Os 3 Patetas o regresso

28/12/2010

Segundo o site autosport de Portugal os 3 Patetas estão de volta. No texto escrito por Luís Vasconcelos é feito um comparativo entre os mandatários da F1 e os 3 patetas.

Se é verdade que os Três Patetas - famosos cómicos norte-americanos - estiveram em atividade entre 1922 e 1970, a verdade é que os atuais já chegaram a um quarto de século. Luca di Montezemolo lançou a primeira pedra, Ecclestone quis deixá-lo a falar sozinho, mas Ron Dennis fez a sua reentrada em cena acusando o inglês de ter prejudicado as equipas nos últimos 25 anos. É o regresso dos 'Três Patetas' numa altura em que a F1 se prepara para avançar com novos líderes.

Por muito que isso custe a Bernie Ecclestone, pleno de atividade dois meses depois de ter completado 80 anos e poucas semanas depois de ter escapado, sem males maiores, a um assalto violento, o futuro da F1 não passa por si. Mas que ninguém tenha dúvidas que enquanto tiver vida e saúde, o antigo proprietário da Brabham vai ser um osso duro de roer para quem exigir uma fatia maior dos lucros que a F1 gera. E Luca di Montezemolo teve disso nova demonstração na semana passada.

Sempre muito ativo no final do ano, quando junta os principais jornalistas italianos de F1 em Maranello para lhes dar a sua visão da temporada que termina, Montezemolo lançou novo ataque a Ecclestone, numa altura em que as equipas, o inglês, a FIA e a CVC Capital Partners negoceiam novo Pacto da Concórdia, que deverá ser válido entre 2013 e 2017. Segundo o presidente da Ferrari, "estamos numa encruzilhada. A F1 está nas nossas mentes e corações mas não queremos ficar na prisão da F1. Por isso, temos três alternativas: mantermo-nos com a CVC Capital Partners; encontrar novos parceiros mas mantendo o mesmo modelo de negocio; ou fazer como a NBA, criando a nossa própria competição e ficando com todos os lucros que esta gerar. Mas há muita coisa que tem de mudar, porque atualmente o meu filho pode dar a volta ao mundo com a namorada por um preço inferior ao da compra de dois bilhetes para o G. P. de Itália!"

Ecclestone irónico

Confrontado com estas declarações, Ecclestone não se mostrou nada preocupado, "porque de cada vez que o Luca vem a Monza insiste que as equipas têm de receber mais dinheiro e sempre que fala com os jornalistas italianos entusiasma-se demais. Falar de uma competição paralela à F1 não faz sentido, porque ele sabe que já tentaram, por mais de uma vez, seguir por conta própria e não o conseguiram. Mas o Luca é uma personagem adorável, que gosta muito de fazer declarações espetaculares antes de se esquecer completamente daquilo que disse."

Contudo, Ecclestone sabe bem que o campeonato anunciado pela FOTA há um ano e meio só não avançou porque Mosley capitulou, numa altura em que todas as equipas (exceto a Williams e a Force Índia) e 14 circuitos com capacidade para receberem Grande Prémios já tinham dado o seu acordo a esta nova competição. Por isso, está mais aberto a ceder parte dos lucros às equipas, até porque sofre enormes pressões por parte da CVC Capital Partners para não esticar a corda em demasia.

Uma ajuda inesperada

A discussão financeira fez com que pudéssemos assistir ao impensável, com Ron Dennis, afastado da gestão da equipa McLaren, a aliar-se a Montezemolo no ataque a Ecclestone. Numa biografia do patrão da F1 escrita por Susan Watkins, esposa do Prof. Syd Waktins, Dennis afirma que "o Bernie roubou a F1 às equipas, porque escondeu-nos os valores que estavam a ser discutidos com as televisões e só mais tarde viemos a saber a realidade dos números. Para algumas pessoas, ele foi brilhante; para mim, defraudou-nos do que era nosso por direito."

Sabendo-se que Ecclestone não tem grande estima pessoal por Dennis vislumbra-se uma resposta mais violenta do que a que deu a Montezemolo, pois não é de esperar que o espírito natalício afete a forma de atuar de Mr. E.

CVC mais flexível

Desde que a CVC Capital Partners assumiu o controlo da parte comercial da F1 que as equipas mais importantes, a começar pela Ferrari e pela McLaren, têm tentado encontrar uma via direta de negociar com aquela empresa, deixando de lado Bernie Ecclestone. Uma tarefa complicada, pois diversos acordos internos deixam o octogenário londrino mais ou menos com carta branca, mas que está a ser levada, lentamente, a bom porto, depois dos responsáveis da CVC Capital Partners terem apanhado um valente susto quando a FOTA anunciou que ia mesmo avançar para um campeonato paralelo, já lá vão 17 meses. Só a capitulação incondicional de Mosley e o facto de Ecclestone ter aceite parte das exigências das equipas quanto à distribuição dos lucros impediram a cisão, mas daí para cá a CVC Capital Partners tem-se mostrado bastante mais flexível que o inglês, ciente de que não se pode dar ao risco de perder o investimento bilionário feito há quatro anos.

Todt é aliado

As equipas estão a encontrar em Jean Todt um precioso aliado nesta nova guerra com Bernie Ecclestone, pois o presidente da FIA está a forçar a renegociação da cedência dos direitos comerciais da F1 à SLEC há mais de dez anos e que agora estão na posse da CVC Capital Partners. O francês pretende que a FIA seja recompensada de forma muito mais generosa por Ecclestone - atualmente, os lucros de um ano chegam para pagar um contrato válido por 110 anos... - e reduzir em muito a duração do contrato.

Por isso, Todt está a mostrar-se sensível aos argumentos das equipas, pois sabe que a única forma de bater Ecclestone é empenhá-lo em diversas frentes. Uma espécie de reviravolta ao que estávamos habituados a ver quando o inglês e Max Mosley faziam frente comum contra as equipas, contando, ainda, com o apoio discreto da Ferrari, que recebia cem milhões de dólares por ano pelo seu silêncio...

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