Emerson, campeão do mundo da F-1

21/11/2011

Largar na terceira fila, em sexto lugar no grid do GP da Itália de 1972, já era quase um milagre para Emerson Fittipaldi. 

 Ele tinha chegado a Monza na terça-feira, mas na quarta levou o primeiro grande susto daquela semana em que poderia ganhar o seu primeiro título mundial. Descasava no hotel quando Peter Warr, o chefe de equipe, veio comunicar-lhe uma tragédia e pedir ajudano acidente com o caminhão que transportava os carros da Lotus. Quando chegou no local e viu o caminhão de rodas para o ar, no fundo de uma ribanceira, desesperou-se. A sua Lotus 72 parecia um quebra-cabeça, com peças espalhadas para todo lado. Olhou a cena, chorou e deu adeus ao título. Depois de muito suor, Emerson tinha se classificado em sexto no grid. Primeiro teve que rezar para que o carro não ficasse desequilibrado, após a montagem. Trabalhou duro no acerto antes da classificação e ainda teve de discutir muito com Colin Chapman, porque o patrão discordava do acerto da suspensão – Emerson preferia uma regulagem mais dura contra a opinião dos engenheiros que recomendavam molas mais brandas. Mas como estava escrito que nada ir ser fácil, ainda ficou ameaçado de não largar, porque meia hora antes de ir para a volta de apresentação, um mecânico constatou um vazamento no tanque de gasolina e Emerson achou que ia enfartar, presenciando o sufoco dos mecânicos na troca do tanque antes de alinhar no grid. Na verdade só precisava de um quarto lugar para ser o campeão do mundo antecipadamente, mas olhando para o pelotão à sua frente sentia que a parada ia ser dura. 

Na primeira fila estavam Jacky Ickx de Ferrari, ao lado de Chris Amon com a Matra. À sua frente Jackie Stewart com o Tyrrell e Clay Regazzoni com outra Ferrari, e ao seu lado Denny Hulme, McLaren, que também tinha chance de ser campeão se vencesse as três provas finais. Fez planos para dar uma boa largada, ser prudente para evitar qualquer surpresa no início da prova. Enfim, partir bem, administrar as 55 voltas sem muita ousadia, porque não foi fácil chegar naquele grid. Acomodou-se para a partida. Apertou forte o volante, suspirou e pensou: “Bem, acho que o pior já aconteceu, agora as coisas só podem melhorar”. E melhoraram. Principalmente porque Jackie Stewart, seu maior adversário ao título, queimou a embreagem tentando pular na frente e foi ultrapassado por Emerson. Começava ali a dsparada para o título. Na primeira volta as Ferrari de Jacky Ickx e Clay Regazzoni lideravam a prova e Emerson, que largou muito bem, estava em terceiro, à frente da a Matra de Chris Amon e do McLaren de Denny Hulme. Sentiu que quarto lugar, já era uma possibilidade, mas mordeu os lábios e concentrou-se na corrida quando pensou no título. 

O carro estava bom, parecia um milagre ser o mesmo que ele viu desintegrado no precipício. Sentiu-se agradecido a aquela Lotus, que já considerava uma parte do seu corpo. Uma história de amor com o carro negro cujo primeiro capítulo nasceu com a surpresa. Emerson espantou-se ao vê-lo pintado de preto com filetes dourados e o logotipo JPS - John Player Special – no estilo carolíngio. Arrepiou-se e desabafou: “Olha, prá ataúde só faltam as alças”. Como latino e católico, tenho minhas superstições. Mas me habituei com o negro-dourado e passei a achar a imagem da Negrinha linda”, confessou depois da vitória no GP da Itália. Como tinha programado mantinha-se no terceiro lugar sem bravatas. Nem quando Jacky Ickx, rodou e perdeu a liderança para Regazzoni, Emerson atreveu-se subir para segundo. E agiu certo, porque sete voltas depois, Clay Regazzoni bateu no March do brasileiro José Carlos Pace, o Moco, que estava quebrado na gincana e saiu da prova. Na 22a volta, Ickx ainda liderava, mas Emerson grudou na traseira da Ferrari, pressionando o belga a erros. Fustigava o líder, mas dosava a volúpia, afinal o segundo lugar dava-lhe o tão sonhado título mundial, com folga. Ickx não cometeu mais nenhum erro, mas desta vez, foi a sorte que ajudou Fittipaldi: ma 46ª volta o motor da Ferrari fundiu e Ickx levantou o braço, indicando que ia parar. Emerson assumiu a liderança. Estava há nove voltas da bandeirada e vinte segundos de vantagem sobre Mike Hailwood (Surtees-Ford), segundo colocado. Agora só faltavam 30 quilômetros para o título mundial. Lembrou a “Negrinha” disso e, cúmplices, foram bandeirados depois de 1 hora e 29 minutos e 317 quilômetros percorridos. Emerson Fittipaldi, aos 25 anos, tornava-se, naquele 10 de setembro de 1972, o piloto mais jovem a sagra-se campeão do mundo e colocava o Brasil na galeria de honra da Fórmula 1.

Este foi o post do leitor desta segunda, enviado por Gilberto Abreu de São Paulo, ele teve como fonte o site de Lemyr Martins.

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