GP do Japão de 2003

04/11/2011


Em corrida de altos e baixos, Michael Schumacher se firma como o maior campeão da história da F1.


Não foi bem do jeito que muitos esperavam; aliás, faltou pouco para que não acontecesse. A verdade, porém, é que ao terminar no 8º lugar do Grande Prêmio do Japão, em Suzuka, o piloto alemão Michael Schumacher conquistou seu sexto título de campeão mundial da categoria e, com isso, mais um recorde em sua vitoriosa carreira. O brasileiro Rubens Barrichello ganhou a prova, marcada por alguns acidentes, desistências e previsões confirmadas. Disputada sob céu nublado e sobre um asfalto ainda úmido da chuva que caiu antes da corrida, a prova final da temporada de 2003 conseguiu manter acordado quem estava desperto às 2h30 da manhã (pelo horário de Brasília), momento em que Rubens Barrichello partiu da pole position para assumir a liderança na primeira das 53 voltas da prova. Juan Pablo Montoya tinha planos diferentes e ultrapassou Barrichello logo em seguida. Seu carro, porém, não colaborou e ele abandonou oito voltas mais tarde. O espanhol Fernando Alonso ainda tentou pressionar o brasileiro mas seu Renault imitou o Williams-BMW do colombiano e também deixou o espanhol pelo caminho. Daí para a frente, foi uma questão de Rubinho aproveitar o bom material á sua disposição e manter um ritmo que ninguém conseguiu, ou pôde, acompanhar de perto.


Para os dois pilotos que lutavam pelo título a corrida foi bem mais interessante. Kimi Raikkonen, da McLaren, adotou uma tática de espera, apostando numa pane da Ferrari de Barrichello e no azar de Michael Schumacher — combinação que lhe daria a vitória e o título — e chegou bem perto disso. Primeiro, David Coulthard, nitidamente, não fez qualquer esforço para ultrapassar seu companheiro de equipe, mesmo com um carro mais rápido nas mãos. Depois, a família Schumacher se encarregou de dar o tom de emoção à corrida: Michael, foi obrigado a fazer uma parada não programada para trocar o bico dianteiro do seu carro, danificado em uma tentativa frustrada de superar Takuma Sato, da BAR, na famosa chicane de Suzuka. Sato, uma das surpresas da corrida, teve bom desempenho graças ao super motor que a Honda prepara para o Japão e, de quebra, deve ter provocado uma úlcera em Jacques Villeneuve, que preferiu não competir nesta prova após ser avisado que em 2004 será substituído pelo japonês na equipe. Na fase final da corrida Michael tentou ultrapassar Cristiano da Matta, da Toyota, no mesmo local e, ao desviar do carro do brasileiro, forçou seu irmão Ralf a bater com o aerofólio dianteiro no pneu traseiro esquerdo do sua Ferrari. Michael Schumacher chegou a sair da pista, mas retornou em seguida. A partir daí, o primeiro hexacampeão da Fórmula 1 preferiu a prudência ao arrojo e tratou de fazer o mínimo necessário para atingir o seu objetivo. E conseguiu.


Schumi nega intenção de parar de correr:

Michael Schumacher voltou a repetir, durante programa de televisão na rede alemã RTL que não tem planos para abandonar as pistas. “Ainda vou continuar correndo por mais algum tempo”, insistiu. Depois de conquistar o sexto título mundial, Schumacher diz que ainda pode conquistar marcas importantes no automobilismo. Segundo o piloto, só duas situações poderiam fazê-lo parar de correr agora: se aparecer na Ferrari alguém mais rápido do que ele ou se a carreira começar a prejudicar seu relacionamento familiar. “Nenhuma das duas coisas está acontecendo. Sobra tempo para a família e eu continuo rápido o suficiente para pensar em um novo título”, disse. Schumacher fará 35 anos no próximo dia 5 de janeiro. Já o espanhol Fernando Alonso está esperando uma temporada mais dura em 2004. Segundo entrevista publicada pelo jornal ‘Gazzetta dello Sport”, Alonso, que venceu sua primeira corrida este ano, disse que a temporada de 2003 foi inesquecível. “No ano que vem será difícil. Nós vamos brigar contra a Ferrari, Williams e McLaren e sei que não será fácil”. Alonso acha que ainda é cedo para colocar a Renault com chances de vencer o próximo campeonato. “Primeiro temos que ganhar algumas corridas. Só então poderemos pensar no título”. A Renault está um pouco atrasada em relação às principais equipes. A nova McLaren MP4-19 já está em testes enquanto a nova Willliams já irá para a pista no início de janeiro assim como a nova Ferrari. Já a Renault R24 não começará a ser testada antes do fim de janeiro. O piloto garantiu que está satisfeito na equipe de Flavio Briattore e voltou a desmentir possíveis contatos com a Ferrari. “Meu contrato com a Renault vai até o final de 2005. Temos ainda muito tempo pela frente”.

