Fórmula 1 nos Anos 80

08/08/2011

A coluna post do leitor desta segunda, foi enviada poruma galera do projeto Autobahn.

Na década de 80, foi um período onde este esporte se desenvolveu muito, e começou a chamar mais a atenção dos brasileiros, por conta do destaque de pilotos como Nelson Piquet, Ayrton Senna, Maurício Gugelmin, Raul Boesel e Roberto Pupo Moreno.




Fittipaldi já tinha começado a aparecer também e fazer milagres na pista um pouco antes, nos anos 70, como 1º. Piloto brasileiro a ser campeão na Fórmula 1. Bi campeão (1972  com a Lotus, e 1974 com a McLaren). Mas, vamos ver como tudo isso aconteceu.


Esta década foi dominada pelas equipes Willians e McLaren, seguidas de perto pela Lotus e Ferrari, excessão feita à genialidade do Nelson Piquet, piloto estratégico que conseguiu 2 títulos mundiais pilotando a Brabham, depois seguindo tri-mundial já na Williams, quando os pilotos mais audaciosos e precisos estraram nas equipes tops, que também estavam com os motores mais acertados.

Uma coisa que ficou muito marcada pra todos que acompanhavam as corridas, era a competição que foi gerada depois da metade de década, entre 4 Pilotos excepcionais: Nelson Piquet(BRA), Ayrton Senna (BRA), Alan Prost(FRA) e Nigel Mansel – o “Leão” (ENG). Quando esses 4 estavam juntos na pista só tínhamos uma certeza: uma disputa acirrada a cada volta do circuito, e emoção na certa! Vários campeonatos foram decididos ponto a ponto, curva a curva, mostrando a garra e determinação desses pilotos.
               

Claro que não podemos deixar de mencionar que as escuderias e motores também eram as “estrelas” da competição.
E alguns nomes que fizerem “a diferença” nas pistas, para dar mais emoção em cada corrida: Gerhard Berger (Austria, atuou na F1 até 1997 – não podemos deixar de mencionar o quanto era audacioso e às vezes, fazia algumas “maluquices” na pista), Jean Alesi (FRA), Thierry Boutsen (BLG), Alessandro Nannini (ITA), Riccardo Patrese (ITA) Satoru Nakajima (JPA), René Arnoux (FRA), Michele Alboreto (ITA), Martin Brundle (GBR, atuou na F1 até 1996), Andrea de Cesaris (Itália, atuou na F1 até 1994), Nikki Lauda (Austria, 3 campeonatos, – atuou na F1 até 1985), e Keke Rosberg (Finlândia, 1 campeonato, atuou na F1 até 1985).
Quando temos a combinação de um piloto muito bom, e o carro muito fraco, não é possível fazer milagres. Isso foi visto em 1984, no ano que Senna começou na F1 na equipe Tolleman, onde ele tentou alcançar uma boa colocação várias vezes, mas o carro não ajudava. Mostrou também desde o começo sua habilidade na chuva, na corrida em Mônaco deste mesmo ano.

Começou a desabar um temporal, vários pilotos foram parando, e o Senna com a Tolleman foi fazendo uma volta mais rápida após a outra. Esta corrida ficou marcada e gerou muita polêmica, pois ela foi interrompida por uma questão de segurança – muitos pilotos estavam colidindo, e saindo da pista. Porém, se continuassem a corrida, de acordo com as voltas que ainda faltavam e com os segundos que Ayrton Senna avançava, com certeza ele poderia ultrapassar o 1º. Colocado, e mudaria o resultado.

