2007 - Kimi Räikkönen

11/05/2011

A Temporada de Fórmula 1 de 2007 foi a 58° temporada de Fórmula 1 realizada pela FIA. Começou oficialmente em 18 de Março de 2007 e encerrou-se em 21 de Outubro. Foi a primeira temporada após a aposentadoria do heptacampeão Michael Schumacher. Nesse ano foi excluído o Grande Prêmio de San Marino. Com isso, começou um rodízio entre o Grande Prêmio da Europa e o Grande Prêmio da Alemanha: em 2007, em Nürburgring; em 2008 em Hockenheim; em 2009, novamente em Nurburgring. Outra mudança é no Grande Prêmio do Japão, que deixa de ser disputado em Suzuka e volta para o Fuji International Speedway.
 
Devido à punição imposta à McLaren por espionagem, pela qual a equipe foi excluída do campeonato de construtores, a Ferrari sagrou-se antecipadamente campeã desta temporada no GP da Bélgica.
 
O campeonato chegou à ultima corrida indefinido, com três pilotos disputando o título: Lewis Hamilton, favorito; Fernando Alonso na segunda posição e Kimi Räikkönen, que era o piloto com menos chances de título, mas, que devido a uma combinação de resultados, acabou campeão da temporada.
 
Sebastian Vettel correu nos E.U.A. devido à ausência de Robert Kubica, que bateu no GP do Canadá. O jovem alemão, que se tornou o piloto mais jovem a pontuar na F-1, foi efetivado como piloto titular da equipe STR a partir do GP da Hungria, após um desentendimento entre o norte-americano Scott Speed e Franz Tost, o dirigente da equipe, no GP da Europa.
Christijan Albers foi piloto da Spyker até ser despedido pela equipe dois dias depois do GP da Inglaterra, quando chegou em décimo-quinto lugar. No GP da Europa, Markus Winkelhock foi o piloto titular. O alemão, o holandês Giedo van der Garde, o austríaco Christian Klien e o espanhol Adrián Vallés (que chegou a afirmar em entrevista que correria já a partir do GP magiar) disputaram a vaga do holandês. Nenhum dos quatro pilotos ganhou a vaga, que ficou com o japonês Sakon Yamamoto.
Após o GP da China, Alexander Wurz decidiu aposentar-se como piloto titular na Fórmula 1. Para substituir o austríaco na última prova da temporada, o GP do Brasil, a Williams chamou o piloto de testes Kazuki Nakajima. Nelsinho Piquet também estava na briga por esta vaga.
No primeiro ano após a aposentadoria de Michael Schumacher, a emoção voltou à Fórmula 1 na temporada 2007 com mais um duelo Ferrari-McLaren.
Na Ferrari havia a aposta em dois pilotos: Kimi Raikkonen, duas vezes vice-campeão mundial, e Felipe Massa, terceiro colocado no campeonato anterior.
Enquanto a McLaren incorporou o bicampeão mundial Fernando Alonso à equipe e apostou no jovem e desconhecido piloto britânico Lewis Hamilton.
Toda a expectativa era em torno de mais um título de Alonso e ninguém acreditaria que Hamilton seria mais do que mero coadjuvante diante do bicampeão.
Mas o inglês surpreendeu a todos pela sua ousadia e regularidade. Ficou no pódio nas oito primeiras corridas da temporada e chegou à última prova do ano liderança do campeonato.
Porém, no momento decisivo, Lewis Hamilton pecou pela inexperiência. Ele errou no último embate e abriu caminho para que o título fosse decidido entre Kimi Raikkonen e Fernando Alonso. Com uma atuação impecável, o piloto da Ferrari venceu o GP do Brasil e sagrou-se campeão mundial pela primeira vez.
Enquanto os dois pilotos da McLaren ficaram com a mesma quantia de pontos, apenas um ponto atrás de Kimi.
O campeonato da F-1 em 2007 já gerava enorme expectativa desde antes mesmo de seu início. O mercado de pilotos havia movido suas principais peças e a estrela maior, Michael Schumacher, estaria ausente de sua primeira temporada desde 1991. A expectativa para descobrir quem seria, de fato e de direito, o novo "rei" após a aposentadoria do alemão, era enorme.
Ferrari e McLaren se armaram para a disputa. A equipe de Maranello contratou, a peso de ouro, Kimi Räikkönen. O finlandês teria a nada fácil missão de substituir Schumacher e de superar Felipe Massa, prata da casa e "queridinho" da escuderia italiana. Por outro lado, Ron Dennis trouxe, enfim, Fernando Alonso, atual bicampeão mundial, para substituir o finlandês e conquistar o título que não vinha desde 1999.
A Renault, dona dos dois últimos títulos de Pilotos e Construtores, havia mantido o pouco combativo Giancarlo Fisichella e promovido a estreia de um finlandês aparentemente promissor, Heikki Kovalainen, campeão da GP2 no ano anterior. Havia pouco a se esperar dos franceses, portanto, a disputa deveria ser polarizada entre Ferrari e McLaren.
Alonso era o grande favorito, já que dividiria a equipe com um jovem promissor que estava apenas fazendo sua estreia na categoria: Lewis Hamilton, o primeiro negro a pilotar oficialmente um carro de F-1. Na Ferrari, sabia-se que Kimi e Felipe travariam um duelo feroz e roubariam pontos um do outro, o que poderia comprometer não só a disputa em si como também o relacionamento interno entre ambos.
Todas as atenções estavam voltadas para a dupla Ferrari. Poucos imaginavam, no entanto, que a "bomba" explodiria na dupla da equipe inglesa.
O campeonato de 2007 foi fantástico do início ao fim. A começar pela vitória de Räikkönen logo em sua primeira corrida pela Ferrari, no GP da Austrália, imediatamente ofuscando Massa, que mais uma vez enfrentou uma prova problemática na pista de Melbourne e cruzou a linha de chegada em sexto lugar.
 
