Grande Prêmio da Inglaterra de 1982

19/07/2012

Uma quinzena após a corrida em Zandvoort, num sábado para não concorrer com a Copa do Mundo, a F1 se reencontrava num dos seus palcos mais tradicionais, em Brands Hatch, próximo a sede de boa parte das equipes da F1. A pista inglesa, com suas subidas e descidas, era muito boa de se pilotar, mas como não haviam grandes retas, os carros com motores aspirado tinham uma boa chance de enfrentar os turbo em Brands Hatch, em especial a Ferrari de Didier Pironi, vencedor na Holanda e em ótima fase. Por sinal, o francês ganharia nesta corrida um companheiro de equipe compatriota, o francês Patrick Tambay.
Provando que Brands Hatch poderia ajudar os carros com motores aspirado, Keke Rosberg conquistou sua primeira pole na F1 com seu Williams-Ford, superando por muito pouco os dois carros da Brabham. Porém, nos bastidores para a corrida, era o time de Bernie Ecclestone que chamava a atenção. Os mecânicos da Brabham não utilizavam os tradicionais uniformes com camisa golo a polo e calças customizadas. Eles utilizavam pesados macacões, como os de Piquet e Patrese. Ao lado da porta do boxe, um aparelho que mais parecia uma geladeira trazia ainda mais curiosidade aos rivais: uma máquina de reabastecimento. Durante todos os treinos, Piquet e Patrese andavam constantemente com tanque pela metade e pneus moles. Trinta e cinco anos depois da última corrida com pit-stops programados na F1, Gordon Murray decidira arriscar e fazer seus pilotos pararem no meio da corrida para reabastecer e trocar pneus, algo inimaginável na época. Nelson Piquet falava da tática em alto e bom som, bem diferente do clima de medo de espionagem que há hoje.
Grid:
1) Rosberg (Williams) - 1:09.540
2) Patrese (Brabham) - 1:09.627
3) Piquet (Brabham) - 1:10.060
4) Pironi (Ferrari) - 1:10.066
5) Lauda (McLaren) - 1:10.638
6) Arnoux (Renault) - 1:10.641
7) De Angelis (Lotus) - 1:10.650
8) Prost (Renault) - 1:10.728
9) Alboreto (Tyrrell) - 1:10.892
10) Daly (Williams) - 1:10.980
O dia 18 de julho de 1982 estava ensolarado na região de Kent, um tempo perfeito para 115.000 pessoas se deslocarem para o circuito de Brands Hatch e antes dos carros irem à pista, os torcedores viram uma apresentação do famoso caça Harrier, consagrado na recém-terminada Guerra das Malvinas. Porém, o drama começou ainda antes da luz verde. O pole position Keke Rosberg não conseguiu fazer com que seu Williams-Ford funcionasse e o finlandês ficou parado no grid. Lembrando do incidente em Zolder/1981, quando David Luckett foi atropelado por Siegfried Stohr, de sua mesma equipe, os mecânicos da Williams se mostraram reticentes em entrar na pista, mas, desta vez bem sinalizado, Rosberg recebeu o auxílio para seguir os carros na volta de apresentação, mas com a pole perdida e como seus pneus Goodyear se desgastaram em demasia, Rosberg não seria um fator na corrida. Porém, os problemas ainda não haviam terminado.
Repentinamente com uma dobradinha no grid, a Brabham teria chances reais de colocar sua ideia em prática, mas Riccardo Patrese ficou parado no grid na luz verde. Largando na terceira fila, mas no lado onde estava o carro parado de Patrese, René Arnoux não teve reação para desviar da Brabham do italiano e acabou batendo na traseira de Patrese, mas, felizmente, de forma menos contundente que no incidente que matou Riccardo Paletti em Montreal. Para estragar ainda mais o final de semana da Renault, Alain Prost conseguiu evitar o acidente, mas ao passar pela grama, entortou uma saia e sua corrida seria afetada decisivamente. Com muita facilidade, Piquet assumiu a ponta, com Lauda, que largava na terceira fila, logo atrás de Piquet, em segundo. Quem havia largado nas posições ímpares se deu muito bem, como Elio de Angelis, em quarto depois de largar em sétimo. Porém, os acidentes não paravam. Chico Serra fazia sua melhor corrida na F1 e em três voltas o brasileiro da equipe Fittipaldi havia pulado de 21º para 12º, mas infelizmente Serra acabaria se envolvendo num acidente em que capotou seu carro duas vezes, mas felizmente o paulistano estava ileso. Para evitar o acidente logo à sua frente, o então líder do campeonato John Watson acabou rodando e deixando o seu carro morrer, vendo sua corrida caseira terminar de forma repentina.
Segundo os cálculos da Brabham, Piquet teria que abrir algo em torno de 30s do segundo colocado até a 40º volta, logo após a metade da prova, para voltar ainda em primeiro. Nelson Piquet fazia seu papel. Abrindo algo em torno de 1.5s de vantagem sobre Lauda, o brasileiro tinha 10.54s de vantagem sobre o piloto da McLaren no final da oitava volta, mas para desespero de Nelson Piquet, uma falha simples (a correia que aciona a bomba injetora de combustível havia se soltado) fez com que o brasileiro abandonasse na volta seguinte, quando já tinha incríveis 12s. “Senti um frio na espinha de raiva”, falou Piquet depois. Lauda assumia a ponta com enorme facilidade, pois Pironi não tinha um carro tão bom como em Zandvoort e não ameaçava, mas com Watson sem marcar pontos, o francês da Ferrari não tinha do que reclamar.
Porém, o nome da corrida naquela primeira metade de corrida era Derek Warwick. A Toleman havia resolvido não participar das duas corridas na América do Norte para tentar acertar seu problemático carro e o ainda mais problemático motor Hart turbo. Correndo em casa, o inglês Derek Warwick, o maior rival de Piquet nos tempos de F3, fazia a corrida de sua vida até então e após ultrapassar quem via pela frente, o piloto da Toleman surpreendia ao assumir a segunda posição ainda na 24º volta, após largar em 16º. Pironi e De Angelis corriam próximo do inglês, quando para desencanto da torcida local, Warwick abandonou tristemente na 40º volta com problemas mecânicos. Com Lauda disparado na frente, a corrida se tornou monótona, pois Pironi conseguiu abrir boa vantagem sobre Elio de Angelis, mas o italiano teria problemas com seus pneus Goodyear e permitiu a aproximação da segunda Ferrari de Patrick Tambay. O francês havia largado mal e perdera muitas posições, mas iniciara uma ótima corrida de recuperação e permitiu a Tambay a efetuar uma emocionante ultrapassagem sobre a Lotus de De Angelis na última volta, permitindo-lhe conquistar seu primeiro pódio na F1. Niki Lauda estava mais do que acostumado com os pódios e vencia pela 19º vez na F1, se tornando o quarto piloto mais vitorioso na história da categoria. Porém, o que ficaria para a história seria a tentativa da Brabham em efetuar um pit-stop programado, mudando para sempre a face das corridas de F1 nos anos seguintes.
Chegada:
1) Lauda
2) Pironi
3) Tambay
4) De Angelis
5) Daly
6) Prost

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