O adeus?

07/11/2011

Parece certa a saída de Rubens Barrichello da Williams no final desta temporada. A situação se parece muito com a que aconteceu com ele mesmo ao final de 2008. Com poucas vagas no grid de 2012, a pergunta que todos se fazem é a mesma: para onde Rubinho vai? 

Antes de dar a minha opinião, vou voltar um pouquinho no tempo...

Rubens está na categoria desde 1993, quando estreou pela promissora Jordan (não me lembro desta época). Lembro-me dos tempos de Stewart, Ferrari, Honda, Brawn e os atuais na Williams. E é sobre eles que eu vou falar.

Barrichello já é um vencedor. Permanecer por 19 temporadas consecutivas na categoria máxima do automobilismo não é para qualquer um. Vale ressaltar que Rubinho nunca foi um piloto pagante. Nunca carregou consigo patrocinadores expressivos, o que certamente aumenta consideravelmente este feito.

Com a modesta Stewart, beliscava pontos aqui e pódios acolá. Chegou a fazer uma pole, e quase venceu em Mônaco. Apesar de a única vitória da equipe ter sido conquistada pelo companheiro Johnny Herbert, Rubinho foi o que trouxe mais resultados expressivos para a equipe.

Em 2000, foi contratado pra substituir Eddie Irvine na poderosa Ferrari. Tendo Michael Schumacher como companheiro de equipe, conseguiu a primeira de suas 11 vitórias e muitas de suas 14 poles.  Foi vice-campeão em 2002 e 2004, mas a vitória em um GP Brasil e o sonhado título mundial teimavam em não vir.

Em 2006 se juntou à equipe Honda, e sofreu com um carro que não era nem de longe competitivo. Com a saída da montadora japonesa no final de 2008, viu sua continuidade na F1 ameaçada. Em 2009, ressurgiu (junto com Jenson Button) na meteórica BrawnGP. Venceu corridas, frequentou o pódio e lutou pelo título até o final daquela temporada. 

Em 2010 se juntou à outrora gloriosa equipe Williams, e desde então vêm sofrendo com um carro muito ruim e a falta de estrutura financeira da equipe.


Nestes anos todos, Rubinho teve performances dignas de um campeão (sua primeira vitória, por exemplo, veio em uma corrida antológica). Disputou posições roda com roda (a ultrapassagem sobre Schumacher na Hungria em 2010 me veio à cabeça), venceu corridas, chorou e sambou no pódio, sobreviveu a um sério acidente (Ímola, 94), se adaptou a todas as mudanças de tecnologia ao longo destes 19 anos...

... E com isso se tornou um dos pilotos mais completos e respeitados da F1 atual. Seu currículo é de dar inveja em muita gente. Para completar, correu contra dois dos maiores nomes das pistas: Senna e Schumacher.

No que ele fica devendo a eles ou qualquer outro campeão mundial? Em nada! Ao povo brasileiro? Menos ainda! Explico: o nosso país tem uma cultura idiota de valorizar somente o primeiro lugar. Não só a vitória coroa o resultado, ou o verdadeiro campeão. Rubens é um exemplo de motivação, de superação, de vitória, respeito, educação, e principalmente de amor ao país e ao esporte ao qual dedicou sua vida até hoje.

Para onde ele vai, eu sinceramente não sei. Mas se por um acaso vier a se despedir da F1 no último GP dessa temporada, em Interlagos, eu espero que o público presente lhe dê uma bela e merecida despedida.

Valeu Rubinho!!!


Veja mais sobre automobilismo no Blog do Boueri

Posts Relacionados

0 comentários :