num Williams, por menos de 1 segundo. E a Williams voltou a perder. Nelson Piquet abandonou a meio da corrida. Por outro lado, Senna esteve fantástico e a sua estratégia resultou da melhor forma. A corrida só foi decidida nos últimos instantes. Quando Mansell chegou à liderança, depois de ultrapassar Senna, começou a sentir problemas de aderência. Isso obrigou o britânico a uma paragem nas boxes para mudar de pneus. De regresso à pista, Mansell lançou-se numa espectacular perseguição ao Lotus de Senna. Ainda perdeu alguns segundos para passar o francês Alain Prost (McLaren), esses segundos perdidos revelaram-se fatais no final. Senna conseguiu resistir aos ataques de Mansell nas últimas voltas e bateu o britânico na linha da meta por uns escassos 14 milésimos de segundo. Senna vencia assim o seu terceiro GP da carreira. E de que maneira...

Depois de abandonar no Brasil e de ter sido terceiro em Espanha, Alain Prost chegou ao GP de San Marino sob alguma pressão. Caso tivesse um resultado negativo via os seus mais diretos adversários afastarem ainda mais no campeonato. Aliado a isto, o GP de San Marino não trazia boas recordações para o francês... no ano anterior venceu mas foi posteriormente desclassificado porque o seu McLaren pesava menos do que era permitido. E já se sabia que San Marino era um GP crítico do ponto de vista do consumo.

Piquet (Williams) liderou as primeiras 28 voltas mas um problema de embraiagem dificultou-lhe o resto da corrida. Keke Rosberg (McLaren) ultrapassou Piquet e assumiu a liderança seguido de Prost (McLaren). Quatro voltas depois, foi Prost quem assume o primeiro lugar ao passar Rosberg. A duas voltas do fim Rosberg abandona com falta de combustível e na volta final Prost é obrigado a ziguezaguear para que o escasso combustível não falte. Só assim consegue cortar a linha de chegada em primeiro. Piquet foi o segundo e o austríaco Gerhard Berger (Benetton) foi o terceiro.

Quinze dias depois de San Marino chegamos ao Mónaco. Após as duas primeiras corridas do ano, com fracas prestações do seu McLaren, Alain Prost, de certo, não esperaria sair do Mónaco na liderança do campeonato. Mas foi isso que aconteceu.

No GP do Mónaco, a McLaren demonstrou à Williams que tinham que contar com a oposição da equipe de Ron Dennis. De fato, a Williams era a favorita mas Alain Prost dominou praticamente a corrida toda. À pole-position conquistada juntou-lhe a vitória e a melhor volta da corrida. E Keke Rosberg completou o “ramalhete” para a McLaren ao ficar em segundo lugar e assim dar à equipe a única dobradinha do ano. Ayrton Senna, que ainda liderou 7 voltas, foi o terceiro.

Após 4 GP’s, Prost era o primeiro com 22 pontos e Senna o segundo com 19 pontos. A McLaren liderava com 33 pontos e a Williams era segunda com 24 pontos.

A seguir ao GP do Mónaco e antes do GP da Bélgica, Elio de Angelis testava o Brabham BT55 no circuito de Castellet (França) quando sofre um acidente que o vitimaria. A sua morte ficou a dever-se aos deficientes dispositivos de resgate existentes nos circuitos durante os testes. Os seus ferimentos não foram fatais, De Angelis foi vítima da inalação de fumos do fogo que deflagrou no motor e à demora no seu resgate. Assim morria o “Príncipe Negro”, considerado por todos como um gentleman. O negro era a sua cor favorita e normalmente o seu fato de piloto era de cor preta, excepto nesse ano em que morreu. Era também um excelente pianista, a sua outra paixão para além da Formula 1.