No entanto, até mesmo a vitória de Kimi foi ofuscada pelo estreante Hamilton, que manteve um ritmo alucinante durante toda a prova, atacando zebras e pilotando de forma agressiva, e cruzou a linha de chegada em 3º lugar, subindo ao pódio em sua primeira prova na F-1.
Lewis continuou roubando a cena na prova seguinte, na Malásia, quando deu um show para cima de Massa e completou a dobradinha da McLaren em prova vencida por Alonso, que assumia a liderança do campeonato com 18 pontos, contra 16 de Räikkönen e 14 do jovem inglês.
No Bahrein, enfim, a primeira vitória de Felipe, após dois resultados muito ruins nas duas primeiras etapas. A combinação de resultados promovia um inédito empate triplo na liderança do campeonato, com Alonso, Räikkönen e Hamilton levando os mesmos 22 pontos, apenas cinco a mais que o brasileiro da Ferrari.
Na Espanha, quarta etapa do Mundial, a surpresa maior: após conquistar seu quarto pódio consecutivo - três deles na 2ª posição -, Lewis assumiu a liderança do campeonato, com 30 pontos, dois a mais que Alonso e três a mais que Massa, que com mais uma vitória, pulou para a terceira posição e entrou de vez na disputa.
Até o momento, apesar da surpreendente disputa interna na McLaren, o clima na equipe de Woking era de paz. Mas o cenário mudaria bruscamente a partir do GP de Mônaco, quinta etapa de 2007. Alonso, vencedor da prova, passou todas as 72 voltas com seu companheiro de equipe literalmente colado na traseira de seu carro. Hamilton tinha um melhor desempenho, mas não ganhou o aval de Ron Dennis para tentar a ultrapassagem sobre o espanhol.
Após a prova, o jovem britânico - que agora dividia a liderança do campeonato com seu companheiro de equipe, ambos com 38 pontos - reclamou publicamente da postura da McLaren e do próprio Alonso e inciou um processo de pressão interna que começou a implodir a relação dentro do time.
 
