GP do Brasil de 1985

18/11/2011


Brasil 1985

Rosberg, Piquet e Senna pararam. Alboreto errou. Assim, o caminho ficou livre para a McLaren vencer:
1° Prost; 2° Alboreto; 3º De Angelis; 4° Arnoux; 5° Tambay e 6° Laffite.

Bastaram apenas 17 voltas para que Alain Prost e sua McLaren tivessem o caminho aberto para mais uma tranqüila vitória, no 13º Grande Prêmio do Brasil. O primeiro a sair da frente foi Keke Rös berg, porque a sua Williams estourou o turbo na 10º volta, problema que já havia se manifestado nos treinos da véspera.
Outro candidato ao primeiro lugar era Michele Alboreto. Mas, além de ter seu carro comprometido desde a largada, quando a roda dianteira foi atingida por Nigel Mansell, ele cometeu um erro inadmissível para quem quer ser campeão do mundo: foi na troca de marchas, na reta dos boxes, quando Prost estava colado na sua traseira. E as esperanças brasileiras? Começaram a morrer na terceira volta, quando a Brabham de Nelson Piquet travou o diferenciale foram enterradas na 49º quando a Lotus de Ayrton Senna sofreu um curto-circuito no sistema elétrico do painel.

— Foi duro — diria depois. — Eram setenta mil pessoas me apoiando, o terceiro lugar já estava garantido e de repente, toda aquela frustração.

Os problemas na Lotus surgiram durante o treino livre na manhã do GP. Da meia hora reserva, Senna perdeu 22 minutos nos boxes, tentando livrar-se de um vapor que surgiu nos cilindros do motor. Na largada, precisou frear para não se envolver na batida de Mansell com Alboreto e por isso, foi ultrapas­sado por Alain Prost logo na primeira curva.

— Mas foi ao descer a primeira grande reta que percebi não ter motor para acompanhar nem a Ferrari nem a McLaren.

E essa descoberta lhe daria uma previsão: será dura a batalha deste ano para tirar a diferença de potência para as duas equipes favoritas.

Brasil 85
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COMENTÁRIOS NELSON PIQUET: "EU PODIA TER VENCIDO"

O carro que mais me impressionou neste inicio de temporada foi a Ferrari, que eu andei criticando há alguns anos por causa da pouca resistên­cia do seu chassi em caso de acidente. Mas as Ferrari des­te ano não só me parecem re­sistentes como têm muito mais força no motor, além de ótima concepção aerodinâ­mica. Acho mesmo que se Nigel Mansell não tivesse feito seu ataque sobre Michele Alboreto logo na primeira cur­va de Jacarepaguá, batendo na sua roda dianteira, eu não sei se Alain Prost corre­ria com tanta facilidade para a vitória. A Ferrari de Alboreto estava ótima.

Eu também poderia ter da­do um pouco mais de traba­lho às McLaren. Tinha tudo para isso. Nosso novo carro, o BT54, sentiu-se muito bem com os pneus de corrida da Pirelli durante o treino de aquecimento na manhã do GP. Então, como sabíamos que os velozes meninos da Goodyear teriam que parar nos boxes para a troca de pneus, nós levaríamos algu­ma vantagem, pois eu plane­java fazer toda a corrida sem trocas, se possível. As expe­riências anteriores no Rio de­monstraram que, se eu per­manecesse na pista, teria ex­celentes chances.

Saindo na quarta fila, deci­di por uma estratégia sim­ples: paciência e persistên­cia. No final da primeira vol­ta estive em sétimo lugar, bem na frente do Niki Lauda. Duas voltas depois, ele me via saindo da pista e torceu to­do para a esquerda. Foi uma guinada muito maior do que a maioria dos espectadores pôde ver. E eu não estava ace­lerando muito, devia estar a uns 250 km/h. Mas a coisa fi­cou perigosa quando bati na lavadeira e o carro voou no ar. Derrubei algumas telas e barreiras, que tentei manter o mais longe possível do cockpit. Com mais de 200 li­tros de combustível no tan­que, o peso do carro era, ain­da, muito grande. Quando ele parou, pude perceber que o monocoque tinha ido para o inferno e provavelmente não correria outra prova direito, um fato raro na Brabham. Voltando para o boxe, tudo que pude pensar foi que tal­vez tivesse escorregado em al­guma poça de óleo. Mais tar­de eu soube que alguma coisa quebrou dentro do diferen­cial, bloqueando as rodas tra­seiras e deixando o carro sem controle.

Nosso projetista Gordon Murray achou que eu pode­ria ter vencido a prova se o acidente não ocorresse. Ele anotou meu tempo na segun­da volta l min 40s), inferior em menos de um segundo ao tempo dos líderes no começo da prova. Andando com cui­dado, de ianque cheio e sem precisar trocar os pneus, eu poderia mesmo vencer. Mas. o diferencial…


fonte: http://f1gps.wordpress.com

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