Entre os torcedores brasileiros, as atenções se dividiam entre nossos 2 futuros Tri-campeões:  Senna e Piquet. Mas, prá felicidade dos fãs do esporte que gostavam dos 2, o “auge” do desempenho dos 2 só coincidiu por alguns anos – Piquet entre 1981 e 1987, e Senna entre 1988 e 1994.
Vamos ver como as coisas aconteceram ano a ano:


1980 – Este ano foi conquistado por um Australiano, Alan Stanley Jones, que começou na F1 em 1975, e foi até 1986.
Vice-Campeão: Nelson Piquet (BRA)
3º. Lugar: Carlos Reutemann (ARG)
Neste ano, grandes modificações para os torcedores brasileiros:
- Foi o último ano de Emerson Fittipaldi na F1.
- Estréia de Nelson Piquet, na Brabham, que conseguiu 3 vitórias, ficando com o vice-campeonato.
1981 – Campeão: Nelson Piquet (BRA)
Vice: Carlos Reutemann (ARG)
3º. Lugar: Alan Jones
Neste ano, as posições do ano anterior de inverteram. Foi um ano dominado pela Equipe Willians. Mas, com Piquet na Brabham conquistando 3 corridas, e somando outros pontos, ele conseguiu ficar com o campeonato, apenas 1 ponto na frente de Carlos Reutemann.
1982 – Campeão: Keke Rosberg (FIN)
Vice: Didier Pironi (FRA)
3º. Lugar: John Watson (GBR)
Nos treinos do grande prêmio da Bélgica, perdemos o grande piloto Gilles Villeneuve, um dos mais arrojados pilotos da história da categoria, aos 32 anos, em um acidente terrível com sua Ferrari. Ele correu na F1 durante 5 anos.

Didier e John Watson ficaram em 2º. E 3º. Lugar no campeonato, com o mesmo número de pontos.
Uma das cenas antológicas da fórmula 1, aconteceu no grande prêmio da Alemanha, quando Piquet foi ultrapassar o retardatário Eliseo Salazar e o mesmo atrapalhou Piquet, os dois bateram e saíram da prova. Instantaneamente Piquet saiu do cockpit e deu um soco em Salazar com capacete e tudo mais.
1983 – Campeão: Nelson Piquet (BRA)
Vice: Alain Prost (FRA)
3º. Lugar: René Arnoux (FRA)
Bi-campeonato do Brasileiro Nelson Piquet, que começa a mostrar que, ser bom em acertar o seu próprio carro faz muita diferença.
Neste ano, um dos pilotos brasileiros deixou a F1, e partiu para outros desafios em outros estilos de corrida: Raul Boesel. Sua carreira nesta categoria foi pequena – 2 anos.

Consegui conversar um pouco com ele, e aqui vamos mostrar o que aconteceu entre 1982 e 1983 com o Raul, com as suas próprias palavras. Como foi este período de experiências, coisas boas e ruins que aconteceram, e você vai poder ter uma boa noção de como as coisas andavam naquela época. Uma curiosidade: Raul, ex-piloto, agora é D.J.! (entrevista cedida em 13/04/2010):
Raul Boesel: “Minha experiência na Fórmula 1 foi incrível, mas muito conturbada...
A minha estréia foi na África do Sul em janeiro de 1982, pilotando para a pequena equipe inglesa,  March, antes mesmo de começar já houve um tumulto que foi uma briga entre os pilotos e a FIA. Era em relação a licença dos pilotos, queriam impor um valor caso um piloto mudasse de equipe. Isso gerou uma greve dos pilotos e todos menos meu companheiro de equipe o Jochen Mass, entramos em um ônibus e fomos para um hotel antes de começar os primeiros treinos na sexta-feira.

