GP da África do Sul de 1979

14/01/2011

O Grande Prémio da África do Sul de 1979 foi realizado no dia 3 de Março 1979 em Kyalami.

O Lotus era o melhor carro em 1978.

Entretanto, as duas primeiras corridas de 1979, Argentina e Brasil, apresentaram o domínio absoluto e acachapante dos novíssimos Ligier JS11.

A fórmula 1 exibia um nível de evolução criativa raras vezes vista.

A terceira etapa do campeonato de 1979, o Grande Prêmio da África do Sul, continuou mostrando grandes novidades e enormes diferenças de estilo.

A Ferrari 312T4 e a Brabham BT48, duas grandes estréias do Grande Prêmio da África do Sul, não poderiam ser mais diferentes em conceito e estilo.

Talvez motivada pela atmosfera de novidades, a Equipe Copersucar antecipou o lançamento do F6. Emerson era contra. Ele achava que o carro ainda nao estava pronto para competir.


Foi convencido por Wilsinho Fittipaldi e pelo projetista Ralph Bellamy a aprimorar o carro em condições de corrida, buscando acelerar o seu desenvolvimento.

Os treinos.

A Renault estava investindo uma fortuna no desenvolvimento do RS01. Os resultados, conforme o cronograma, estavam surgindo. O ar rarefeito da pista de Kyalami, com 1.800 metros acima do nível do mar, auxiliou bastante os motores turbo dos Renault.

Deu a lógica. Jean Pierre Jabouille foi o pole position. Fácil.

Em segundo e terceiro lugar, confirmando o equilíbrio e o acerto do projeto das novíssimas Ferrari T4, ficaram Jody Scheckter e Gilles Villeneuve.

É importante destacar que os três primeiros no grid estavam com pneus Michelin.

O quarto melhor tempo foi conquistado por por Niki Lauda, ao volante da Brabham BT48, sem os spoilers dianteiros.

Notava-se aqui, uma extraordinária diferença de estilo e concepção aerodinâmica.

Enquanto Mauro Forghieri projetava a Ferrari 312T4 com o spoiler dianteiro bastante destacado do conjunto e com dimensões avantajadas, Gordon Murray retirou, radicalmente, o spoiler dianteiro da Brabham BT48, alegando que em uma pista com retas enormes, como Kyalami, eles eram totalmente dispensáveis.

Em quinto lugar, classificou-se Patrick Depailler, com a sua Ligier.

Pela primeira vez no ano, a Ligier não estava na primeira fila e, também, Jacques Laffite, o sexto colocado, era batido por seu companheiro de equipe.

O sétimo tempo foi conquistado por Didier Pironi, com sua Tyrrell 009. Mario Andretti fez o oitavo melhor tempo.

Seu companheiro, Carlos Reutemann, foi apenas o 11º no grid e declarou que os Lotus 79 chegaram ao limite máximo de desenvolvimento.

Restava aguardar o lançamento do Lotus 80. Especulava-se que seria a obra prima de Chapaman. Um carro sem aerofólio e sem spoiler.

Voltando aos treinos, Nelson Piquet largaria na 12ª posição, com sua Brabham BT48.

Emerson Fittipaldi, estreando o F6, foi quase dois segundos mais lento do que o F5A na mesma pista. Ficou em 18ª lugar na largada.

A corrida.

Chegou o domingo. Com ele, a chuva. Depois, o sol. Depois, a chuva. Em seguida, o sol.

A largada foi acionada com todas as incertezas do mundo. Choveria ou faria sol?

Scheckter pulou na frente. Ele era seguido por Jabouille e Villeneuve. Começou a chover.

Durante duas voltas, com muita chuva, os três primeiros alteraram as posições muitas vezes.

Na terceira volta, com Scheckter em primeiro, a corrida foi interrompida. A nova largada foi dada quarenta e cinco minutos depois.

A pista, apesar de muito molhada, estava secando. A chuva tinha parado.

O diretor da prova foi precipitado. Bastava esperar mais dez ou quinze minutos e os pilotos poderiam correr com pneus slick.

