GP do Brasil de 2003

30/09/2011


Chuva e acidentes marcaram a prova n° 700 da F1, vencida por Raikkonen. Barrichello deu show, mas abandonou


A Fórmula 1 teve mais uma corrida cheia de surpresas. Mas, desta vez, não foi por causa das novas regras. O principal fator que criou as confusões da terceira etapa do Campeonato Mundial de Fórmula 1 de 2003 foi a chuva. Mesmo não estando presente durante a corrida, ela caiu de forma torrencial durante quase toda a manhã que antecedeu a prova. Com o asfalto escorregadio e apresentando acúmulo de água em alguns pontos, ela já começou diferente: foi necessário fazer a largada com a presença do Safety Car, para maior segurança dos pilotos. Mas foi só ele sair da pista, na volta número oito, que o GP da confusão entrou em cena. Uma série de acidentes começou a acontecer e só terminou quando o mais sério deles obrigou a organização da prova a encerrar a corrida. Mark Webber derrapou na entrada da reta dos boxes, bateu violentamente contra a proteção de pneus e voltou com seu carro despedaçado para a pista novamente, até parar no muro do outro lado. O piloto nada sofreu, mas os destroços do Jaguar número 14 ficaram pelo traçado. Fernando Alonso, que vinha atrás, acertou em cheio uma das rodas soltas anteriormente pelo modelo do australiano e também acabou chocando-se fortemente contra o muro. Precisou ser atendido ainda na pista, mas exames posteriores nada indicaram de mais grave. Antes disso, outros vários acidentes ocorreram e o Safety Car entrou na pista por cinco vezes.


A Curva 3 foi a responsável pela maioria das batidas. Um acúmulo de água bem na tangência dos carros fez com que aquaplanassem, no mesmo lugar, Juan Pablo Montoya, António Pizzonia, Michael Schumacher e Jenson Button, encerrando a corrida para todos eles, onde o fim da rodada acabava na barreira de proteção. O local virou um verdadeiro cemitério de carros de F1,  lembrando o Grande Prêmio do Brasil de 1977, quando o mesmo aconteceu na antiga Curva 3 do traçado velho, devido a problemas no asfalto. Outros competidores chegaram a sair da pista no mesmo trecho, conseguindo voltar depois. Quem também levou um susto foi o inglês Ralph Firman, que teve a suspensão de seu Jordan quebrada em plena reta dos boxes. Sem controle do carro, chocou-se contra o Toyota de Olivier Panis, estragando os planos de ambos de pontuar na prova, esta, que acabou terminando antes do previsto. Após a seqüência de acidentes envolvendo Webber e depois Alonso, foi dada a bandeira vermelha e encerrada a prova. Um total de 55 voltas acabaram completadas, mas oficialmente a prova valeu até a passagem de número 53. Pelo regulamento, quando é encerrada a corrida antes do previsto (eram esperadas 71 voltas) com bandeira vermelha, valem as posições de duas passagens anteriores. Por este motivo, Giancarlo Fisichella, que teve uma atuação exemplar durante o fim de semana com um limitado Jordan, comemorou antes da hora a vitória. Ele, que estava mais leve e havia ultrapassado Raikkonen na volta 54, aparecia em 1º na cronometragem. Mas, com a interrupção, acabou mesmo em 2º lugar.


