Jackie Stewart e François Cevért marcaram época pela Tyrrell na Fórmula-1. Em tempos conflituosos de Fernando Alonso e Lewis Hamilton, sem esquecer a “Terceira Guerra Mundial” ocorrida entre Ayrton Senna e Alain Prost, é quase inconcebível lembrar de uma relação perfeita entre dois pilotos de uma mesma equipe.

Mas era assim que todos consideravam a amizade entre o mestre, o multicampeão escocês Stewart, e o aprendiz, representado pelo francês Cevért. Foi Stewart que viu o talento de Cevért na F-2 e indicou o piloto para Ken Tyrrell, dono da equipe.

Ao assinar contrato em 1970, Cevért faria com Stewart a dupla mais afinada de todos os tempos. Já na segunda temporada, em 1971, chegou duas vezes em segundo lugar e venceu em Watkins Glen nos EUA. Seria sua única vitória na carreira. E o destino lhe seria trágico nesta mesma pista, dois anos depois…

No ano seguinte, sua equipe tinha um carro pouco competitivo, mas ainda assim Cevért chegou em segundo lugar duas vezes, enquanto Stewart foi vice-campeão (atrás de Émerson Fittipaldi) com quatro vitórias. Na temporada seguinte, com um fabuloso Tyrrell 006 V8, Stewart foi campeão com folga e secretamente se preparava para a aposentadoria, em seu 100° GP.

Então chegamos à última prova da temporada, o GP dos EUA em Watkins Glen. Durante os treinos, Stewart sugeriu à Cevért que não fizesse os velozes “S” na quarta marcha, e sim na quinta marcha. Assim teria mais controle sobre o carro no final da sequência de curvas.

Porém Cevért provavelmente seguiu com seu estilo de pilotagem, perdeu o controle do carro e bateu violentamente no guard-rail, capotando por cima deste. Seu carro deslizou sobre as lâminas, destruindo completamente o cockpit e matando o francês instantaneamente.

O primeiro piloto a chegar ao local do acidente foi o brasileiro Émerson Fittipaldi, e Jackie Stewart chegou logo depois ao local do acidente. “Ele estava tão definitivamente morto que sequer haviam removido seu corpo do carro”, disse Stewart.

Depois disto, o piloto escocês deu mais uma única volta, fez a sequência de “S” em quarta marcha e quase perdeu o controle do carro. Assim, Jackie teve certeza da causa do infortunado destino de seu melhor amigo. Desolado, Stewart não participou da prova, deixando a categoria com 27 vitórias (recorde que durou até o final dos anos 80), 43 pódiuns e 17 pole-positions.

“Tinhamos a relação mais perfeita entre companheiros de equipe da Formula 1. Eu era o mestre e ele era o aluno. Uma das coisas que mais queria era que ele passasse o testemunho e ser Campeão do Mundo. Seria o final perfeito de uma história perfeita. Mas o destino não quis assim, e talvez esta foi a maneira de Deus dizer que nada está garantido“, disse Jackie.

Um tributo à amizade:



O mais ridículo é que em 1974, o jovem austríaco Helmuth Koinigg morreu na mesma pista e do mesmo jeito idiota (guard-rail mal fixado). Aí, enfim, arrumaram isto mas dois pilotos tiveram que morrer para que algo fosse feito…

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