Como será lembrado Barrichello?

29/01/2012

Caros Amigos do GpExpert,

Como disse semana passada, Rubens Barrichello, o mais novo aposentado da F1, merecia um post só para ele.
Primeiramente, ele merece o nosso respeito. Um piloto com uma ótima carreira nas categorias de base, sendo campeão de várias categorias (entre elas a F3 britânica), que teve uma carreira tão longa na F1, com 11 vitórias e pilotou para a principal equipe da F1 por 6 temporadas, não é nenhuma porcaria.
Porém, Barrichello não foi campeão?!
O grande problema de Rubens, talvez não fosse seu talento, embora não seja um gênio das pistas.
O seu grande problema, talvez tenha sido, algumas declarações infelizes e falta de "timing" para crescer na F1. ( Ter falta de "timing" não exclusividade de Rubens, muitos pilotos da F1 e pessoas como este que escreve, tem este problema e por isto pagam caro)
Para entender esta falta de timing na F1, vamos fazer uma retrospectiva da história de Barrichello na F1.

Rubinho começou bem na F1. Escolheu uma equipe( ou foi escolhido?) de potencial crescimento, que havia feito um ano de 92 muito ruim.
Fez boas atuações, como a ótima performance em Donington, mas que graças a uma falha do carro, o pódio escapou.
Isto foi recorrente em 93, boas corridas e falhas no carro, mas no fim, Barrichello conseguiu seus pontos. Saldo Positivo.
Em 1994, o destino ou a Tamburello, mudou o destino da F1, de todos nós, mas principalmente o de Barrichello, a sucessão natural de Senna para Barrichello, ocorreu de maneira forçada e triste. Mesmo assim, Barrichello faz uma ótima temporada, consegue pódio e pontos, mas principalmente o interesse de todas equipes de ponta. Williams, Ferrari e McLaren queriam Barrichello, mas algumas propostas são vetadas por Eddie Jordan e no caso da McLaren, o próprio Barrichello não quis, já que a equipe fazia uma temporada muito fraca. Começa o erro de "timing"...
Em 1995, a equipe Jordan troca o motor Hart pelo Peugeot, os resultados não mudam muito e Barrichello continua prestigiado em equipes de ponta como a Ferrari, mas fica na Jordan.
Em 1996, a Jordan despenca e o prestígio de Barrichello com Eddie Jordan também, mas desta vez não há propostas de equipes grandes. Rubens é "resgatado" por Jackie Stewart que lhe dá uma nova oportunidade na F1.
Em 1997, parece uma reprise de 1993, boas atuações e um carro falho. Destaque para a grande corrida na chuva em Mônaco.
Em 1998, uma temporada para se esquecer. Em 1999, a Stewart faz um bom carro e Barrichello faz ótimas apresentações, com vários pódios, embora a vitória da equipe venha com o companheiro e amigo Herbert. Tão boa temporada, que Barrichello é chamado para a Ferrari, em lugar de Irvine, que é chutado por Schumacher.
Barrichello começa na equipe com uma declaração infeliz :" Serei o piloto 1B da equipe". Não acreditando que seria mais um escudeiro de Schumacher.
O sonho da Ferrari não começa bem. Nas primeiras corridas, Schumacher vence várias corridas e ruma para o título, enquanto Rubens, ou quebra ou faz atuações apagadas.
De repente, numa grande corrida e uma inesperada vitória na Alemanha, parecia que o campeonato de Barrichello mudaria, mas as dificuldades do início de ano reaparecem e ele termina o ano num quarto lugar, longe do campeão Schumacher.
De 2001 a 2004, A Ferrari impera, mas em nenhum momento Rubens luta pelo título. Ser escudeiro de Schumacher rende vitórias, dois vices campeonatos, mas muitas situações ruins e a desilusão de nunca poder ser o campeão. Sem esquecer da vitória dada na Áustria em 2002.
Para piorar a situação Barrichello, solta um dia desses: " Sou só um brasileirinho, contra o mundo!".Esta frase gera a fúria dos brasileiros, acostumados com declarações fortes vencedoras de Senna e Piquet.
Durante esta fase, Rubens recebe propostas de Mclaren e Williams, as concorrentes diretas da Ferrari, mas recusa.
Em 2005, a Ferrari tem um mau ano e Barrichello resolve sair da equipe. Se ficasse mais um ano, veria o alemão aposentar e ele seria o primeiro piloto, mas o pior era escutar do Heptacampeão em sua despedida que:" Rubens não era rápido o suficiente."
Em 2007 e 2008, Rubens "pasta" com carros péssimos, embora faça um grande pódio em Silvertone na chuva.
Em 2009, Barrichello fica na mira do desemprego, mas Ross Brawn o resgata e coloca na novata equipe Brawn.
A equipe Brawn assombra o mundo e começa ganhando tudo, mas com Jenson Button. Barrichello demora para se acostumar com o carro, mas finalmente, no final de temporada, chega a disputar o título, vencendo corridas e fazendo uma pole position épica no Brasil. Termina o ano em terceiro, mas acaba sendo sua melhor participação, levando o contexto do ano.
Ele acaba indo para a Williams, já que a Brawn é comprada pela Mercedes. Faz bom ano com fraco carro da Williams. Em 2011, fica no pior carro da Williams já produzido e acaba sendo dispensado, sendo forçado a se aposentar.

Resumindo: Barrichello não pode e nem deve se envergonhar da grande carreira que fez, mas certos acontecimentos na sua carreira contribuem para críticas ruins.
Como será lembrado Barrichello? Pífio ou piloto muito bom?

Abraços and keep yourself alive!!

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