Pierre Levegh: Um sonho e uma tragédia

08/03/2011

Bom galera que acompanha o Gp Expert
Irei falar a história do piloto francês Pierre Levegh e de certa forma da Mercedes. Em 1951, num Talbot, ele terminou em 4º lugar. Ao terminar a prova, ficou com uma idéia fixa: ganhar no ano seguinte. Comprou da Talbot um carro novo e o preparou sem se preocupar com dinheiro. Nesse período, não havia regulamento específico sobre o tempo que cada piloto poderia permanecer guiando.

Levegh foi fazendo sua corrida, suas paradas programadas e no meio da madrugada, numa das paradas, é informado que está na liderança. Até ali, não tinha passado o carro ao seu companneiro de equipe. Apesar de estar muito cansado, a notícia lhe injeta novo ânimo. Volta à pista e, ao amanhecer, após umas 16 horas de corrida, já tinha algumas voltas de vantagem sobre seus perseguidores, que corriam com Ferrari, Mercedes, Aston Martin e Talbot. Em uma das paradas seguintes, seu estado era tão lastimável que toda a equipe, seus companheiros e sua esposa, lhe imploram que ceda o carro. Levegh está tão hipnotizado que simplesmente os ignora e parte novamente. Ele, um francês, com um carro francês, preparado por ele, vencer sozinho as 24 Horas...Na última parada nos boxes, cerca de duas horas antes do fim da prova, Levegh está com aspecto de zumbi. Ninguém mais lhe pede para passar o carro. Ele ia conseguir aquela glória imortal para a França. No circuito todo ninguém desgruda os olhos do Talbot nº 8. Uma hora e meia para o fim. Levegh na ponta, com uma vantagem enorme sobre o segundo colocado. Seus tempos variavam, seu traçado era irregular, mas ele prosseguia. Uma hora... 40 minutos para o final. Numa redução, ele erra uma marcha e seu motor quebra, na frente de uma platéia incrédula.

Pierre Levegh



Encosta o seu carro à margem da pista. A multidão está paralisada. Alguém se aproxima, vê o piloto descer do carro e voltar a pé aos boxes. Sua mulher o recebe. Terminava sua aventura. A multidão após os momentos de silêncio, de incredulidade, vê um sonho se desfazer, e todos começam a criticá-lo... Em 1953 e 1954 Pierre Levegh competiu novamente nas 24 Horas, mas não foi bem.

Em 1955, a Mercedes o convidou para guiar um dos seus 300SLR, em dupla com o americano John Fitch. Nos outros dois carros, vão Fangio e Kling. Começa a corrida e Fangio e Mike Hawthorn, num Jaguar, começam um verdadeiro racha, sensacional. Pelas 18:30, Hawthorn vem pela reta dos boxes muito rápido e de repente, após ultrapassar um pequeno Austin-Healey pilotado por Lance Macklin, resolve entrar nos boxes, à sua direta (não havia muro separando a pista dos boxes). Freia forte e desvia para os boxes. Macklin, no reflexo, joga seu carro para a esquerda, no exato momento que Levegh, em seu Mercedes, vem passando, a uns 250 km/h. Não há tempo para nada. O Mercedes sobe na traseira do Austin-Healey, bate ainda na mureta entre a pista e a tribuna e, voando em chamas e aos pedaços, cai em cima do público. Morrem 83 espectadores e tembém Pierre Levegh.Os organizadores decidem não paralisar a prova: se o fizessem, o congetsionamento na saída do circuito prejudicaria o transporte dos feridos. Às duas da madrugada, a Mercedes retira seus carros da prova.. Hawtorn vence e mais tarde é declarado inocente do ocorrido.






Carro de Levegh voando nas arquibancadas...





Cenas do acidente, captadas por um cinegrafista amador...

e o que restou do carro de Levegh.




O Saldo de 81 espectadores mortos, mais alguns fiscais de pista e o próprio Levegh caiu como uma bomba no mundo do automobilismo. No dia seguinte diversas autoridades ao mundo como o presidente francês e até mesmo o papa Pio XI fizeram duríssimas críticas as corridas de automóveis e prestaram condolências as famílias das vítimas

No final de 1955 a Mercedes se retira também da Fórmula 1, como equipe de fábrica, retornando a categoria em 2010. Ainda como conseqüência do acidente em Le Mans, a Suíça decide banir de seu território as competições automobilísticas - a proibição dura até hoje. Depois de Le Mans-1955, o automobilismo nunca mais seria o mesmo.

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1 comentários :

Jean Corauci disse...

Um dos momentos mais tristes do automobilismo