Raikkonen desponta como campeão

Duas vitórias em três corridas. Não, não estamos falando de Michael Schumacher. O nome da nova sensação da Fórmula 1 é Kimi Raikkonen. O finlandês da McLaren conquistou sua segunda vitória na categoria, na caótica prova brasileira, e ampliou ainda mais a liderança no campeonato de pilotos. Com uma direção firme em piso molhado, Raikkonen superou seu companheiro de time, David Coulthard, e outros pilotos durante a corrida de maneira arrojada, fria e precisa, digna de um campeão mundial. E parece que ficou provada a chance real que o piloto tem de desbancar três anos consecutivos de conquistas de Michael Schumacher no certame. O alemão parece estar em uma outra fase de sua carreira, bem mais descontraído e um pouco menos aplicado. Esta oportunidade é que Raikkonen não quer perder, pois além deste motivo, ficou provado que na equipe de Ron Dennis não existe primeiro piloto (a disputa entre o finlandês e o escocês do mesmo time foi decidida na pista) e que o conjunto chassi/motor foi aprimorado e consegue bater a Ferrari, que era invencível no ano passado. A prova do trunfo que Raikkonen tem nas mãos aparece nos números do Mundial de Construtores, onde a McLaren é a 1ª com 41 pontos, contra 16 da Ferrari, que é a 3ª até agora (a Renault ocupa a vice-liderança com 23 pontos, devido ao 3º e 7º lugares de Fernando Alonso e Jarno Trulli obtidos nessa corrida, respectivamente). A confiança de Raikkonen é tanta que ele mesmo admite que tudo anda perfeito e, apesar das variáveis durante a prova, suas chances de vencer em Interlagos sempre foram grandes. “Eu tinha um equipamento perfeito”, comentou. Mas quanto ao campeonato, apesar dos resultados e das vitórias em grande estilo, Raikkonen prefere a modéstia. “Ainda é muito cedo para pensar em campeonato”, concluiu o competidor, que pode se tornar o campeão mais jovem da história, este ano.


Fumaça invade a pista

Por pouco o GP do Brasil de Fórmula 1 deste ano não acontece. Uma lei já aprovada em 2000 no Congresso Nacional proibia a veiculação de marcas de cigarro em eventos esportivos no Brasil. Essa lei começou a vigorar em sua totalidade a partir do dia 1º de janeiro deste ano. Com isso, as equipes da Fórmula 1 que são patrocinadas por empresas de tabaco (Jordan, Ferrari, Renault, BAR e McLaren) não poderiam exibir as logomarcas de seus cigarros. Mas no primeiro dia de treinos a Medida Provisória 118 foi publicada pelo Governo Federal para permitir que a exposição das marcas de tabaco acontecesse legalmente no evento. A MP alega que a lei contra a propaganda foi aprovada depois que o contrato que garantia a realização do evento já tinha sido assinado, em 1999. Mesmo assim o Ministério Público Federal entrou com pedido de liminar contra a MP, que foi concedido pela 15ª Vara da Justiça Federal em São Paulo, um dia depois. Bernie Ecclestone, da FOM, chegou a ameaçar a realização da prova, caso a proibição fosse mantida. A Confederação Brasileira de Automobilismo, por meio de procedimentos jurídicos, acionou o Tribunal Regional Federal de Justiça, que caçou a liminar, em despacho da juíza Anna Maria Pimentel, salvando a realização da prova, pelo menos para este ano.


Barrichello brilhou, mas…

Os torcedores que lotaram o Autódromo José Carlos Pace e tomaram chuva para assistir os brasileiros em Interlagos saíram frustados com o resultado final. Apesar disso, eles tiveram a oportunidade de acompanhar uma bela demonstração de Rubens Barrichello — pelo menos, até abandonar com problemas na sua Ferrari, quando era o 1º. Após conquistar a pole position, em uma volta sem erros no sábado, depois de nove anos um brasileiro voltou a ocupar esta posição na prova nacional, pois a última vez que isso tinha ocorrido foi em 1994, com Ayrton Senna, de Williams Renault, Barrichello saiu do autódromo decepcionado com a pane seca. O piloto número dois da Ferrari montou uma estratégia vencedora com sua equipe para enfrentar o traçado molhado devido à forte chuva contínua que caiu sobre Interlagos pouco antes da largada. Só que mais uma vez um problema no carro tirou das mãos de Barrichello a vitória em casa. “Fiz tudo o que tinha de ser feito”, comentou o brasileiro depois de abandonar. “O carro estava perfeito até parar de repente. Foi uma pena, pois eu corro por uma nação inteira e não somente por mim”, completou o competidor. Antônio Pizzonia e Cristano da Matta também não ficaram satisfeitos. Em suas primeiras corridas de Fórmula 1 no país, os dois formaram a penúltima fila do grid, à frente apenas dos Minardi. Na corrida, Pizzonia foi uma das vítimas da aquaplanagem da Curva 3. Saiu da pista na volta 25 e bateu seu carro no de Montoya, que já estava batido no mesmo lugar. “Havia um rio naquele ponto da curva”, disse. Já Da Matta chegou a ocupar a 4ª colocação devido às interrupções do Safety Car, mas teve problemas de dirigibilidade depois e acabou apenas em 10° lugar.