No GP do Canadá, após cinco pódios consecutivos e quatro segundos lugares, Lewis finalmente chegou à sua primeira vitória e disparou na pontuação, assumindo isoladamente a liderança do Mundial, oito pontos à frente de Alonso e 15 à frente de Massa, 3º colocado. O inglês repetiria a dose em Indianápolis e ampliaria para dez pontos sua vantagem.
A F-1 havia se livrado do dominante Schumacher, para ver um jovem estreante vindo "do nada" parecer praticamente perfeito em sua pilotagem e em seus resultados. Hamilton estava pronto para a F-1 e se encaminhava para ser o primeiro campeão estreante em todos os tempos.
O campeonato parecia estar nas mãos da McLaren, que aparentemente tinha o melhor carro do grid, levemente superior à Ferrari. Na França, Lewis fez o necessário para chegar a seu incrível oitavo pódio consecutivo, enquanto Alonso foi apenas o sétimo colocado. Räikkönen voltaria a vencer após seis provas, mas estava nada menos que 22 pontos atrás de Hamilton, que já abria 14 de vantagem para seu companheiro de equipe. Um verdadeiro banho em meio a tanto equilíbrio.
Na Inglaterra, Kimi tornou-se o primeiro piloto na temporada a vencer mais de duas provas: seu terceiro triunfo o recolocou na terceira posição, novamente à frente de Massa, mas ainda 18 pontos atrás do líder do campeonato.
Foi no GP da Europa, uma das provas mais emocionantes da temporada, que o Mundial de Pilotos voltou a ganhar equilíbrio: Hamilton não marcou pontos e Alonso ganhou a vitória na raça, superando Massa em dura disputa a apenas três voltas do final. A tabela, agora, mostrava 70 pontos para Lewis, contra 68 de Alonso e 59 de Felipe. Räikkönen, quarto colocado, aparecia com 52.
Na Hungria, o ponto alto da rivalidade entre Hamilton e Alonso: inconformado com a estratégia da McLaren, que claramente favorecia o inglês, o espanhol parou seu carro nos boxes durante o treino de classificação e impediu a entrada de Lewis para seu reabastecimento, prejudicando o britânico, que não conseguiu registrar uma nova volta rápida.
Punido com a perda de cinco posições no grid, Fernando viu seu rival vencer e voltar a disparar na liderança do campeonato. Ambos cortaram relações e transformaram o ambiente dentro da escuderia de Woking em um verdadeiro inferno.
Na Turquia, 12ª etapa do campeonato, Massa venceu, mas apesar de estar à frente de Räikkönen, aparecia 15 pontos atrás de Hamilton. A disputa pelo título parecia restrita à dupla da McLaren, e as comparações com a rivalidade entre Senna e Prost em 1988 eram inevitáveis.

