Grande Prêmio dos Estados Unidos de 1986

24/06/2011

Com a Ford novamente investindo forte na F1 ao lado da Lola-Hass, Detroit seria uma ótima chance de mostrar que a montadora estava investindo certo seus milhões de dólares no novo motor turbo. Porém, a equipe Lola teria sérios problemas antes mesmo de a corrida começar, com Patrick Tambay não se recuperando do seu acidente no warm-up no Canadá e ficando de fora da corrida americana. Para fazer uma média com os americanos, tentou-se a contratação de Michael Andretti para esta corrida, mas o filho de Mario Andretti foi descartado, trazendo para o lugar do contundido Tambay outro piloto ianque, Eddie Cheever.


O clima estava bastante nublado naquele final de semana decisivo de Copa do Mundo e Ayrton Senna ficou com a pole no mesmo dia em que o Brasil era eliminado pela França nos pênaltis, causando muitas piadas dos mecânicos franceses da Renault. Mesmo embalado pela vitória dominante em Montreal, Mansell teve que se conformar com a segunda posição no grid, logo à frente do seu agora grande rival Piquet. A Ligier estava bem à vontade na ondulada e sinuosa pista de rua de Detroit e seus pilotos estavam bem colocados no grid. Cheever queria mostrar que tinha um lugar na F1 e por isso aproveitou essa chance para não apenas superar Alan Jones, como também colocar seu Lola no top-10 do grid, algo que não tinha sido muito usual ao longo do ano.


Grid:

1) Senna(Lotus) – 1:38.301

2) Mansell(Williams) – 1:38.839

3) Piquet(Williams) – 1:39.076

4) Arnoux(Ligier) – 1:39.689

5) Johansson(Ferrari) – 1:40.312

6) Laffite(Ligier) – 1:40.676

7) Prost(McLaren) – 1:40.715

8) Patrese(Brabham) – 1:40.819

9) Rosberg(McLaren) – 1:40.848

10) Cheever(Lola) – 1:41.540


O dia 22 de junho de 1986 estava quente e úmido em Detroit, mas havia a perspectiva de chuva para qualquer momento. Porém, ela não viria e a prova se realizaria com pista seca. Como sempre a largada seria essencial numa pista de rua cansativa como Detroit e por isso Senna e Mansell largaram muito bem, chegando praticamente juntos na primeira curva, com Senna ficando com o lado de dentro e ficando em primeiro. Um pouco mais atrás, Arnoux consegue ultrapassar Piquet e para não bater na traseira de Mansell, chega a fritar o pneu dianteiro esquerdo, mas fica numa boa terceira posição.


O ritmo de Arnoux era tão bom que o francês estava pressionando Mansell, quando Senna errou uma troca de marcha bem na reta dos boxes e permitiu ao inglês da Williams assumir a liderança. Arnoux tentou ir junto, mas Senna deu uma de suas famosas fechadas no piloto da Ligier. Imediatamente Mansell abriu uma diferença de 4s sobre Senna, quando as pastilhas de freio traseira da Williams do inglês, muito frias, envidraçaram e Mansell perdeu rendimento, fazendo com que Senna se aproximasse rapidamente e efetuando a ultrapassagem na oitava volta. Os problemas de freio de Mansell permitiram também que Arnoux o ultrapassasse, mas Piquet não se aproveitou do infortúnio do seu companheiro de equipe e ficou algumas voltas atrás dele, seguido por Laffite, Johansson e Prost. Porém, os problemas com os pilotos que vinham em primeiro não acabaram e na 12º volta Senna tem um pneu furado, fazendo com que o brasileiro fosse aos boxes e caísse para oitavo. Seria o início de uma incrível corrida de recuperação do piloto da Lotus.


À essa altura, a Ligier fazia uma improvável dobradinha quando o veterano Jacques Laffite tinha ultrapassado os dois pilotos da Williams. Prost deixava Johansson para trás e pressionava Piquet, que até aquele momento fazia uma corrida burocrática, incapaz de deixar Mansell para trás. Laffite estava com os compostos mais duros da Pirelli e se aproveitou do desgaste dos pneus macios de Arnoux para se aproximar do companheiro de equipe e ultrapassá-lo na volta 17. Enquanto isso mais atrás, Senna era o piloto mais rápido da pista e após ultrapassar as duas Ferraris, ele estava colado na traseira de Piquet, que tinha sido ultrapassado por Prost. Juntando a isso, a perda de rendimento de Arnoux prendia todos, fazendo um trenzinho de cinco carros. Mostrando o excelente nível daquela turma, o trenzinho tinha na ordem: Arnoux, Mansell, Prost, Piquet e Senna. Só fera! Quando Piquet se viu atacado por Senna, ele resolveu acordar da sua letargia e ultrapassou Prost, trazendo consigo Senna. Com seus pneus muito desgastados, Arnoux vai aos boxes bem no momento em que Piquet atacava Mansell, trazendo consigo Senna. Ao contrário das primeiras voltas, Piquet estava motivado em não ser deixado para trás por Senna e logo ultrapassou Mansell, enquanto Senna, não querendo deixar passar essa oportunidade de ultrapassar seu desafeto Piquet, levou apenas algumas curvas para ultrapassar Mansell.


Os dois brasileiros eram os mais rápidos na pista, trocando várias vezes a volta mais rápida, permitindo uma rápida aproximação a Laffite. A Ligier liderava uma corrida depois de quatro anos, mas Laffite não seria capaz de segurar a velocidade de Piquet e Senna foi engolido pelos dois. Os dois rivais brasileiros davam um show na pista de Detroit e estavam a ponto de repetir a dobradinha no Rio de Janeiro quando Piquet foi aos boxes na volta 38 para trocar seus pneus. A Williams faz um péssimo trabalho e os 18s perdidos nos boxes seriam decisivos para Piquet. Informado do péssimo pit-stop do compatriota e rival, Senna vai aos boxes pela segunda vez três voltas depois e a Lotus leva apenas 9s para trocar os quatro pneus de Senna e o brasileiro retorna à pista tranquilamente em primeiro. No Brasil houve muita repercussão a respeito dessa parada de Piquet. Ele estaria sendo prejudicado pelos mecânicos ingleses, agora ao lado de Mansell? Isso não importava muito nesse momento e Piquet marcava a volta mais rápida na volta 40, mas na passagem seguinte, o brasileiro dá um golpe de vista numa curva à esquerda e bate seu Williams, destruindo sua corrida e de Arnoux! O francês não respeita a bandeira amarela no local e sem diminuir a velocidade, quase bate na Williams de Piquet, mas na manobra acaba atingindo a Arrows de Boutsen, fazendo Arnoux abandonar no local. Isso significava que Senna tinha 27s de vantagem sobre o segundo colocado Prost, que tinha que monitorar seu combustível e por isso Laffite o ultrapassou nas voltas finais. Quando recebeu a bandeirada em primeiro, Senna queria se vingar dos franceses que tinha lhe perturbado no dia anterior por causa da Copa do Mundo e na sua volta de consagração, achou uma bandeira brasileira e desfilou com ela pelo circuito de Detroit. Isso seria a primeira vez de um ritual que marcaria para sempre Ayrton Senna.


Chegada:

1) Senna

2) Laffite

3) Prost

4) Alboreto

5) Mansell

6) Patrese

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