INSUBSTITUÍVEL

12/02/2011


Se existir alguma tarefa mais difícil do que substituir Robert Kubica no cockpit de um carro de F-1, me contem que eu não conheço. Bruno Senna vai ter um dia na pista de Jerez para provar que, apesar da pequena experiência adquirida com um carro e uma equipe que tiveram muito pouco a lhe ensinar no Mundial de 2010, pode ser aquele piloto que, tendo por trás uma Lotus-Renault, merece a vaga de titular. Se o segundo piloto do time não fosse alguém com apenas um ano de F-1 (Vitaly Petrov), certamente Bruno seria automaticamente promovido a titular.

Kubica é a referência da Renault. No ano passado, foi ele quem mais pressionou Petrov a empenhar-se nos treinos em simulador, aumentar o nível de preparação física e até a emagrecer. Sem Kubica, a equipe vai necessitar de alguém que, mesmo bem abaixo da técnica do polonês, tenha algo a ser usado pela equipe em benefício desta referência – por exemplo, a experiência do alemão Nick Heidfeld. Dos pilotos em atividade, ele é o quinto mais velho (32 anos) e o quinto com mais GP´s disputados (167).

Nunca vi nada no Heidfeld que enchesse os olhos dos fãs da Fórmula-1. Vindo de títulos conquistados na Alemanha na Fórmula-Ford e Fórmula-3, ele se destacou em 1999 como campeão na Fórmula-3000 pela McLaren Junior. Na época a equipe Prost, que corria com motor Peugeot, tinha interesse em conseguir os motores Mercedes-Benz. O interesse de Alain Prost foi o passaporte para ele ser convidado a estrear na F-1 em 2000. Não fez nada no campeonato e nem ajudou Prost a conquistar a simpatia dos alemães. Heidfeld foi parar na Sauber e ficou três anos na equipe suíça, antes de se transferir para a Jordan em 2004, onde só ficou um ano. Depois veio a Williams, desta vez empurrado pela também alemã BMW. Mas também só ficou um ano. A própria BMW o levou de volta à Sauber. Em 167 GP´s, Heidfeld fez uma pole position (em 2005 pela Williams), 12 pódios (quatro vezes em terceiro e oito em segundo) e somou 215 pontos. Algo que conta muito a favor é o fato de ele ter sido no ano passado um dos pilotos que, por não estar correndo regularmente, participou intensamente dos testes dos pneus Pirelli, quando a fábrica estava se preparando para ser a fornecedora oficial no Mundial de 2011.

Esta experiência toda deve influir na escolha da Lotus-Renault, mas isso não diminui a expectativa em tornos dos treinos de Bruno Senna neste final de semana. Bruno é um piloto agressivo, tem técnica e já o vi em momentos espetaculares como a vitória na GP-2 em Mônaco em 2008. Também foram cogitados, pelo menos na mídia, Vitantonio Liuzzi, Nico Hulkenberg e Kimi Raikkonen. Claro que, dos três, Raikkonen seria o mais forte. Além de ter chegado à F-1 pelas mãos da Fórmula-Renault inglesa em 2000, o finlandês teve uma carreira brilhante – 18 vitórias, 62 pódios e 579 pontos em 157 GP´s. Mas o exemplo de Schumacher, que ficou três anos parado e teve um retorno decepcionante, certamente não foi um grande estímulo para a Renault. Hulkenberg tem a mesma experiência de Petrov e Bruno, e Liuzzi seria uma aposta de risco pelo pouco que ele fez até hoje.

Luizinho, um dos maiores de todos os tempos – Bem antes de pensar na carreira de jornalista, mas já apaixonado pelo automobilismo, muitas vezes vivi discussões entre amigos sobre quem era o melhor piloto brasileiro – Bird Clemente, Marinho Cesar Camargo, Ciro Cayres ou Luizinho Pereira Bueno ? Na época nem se imaginava um brasileiro correndo na Fórmula-1. Duas décadas depois, em conversa com Emerson Fittipaldi, eu ouvi dele a mesma conclusão a que nós chegávamos – não há como dizer quem era o melhor porque eles tinham estilos diferentes e todos chegavam bem próximos da genialidade no domínio dos carros da época. Esta semana o Brasil disse adeus a Luizinho, certamente um dos maiores de todos os tempos, mas que acelerou numa época em que ao brasileiro não era dado o direito de sonhar com a F-1.

TEASER: PETROV E BRUNO SÃO JOVENS QUE PRECISAM DE UMA REFERÊNCIA COMO ERA KUBICA NA RENAULT

Fonte: Sinal Verde por Reginaldo Leme

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