Imagine a confusão!!!  Todos achavam que iria se resolver em pouco tempo, do lado dos pilotos quem negociava era o Niki Lauda e Didier Pirroni e do outro era o Jean Balestre da FIA e o Bernie Ecclestone. Resumindo, o impasse só foi resolvido no sábado de manhã antes do segundo treino, todos nós pilotos ficamos nesse hotel dormindo em uma enorme sala de convenções com colchões no chão, de roupa. Dia seguinte fomos direto para o autódromo para treinar.
O ano foi bem difícil, a equipe tinha um orçamento pequeno e o carro não era bom, mas deu para aprender o profissionalismo do que era uma Formula 1 na época que não da nem para se comparar do que é hoje. Os carros eram perigosos as pistas inseguras, a segurança dos boxes e mecânicos era precária, imagine que na época os mecânicos no calor de 40 graus do Rio de Janeiro durante os treinos trabalhavam de shorts e sem camisa!!!
Em 1983 fui correr pela equipe francesa Ligier, uma equipe média da época. Para começar, meu contrato exigia que eu falasse francês, lá fui eu morar em Vichi, sede da equipe na França. É claro que tive aulas da língua, pois não falava nada, talvez tenha sido a única coisa boa que me aconteceu, pois daquele ano em diante a Ligier foi de ladeira abaixo como equipe até desaparecer.

Meu companheiro de equipe era o francês Jean Pierre Jarier, e descaradamente a equipe dava a ele tudo de melhor, foi um ano de muito sofrimento para mim como profissional.
Foram dois anos de muita batalha e ao mesmo tempo de muita decepção, mas isso me ajudou a ser perseverante para o resto de minha carreira e como lição de vida. Também tive a oportunidade de conhecer vários países e várias culturas.
A experiência que adquiri na Fórmula 1 me ajudou muito nos meus anos na Indy Car e no Campeonato Mundial de Marcas, contribuiu muito para os meus 30 anos no automobilismo.
Hoje como DJ, estou curtindo muito, levo com o mesmo entusiasmo, dedicação e empenho como minha carreira de piloto. Sempre gostei de musica como hobby, sempre comprando, escutando fazendo ginástica, durante minhas viagens, a musica sempre me acompanhou, quando resolvi parar de correr apesar de parecer estranho para mim foi natural tentar aprender a tocar, não foi fácil, me tranquei em casa por 8 meses treinando, pesquisando, tendo aulas, até fazer minha primeira apresentação em publico que foi no dia 26 de agosto de 2006. De lá prá cá, já existe um reconhecimento que eu estou levando a sério, e a reação do publico tem sido muito positiva.”

1984Campeão: Niki Lauda (AUT)
Vice: Alain Prost (FRA)
3º. Lugar: Elio de Angelis (ITA)
Lauda e Prost faziam parte da mesma equipe, a McLaren, que venceu o campeonato de construtores com muita vantagem, e começou a mostrar sua superioridade.
Ano de estréia na F1 do Brasileiro Ayrton Senna, na equipe Toleman.
Niki Lauda é o maior exemplo de coragem e superação da história da fórmula 1, depois de um trágico acidente em 1976, em que o carro incendiou-se e Lauda ficou preso no cockpit, em que até um padre foi chamado para dar a extrema unção no hospital, Lauda, que perdeu a orelha e teve que reconstruir boa parte do rosto, voltou para as pistas, e sem qualquer sentimento de medo, sagrou-se tricampeão mundial em 1984, umas das maiores provas força de vontade e dedicação de toda a história do esporte!

1985 – Campeão: Alain Prost (FRA)
Vice: Michelle Alboreto (ITA)
3º. Lugar: Keke Rosberg (FIN)
Este foi o último ano de atuação do tri-campeão Niki Lauda.
Segundo ano do Senna na F1, agora na equipe Lotus (Linda = aquela preta com letras douradas, patrocinada pela John Player Special, que a gente não consegue esquecer!!). Senna consegue sua primeira vitória no GP de Portugal – Estoril.
O Vice-campeonato de um italiano na Ferrari, fez a alegria dos “Tifosi” (como são chamados os torcedores da Ferrari).
(A foto ao lado foi de 1993, quando Prost o "Professor" se sagrou tetra campeão dirigindo uma Willians, pois na época ele era piloto da McLaren)