Elio De Angelis nasceu em Roma a 20 de Março de 1958, filho de um industrial italiano multimilionário. Tinha 28 anos quando morreu, era solteiro mas vivia com a modelo alemã, Ute Kittelberger. Iniciou-se no kart e foi campeão de Itália em 1974. Ainda no kart, foi vice-campeão do Mundo em 1975. Sagrou-se campeão de Itália na Formula 3 em 1977. A sua estreia na Formula 1 acontece em 1979 no GP da Argentina num Shadow. Disputou 108 GP na Formula 1, em três equipes: Shadow (1979), Lotus (1980 a 1985) e Brabham (1986). Apenas venceu dois GP’s e obteve 3 pole-position. O seu melhor ano foi em 1984, tendo terminado o campeonato na terceira posição. A sua primeira vitória aconteceu no GP da Áustria de 1982 no qual bateu Keke Rosberg por escassos milésimos de segundo. Essa vitória fê-lo respirar de alívio e afirmou aos jornalistas “finalmente posso mostrar a todos que estou na Lotus pelo meu valor e não pelo meu dinheiro”. Foi também a última vitória que Colin Chapman assistiu. A sua saída da Lotus aconteceu em 1985 quando sentiu que estava a ser preterido dentro da equipe por Ayrton Senna. De Angelis afirmaria “dois dias antes do GP do Mónaco, fui convocado para uma sessão de testes privados em Paul Ricard. Aí Peter Warr criticou-me pela maneira como eu estava a guiar na Formula 1, demasiado prudente do seu ponto de vista. Respondi-lhe que isso talvez valesse estar no comando do Mundial, à frente de Alboreto e Prost. Fomos para os treinos e durante todo o dia, praticamente, só Ayrton guiou. A mim só me deixaram dar três voltas. Considerei o fato uma humilhação, sobretudo para um piloto que está à frente do Campeonato. Nessa mesma noite, tomei da decisão de abandonar a Lotus no final do ano.” In Revista Turbo nº 57.

O GP da Bélgica ficou quase decidido na primeira curva. Gerhard Berger (austríaco), num Benetton que começava a dar boas indicações, consegue um surpreendente segundo lugar na grelha de partida ao lado do pole-position Nelson Piquet (brasileiro). Mas uma má partida de Berger provoca alguma confusão na primeira curva e o austríaco dá um toque no McLaren de Alain Prost (francês), o resultado foi a ida dos dois às boxes. Piquet (Williams) aproveita para ganhar vantagem sobre os adversários e lidera até à 16ª volta, quando abandona com o motor partido. Mansell efetua um pião à 5ª volta e começa a recuperar o tempo perdido. Após o abandono de Piquet, foi Ayrton Senna (Lotus) que ficou no comando, que perderia para o sueco Stefan Johansson (Ferrari) quando Senna para nas boxes para mudar de pneus. O sueco também para nas boxes e Mansell (Williams) assume a liderança, que nunca mais perde até ao final. Senna ficou em segundo e Johansson em terceiro.

No GP do Canadá, Nigel Mansell (Williams) venceu novamente. O inglês da Williams apenas foi incomodado pelos dois pilotos da McLaren, Rosberg e Prost, mas a eficácia do seu carro foi mais forte do que o McLaren. Prost foi o segundo e Piquet e o terceiro. O britânico Derek Warwick passou a subsitituir Elio De Angelis na Brabham.

No GP de Detroit, assistiu-se a uma corrida bastante disputada e movimentada. Senna fez a pole-position e liderou a primeira volta. Mansell ultrapassou o brasileiro e foi o líder até à 7ª volta. Senna voltou recuperar a liderança ao passar Mansell mas à 13ª volta tem que ir às boxes devido a um furo. Nesta altura, os dois primeiros eram os pilotos franceses da Ligier, René Arnoux e Jacques Laffite. À 18ª volta, Laffite ultrapassa Arnoux e lidera até à 30ª volta. Piquet ultrapassa Laffite na 31ª volta e foi a vez do brasileiro da Williams liderar até à 38ª volta. Senna que vinha a recuperar depois da sua paragem nas boxes, passa Piquet na 39ª volta e segura a primeira posição até fim da prova. Entretanto Piquet abandona devido a um despite. A Ligier obtêm um excelente segundo lugar, depois de Laffite ultrapassar Prost. Arnoux falhou um possível pódio porque colidiu no carro de Piquet. Prost foi o terceiro.

No GP da França, Mansell obtêm a sua terceira vitória do ano. Vitória merecida mas difícil. Prost ainda liderou em duas ocasiões, aquando das trocas de pneus de Mansell. Prost ficou com a segunda posição e Piquet com a terceira.

