Briga de Titãs

22/04/2011

O que todo devoto da F1 deseja ver: grandes talentos rivais apertando um ao outro em direção a cada vez mais disputas. Ás vezes com respeito, ás vezes não...


Pareciam amigos, mas eles não foram...

Os melhores "cabeça a cabeça" da Fórmula 1 foram disputados em carros similares ou da mesma equipe. Os chefes ficavam no muro dos boxes com as palmas das mãos suadas, tentando parecer calmos. Seus pilotos, podem ter certeza, estavam cuidadosamente se excedendo além dos limites...

Jackie Stewart vs. Jochen Rindt

Stewart disputando contra um jovem Rindt em 1969.

O Grande Prêmio da Inglaterra estranhamente, aparece em outras batalhas titânicas. Em 1969, Jackie Stewart e Jochen Rindt disputavam tão agressivamente e próximos o quanto podem dois grandes pilotos. Stewart estava a caminho de vencer seu primeiro grande título mundial com o Tyrrell Matra; Rindt era a jovem estrela que finalmente tinha achado um carro competitivo (o Gold Leaf Team Lotus). Eles eram amigos, ambos usavam motores Ford Cosworth DFV e Silverstone, naqueles dias, era uma pista rápida brilhante, um circuito para pilotos de corrida, livre de chicanes. E, uma vez que os carros ainda corriam com pneus com ranhuras, derrapadas de quatro rodas ainda faziam parte do grande espetáculo.

Rindt marcou a pole - 0s4 á frente de Stewart, que passou em cima de um pedaço de concreto e arrebentou o seu carro de corrida. Assim, Stewart largou com o Matra MS80 de seu companheiro de equipe Jean Pierre Beltoise. O seu motor tinha 600 rotações a menos. A corrida, no entanto, foi de tirar o fôlego. Stewart seguiu Rindt como uma sombra desde a largada e o passou depois de sete voltas. Rindt retornou a liderança após 16 passagens e depois abriu uma diferença de 3s quando a dupla pegou tráfego. Com a pista livre, Stewart acabou com a diferença, marcando a volta mais rápida. Depois, Rindt parou para consertar um suporte de aerofólio traseiro. A corrida e o campeonato se viraram para o lado de Stewart. Rindt ganhou seu primeiro GP três meses mais tarde, em Watkins Glen. Em 1970, ele ganhou postumamente o campeonato mundial.

 
Didier Pironi vs. Gilles Villeneuve


Gilles possesso e Didier constrangido, o pódio que marcou a vida dos dois. Ímola 1982

Gilles Villeneuve não era apenas um grande piloto de corridas, mas um amigo honesto e confiável. Ele esperava que os outros se comportassem da mesma maneira; nunca fez parte do grupo da moda formado por Hunt, Lauda e Alan Jones.

Quando deixou de receber o convite para o casamento em 1982 de seu colega de equipe Ferrari, Didier Pironi, ele creditou o fato a Didier ter se esquecido ou à noiva ter convidado somente a familia. E quando ele e Pironi concordaram que, na eventualidade de estarem dominando uma prova, terminariam na ordem em que estivessem correndo nas voltas iniciais, Gilles acreditou que tivesse sido um trato. Errado também. Em Ímola 1982, Villeneuve estava liderando quando o chefe de equipe - Marco Piccinini, ordenou a ambos os pilotos que diminuissem e mantivessem as posições. Preservando seu motor, ciente que a vitória seria sua, Villeneuve tirou o pé na reta. Pironi passou-o, de pé em baixo. Gilles repassou, levando seu carro ao limite. Uma vez mais, na reta, tirou o pé. Outra vez, de pé em baixo, Pironi o passou.

Você sabe o resto. Didier Pironi ganhou a prova, roubando a vitória de seu companheiro de equipe que confiara nele. Duas semanas depois, desesperado para bater Pironi e usando seu último jogo de pneus de classificação, Gilles morreu enquanto tentava passar por um piloto em volta de desaceleração. Pironi, com o campeonato de 82 quase na mão, foi gravemente ferido três meses depois ao bater na traseira de um carro mais lento no traçado molhado de Hockenheim. Morreu em um acidente com um barco de corrida em 1987.

Melhores (ou piores) momentos da batalha de Ímola-1982

Nigel Mansell vs. Nelson Piquet

Essa era a imagem da Williams, Mansell concentrado e Piquet descontraído, porém a amizade...

