Patrick Depailler: Viver nos limites

02/01/2012

Patrick Depailler: Viver nos limites - Considerado a nova esperança de França para ser Campeã do Mundo após a morte de François Cevert, também Patrick Depailler terminou a sua carreira de modo trágico.

Mesmo em circunstâncias normais, a temporada de 1980 do Campeonato do Mundo de Fórmula 1 teria sido atípica para Patrick Depailler. Um aventureiro que experimentava os limites da segurança em cada Grande Prémio que disputava, o francês natural de Clermont-Ferrand baseava-se nesta filosofia de vida fora do local de trabalho, que lhe valeu um acidente a praticar asa-delta, onde partiu as duas pernas.

O seu chefe Guy Ligier não achou muito piada e, obrigado a passar metade da temporada sem o seu piloto, que já havia ganho uma corrida e era candidato ao título em 1979, não renovou o contrato com Depailler para a temporada de 1980.

Terminada a sua recuperação, o piloto francês aceitou com agrado o convite da Alfa Romeo para desenvolver o monolugar da marca italiana. Depois de vários anos como fornecedora de motores, a Alfa decidiu-se finalmente a regressar a tempo inteiro em 1979, mas os resultados foram desapontantes para a equipe liderada por Carlo Chiti. Com Depailler, o carro tornou-se mais rápido, mas seria o seu colega mais lento, Bruno Giacomelli, a conquistar pontos com o Alfa Tipo 179. O gaulês levava o carro até aos extremos e apesar de bons resultados na qualificação, o carro italiano nunca conseguia chegar ao fim.

As áreas mais sensíveis do Tipo 179 eram o motor e a suspensão. O francês, que não era grande fã do apoio aerodinâmica via efeito de solo e criticava as altas velocidades em curva, foi chamado para testar o Alfa no rápido traçado do Hockenheim, onde o carro podia ser levado aos limites. Foi a suspensão que traiu Depailler, que rodava na Ostkurve quando o seu carro foi catapultado contra o muro de proteção.

Os responsáveis pela pista alemã costumavam retirar a rede de proteção quando não havia provas internacionais e o carro acabou do outro lado do muro, virado de rodas para o ar, e Depailler morreu com lesões cerebrais. Sem Depailler, a Alfa Romeo nunca atingiu o seu potencial na Fórmula 1 e a França teve que esperar até que Jean-Pierre Jabouille, Patrick Tambay, René Arnoux e Alain Prost se tornassem competitivos para escolher um novo Campeão.

Deixar a sua marca

Patrick Depailler chegou à Fórmula 1 como protegido da Elf e de Ken Tyrrell, depois de ter sido Campeão na F3 Francesa e na F2 Europeia. Apesar de não ter ganho com o P34, era mais fã do carro que seis rodas que Jody Scheckter, mas teve que esperar até 1978, com o convencial 008, para conquistar a sua primeira vitória, no GP do Mónaco.

Oportunidade perdida

Primeira marca a dominar os Grandes Prémios da era moderna, a Alfa Romeo regressou à F1 em 1970, após 19 anos de ausência, como fornecedora de motores da McLaren e March. Sem sucesso, voltou em 1976 com a Brabham, ganhando duas vezes em 1978, com Niki Lauda, mas no ano seguinte, Carlo Chiti, responsável máximo da divisão desportiva da Alfa, a Autodelta, conseguiu com que a marca apoiasse a construção de um chassis. Foi apenas em 1983 que a Alfa Romeo mostrou-se capaz de chegar aos lugares cimeiros, mas com problemas financeiros os destinos da equipe foram entregues à Euroracing em 1984. A nova equipe teve poucos resultados, mas os carros eram conhecidos pela decoração da Benetton, chegada recentemente à F1 na qualidade de patrocinador. Integrada no Grupo Fiat, a Alfa deixou a F1 em 1986, fornecendo motores à pouca competitiva Osella até ao final de 1988.

fonte: autosport.pt

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