O GP da Inglaterra ficou marcado por um grave acidente depois da largada. Desse acidente, que envolveu 9 carros, saiu gravemente ferido Jacques Laffite. O francês da Ligier partiu as duas pernas e a sua carreira na Formula 1 acabou. Laffite era o piloto mais velho do pelotão de 1986. Participou em 176 GP’s, venceu 6 vezes, conseguiu 7 pole-position e 6 melhores voltas. Foi três vezes quarto classificado nos mundiais de 1979 a 1981. Correu por várias equipes, mas a Ligier foi a sua equipe de sempre: Iso e Token (1974), Williams (1975, 1983 e 1984) e Ligier (1975 a 1982, 1985 e 1986).

Os pilotos da Williams dominam a corrida completamente. Piquet primeiro e depois Mansell. Assim a Williams consegue a sua primeira dobradinha do ano. Mansell vence à frente de Piquet. Prost foi o terceiro classificado.
À nona prova do ano, Mansell liderava o campeonato de pilotos com 47 pontos, seguido de Prost com 43 pontos, Senna com 36 e Piquet com 29. Nos construtores, a Williams era líder com 76 pontos e a McLaren estava em segundo lugar a 16 pontos de distância.

À décima prova do ano, o brasileiro Nelson Piquet (Williams) volta a vencer, após a sua vitória na primeira corrida do campeonato. A McLaren, principalmente Keke Rosberg, ainda deu luta ao brasileiro. Quando parecia certo que o segundo e terceiro lugar seriam para os pilotos da McLaren, Rosberg e Prost, a falta de combustível acabou por ditar um desfecho diferente. Os beneficiados foram Ayrton Senna (Lotus) e Nigel Mansell (Williams), que ficaram com o segundo e terceiro lugar, respectivamente.
A Hungria recebeu, pela primeira vez, a Formula 1. Foram mais de 200.000 espectadores que estiveram presentes para testemunhar esse fato. Um recorde.

A discussão pela vitória esteve entregue a Senna e a Piquet. Ambos lideram em duas ocasiões distintas mas foi o brasileiro da Williams que acabou por levar de vencido o brasileiro da Lotus. Piquet vencia pela terceira vez neste ano e beneficiou do abandono de Prost. Nigel Mansell terminou na terceira posição.

O GP da Áustria, tradicionalmente favorável à McLaren, foi para mim um dos momentos chave para a decisão deste campeonato. Neste ano, foram quatro os pilotos (Prost, Mansell, Piquet e Senna) que discutiram quase até à última corrida o título de Campeão do Mundo mas este foi o único GP em que apenas um deles conseguiu terminar a corrida. Em todas as outras corridas do ano, houve sempre pelo menos dois destes quatro pilotos a terminar nos pontos. A Williams, pela única vez neste campeonato, não pontua e vê os seus dois pilotos abandonarem com problemas mecânicos. Aurton Senna (Lotus) também muito cedo abandonou com problemas no motor. O grande beneficiado foi Alain Prost (McLaren) que venceu recuperando assim alguma desvantagem pontual no campeonato. Outra surpresa foi a excelente prestação da Benetton que colocou nas duas primeiras posições da grelha de partida os seus dois carros. Nas voltas iniciais, Gerhard Berger (austríaco) e Teo Fabi (italiano), que fez a pole-position, foram os dois primeiros. Berger liderou a primeira metade da corrida até que um problema no seu Benetton o fez perder muito tempo nas boxes. Acabou na sétima posição. Prost venceu e a Ferrari obteve um excelente resultado ao terminar com os dois pilotos no pódio: Alboreto (italiano) em segundo e Johansson (sueco) em terceiro.
O GP de Itália foi, por assim dizer, o regresso à normalidade. A Williams vencia pela oitava vez em 13 provas e obtinha a sua segunda dobradinha do ano. A equipe de Frank Williams ficava assim muito perto de conquistar o título de construtores. A Benetton vinha a a mostrar uma subida de forma. Teo Fabi voltou a fazer a pole-position e Berger ainda liderou algumas voltas. Piquet venceu e Mansell foi o segundo. Stefan Johansson (Ferrari) voltou a ficar em terceiro lugar.