A culpa foi de São Pedro?

Um festival de rodadas e saídas de pista aconteceu também na sexta-feira, onde uma forte chuva caiu durante os treinos livres da manhã. Com o piso encharcado, vários competidores não conseguiram manter seus carros na pista. O motivo, segundo os pilotos, foi o tipo de pneu escolhido pelas suas equipes. Tanto a Bridgestone quanto a Michelin trouxeram para o Brasil pneus de chuva do tipo intermediário e eles foram os escolhidos por todos os times. As novas aplicações da regra permitem que apenas um tipo de composto de pneu de chuva possa ser utilizado para um grande prêmio por cada time, além dos dois tipos de compostos para seco. A escolha do pneu de chuva foi errada? Segundo as equipes da categoria, não. Elas têm de optar por um tipo deste pneu. Arriscaram e pediram os intermediários (o modelo que a Michelin apresentou em São Paulo suporta melhor um pouco mais de água no asfalto. Em compensação, o da Bridgestone é mais eficiente no piso úmido). Segundo os representantes das duas marcas, é impossível acertar a escolha do tipo do pneu. “E se caísse apenas uma garoa e os times tivessem optado por pneus de chuva forte? Eles seriam obrigados a permanecer na pista com os pneus para seco, pois aqueles desenvolvidos para chuva forte só durariam duas ou três voltas nesta hipotética condição”, disse um engenheiro da Michelin, que ainda garantiu que a escolha do tipo do composto de chuva foi correta, apontando que todos os participantes, utilizando eles os modelos franceses ou japoneses, fizeram a mesma opção. Mas uma importante discussão sobre este assunto foi gerada devido à segurança, já que a falta de aderência é um dos principais pontos a serem combatidos neste esporte. David Coulthard e Michael Schumacher chegaram a liderar um abaixo-assinado entre os pilotos, pedindo que o treino de qualificação de sexta-feira fosse cancelado. Mas, como a chuva diminuiu, ele foi deixado de lado. Apesar de terem concordado, em 2002, pela nova aplicação da regra de pneus, os times da F1 reclamaram da necessidade de se ter mais um tipo de composto de chuva. Isto abriu espaço para uma possível mudança, tudo em nome da segurança.

Fisichella, o 1º

Não bastasse as confusões que aconteceram durante o Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1, a corrida somente teve sua classificação final confirmada cinco dias depois que ela tinha sido dada como encerrada. A Federação Internacional de Automobilismo pediu uma revisão no resultado final da prova depois que foram constatadas falhas de comunicação entre os sistemas de cronometragem e de sinalização. Como em corridas com finalização e paralisação antes do previsto são válidos os resultados de duas voltas antes, Kimi Raikkonen foi declarado vencedor no dia do GP, pois havia sido computada até a volta número 55 e o piloto finlandês era o 1º colocado na volta 53. Mas uma imagem de televisão provou que Giancarlo Fisichella, o líder nas voltas 54 e 55, abriu a volta número 56, segundos antes de serem acionadas as luzes e bandeiras vermelhas. Com isso, os comissários da FIA corrigiram o resultado e deram a vitória ao piloto italiano da Jordan. Foi a primeira conquista de Fisichella na Fórmula 1, e nem o fato de não ter comemorado no pódio a vitória deixou a alegria do competidor de lado. “Fiquei muito feliz com a correção, e vencer na categoria máxima do automobilismo é muito importante para mim”, disse o novo vencedor. Outro que comemorou bastante a vitória foi Eddie Jordan, dono da equipe de Fisichella. O 1º lugar aconteceu justamente quando o time do irlandês completava exatos 200 grandes prêmios na categoria.


