Ordens de Equipes

24/08/2011

A coluna vale a pena postar de novo mostra novamente para você os três casos mais famosos de pilotos da Fórmula 1 que desafiaram suas equipes e desobedeceram a famigerada "ordem de equipe".

Carlos Reutemann - Grande Prêmio do Brasil de 1981 (já falamos disso anteriormente)

O cenário no Grande Prêmio do Brasil de 1981, realizado em Jacarepaguá, era simples: Os dois carros da Williams lideravam a corrida desde a primeira volta, com Carlos Reutemann na frente de Alan Jones. Naquela ocasião, Jones liderava o campeonato com 9 pontos, três a mais do que Reutemann, o segundo colocado na tabela. A corrida do Rio era a segunda da temporada.

De acordo com o contrato de Reutemann, se dos dois pilotos da equipe se encontrassem um na frente do outro em uma corrida e o argentino liderasse Jones, deveria deixar o australiano vencer. A dupla já havia trocado posições um ano antes, quando Jones conquistou o título mundial.

Naqueles tempos, ainda não havia a comunicação box-piloto via rádio e as equipes passavam informações através da boa e velha placa na mureta dos boxes. Já nas últimas voltas do Grande Prêmio do Brasil, a equipe Williams mostrou uma placa para Reutemann com os dizeres "Jones-Reut", em uma clara ordem de inversão de posições.


Reutemann, que estava perto do seu aniversário de 39 anos e se preparando para a próxima corrida, o Grande Prêmio da Argentina, país do piloto, resolveu não cumprir a imposição da equipe, uma vez que havia perdido uma vitória para Jones em Long Beach, algumas semanas antes da corrida no Rio. Dessa maneira o argentino venceu a prova e acabou se tornando rival de Jones, que nem subiu ao pódio carioca, tamanha a sua ira.

Em Buenos Aires, Reutemann foi ovacionado pelo seu público e retribuiu a admiração com bom humor, ao levantar uma placa na reta dos boxes com os dizeres "Reut-Jones", satirizando a placa que foi mostrada para ele no Brasil.


Reutemann acabou perdendo o apertado campeonato daquele ano para Nelson Piquet. Muitos dizem que houve certa "má vontade" da Williams com Carlos, após ele ter desobedecido as ordens no Rio.

Didier Pironi - Grande Prêmio de Imola de 1982

Este foi certamente o mais famoso caso de ordens de equipe "dando errado". Alguns dizem que este acontecimento acabou tendo consequências mortais.


Os pilotos da Ferrari Gilles Villeneuve e Didier Pironi, ocupavam a liderança da prova em Imola confortavelmente, com o canadense liderando o francês. No campeonato, Didier estava na 12ª posição, com 1 ponto marcado. Gilles ainda não havia feito pontos naquele ano.

O veloz circuito de Imola, com suas longas retas e curvas de alta contornadas de pé cravado, era uma grande preocupação para a Ferrari em termos de consumo, uma vez que além das características da pista, o modelo 126 C2 era um grande beberrão de combustível com o seu monstruoso motor turbo.

Dessa forma, a Ferrari mostrou uma placa para os seus pilotos com a palavra "slow" (devagar), com a intenção de que eles poupassem combustível, levantando o pé do acelerador. Acreditando que a placa asseguraria a sua vitória e que seria uma ordem para que ambos os pilotos mantivessem as suas posições, Gilles levantou o pé e foi ultrapassdo por Pironi. O canadense então abaixou o seu tempo de volta e ultrapassou Didier novamente, pensando que o francês queria apenas dar um "show" a mais para os Tifosi.


Villeneuve reduziu a velocidade novamente, mas desta vez foi ultrapassado definitivamente por Pironi, em uma manobra arrojada na rápidissima curva Tosa. Didier não deu mais chances para Villeneuve efetuar nova ultrapassagem e venceu o Grande Prêmio de Imola de 1982.

O clima na Ferrari azedou de vez. Gilles prometeu jamais falar com Pironi novamente e disse que agora iria tratar o francês como um rival qualquer. Didier tentou conversar com Gilles, mas nada adiantou. A equipe "rachou" em duas, com Enzo Ferrari apoiando Villeneuve e o resto apoiando Pironi.

Gilles não tolerou o fato de Pironi desrespeitar as ordens da equipe, uma vez que o próprio canadense abriu mão de ultrapassar o seu companheiro Jody Scheckter em Monza 1979, para ajudar o sul-africano a conquistar o seu título mundial. Gilles esperava que a Ferrari fizesse Pironi ter a mesma atitude.


Infelizmente Villeneuve faleceu nos treinos para a corrida seguinte ao Grande Prêmio de Imola, o GP da Bélgica realizado em Zolder. O canadense sofreu um acidente nos treinos, quando a sua Ferrari levantou vôo após tocar a roda traseira do March de Jochen Mass, em um dos acidentes mais chocantes e comoventes vistos na história do automobilismo.

Pironi após sair do local do acidente fatal de Gilles, carregando o capacete do canadense

Pironi sofreria um acidente em Hockenheim e se afastaria definitivamente da Fórmula 1, fazendo apenas alguns testes para diversão, na Ligier e na AGS em 1986.

Como maneira de homenagear Villeneuve, Pironi batizou um dos seus gêmeos com o nome do canadense. Infelizmente Didier viria a falecer em uma corrida de lanchas offshore em 1987.

Rene Arnoux - Grande Prêmio da França de 1982

A desastrosa experiência da Ferrari com as ordens de equipe em 1982, não impediu que a Renault tentasse fazer o mesmo. Mas repetindo o que aconteceu com Reutemann um ano antes, o rápido Rene Arnoux também não aceitou ser "capacho" do seu companheiro, o sempre imbatível Alain Prost.

Arnoux era piloto da Renault desde 1979, tendo vencido o seu primeiro Grande Prêmio em Interlagos no ano de 1980, sendo o último piloto a vencer uma corrida de Fórmula 1 realizada no antigo traçado longo de Interlagos.


Mas em 1982, Arnoux completaria a dolorosa marca de duas temporadas sem vitórias. E justamente quando estava diante da possibilidade de conquistar o primeiro lugar, correndo em casa, viu a equipe pedir a inversão de posições.

Liderando com 20 segundos de vantagem, Arnoux ignorou as insistentes ordens de inversão de lugares e venceu a corrida em Paul Ricard.

Acusações dentro da equipe voaram para todos os lados após o acontecido. Figuras mais antigas do comando da equipe disseram que Arnoux deveria voluntariamente ceder a posição a Prost, uma vez que Alain acreditava que ambos tinham o mesmo status na Renault.


Um fato engraçado aconteceu motivado por este episódio:

Após a corrida, Prost entrou em seu Mercedes para voltar para casa. Uma vez em um posto de gasolina abastecendo o seu carro, o frentista confundiu Prost com Arnoux e deu os parabéns ao piloto pela lição dada naquele "bastardo" do Prost. Para evitar maiores constrangimentos, Alain pagou o abastecimento em dinheiro, para que seu cartão de crédito não revelasse a sua verdadeira identidade.

Em 1983 Arnoux deixaria a Renault para correr pela Ferrari.

fonte autoracing.com.br

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