Famosos e esquecidos: Martin Brundle

14/12/2010


Martin Brundle é hoje um premiado comentarista esportivo da BBC, especializado em F-1, possuindo quatro cobiçados troféus da Royal Television Society. Passou os últimos 12 anos na ITV inglesa e foi o criador do “gridwalk”, onde o repórter passeia entrevistando os pilotos já alinhados em seus carros.

Começou a correr aos 12 anos em pistas de grama no interior da Inglaterra num velho Ford Anglia. Do Anglia passou para um Toyota Célica com o qual venceu sua primeira corrida numa pista de asfalto, em Oulton Park, em 1977. Em 1979 teve uma oportunidade na F-2000, obtendo uma vitória e alguns pódios.

Martin era rápido. Muito rápido. Um belo dia, sem mais nem menos, escreveu uma carta para Tom Walkinshaw dizendo que gostaria muito de pilotar uma de suas BMW. Para sua enorme surpresa, não só a carta foi respondida como aceitaram! Em sua primeira corrida com o novo carro foi o segundo colocado. Logo depois passou a pilotar um Audi no BTCC, tendo Stirling Moss (ele mesmo!) como colega na equipe BP/Audi. Em 1982 a BP passou a patrociná-lo na F-3. Com um carro de Eddie Jordan, em 1983, bateu Senna por 0s09 pela pole em Silverstone, e ganhou a corrida. O disputadíssimo campeonato inglês de F-3 daquele ano, vencido pelo Ayrton, foi decidido entre os dois, na última prova, na qual Brundle correu com um motor cansado, usado na semana anterior numa corrida pelo Europeu de F-3, em Donington. Ambos foram imediatamente alçados para a F-1. Ken Tyrrel contratou Martin pela irrisória soma de 30 mil Libras por ano, e com as despesas, ainda por cima, correndo por conta do piloto.



No seu ano de estreia, em Mônaco, nos treinos daquela famosa corrida em que Senna deu um show sob a chuva, com Toleman, quase tirando o caneco de primeiro lugar de Alain Prost, Brundle acidentou-se na Curva da Tabacaria, e tombou seu carro de lado, batendo fortemente com o capacete no asfalto. Voltou rapidamente aos boxes, pegou o carro reserva, e Ken Tyrrel perguntou-lhe pelo rádio se estava bem para continuar a treinar. Martin respondeu: “Claro, estou ótimo. Mas que pista é esta mesmo que estamos?” Tyrrel não permitiu que continuasse...

Sua primeira temporada na F-1 pela Tyrrel de nada valeu, em função da equipe ter sido desclassificada ao final do ano por irregularidades técnicas com o lastro dos carros. Para 1985 a Lotus havia feito um convite para Brundle, que desejava muito aceitá-lo. Mas Ken Tyrrel possuía, por contrato, uma opção de renovação com Martin, a qual exerceu pouco antes do início do campeonato.

A temporada de 1985 começou no Brasil, até melhor para Martin do que para Ayrton. O inglês foi quinto, e o brasileiro abandonou com uma Toleman. Brundle declarou numa entrevista: “Nunca chegamos a conversar sobre nossa temporada de F-3, e Ayrton seguiu sua carreira para se tornar uma lenda. Foi um privilégio disputar posições com ele nas pistas. Na manhã do dia da sua morte, em Ímola, descemos juntos no elevador do hotel mas nada falamos. Nos dávamos bem, mas não eramos íntimos”. Com relação a 1985, acrescentou: “Fui obrigado por contrato a permanecer na Tyrrel justamente no ano em que Ken não conseguiu patrocinador e, principalmente, um fornecedor de motores turbo para poder acompanhar as demais equipes. Quando finalmente pude sair da equipe, em 1986, não havia para onde ir, e só me restou a fraca Zakspeed, de Erich Zakowsky”.




Foi porém, campeão mundial de Marcas com um Jaguar XJR-9 em 1988. Em 1989 conseguiu um assento na Brabham de F-1, que acabara de ser vendida por Bernie Ecclestone para um obscuro milionário, Joachim Luthi, que logo após acabaria na cadeia. Em 1991 voltaria mais uma vez a sentar num Brabham de F-1, agora com motor Yamaha. No ano seguinte foi colega de Michael Schumacher na recém-formada equipe Benetton. Suas quatro primeiras provas nessa nova casa foram um desastre, como ele mesmo diz: “Me sentia sob forte pressão. Era como estar na F-3 novamente no tempo do Ayrton. Mas de Ímola em diante me acertei, marcando pontos em 11 das 12 provas seguintes, e com cinco pódios. Schuey sempre se classificava melhor nos treinos, mas em corrida, algumas vezes eu o superava, como aconteceu em Silverstone. Em Spa estava na sua frente quando escolhi pneus errados, e em Monza chegamos Senna em 1º, eu em 2º e Michael em 3º. Mas aí eu já sabia que seria substituído pelo Patrese. Flavio (Briatore), pelo menos uma vez por ano quando nos encontramos, lamenta sua decisão. Diz que não se dera conta do quanto Schumacher era especial, e que comparações de qualquer outro piloto com ele, portanto, eram erradas”. Em seguida Martin John Brundle se aposentaria da F-1.

Durante todo esse tempo, nunca havia deixado de participar do Mundial de Marcas, onde correu com grande sucesso. A carreira de Martin Brundle como comentarista esportivo começou em 1997, quando veio substituir Jonathan Palmer.

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