À partida para o GP de Portugal ainda havia 4 pilotos (Mansell, Piquet, Prost e Senna) com aspirações ao título de pilotos. Mas no final da corrida, o quarto lugar conseguido por Senna afastou-o da luta pelo campeonato. Mansell dominou a corrida toda e saiu de Portugal com 10 pontos de vantagem sobre Piquet. Alain Prost, perto do final, ultrapassou o Piquet, que era o terceiro. Na última, Senna perde o segundo lugar devido à falta de combustível. Prost fica em segundo e Piquet em terceiro.
O campeonato de pilotos era liderado por Mansell com 70 pontos, Piquet era segundo com 60 pontos e Prost terceiro com 59 pontos. Convém lembrar que nesta época apenas contavam os 11 melhores resultados. Mansell e Prost já tinham atingido esse número logo, a partir desta prova, tinham que descontar algum resultado caso pontuassem nas duas provas que faltavam. Enquanto que Piquet, com apenas 9 pontuações, não iria deitar nenhum resultado fora.

A Williams saiu de Portugal com o título de construtores.

Após 16 anos de ausência, a Formula 1 regressou ao México. Com o brasileiro Ayrton Senna (Lotus) já fora da discussão do título de pilotos, o interesse girava em torno dos três pilotos que ainda se mantinham numa acesa luta pela conquista do campeonato.

A qualificação ditou mais uma polé-postion para Senna (a 8ª do ano), seguido do seu compatriota Nelson Piquet (Williams) e do britânico Nigel Mansell (Williams). Berger (Benetton) foi o quarto e Alain Prost (McLaren) apenas sexto.

Mansell fez uma má partida e caiu na classificação. Piquet, Senna, Berger e Prost largaram normalmente e seguiam na frente, por essa ordem. Entretanto à 7ª volta, Prost passa Berger. Sensivelmente a meio da corrida começam as paragens nas boxes para trocar de pneus e as alterações na classificação vão-se sucedendo. O primeiro a parar foi Alain Prost, depois o líder, Piquet, à 30ª volta. Senna fica na primeira posição durante mais 4 ou 5 voltas para depois também parar nas boxes. Assim foi Berger, que ainda não tinha parado, quem assumiu a liderança da corrida. A partir daqui e inesperadamente os principais pilotos equipados com pneus Goodyear (Senna, Piquet e Prost) nunca mais conseguiram apanhar Berger.

Os pneus Pirelli demonstraram uma eficácia tremenda no circuito mexicano e Berger, sentindo confiança nos pneus, optou por não parar enquanto que Senna (?), Piquet e Prost (?) fizeram mais do que uma troca de pneus.
A Benetton e Berger fizeram no México a festa da sua primeira vitória. Prost conseguiu um excelente segundo lugar, contudo teve que descontar um ponto devido à regra dos descontos. Senna foi o terceiro classificado. Nelson Piquet e Nigel Mansell foram, respectivamente, o quarto e quinto classificado a uma volta do primeiro. Os dois pontos do quinto lugar de Mansell não contaram já que era a sua décima segunda classificação e a pior pontuação, a par da conseguida nos EUA.

A uma prova do fim, Mansell continuava na frente do campeonato com 70 pontos, Prost recupera o segundo lugar com 64 pontos e Piquet era agora o terceiro com 63 pontos.

Quando se chegou à última prova de 1986, na Austrália, dos três pilotos que ainda podiam vencer o título desse ano, Alain Prost (McLaren) era o que tinha menos possibilidades de o fazer, apesar de estar na segunda posição do campeonato. A Williams era a melhor equipe do ano e os seus dois pilotos, Nigel Mansell (britânico) e Nelson Piquet (brasileiro), tinham vencido 9 das 15 corridas já disputadas. Mansell era o líder do campeonato com 70 pontos, mais 6 que o francês da McLaren e mais 7 que o seu colega de equipe. E para reforçar ainda mais essa ideia, os dois iam partir da primeira linha da grelha, sendo Mansel o pole-position. Prost partia da 4ª posição da grelha ao lado do brasileiro Ayrton Senna (Lotus).
Para Mansell ser campeão bastava terminar na 3ª posição independentemente qual fosse o resultado de Prost e Piquet.