Raikkonen satisfeito com campeonato:

O finlandês Kimi Raikkonen, da McLaren, agradeceu a equipe e o companheiro David Coulthard na entrevista coletiva após o GP do Japão de F-1, em que chegou em segundo e acabou com o vice-campeonato mundial. “Acho que fiz uma boa temporada e o segundo lugar mostra isso. Agradeço à equipe, que fez ao longo do ano um trabalho fantástico, e também ao David (Coulthard)”, comentou Raikkonen, que usou o carro do escocês no Japão depois de bater e destruir o seu titular. Já Rubens Barrichello, vibrou muito na entrevista coletiva após sua vitória no Japão. O brasileiro comentou que esta vitória foi uma das melhores de sua carreira, que já soma sete triunfos, sendo dois em 2003. “Acho que fiz uma das melhores corridas de minha vida. Acho que essa vitória e a da Inglaterra são as duas maiores. E terminar o ano ganhando é uma coisa muito boa, vou passar as férias lembrando deste momento. Queria também agradecer a quem ficou acordado no Brasil até esta hora, foi um campeonato bom, estou super contente.” disse o brasileiro.


Ferrari é pentacampeã de Construtores:

A Ferrari garantiu com a vitória de Rubens Barrichello e o oitavo lugar de Michael Schumacher seu quinto título consecutivo de Construtores, algo inédito na história da F-1, superando a série de quatro conquistas que dividia com a McLaren – equipe campeã entre 1988 e 1991. A escuderia de Maranello marcou 158 pontos contra 144 da Williams e 142 da McLaren. Destaque também para a BAR, que na última corrida do ano colocou seus dois pilotos na zona de pontuação, com Jenson Button em quarto e Takuma Sato em sexto. A equipe ultrapassou a Sauber e acabou o Mundial em quinto, atrás apenas das três grandes e da Renault, quarta colocada. O destaque negativo foi a Minardi, que terminou o ano zerada. Esse é o fim da temporada, a mais emocionante e disputada dos últimos anos. Schumacher fechou ano com 93 pontos, dois a mais do que Raikkonen. Montoya foi o terceiro no certame. Com a vitória, a sétima da carreira, Barrichello superou Ralf na classificação e ficou com o quarto lugar da tabela, com 65 pontos.


O FIM DE SEMANA

Pizzonia volta a acelerar um Williams:

O piloto brasileiro Antônio Pizzonia, que foi demitido da equipe Jaguar de Fórmula 1 após o Grande Prêmio da Inglaterra deste ano, voltou a acelerar um carro da categoria. Como Pizzonia tem contrato com a Williams (ele fora emprestado à Jaguar), o piloto foi chamado pelo time inglês para uma bateria de testes no circuito espanhol de Jerez de La Frontera, na Espanha. Durante os dois dias de treinos, Pizzonia foi o mais rápido, chegando a marcar o melhor tempo em 1min17s853 0s402 à frente de Marc Gene, outro piloto da Williams.

Mundial de 2003 dá o tom do futuro:

Um novo regulamento, uma geração de pilotos promissores, o bom trabalho das grandes equipes. A mistura destes três fatores produziu o campeonato mais emocionante, disputado e imprevisível desde 1999. O Mundial de 2003 vai ser lembrado para sempre pelo histórico hexacampeonato de Michael Schumacher e pelo quinto título consecutivo da Ferrari no mundial de construtores. Mas será lembrado também por algumas cenas memoráveis, que começam a dar o tom do futuro. E o futuro começa com Kimi Raikkonen. Aos 23 anos, com apenas três temporadas na modalidade, o finlandês conseguiu levar a luta pelo título até ao último GP. Foi, para ele, um ano inesquecível. Em março, na Malásia, venceu pela primeira vez e, também uma novidade, assumiu a liderança do Mundial, que segurou até ao Canadá, em Junho. No entanto, a cena mais emblemática produzida pela nova geração leva a assinatura de Fernando Alonso: transformou Schumacher em retardatário na Hungria, prova que venceu, tornando-se, aos 22 anos, o mais jovem vencedor da história da F1. O campeonato teve outras revelações como Cristiano da Matta, que se adaptou com facilidade à F1 após anos de vivência no automobilismo dos EUA. Não bastaria, porém, apenas o talento destes pilotos. O regulamento idealizado por Max Mosley, presidente da FIA, desempenhou papel fundamental para o equilíbrio do Mundial. Não fosse o novo sistema de pontuação, que reduziu o peso da vitória e agregou pontos a mais pilotos, Schumacher já teria sido hexa em Indianápolis, há duas semanas. Pelo regulamento antigo, ele ficaria com dez pontos de vantagem sobre Raikkonen, ao invés de dois. Desde 1999, quando Mika Hakkkinen bateu Eddie Irvine por 76 a 74, não se via na F1 um resultado tão apertado no mundial de pilotos.