Quase todos largaram com pneu de chuva. Apostando que a pista logo secaria, Scheckter, Piquet, Depailler e Tambay optaram por pneus slick. Gilles Villeneuve disparou na frente. Scheckter em segundo.

Revelando consistência e arrojo, Scheckter defendeu a sua segunda posição contra o ataque de pilotos com pneus de chuva.

Na volta 18, com a pista totalmente seca, Villeneuve parou para trocar os pneus. Quase todos os pilotos trocaram os pneus.

Jody Scheckter assumiu a ponta, com confortáveis trinta segundos sobre Villeneuve.

Em terceiro lugar, fazendo uma grande corrida, vinha Jean Pierre Jarier, ao volante de um Tyrrell 009.

Jody Scheckter liderava, tranqüilo e sereno. Foram trinta voltas de um desfile impecável de Scheckter e da nova Ferrari.

Entretanto, na volta 53, Scheckter, que já vinha percebendo um desgaste elevado dos pneus, travou as rodas na freada para a curva Crowthome e foi obrigado a parar nos boxes para trocá-los.

Scheckter voltou para a pista em segundo lugar, trinta e cinco segundos atrás de Villeneuve.

Jean Pierre Jabouille, sofrendo com a pouca durabilidade do motor Renault, mais uma vez foi obrigado a abandonar a corrida. Villeneuve liderava. Scheckter vinha babando em segundo lugar, tentando reduzir a diferença.

Em seguida, vinham Jarier, Andretti, Reutemann, Lauda e Piquet. Na volta 62, Alan Jones teve a suspensão traseira do seu Williams quebrada na entrada da reta dos boxes.

Ele rodopiou várias vezes a 200 km/h, sem bater em nada, parando, intacto, no meio da pista.

Jones foi aplaudido pela arquibancada, reconhecendo sua habilidade em situação tão crítica.

Jean Pierre Jarier foi o segundo melhor piloto da corrida.

Nosso conhecido Pé de Chumbo andou muito rápido. Foi arrojado e impetuoso, principalmente durante a chuva, quando estabeleceu uma enorme diferença para os demais pilotos.

Mário Andretti e Carlos Reutemann, conformados com as reduzidas possibilidades do Lotus 79, fizeram uma corrida discreta e sem erros.

Os dois pilotos terminaram a provo em boa colocação. Andretti foi o quarto lugar. Reutemann, o quinto. Niki Lauda e Nelson Piquet estavam provando que o Brabham tinha futuro. Fizeram o que foi possível e levaram os carros ao final da corrida, no melhor desempenho do ano.

Lauda chegou em 6º lugar, enquanto Nelson Piquet terminava em sétimo.

Emerson Fittipaldi chegou em 13 º lugar, conseguindo levar o novo F6 ao final da prova.

Foi uma difícil estréia. Entre treinos e corridas, o F6 apresentou os seguintes problemas:

a)superaquecimento b) os freios puxavam o carro para todos os lados c) o volante é duro e pesado d) o cinto de segurança é tão apertado que corta a circulação do sangue das pernas e) o carro é péssimo em curvas de baixa velocidade f) o carro sai muito de frente g) o carro é 2 segundos mais lento que o F5A.

Emerson, apesar de decepcionado, disse que não desanimaria.

Gilles Villeneuve, pilotando com a tradicional rapidez e com uma surpreendente segurança, não cometeu erros e venceu a corrida.

Jody Scheckter, o melhor piloto da prova, conseguiu reduzir a distância de Villeneuve para apenas 3 segundos.

Ele chegou a levantar a arquibancada, criando a expectativa de que alcançaria Villeneuve.

Não deu.

A corrida terminou antes.

A Ferrari conquistou uma inédita dobradinha de um carro estreante.
  • Pole position: Jean Pierre Jabouille - 1:11.80
  • Volta mais rápida: Gilles Villeneuve - 1:14.412
  • Voltas em líder: Jean Pierre Jabouille 1 volta (1); Gilles Villeneuve 39 voltas (2-14, 53-78); Jody Scheckter 38 voltas(15-52).

Quem sabe o que ou quem era este bicho ai atrás do Jody?

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