JO BONNIER - Recordar um grande piloto

22/12/2011

Jo Bonnier começou por alinhar em provas de estrada, depois concentrou toda sua carreira na velocidade! Ao volante de um Citroen 11 HP começou a disputar rallies em 1953, dedicando-se no ano seguinte ao comércio automóvel, passando a ser agente Alfa-Romeo.

Em 1955 disputou as 1000 Milhas de Itália e obteve a vitória no GP da Suécia ao volante de um Alfa-Romeo, tornando-se piloto profissional nesse mesmo ano. Com o inglês McKay Fraser realizou uma longa digressão pela Europa onde obteve várias vitórias. Em Monza surge-lhe a 1ª grande chance . Para o GP de Itália foi-lhe confiado o Maserati 250 de Gigi Villoresi que estava doente. Apesar do carro partir Bonnier estabeleceu o seu 1º contrato para pilotar carros de desporto na época de 1957.


No ano seguinte vence o GP dos USA e em 1959 alinha na BRM obtendo de imediato a 1ª vitória para a marca no GP da Holanda. Com 1 Porsche, junto com Hans Hermann vence em 1960 a Targa Florio. Nos 1000 km de Nurburgring foi 2º obtendo nova vitória no GP da Alemanha de F2. Em 1962 com Lucien Bianchi e ao volante de um Ferrari vence as 12 h de Sebring. No ano seguinte a marca retira-se da F1 e Bonnier alinha na equipa de Rob Walker não obtendo nenhum exito assinalável, a não ser nova vitória na Targa Florio com Porsche. Paraalém de continuar a correr com regularidade na F1 com Brabham/Climax, Cooper/Maserati, McLaren/BRM, Honda V-12, Lotus 49 e McLaren 7C, não conseguiu algo de notável, já que se tratava de equipas privadas ou semi-oficiais.


Porém as corridas de resistência eram o seu forte. Em 1964 com Graham Hill vence as 12 Horas de Reims, ao volante de um Ferrari. Com Phil Hill, em Chaparral ganha em 1965 os 1000 km de Nurburgring. Em 1967 e 68 ganha várias provas, tendo na última obtido o título de campeão sueco de sport.Após a criação de Europeu de 2 Litros em 1970 e pilotando um Lola T 212 obtém o troféu de pilotos mercê de um 2º lugar em Paul Ricard,seguido de 4 vitórias consecutivas em Salzburgring, Anderstorp, Solitude e Enna, numa prova que incluia os grupo 7. Juntamente com Ronnie Peterson ganha os 1000 Km de Barcelona, sendo 3º na Targa Florio associados ao britânico Peter Westbury. No derradeiro ano de sua carreira , enlutada aos 42 anos, a sua última grande vitória foi precisamente no circuito que o vitimou, por altura das 4 horas de Le Mans.


Ao longo de 19 anos Jo Bonnier alinharia em cerca de 600 corridas, incluindo 109 GP, sendo esta a 13ª vez que alinhava em La Sarthe.
Observações:
- Domingo, dia 11 de Junho de 1972 disputava-se a 9ª prova do campeonato Mundial de Marcas- as 24 Horas de Le Mans. Faltavam cerca de 8 horas para terminar 40ª edição da prova. Eram 8h da manhã. O céu estava nublado e a pista um pouco húmida. Decorria a 213ª volta. Uma das poucas testemunhas oculares Olivier Gendebien que venceu Le Mans por 4 vezes em 1958, 60, 61 e 62- mas que abandonou automobilismo depois de um grande susto neste mesmo circuito, revelou o acidente do seguinte modo:

- «Os dois carros seguiam lançados a toda a velocidade. Bonnier era o mais rápido dos dois e devia rodar a cerca de 300Km/h. De repente o Ferrari desviou-se sem qualquer precaução. Bonnier sem poder evitá-lo, bateu-lhe na frente. O Lola elevou-se no ar cortando na sua passagem cerca de 30 pequenas árvores.»


Esta é, em síntese a descrição mais concreta sobre a morte do homem que nos últimos anos 8 e isto antes de 1972, é claro)tinha desenvolvido um esforço notável no sentido de obrigar todos os organizadores de provas a aumentar medidas de segurança. Jo Bonnier, o campeão da segurança, acabaria sua brilhante carreira vítima daquilo que condenava. Tanto como piloto como pela função de presidente da associação dos pilotos de Grand Prix da qual foi fundador, Jo Bonnier era uma das figuras mais prestigiadas do automobilismo mundial.


Volvidos quase 5 anos sobre sua morte achamos por bem recordar o homem que incansávelmente lutou para aumentar a segurança das pistas, o homem que no seu dia a dia debatia problemas de segurança com organizadores sem atritos e para bem de todos,como presidente da associação de pilotos bastaria um simples telegrama para boicotar alguma prova caso os arranjos solicitados não fossem realizados, isso aconteceu por exemplo no GP do México. Um dos pontos mais reclamados por Bonnier era a colocação de rails nos circuitos. Por ironia do destino esses rails de nada lhe serviram no momento do acidente do Lola T 280 com o Ferrari 365 GT/4.

Ocorrido na curva de Indianápolis, entre Mulsanne e Arnage, este acidente ocorreu numa zona interdita ao púlico, para evitar o sucedido em 1955. No referido local existe uma lomba ligeira e a visibilidade não é das melhores. Como atrás referimos, os rails em nada foram úteis, tanto mais que atrás deles existem árvores e outros obstáculos. Segundo Vic Elford que seguia de perto num Alfa-Romeo, Bonnier deve ter cometido algum erro, mas segundo outra versão, o suiço Florian Vetshs ao tentar facilitar a ultrapassagem do Lola amarelo, encostar-se-ia à direita , mas infelizmente ao ponto de colocar as rodas do 365 GTB/4 na berma desiquilibrando-o. Para recuperar o controlo guinou apanhando o lado direito do lola que se desiquilibrou indo projectar-se contra os rails e passando por cima deles foi precipitar-se a mais de 100 metros adiante.

O Ferrari percorreu 200 metros deslizando nos rails e imobilizou-se em chamas , contudo o piloto escapou.
Oficialmente a morte de Bonnier quase não foi divulgada, numa primeira informação, apenas 2 linhas focavam o acidente informando ainda que Jo Bonnier tinha morrido no helicóptero a caminho do hospital. Mais tarde , uma nova informação , bastante lacónica, sem qualquer comentário ou explicação sobre o acidente , continha muito sumáriamente algumas notas biográficas e um restrito palmarés de Bonnier. Por incrível que pareçaa organização pretendia esquecer o mais depressa possível o acidente que tão dramáticamente vitimou o piloto do Lola nº 8 por sinal o 151º a perecer nesta prova!


NORBERTO GOUVEIA

Junto post já colocado no AS



http://autosport.aeiou.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=as.stories/83969



IN MOTOR 62 2ª SÉRIE
3 de FEVEREIRO DE 1977













fonte: autosport.pt

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