Na Itália, Alonso deu show, fez pole, vitória e volta mais rápida e diminuiu para apenas três pontos a diferença para Lewis. Massa terminaria a prova à frente de Kimi, mas uma quebra em seu motor Ferrari fez com que o finlandês completasse o pódio e assumisse a terceira posição no campeonato. O brasileiro não conseguiria mais alcançar seu companheiro de equipe.
Em Spa-Francorchamps, Räikkönen voltou a vencer. No entanto, o finlandês tinha apenas 84 pontos, contra 95 de Alonso e 97 de Hamilton. Restando apenas três provas para o final, as chances do finlandês eram cada vez menores. Felipe já estava praticamente fora da disputa.
Na antepenúltima prova do campeonato, no Japão, Lewis tornou-se o virtual campeão. Infernal, o inglês dominou a prova, ficou com a vitória e ainda viu seu companheiro de equipe abandonar a prova, com Kimi apenas em terceiro. Na tabela, o inglês tinha 12 pontos de vantagem para Alonso e 17 para Räikkönen, com apenas 20 pontos em disputa. O título, histórico, era apenas uma questão de confirmação.
Mas o esporte às vezes pode ser traiçoeiro. Hamilton desembarcou na China precisando apenas de um quinto lugar para erguer a taça. O clima, instável, era favorável ao inglês, que se mostrou um bom piloto na chuva.
A largada foi dada com asfalto molhado e chuva. Aos poucos, a chuva parou e a pista foi secando. Lewis, com pneus para pista molhada, atrasou seu pit-stop, se manteve na pista e travou um duelo desnecessário com Räikkönen pela liderança, com direito a um toque entre ambos e à clara vantagem do finlandês que, já com pneus para pista seca, assumiu a liderança da prova.
No giro seguinte, o piloto da McLaren entrou no pit lane para enfim trocar os pneus. Afobado, atrasou demais a freada para a curva que dava acesso aos boxes e passou reto, atolando em uma traiçoeira caixa de brita instalada bem ao lado do curto traçado. Era o primeiro erro crasso de Hamilton na temporada, na antepenúltima corrida do ano. Fim de prova para o britânico, vitória de Kimi, com Alonso em segundo.
Restava apenas uma prova, o GP do Brasil. Lewis ainda era o líder do campeonato, com 107 pontos, contra 103 de Fernando e apenas 100 de Kimi, que ainda tinha pequenas chances matemáticas de ficar com a taça. Interlagos testemunharia uma histórica decisão tripla pelo título.
No grid, Massa, já sem chances de ser campeão e cumprindo o papel de escudeiro de Räikkönen na quase impossível missão de conquistar o título, sobrou e cravou a pole position. Hamilton, em seu segundo "match point", conquistou a segunda posição, com Kimi em terceiro e Alonso em quarto.
Na largada, o brasileiro manteve a ponta, Kimi pulou para a segunda posição e trouxe Alonso consigo. Em má largada, Lewis despencou para a quinta posição.
Na segunda volta, as câmeras mostram as imagens de uma McLaren se arrastando pela pista. Era o carro de nº 2. O carro de Hamilton, que havia caído para a última posição e dava indícios de que abandonaria a prova. No entanto, poucos metros depois, o inglês conseguiu retormar o desempenho norma de sua McLaren. Por engano, o jovem piloto havia apertado em seu volante o botão "N", de Neutral, e seu carro havia entrado em ponto morto. Quando o próprio britânico corrigiu o problema, era tarde demais.
Mesmo em prova de recuperação, Hamilton não conseguiu ir além da sétima posição final. Na frente, a Ferrari acertou na estratégia e, após o último pit stop, Kimi surgiu à frente de Felipe, para assumir a liderança da prova e não perdê-la mais. Alonso, terceiro, dependia da vitória para ficar com o título.
Desta forma, no resultado mais improvável possível, o azarão Räikkönen conquistou seu primeiro título mundial, em uma virada espetacular, pulando para 110 pontos, contra 109 de Hamilton e de Alonso. Do campeão ao terceiro colocado, apenas um mísero ponto de diferença.
Para complicar a situação da McLaren, o time perdeu todos os pontos conquistados ao longo do ano - pontos que lhe valeriam o título Mundial de Construtores - em função do escândalo do StepeneyGate, onde dois funcionários da equipe prateada roubaram dados confidenciais de projetos da Ferrari. A escuderia britânica ficou também sem Fernando Alonso, que deu um pé em Ron Dennis e voltou para a Renault.
Uma temporada imprevisível, equilibrada e realmente inesquecível.
Sistema de pontuação
  • 1º lugar – 10 pontos
  • 2º lugar – 8 pontos
  • 3º lugar – 6 pontos
  • 4º lugar – 5 pontos
  • 5º lugar – 4 pontos
  • 6º lugar – 3 pontos
  • 7º lugar – 2 pontos
  • 8º lugar – 1 ponto

Posts Relacionados

0 comentários :