“Você trouxe o boné? Putz... peguei não”

09/02/2012


Ver Ayrton Senna sem aquele famoso boné azul na cabeça só mesmo quando ele estava de capacete. São raros os momentos em ele fazia alguma aparição pública não portando a marca do patrocinador. A seguir, uma história curiosa contada por quem esteve bastante junto ao piloto.

Salas de imprensa sempre são um lugar perfeito para as conversas nostálgicas surgirem. É muita informação aglomerada em um só lugar, e neste fim de semana no ônibus de imprensa da Fórmula Truck em Brasília, uma que o Téo José – narrador da Rede Bandeirantes – contou foi bem legal. Vamos ver se consigo reproduzi-la sem (grandes) perdas.

Creio que aconteceu por volta de 1987. Senna naquela época pilotava uma Lotus amarela recheado de camelos ao seu redor. E naqueles tempos, quem fazia sua assessoria de imprensa eram os jornalistas Charles Marzanasco Filho e Roberto Ferreira, o Robertinho.

Sr. Milton, o pai de Ayrton, nunca era de se intrometer muito na carreira do filho, mas sempre dava alguns toques de como ele devia se portar e tal. Um deles era sempre aparecer, seja onde for, com aquele boné azul do Banco Nacional.

Pois bem, certa vez Ayrton tinha um encontro com a imprensa marcada pela manhã, e tanto Charles quanto Robertinho iam ao evento. Não me recordo a cidade, mas estavam em um hotel, e Senna partiu de helicóptero para o local.

Seguindo os conselhos obrigatórios do pai, Charles e Robertinho levariam o boné para o evento, só que por puro esquecimento, deixaram o objeto para trás e só foi no meio do caminho que se deram conta.

Roberto Ferreira: Você pegou o boné, Charles?
Charles Marzanasco Filho: Eu não… Você pegou, né?

R.F.: Putz… peguei não, vamos voltar lá para pegar.
C.M.F.: Olha a fila de carros que tá no sentido do hotel, não vai dar tempo não… relaxa, o Ayrton sempre leva o boné dele.

E realmente Senna sempre levava o seu a tira colo, mas não foi o caso daquele dia. Chegando lá, Senna, ao avistar os rapazes disse: “Pessoal, esqueci meu boné. Peguem o de vocês, por favor.”

Sem dar muito na pinta, olharam um para o outro e disseram: “Claro, vamos lá no carro pegar”.


Desespero começou a bater forte. Faltava muito pouco tempo para a coletiva começar e Senna não estava com o boné. Pode parecer bobagem a falta deste acessório, mas aquele boné azul era a marca registrada de Ayrton. Não dava para ele ir sem.

Robertinho, no desespero, subiu em uma cadeira e começou a olhar em volta para ver se achava um boné igual. Olhou, olhou e nada… Apressado, saiu correndo e foi falar com Charles que iria para o hotel voando para pegar o boné; a coletiva teria que atrasar por conta disso.

No desespero, saiu fora do local e avistou ao longe um motorista da Folha de S. Paulo dento do carro portando um boné azul. Ele pensou: “Porra, não tem lógica, tem que ser um boné do Nacional”.
Chegando perto do motorista, confirmou seu pensamento e pediu o boné emprestado.

R.F.: Meu caro, por favor, me dê este boné?
Motorista: Não.

R.F.: Meu senhor, você não está entendendo, preciso desse boné para o Ayrton!
M.: Cara, não empresto não…

R.F.:
M.: Só se ele voltar autografado.

R.F. Volta até com dez autógrafos.

E saiu Roberto correndo ao encontro de Senna para começar a coletiva. Quando chegou lá bufando, Senna, desconfiado, perguntou: “Vocês não esqueceram de trazer o boné não, né?”. Prontamente responderam que não, que ele foi só no carro buscar.


No dia seguinte, encucados com a história, foram dar uma palavra com Senna para contar o que havia acontecido.

Senna: É alguma coisa sobre o boné?

C.M.F. e R.F.: … É sobre ele sim…
S.: Vocês esqueceram ele o hotel ontem, né?

C.M.F. e R.F.: Pois é, tivemos que pegar com uma pessoa que achamos lá…
S.: Foi muito bom vocês me contarem isso, pois se não o fizessem ia perder totalmente a confiança em vocês. Quando estava saindo da coletiva com o helicóptero me apareceu um senhor correndo feito um desvairado e acenando pra mim. Estava quase decolando quando abortamos. Perguntei a ele o porquê do desespero e ele me disse que este boné era dele…

A união Senna e Nacional era tão forte que, mesmo com o fechamento do banco na década de 90, não é raro você ver bonés como os que Ayrton usava sendo vendidos – inclusive no Japão.
fonte: http://www.jalopnik.com.br

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