O FIM DE SEMANA

Ecclestone critica os treinos:
O todo-poderoso da Fórmula 1 diz que a classificação precisa ter mais emoção Bernie Ecclestone criticou a nova forma do treino de classificação. Ele chamou de “horrível” o novo formato e concluiu: “Não existe mais briga no treino, a emoção da qualificação acabou”. Ele disse que os pilotos não estão mais dirigindo no limite. “Todos dão uma volta com muito mais cuidado do que antes e voltam para os boxes. Só isso. O novo sistema não está funcionando. Daremos mais um pouco de tempo a este formato e, se continuarmos a ver a mesma coisa, teremos de mudar. Queremos aumentar o show, mas isso não está acontecendo, pelo menos no treino classificatório”, completou.

Fórmula Tênis???:
Enquanto as atividades na pista não começavam em Interlagos, os pilotos aproveitaram para curtir os poucos momentos de folga que tiveram no Brasil. Os superesportistas Michael Schumacher, da Ferrari, e Mark Webber, da Jaguar, decidiram deixar de lado os passeios pelos shoppings ou ficar à beira da piscina do hotel para praticar tênis. Os dois trocaram alguns saques e voleios, mas decidiram ao fim do jogo que o negócio deles é mesmo acelerar…
Schumacher joga partida de futebol com o Santos de Pelé:
No país pentacampeão de futebol, foi outro pentacampeão que chamou a atenção: Michael Schumacher, cinco vezes vencedor do Campeonato Mundial de Fórmula 1. O piloto alemão participou de um jogo de futebol beneficente na Vila Belmiro em Santos, litoral de São Paulo. A partida ocorreu entre os jogadores reservas e titulares do Santos Futebol Clube. Schumacher, que tem no futebol o seu esporte predileto depois da Fórmula 1, jogou meio tempo de cada lado e ficou entusiasmado em jogar no campo que consagrou Pele. “Foi uma festa bonita e fiquei impressionado com as arquibancadas cheias”, comentou o piloto da Ferrari sobre os 12.875 torcedores que pagaram para assistir a partida em plena quarta-feira à tarde, público maior do que muitos jogos oficiais. Toda a renda dos ingressos (um total de R$ 38.625) será revertida para o projeto da Unicef e da TV Globo, “Criança Esperança”, voltado a atender e jovens carentes. O jogo terminou em 3×3 e Schumacher chegou a fazer um gol de pênalti. Mas antes disso, o piloto levou um belo drible do atacante santista Robinho, ídolo atual dos torcedores da Vila Belmiro. O jogador do Santos passou a bola por entre as pernas de Schumacher e o público logo gritou “olé”, vibrando com a jogada do atacante. “Eu já esperava que ele iria fazer alguma coisa típica de jogador brasileiro”, disse Schumcaher depois do jogo. “Gostei muito de participar de uma partida como essa”, finalizou.

Pedro de La Rosa na McLaren:
De La Rosa já pilotou para a equipe inglesa McLaren em Jerez de La Frontera. A equipe inglesa McLaren anunciou a contratação de Pedro de La Rosa para ser piloto de testes do time em 2003. O espanhol assinou contrato de um ano depois de ter se saído bem nos testes da McLaren em Jerez de La Frontera, na Espanha, uma semana antes do GP do Brasil de Fórmula 1. De La Rosa trabalhará ao lado do austríaco Alexander Wurz, piloto que estava contratado anteriormente para o mesmo cargo. O competidor espanhol retorna suas atividades na categoria depois de quatro anos correndo como piloto oficial (1999/2000 na Arrows e 2001/2002 na Jaguar).


O CHEFÃO DA RENAULT

 

fonte: http://f1gps.wordpress.com

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