Qual o sentido?

23/10/2011

No último fim de semana tivemos a morte do piloto Dan Wheldon em uma prova da Indy. Acontece que sempre que temos um acidente fatal nas pistas é automático que a imprensa (de um modo geral) caia de pau sobre o sentido das corridas de automóveis. Muitos bradam não entender o sentido de loucos se arriscarem a centenas de quilômetros horários dando voltas em um circuito. Pra ser bem sincero, eu também não sei. Mas, qual o maldito sentido que o futebol tem? 22 homens correndo atrás de uma bola de couro?!

Automobilismo é um esporte, como o futebol.As corridas de carros nasceram da necessidade das montadoras em aprimorar seus modelos de rua. Foram responsáveis por muitos avanços que, diga-se, já salvaram muitas vidas. Os freios ABS, o controle de tração e de estabilidade, a redução da emissão de gases com motores mais econômicos, o aperfeiçoamento dos combustíveis são só alguns exemplos disso.

O grande problema é que, como todos os outros esportes, as corridas se transformaram em um empreendimento, em uma mina de dinheiro, deixando a disputa cada vez mais em segundo plano. Com isso, as montadoras praticamente abandonaram as pistas, dando lugar às equipes multinacionais que nada têm a ver como o automobilismo, e sim como o retorno financeiro que ele gera. Exemplo disso é a própria FórmulaIndy. Não precisa ser gênio para afundar a bota até o limite do carro (ou além dele), basta ter dinheiro para bancar a vaga. Este pensamento é quase criminoso, mas é a realidade.

Voltando ao sentido da coisa. Quem me garante que um piloto estará mais seguro fora das pistas? A morte chega para todos, e o que nos diferencia é a maneira como vivemos nossas vidas. Me junto a outros loucos dando voltas em um circuito não para morrer, e sim porque é prazeroso. Porque acontece alguma coisa quando aceleramos, disputamos uma freada, reduzimos no punta taco... Algo que nos completa. Algo que nos faz ver sentido em estar ali na pista, mesmo que isso não tenha sentido algum. Não por isso devemos deixar a segurança de lado.

A última morte na Fórmula Um ocorreu no trágico fim de semana de 94. Na Nascar, a última vítima foi Earnhardt há exatos 10 anos.O estranho é que na Indy as mortes continuam. Que eu me lembre ter visto, a lista inclui Gonzalo Rodriguez (Laguna Seca), Greg Moore(Fontana), Jeff Krosnoff(Toronto), Paul Dana(Homestead) e agora Wheldon. É claro que há algo errado na categoria!

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