COMPETITIVIDADE NA CATEGORIA E INTERESSES COMERCIAIS

15/04/2011

O presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo, ameaçou retirar a equipe da F1 ao final do contrato atualmente em vigor, caso não haja mudança no comando da categoria. Montezemolo considera que as alterações na regra, como a utilização do KERS e da asa traseira móvel, deixam a categoria muito artificial.




Inicialmente, esse tipo de ameaça não é novidade, mas jamais foi cumprida, principalmente diante dos interesses comerciais da equipe, da montadora e da Fiat (proprietária das duas primeiras) na categoria. De fato as mudanças tornam o esporte mais artificial, mas não podemos negar que as inovações trazidas para esta temporada aumentaram a emoção das provas. Será que Montezemolo prefere os tempos de Schumacher e monotonia das corridas da época?


A F1 é um esporte caro, onde o avanço tecnológico dos carros chegou a tal ponto que quem tem mais dinheiro para pesquisas e desenvolvimento se sobressai sobre os demais, o que retira a competitividade da categoria. Justamente por isso é que se tenta, a todo custo, trazer a emoção de volta, com idéias mirabolantes.


Se Montezemolo não compactuar com idéias mirabolantes, uma solução muito mais simples pode ser tomada, ou seja, a redução drástica do orçamento das equipes, aliada à restrição do uso de certas tecnologias, o que poderá igualar todas as equipes que alinham no grid.


Nas categorias que nos trazem mais emoção, o fator principal para igualar os carros é justamente a utilização de certos componentes idênticos em todos os carros, como motor e chassi, dentre outros, mas obviamente o presidente da Ferrari não aceitará tais medidas, pois as mesmas afetariam diretamente nos interesses comerciais da equipe na categoria. Tanto é verdade que Montezemolo declarou que a Ferrari permanecerá na categoria enquanto lhe seja dado apoio para o desenvolvimento da tecnologia na produção de seus carros.


O esporte serve justamente para igualar os desiguais na disputa, principalmente no que diz respeito à questão financeira, mas este não é o caso da F1 e da Ferrari. Justamente por essas e outras é que a F1 não é considerada como esporte por muitos, mas essa é uma outra discussão que teremos em um outro momento.

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1 comentários :

Saulo disse...

Boa tarde, conheci o seu Blog a pouco tempo e tenho gostado muito do que leio aqui. Concordo contigo quando disse que F1 não parece muito com esporte, mas penso que o motivo é a frequente mudança nas regras tentando equilibrar o grid a força. Descordo de você, com todo respeito, quando diz que esporte preza pela igualdade, pois não há igualdade em esporte algum. O dinheiro faz a diferença em qualquer esporte, seja para contratar os melhores atletas ou para propiciar melhor condição de treino. O que mais afasta a F1 de ser um esporte são os contratos que favorecem um piloto, como no caso do shumi, que sempre teve um carro melhor que seus companheiros de equipe.