1989 - Emerson Fittipaldi - Fórmula Indy

30/04/2011

Emerson vibra em Nazareth ao ganhar o título antecipado

Em 1989, Fittipaldi faturou o campeonato de Fórmula Indy e tornou-se o primeiro estrangeiro a ganhar o título em 73 anos

Emerson Fittipaldi tornou-se o primeiro estrangeiro a garantir nos Estados Unidos o campeonato da Fórmula Indy em 73 anos, ao vencer o GP de Nazareth, na Pensilvânia, penúltima etapa do ano, em sua décima primeira vitória na categoria. Quinze anos depois de ganhar seu último campeonato de Fórmula 1, e às vésperas de completar 43 anos, Fittipaldi retornava ao topo do automobilismo mundial.

Ele garantiu o único título que na época rivalizava com a Fórmula 1, categoria que tinha como principais estrelas Ayrton Senna e Alain Prost, que um mês depois se envolveriam num polêmico acidente no circuito de Suzuka, no Japão. "Este campeonato tem um significado especial para mim. Ele prova, de uma vez por todas, que eu continuo competitivo no automobilismo", comemorou o piloto.

O brasileiro desceu de seu carro muito emocionado e mesmo querendo comemorar a vitória na corrida e o título com seus familiares presentes e alguns amigos, não conseguiu pois foi cercado por uma multidão de fãs e jornalistas. A euforia tomava conta da família, que não parava de celebrar a conquista.

Durante meia hora, entre o estourar do champanhe e a entrega dos troféus, Fittipaldi usou exatos nove bonés diferentes. Quando os retirava, imediatamente jogava-os em direção ao público. Emerson fez a chamada corrida perfeita, para o êxtase dos espectadores presentes ao autódromo ou ligados nos televisores pelo mundo.

Nem mesmo a experiência de ter acompanhado a vitoriosa carreira do filho na Fórmula 1, era radialista esportivo especializado em automobilismo da Rádio Jovem Pan na década de 1970, impediu que a emoção tomasse conta de Wilson Fittipaldi, o Barão, ao ver o título de Emerson na Fórmula Indy. "Essa conquista é muito importante porque ele é o primeiro brasileiro a chegar até ela".

O Barão assistiu a corrida na televisão de seu apartamento no Guarujá, ao lado da esposa Joze, e da neta Renata, filha de Wilsinho Fittipaldi. "Esse campeonato tem um sabor diferente, porque representa a volta por cima do Emerson, que muita gente já considerava superado. Mas ele acabou quebrando um tabu e mostrando que merece respeito".

A temporada 1989 foi totalmente dominada por Fittipaldi, que chegou a Nazareth com uma sólida liderança na classificação, em grande parte graças, às quatro vitórias e mais três pódios que conseguira até o momento. Emerson estava guiando o novo Penske Chevrolet, mesma versão utilizada pela equipe oficial, patrocinado pela Marlboro, da equipe de Pat Patrick, que estava negociando a venda da sua parte para o sócio Chip Ganassi, o que acabou não acontecendo.

Restando apenas as etapas de Nazareth e Laguna Seca, Emerson estava numa posição confortável no campeonato, e colocou-se em uma boa posição no grid, na segunda posição, ao lado do pole e futuro companheiro de equipe Rick Mears, único que ainda tinha chances de tirar a conquista do brasileiro. No início da temporada, foi anunciado que Fittipaldi e a Marlboro iriam se transferir para a equipe Penske, com a Pennzoil continuando ao lado de Mears e com Emerson e Danny Sullivan sendo patrocinados pela Marlboro. Mears, tricampeão da Indy, precisava vencer a corrida para manter vivas as esperanças de título.

Quando a bandeira verde foi acionada, nessa tarde ensolarada e fria, Fittipaldi pulou para o primeiro lugar, com Mears em seu encalço. No entanto, atrás dos líderes, aconteceu o caos na curva 1. Mario Andretti, que largara em nono, acertou o carro do seu sobrinho, John Andrreti, causando um engavetamento que tirou da corrida John, Didier Theys e Roberto Guerrero.

Somente 18 voltas depois, tivemos a relargada e Fittipaldi retomou sua cruzada em busca do primeiro título na Indy, liderando as primeiras 79 voltas da corrida. Sullivan assumiu a ponta na 80ª volta, mas Emerson o ultrapassa na volta seguinte e, em seguida, Mears assume o primeiro lugar, ficando 10 voltas na frente, antes de Fittipaldi recuperar a liderança. Na 125ª volta, Sullivan volta a liderar, aproveitando as paradas nos pits de Emerson e Rick, que então volta a ser o primeiro nas voltas 154 a 189.

A corrida então é decidida nos pits. Mears é o primeiro a parar, colocando Fittipaldi na frente outra vez. O que deveria ser apenas um "splash and go" para Mears, acabou se transformando em um raro erro para a equipe Penske. Mears retorna dos pits com parte da mangueira, que retira o ar do tanque de combustível durante o reabastecimento, ainda presa ao topo do seu carro. Assim é forçado a voltar aos pits para que o aparelho seja removido. Fittipaldi, entretanto, foi capaz de fazer o seu "splash and go" e manter a liderança, sem maiores empecilhos.

O brasileiro recebe a bandeirada final e os 21 pontos pela vitória e por liderar o maior número de voltas. Mears recupera-se para terminar em segundo e agora Emerson tem 22 pontos de vantagem. Matematicamente, ele poderia alcançá-lo na última etapa em Laguna Seca e empatar com Fittipaldi no número de pontos. No entanto, com cinco vitórias de Fittipaldi contra duas de Mears, o brasileiro é o campeão, graças aos critérios de desempate, não tendo de esperar por Laguna Seca para comemorar seu título. O outro brasileiro da categoria, o paranaense Raul Boesel, da Shierson, ficou em décimo primeiro, depois de largar na 15ª posição

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