Williams descarta liberar Montoya para a McLaren já em 2004

A Williams descartou a possibilidade de rescindir o contrato de Juan Pablo Montoya imediatamente para que o colombiano dispute a próxima temporada pela McLaren. Essa hipótese foi abordada pela imprensa inglesa na segunda-feira, dia em que a McLaren anunciou o acerto com o piloto para 2005. “Isso não irá acontecer. As especulações que surgirem serão apenas invenções. Na próxima temporada teremos os mesmos pilotos, Ralf Schumacher e Juan Pablo Montoya”, disse Mario Theissen, diretor esportivo da Williams. Assim, a McLaren também deverá manter seus titulares, o finlandês Kimi Raikkonen e o escocês David Coulthard, no ano que vem. Coulthard é quem perderá a vaga para Montoya em 2005.

Michelin vai equipar os carros da BAR no Mundial de F-1 de 2004

A Michelin vai equipar a escuderia BAR na temporada 2004 de F-1, anunciou nesta quinta-feira a fábrica francesa de pneus. Na última temporada, a BAR utilizou os pneus da japonesa Bridgestone. A escuderia inglesa, que terminou em quarto no Mundial de construtores da temporada passada, havia manifestado o interesse de correr com pneus Michelin durante o GP do Japão, que encerrou o Mundial de 2003. “A BAR chegou a um acordo com a Bridgestone para romper o contrato”, disse Andy Pope, responsável pelo área de comunicação esportiva da francesa Michelin. O time inglês será o sexto a correr com pneus da empresa francesa em 2004. Também são equipados pela Michelin a Williams-BMW, McLaren-Mercedes, Renault, Jaguar e Toyota.

Treinos mudam na F1

Os 10 representantes das atuais equipes de Fórmula 1 e membros da FIA (Federação Internacional de Automobilismo) reuniram-se no dia 3 de outubro em Londres, Inglaterra, para discutir e decidir o futuro do novo formato dos treinos para a temporada de 2004. Apesar de a entidade máxima não ter divulgado nenhuma nota oficial, o dono da equipe Euro-pean Minardi, Paul Stoddart, falou a uma agência de notícias internacional sobre algumas decisões tomadas. Segundo ele, a sexta-feira que antecede os grandes prêmios seria liberada apenas*para dois treinos livres de 60 minutos cada. As seis piores equipes poderiam utilizar um terceiro carro. No sábado, seriam disputados os dois treinos de classificação. O primeiro, definido pela ordem do campeonato, definiria a ordem de entrada no segundo treino classificatório. Este, por sua vez, definirá o grid. A FIA deverá oficializar o novo formato e outras medidas na reunião do Conselho, prevista para breve.

Mudança nas regras prejudicou a Ferrari, diz Brawn

A mudança nas regras na Fórmula 1 em 2003 dificultou as coisas para Michael Schumacher e a Ferrari nesta temporada, disse o diretor técnico da equipe Ross Brawn. “As regras ficaram um pouco mais difíceis para a gente este ano… e obviamente elas foram introduzidas para mudar a Fórmula 1″, disse Brawn. “É comum comentarem que a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) apóia a Ferrari, e um exemplo claro de que isso não acontece foi essa mudança de regras em total desacordo com os interesses da Ferrari”, acrescentou. “Então quando alguns de nossos amigos sentem que as regras estão sempre ajudando a Ferrari, acho que eles precisam ter uma visão mais objetiva.” Órgão responsável pela F1, a FIA mudou o regulamento esta temporada para dar um toque a mais no esporte depois de um ano de absoluto domínio da Ferrari e de queda na audiência da televisão. As medidas incluíram a classificação em uma única volta e um novo sistema de pontuação com oito pilotos pontuando em vez de seis. O segundo lugar recebe oito pontos, dois a mais do que no antigo sistema, diminuindo a vantagem do vencedor. Kimi Raikkonen, da McLaren, que venceu apenas uma vez, lutou pelo título até o final da temporada, enquanto Schumacher, com seis vitórias, teria vencido antes da última corrida no antigo sistema. “Esse regulamento não nos ajuda. Mas, se é melhor para a Fórmula 1, então faremos o nosso melhor dentro das regras”, disse Brawn. “Certamente ficou mais difícil em diferentes aspectos e acho que após um período temos que ver se é correto que um piloto que ganhe apenas uma corrida possa brigar pelo campeonato, era assim antigamente, se você lembrar, e foi mudado porque não se achava correto.”

fonte: http://f1gps.wordpress.com

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