O ultimo grande Belga

06/07/2012


Boutsen em sua primeira vitória e nos dias atuais (no detalhe)
Nesta quarta-feira, 13 de julho, além de ser o Dia Mundial do Rock, é aniversário do último grande piloto belga na F-1 depois de Jacky Ickx: Thierry Boutsen, dono do inconfundível capacete preto com detalhes em amarelo e laranja, que completa 54 anos de idade.

Engenheiro de formação, Boutsen estreou na F-1 de uma maneira que poucas pessoas lembram: substituíndo o brasileiro Chico Serra na equipe Arrows. Dali em diante, Boutsen se estabeleceu como um piloto rápido, graças ao talento e às habilidades como engenheiro. Da Arrows, foi para a Benetton e lá passou a brilhar mais forte.
Junto com Alessandro Nannini, fez uma das duplas mais fortes do fim dos anos 80, mas que não obteve resultados expressivos graças ao domínio das equipes que usavam motores turbo (Williams e McLaren), enquanto a Benetton corria com o Ford.
Mesmo assim, Boutsen surpreendeu e foi o quarto colocado, sendo o único a usar motor aspirado entre os seis primeiros, levando a Benetton ao terceiro lugar entre as equipes. Isso garantiu o passe para se juntar à Williams, que iniciava uma parceria histórica com a Renault, em 1989.
E coube a Boutsen dar a primeira vitoria à combinação. Foi no Canadá, em condições adversas. No fim do ano, venceria outra prova épica, na Austrália, debaixo de um temporal. No entanto, os muitos abandonos o deixaram em quinto na tabela, enquanto o parceiro Riccardo Patrese, mesmo sem vitórias, ficou em terceiro.

O ano seguinte, 1990, contou com outra grande vitória, na Hungria, mas não foi o suficiente para mantê-lo na equipe, que trouxe Nigel Mansell de volta após duas temporadas na Ferrari. Sobre as vitórias, Boutsen comentou ao site "F1 Technical":

"A primeira vitória, no Canadá, foi a mais importante. A segunda, na Austrália, provou que poderia andar em qualquer condição. A terceira vitória, na Hungria, foi a mais estressante corrida da minha vida", destaca, dando mais detalhes.


Boutsen segura Senna, Mansell e Berger na Hungria, 1990
"Foi uma corrida especial. Não tive o melhor carro, marquei a pole, larguei na ponta e fui pressionado o tempo todo. Adotei uma tática especial, de não trocar pneus, que me ajudou a manter a liderança até o fim."

De 1991 a 1993, quando se aposentou da F-1, teve temporadas muito apagadas com os carros fracos de Ligier e Jordan, somando apenas dois pontos neste período. Apesar dos poucos pontos, Boutsen cultivou uma amizade valiosa com Ayrton Senna. No vídeo abaixo, há uma "sacanagem" de Senna com Berger e Boutsen.

"Ayrton era um mito. Ele foi o melhor e mais inteligente piloto de todos os tempos. Sua morte chocou todos e provocou reações sobre segurança nunca vistas antes", relata Boutsen, que quase formou uma dupla com o brasileiro na Ferrari em 1989, oportunidade que não foi concretizada.

"Essa oportunidade não se concretizou, mas me deu a chance de pilotar para a Williams. Se foi boa ou ruim, nunca saberei e nem ligo. Sempre tentei fazer o melhor com o material que tinha", completa Boutsen, que correu até 1999, quando sofreu um acidente em Le Mans e decidiu largar as pistas. Hoje, chefia sua própria companhia aérea, a Boutsen Aviation, além de ter uma equipe de corridas com seu nome, que compete em divisões de base belgas.

Confira um vídeo com vários momentos de Boutsen na F-1:

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