Logo na partida, Piquet passa para a frente e Mansell, cauteloso, cai para a 4ª posição. O piloto finlandês Keke Rosberg (McLaren), que fazia a sua ultima corrida na Formula 1, arranca muito bem e de 7º passa para terceiro, logo atrás de Senna (2º). Prost perdeu um lugar e durante as seis primeiras voltas andou sempre na 5ª posição. Durante essas 6 voltas, Senna foi sendo sucessivamente ultrapassado, primeiro por Rosberg, depois por Mansell e depois por Prost. À 7ª volta, Rosberg utlrapassa Piquet e torna-se no novo líder da corrida. Rosberg estava a fazer uma excelente corrida na sua despedida. Prost, depois de passar Senna, rodou algumas voltas atrás de Mansell antes de o ultrapassar. À 23ª volta, Piquet faz um pião e cai para o 4º lugar. Prost é agora o segundo e Mansell o terceiro. E da 23ª volta à 31ª, a classificação manteve-se na mesma: Rosberg, Prost, Mansell e Piquet. Com este resultado, Mansell era campeão. Mas outra questão começava a formar-se nesta altura: estaria Rosberg disposto a ceder o seu primeiro lugar a Prost? Contudo, neste momento era irrelevante porque mesmo se Prost vencesse e Mansell fosse o terceiro, o britânico da Williams era campeão. E ainda faltava muita corrida para o fim.

À 32ª volta deu-se o primeiro golpe na corrida. Prost vai às boxes para mudar de pneus. Veio a saber-se que teve um furo lento num dos pneus. Azar o de Prost, pensou-se nesse momento. Prost cai para a 4ª posição, sendo passado por Mansell e Piquet. Prost conseguiu, depois, recuperar a desvantagem para os dois Williams mas manteve-se em 4º. À 45ª volta, Piquet passa para segundo lugar ao ultrapassar Mansell. Até à 62ª volta a classificação manteve-se inalterada: Rosberg em primeiro, a fazer a sua melhor corrida na McLaren, Piquet em segundo, Mansell em terceiro e Prost em quarto.

À 63ª volta acontece o segundo golpe na corrida. Keke Rosberg era o líder incontestável até que um pneu do seu McLaren rebentou e ditou o abandono do finlandês da McLaren. A corrida pelo título estava novamente relançada. Piquet assumiu a liderança mas Mansell mantinha um resultado que lhe dava o título.

Duas voltas depois do pneu do McLaren de Rosberg ter rebentado aconteceu o terceiro golpe e o momento da corrida. Um dos pneus traseiros do Williams de Mansell rebenta deixando o britânico desesperado. Mansell consegue evitar o acidente mas o abandono era inevitável. O título de 1986 estava a ser decidido pelos pneus.

Neste momento vou abrir um parêntesis para referir que, na minha opinião, a Goodyear, que equipava a William e a McLaren, terá pretendido responder à derrota sofrida no GP do México. Relembro que o Benetton de Berger, equipado com pneus Pirelli, fez toda a corrida mexicana sem parar nas boxes para mudar de pneus enquanto que Piquet fez 3 paragens para mudar de pneus. Essa vitória da Benetton ficou a dever-se à resistência dos pneus Pirelli. Daí julgar que isso levou a Goodyear a preparar pneus que iriam permitir a Williams e a McLaren fazer a corrida toda sem trocar de pneus como resposta à Pirelli.

Voltando à corrida, após o rebentamento do pneu de Mansell, a Williams chamou imediatamente Piquet às boxes para mudar de pneus. Assim Prost ficou na liderança da corrida e aquele furo lento que obrigou Prost a parar nas boxes deixou de ser visto como um azar do francês e sim como “estrelinha” de campeão. Prost controlou a partir daqui Nelson Piquet. O brasileiro da Williams ainda conseguiu recuperar bastantes segundos para Prost. Piquet fez a melhor volta da corrida na última volta mas no fim foram 4 segundos de diferença que ditaram a vitória de Prost e a conquista do seu segundo título consecutivo. Uma dramática e fantástica corrida!

O campeonato terminou com a consagração de Alain Prost (72 pontos e 4 vitórias). Mansell foi o segundo (70 pontos e 5 vitórias), seguido de Piquet (69 pontos e 4 vitórias). A Williams venceu o campeonato de construtores (141 pontos e 9 vitórias) e a McLaren ficou em segundo lugar (96 pontos e 4 vitórias).



Sistema de pontuação:
  • 1º lugar – 9 pontos
  • 2º lugar – 6 pontos
  • 3º lugar – 4 pontos
  • 4º lugar – 3 pontos
  • 5º lugar – 2 pontos
  • 6º lugar – 1 ponto

Apenas os onze melhores resultados contavam para a classificação.

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