Olimpíadas 2016 SIM, destruir o autódromo NÃO!

14/11/2011

Ontem foi dia da última rodada dupla do Carioca de Turismo, em Jacarepaguá, e eu me pergunto: e agora? Vou usar o Maracanã como exemplo para começar a minha dissertação. Já foram descobertas diversas irregularidades em licitações, superfaturamento, a obra já foi paralisada e hoje está em atraso. Com isso tudo, pode ser que o estádio nem receba a seleção brasileira durante a Copa...


E eu pergunto de novo: vale a pena? Vale a pena transformar Jacarepaguá em um canteiro de obras que certamente serão superfaturadas? Obras que custarão uma fortuna para os nossos bolsos, e que serão utilizadas somente durante as Olimpíadas? E será que vale a pena assistir à destruição desse patrimônio (construído com o nosso dinheiro) logo após os jogos para favorecer construtoras que lucrarão bilhões, ou trilhões, ou sei lá quanto vendendo apartamentos em Jacarepaguá como se fossem na Barra?!

Isso mesmo! Essa é a jogada. Vou explicar de maneira bem simples: primeiro destroem o autódromo para construir as instalações para as Olimpíadas. Depois destroem tudo de novo para que o terreno seja utilizado pelas construtoras em que o Sr. Prefeito têm participação. Fazem uma porrada de condomínios, vendem pelo valor de um apartamento na Barra e o prefeito enche o rabo de dinheiro.

Vou bater novamente na tecla do PAN de 2007. Tem cabimento o troféu Maria Lenk de Natação ser disputado no complexo Júlio Delamare, no Maracanã? O enorme Parque Aquático Maria Lenk (que foi construído para os jogos pan-americanos) está lá! Entregue ao abandono, à destruição e à dengue.

Outro “legado” (não é assim que o Prefeito gosta de chamar as suas falcatruas?!) deixado pelo PAN é o Velódromo. Alguém já foi no velódromo? Alguém já soube de alguma competição de bicicleta naquele lugar depois dos jogos? Alguém sabe que aquela pista de madeira custou uma fortuna e hoje está inutilizada devido ao seu estado de abandono?!

Agora, por falar em abandono, falemos das condições atuais do Autódromo de Jacarepaguá:

Durante todo esse ano sequer tivemos água encanada por lá (para todos os eventos foram contratados caminhões-pipa). Em algumas ocasiões faltou energia, e os dois geradores estavam (e continuam) quebrados. No paddock não há sequer um ar-condicionado, as portas estão quebradas (assim como o vidro das janelas) e o rebaixamento do teto está destruído em vários pontos. Os portões de entrada, as grades de proteção (quando ainda existem) e arquibancadas estão muito enferrujadas, inclusive com risco de cair. O mato cresce até mesmo no meio da pista, e as barreiras de pneus só estão mais ou menos porque foram reformadas pela organização da F-Truck (quando correram aqui em junho)...

... Esse é o retrato de uma instalação esportiva administrada pela Prefeitura do Rio de Janeiro.

Esta mesma prefeitura tenta vender o peixe de um novo autódromo em Deodoro, a um custo aproximado de 200 milhões; “um moderno complexo esportivo que terá como objetivo a inclusão social”. Ora, a região de Deodoro é, em sua maioria, ocupada por famílias carentes e de baixa renda que praticarão... Automobilismo? Um esporte baratinho, né?! Um esporte que é mania nacional, né?! Porra nenhuma! Pra começar, o terreno em questão é tão ruim que nem o Exército quer. Uma área de proteção ambiental rodeada de favelas dominadas pelo tráfico e com um único acesso: a congestionada Av. Brasil. 


Não precisa ser nenhum gênio para chegar à conclusão de que seria muito mais “barato” e racional reformar o autódromo deixando-o onde ele está, e transferindo as instalações provisórias das Olimpíadas para Deodoro (estes sim, esportes muito mais característicos para uma inclusão social).

Vamos acordar, vamos protestar: Olimpíadas em 2016 SIM, destruir o autódromo NÃO!

Veja mais sobre automobilismo no Blog do Boueri 

Posts Relacionados

0 comentários :