Com a contratação de Nelson Piquet por Frank Williams para liderar a equipe para 1986 e 1987 e a manutenção do inglês Nigel Mansell na equipe totalmente inglesa Williams, estava feito o prato predileto para quem gosta de disputas e confusões. 

Dois GP's da Inglaterra - Brands Hatch, 1986 e Silverstone, 1987 - foram perfeitos para traduzir a batalha interna entre Mansell e Piquet. E nas duas, Mansell saiu de trás para bater seu companheiro.
Isto foi uma crua e perigosa corrida a motor, com Mansell não deixando margem e Piquet respondendo de todas as maneiras que sabia. O que Piquet realmente queria, no entanto, era que a Williams mostrasse uma placa "Piquet-Mansell" - algo a que julgava ter direito graças a seu contrato. A placa jamais foi mostrada: Frank e Patrick adoravam a liberdade de corrida no time.

É duvidoso, e o que é mais importante, é que Mansell teria dado mais atenção a uma instrução de P2 do qualquer outro que tivesse competindo pela equipe.

Batalha em Silverstone - 1987

Ayrton Senna vs. Alain Prost

Para muitos, a maior rivalidade da história da Fórmula 1.

Esta foi uma disputa mais cerebral do que física. Os pilotos da McLaren-Honda, Ayrton Senna e Alain Prost, lutavam pelos pontos no campeonato e frequentemente induziam ao melhor um ao outro, mas raras eram as ocasiões em que realmente disputavam na pista - não como Stewart, Rindt, Mansell e Piquet trocavam esbarrões. Houve os famosos finais de campeonato, nos quais, Senna e Prost protagonizaram cenas perigosas e lamentáveis. Na maioria das vezes, Alain Prost era muito conservador para enfrentar Ayrton Senna. O momento definitivo foi provavelmente em 1988, quando Ayrton Senna perdeu uma liderança enorme e uma vitória fácil no GP de Mônaco, ao errar uma tangência e bater na barreira. Algumas voltas antes ele tinha sido avisado que Prost, então 49s atrás, havia feito uma volta em 1'26''714'''. Com o orgulho ferido, Senna respondeu com um 1'26''321'''. Ele então relaxou, perdeu a concentração e... bateu no guard-rail.

Ayrton Senna vs. Michael Schumacher

Batalha do Século ?

Este duelo teria sido bom. Ayrton com sua capacidade de atingir a estratosfera, ainda intacta; Michael descobrindo que podia voar alto também. Ambos tinham muito a provar em 1994.

Senna queria o campeonato mais do que nunca (para mostrar ao mundo que podia ganhar um título sem a mão paternal de Ron Dennis); Michael sabia que seu Benetton B194 poderia bater o arisco Williams FW16. Com determinação, ele estava pronto: "Senna? hã? Quem é ele?"

Três corridas juntos no topo do grid foi tudo o que tiveram. Elas trouxeram três poles de Senna e três vitórias de Michael. E enão, o acidente de Senna.

As estatísticas se tornaram irrelevantes depois de 1º de Maio. Ayrton se fora, Michael ganhou seu primeiro campeonato.
O que vimos? Michael foi o piloto dominante do ano, mas Damon Hill, companheiro de equipe de Ayrton, levou a luta até a Austrália, depois que a Benetton bateu nos livros das regras no meio do campeonato. É justo assumir que teria havido mais pressão de Ayrton Senna...

Como teria Michael Schumacher se comportado? Desconhece-se.

Mas também se Senna estivesse "apertando" a Benetton, teriam eles desenvolvido seu carro mais cedo? Desconhece-se. 
As perguntas tornaram-se irrelevantes e o duelo faz parte dos sonhos.

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2 comentários :

TW disse...

Grandes duelos, com certeza! Queria ter visto o de Stewart e Rindt ao vivo! E que grande sacanagem do Didier Pironi!!

O duelo entre Senna e Schumacher era pra ter sido maior que o do brasileiro contra Prost. Mas Schumi teve sorte de não ser humilhado por Senna!

Carlos disse...

Há quem ache que o Schumacher é um grande piloto, porém, ele nunca enfrentou um piloto de verdade.

Se ele tivese que correr com o Senna, o Prost ou o Nigel Mansel, não ganharia nada, ele seria um ilustre desconhecido.