1986 – Campeão: Alain Prost (FRA)
Vice: Nigel Mansell (GBR)
3º. Lugar: Nelson Piquet (BRA)
Embora este ano tenha sido do Francês Prost, conseguindo o título na última corrida em Adelaide, esta anos foi dominado pelas Willians de Piquet (BRA) e Mansell (GBR).
Senna conseguiu chegar em 4ª. Lugar no final do campeonato. Este ano ficou marcado pela grande disputa e equilíbrio entre capacidade e carros, desses 4 primeiros colocados: Mansell, Prost, Piquet e Senna. A cada corrida, a disputa foi acirrada nas pistas.
O campeonato foi decidido ponto a ponto, e os 4 chegaram até a antepenúltima corrida do campeonato em condições de conquistarem o título.
1987 – Campeão: Nelson Piquet (BRA)
Vice: Nigel Mansell (GBR)
3º. Lugar: Ayrton Senna (BRA)
2 brasileiros entre os 3 melhores deste ano.
Mas, os motores turbocomprimidos da equipe Willians mostravam que estavam na frente dos outros.
O domínio de Senna e Piquet nos pódios foi muito bom:
- Piquet = 3 vitórias, 7 segundo lugares, e 1 terceiro.
- Senna = 2 vitórias, 4 segundo lugares, e 3 terceiros.
Nesse ano aconteceu algo muito interessante, na corrida de San Marino, Nelson Piquet teve uma batida muito semelhante a de Senna em 1994, Piquet bateu nos treinos na mesma curva em San Marino, mas a sorte de Piquet foi outra diferente de Senna .
1988 – Campeão: Ayrton Senna (BRA)
Vice: Alain Prost (FRA)
3º. Lugar: Gerhard Berger
Este foi o ano de estréia de Senna na McLaren (onde ele conseguiu ganhar seus 3 títulos mundiais – 1988 / 1990 e 1991). E a McLAren acertou na dupla de pilotos, e no motor Honda, pois as 2 juntos, ganharam 15 das 16 corridas.
Parecia “Brincadeira de criança”, pois a pista era só dos dois. E parecia que o campeonato seria disputado apenas pelos 2 pilotos da McLaren.  Deixaram apenas a corrida de Monza na Itália para a Ferrari de Berger.
Além disso, essa dobradinha “Senna / Prost” fizeram “10 pódios duplos”, alternando 1º e 2º lugares.
A McLaren acabou o ano vencendo o campeonato de construtores com 134 pontos e 15 vitórias em 16 corridas sendo que a única corrida que a McLaren não venceu, foi ganha por Berger piloto da Ferrari.
1989 – Campeão: Alain Prost (FRA)
Vice: Ayrton Senna (BRA)
3º. Lugar: Riccardo Patrese (ITA)
De novo, a disputa entre a Dupla Dinâmica da McLaren. 6 vitórias do Ayrton, conta 4 de Prost. Mas, no final Prost conseguiu melhores colocações e mais pontos.

O campeonato foi decidido na penúltima corrida, em Suzuka, Japão, onde houve um acidente com os 2 em uma curva, e os 2 tiveram que abandonar a corrida. Porém,  isso dava a vantagem ao francês Alain Prost na contagem final de pontos. Todos comentaram na época, que a batida foi proposital, pois havia uma grande rivalidade entre os 2 pilotos.

Este ano foi marcado por um acidente com Berger, na curva Tamburello (mesma curva que Ayrton Senna sofreu o acidente em 1994), quando sua Ferrari pegou fogo imediatamente após o fortíssimo acidente. Os fiscais de pista italianos agiram rapidamente e extinguiram o fogo. Gerhard Berger ficou quinze segundos no fogo, protegido pela roupa anti-chama. Se a equipe de resgate demorasse mais seis segundos, Berger teria morrido.
No GP do Brasil, o Brasileiro Maurício Gugelmim esteve no pódio em 3º lugar, em seu 2º ano de F1.

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