O traçado de Interlagos nunca construído

16/12/2011





Quando o Interlagos ia ser reformado para assim voltar a F1, havia vários traçados propostos para o novo Interlagos que seria construído. Isso todo mundo já sabe, é claro.



De fato, havia propostas melhores para a reforma, e a melhor delas é essa abaixo, de autoria de Chico Rosa, à época (e hoje de novo) administrador do autódromo. Foi na gestão Erundina que Interlagos foi estuprado, mas não se deve atribuir à prefeita nenhuma culpa. Seu papel foi salvar a F-1 no Brasil, e isso a Princesa fez direitinho.
O projeto abaixo foi o primeiro a ser apresentado a Bernie Ecclestone, e é bem interessante. Primeiro, e principalmente, porque preservava o traçado original. Depois, eliminava os dois pontos críticos de uma reforma: área de escape na 3 (criava-se uma chicane) e no Sol (a curva saía do circuito).
Chico bolou uma ligação entre a retinha que levava à Ferradura e a então Subida do Lago, trecho que seria feito ao contrário para se juntar ao antigo Laranja, com aproveitamento integral do miolo (S, Pinheirinho e Bico de Pato).
Era, certamente, uma proposta bem melhor do que a finalmente adotada. Segundo o Chico Lameirão, quem resolveu mudar tudo foi Ayrton Senna (o Chico não o perdoa por isso). Foi ele quem inventou o S que leva seu nome, e que vem a ser o ponto exato de destruição do velho traçado. Isso porque aquela curva inviabiliza uma saída de box na 1, como era antes.
A partir do desenho de Senna, a pista encurtou demais e trechos antigos foram sendo dizimados. Dá pra refazer? Claro, hoje dá para fazer qualquer coisa. Basta vontade e dinheiro. A maior parte da pista velha está lá: 1, 2, Retão, 3, 4, Ferradura. O problema é do Sol até o Laranja. A curva do Sargento foi ocupada por uma quadra de esportes. Mas é simples: destrua-se a quadra e refaça-se a curva.
Dificuldade seria mesmo a saída de box, porque uma nova inviabilizaria o traçado atual. Há relevo ali, e só passando por cima do S do Senna para retornar ao leito da pista antiga.
Agora, se alguém quiser, faz.
A propósito, o estupro de Interlagos, na opinião mais do que sensata de Chiquinho Lameirão, tem a ver com a escassez de talentos brasileiros nos últimos anos.
Um tal de Chiquinho Lameirão disse certa vez:
“Antigamente os pilotos se formavam em Interlagos, uma pista que tinha todo tipo de curva. Aí o cara ia para a Inglaterra, entrava num circuito diferente, mas começava a identificar: êpa, essa curva aqui é igual ao Laranja; essa é como a Ferradura; essa aqui parece o Bico de Pato… E o sujeito se adaptava rápido a qualquer pista, porque Interlagos tinha um pouco de todas. Ou todas tinham um pouco de Interlagos. Hoje este traçado não ensina nada. Não tem uma curva de alta, é uma pista fácil e nada técnica.”
Cheio de razão, o Chiquinho.
E pra terminar, eu, Marcelo Necro, também vou ficar falando de corrida de carrinhos aqui no GP Expert. Espero que gostem dos posts que irei postar umas 2 ou 3 vezes por semana nesse blog. E no meu blog, os posts saem diariamente. De domingo a domingo, inclusive nos feriados. Se quiser ler o meu blog, clique no link ao lado http://blogmonumentalformula.wordpress.com/

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2 comentários :

TW disse...

Muito bom Marcelo, conhecer mais da história de Interlagos. Não sabia disso.

abs

Marcelo Sabsud disse...

Não se pode crucificar Senna pelo fim do velho Interlagos. Quando o Rio desistiu de sediar o GP, São Paulo teve 4 meses para refazer o autódromo. Numa época que a F1 fugia de autódromos muito longos e rápidos (Vide Silverstone da década de 90), o traçado montado foi a solução, pois era prático, funcional e barato.
Sem se esquecer dos problemas de asfalto que só foram solucionados a 4 anos.
Interlagos não perfeito, mas é muito melhor que muito autódromo novo.