Piquet 60

24/08/2012

Caros Amigos do Gpexpert,

Deixei passar sem querer a data de aniversário de Nelson Piquet. Ato falho, mas acredito que há tempo para prestar homenagem ao piloto.
Não é fácil falar de Piquet, pois este gera sempre muita polêmica e controvérsia. Talvez a melhor maneira, seja separar o Piquet Piloto, do Piquet Pessoa comum (coisa difícil de fazer).
Nelson é o maior piloto vivo que o país tem ( na minha opinião!), uma carreira cheia de vitórias, não só marcada pelos 3 títulos da F1, mas por vitórias em monopostos e carros de turismo.
Sua carreira começou difícil, não porque veio de família pobre ( não é o caso), mas pela rejeição que sofria dentro de casa pela carreira que queria, a ponto de correr escondido do pai. Depois foi para Europa e passou dificuldades. Se hoje, com todo desenvolvimento tecnológico já é complicado morar fora, que dirá a quase 40 anos atrás. Piquet chegou a dizer que morou um trailer e tomava banho uma vez por mês.
Talvez essa dureza, por qual passou, tenha feito criar um certo azedume e frieza em seu comportamento, mal visto pela torcida brasileira.
Lutando muito, chegou à F1 no fim de 1978, correndo por equipes pequenas como a Ensign e com Mclaren particular, se os resultados não apareceram rapidamente, sua velocidade e conhecimento técnico dos carros foram vistos pelo chefe do seu "Mclaren privado", que disse quem em 3 anos, Piquet seria campeão (Dito e Feito!).
Seus valores foram vistos por Bernie Ecclestone, que o levou para a Brabham como terceiro piloto. Meteoricamente, é alçado a primeiro piloto com a aposentadoria de Lauda e saída de John Watson da equipe. Piquet não perde a chance, assim que a Brabham investe no motor Cosworth e deixa o Alfa Romeo, os resultados começam a aparecer. 
Em 1980, vem a primeira vitória e uma disputa apertada pelo título com o australiano Alan Jones. No final, a maior experiência de Jones e o melhor carro da Williams prevaleceram e foi campeão.
Em 1981, Piquet com mais experiência e aproveitando o "racha" dentro da Williams (Briga Reutimann- Jones) ganha o campeonato por 1 ponto. Depois de chegar em quinto em Las Vegas e Reutimann em oitavo, numa atuação deprimente.
Em 1982, Piquet sabendo que o futuro da F1 era o motor turbo, passa o ano penando com motor BMW, uma vitória e menos pontos que seu companheiro de equipe Patrese, que correu mais corridas de Cosworth. Entretanto, foi um risco calculado. No ano seguinte, Nelson venceu o campeonato, numa arrancada final excelente nas três últimas corridas e derrubando o esquadrão Francês: Prost, Arnoux e Tambay.
Para 1984, a Brabham procurou um novo segundo piloto. Entre os candidatos, um novato chamado Ayrton Senna. Muitos dizem que Senna não integrou a Brabham por causa de Piquet. Nelson negou, o motivo aparente foi o patrocinador que não queria dois brasileiros na equipe e buscou um italiano. Independente do fator acabou sendo melhor para Ayrton, que sem pressão fez uma temporada excelente na Toleman e abriu sua história na F1.
Neste mesmo ano, teve bons resultados mas, não foi páreo a Dupla da Mclaren TAG-Porsche (Lauda- Prost). 85 seria pior, um número imenso de quebras e um carro lento, fizeram Piquet mudar de ares e ir para a Williams, sendo contratado a peso de ouro por Frank Williams.
No início de 1986, tem a alegria de vencer a primeira corrida do ano no Brasil, mas depois entra numa fase muito negativa, principalmente depois do grave acidente de Frank Williams, que deixou Patrick Head no comando e Mansell como preferência. A guerra dentro da Equipe é declarada, resultando num título improvável de Prost.
Em 1987, após sofrer um grave acidente na Tamburello em Imola, Piquet diz que ficou mais lento e tinha dificuldade em ter noção de profundidade. Com tudo isso, fez uma campanha excepcional levando o título.
Em alta, Piquet assina um contrato milionário com a Lotus pensando que podia brigar por vitórias como Senna fazia, mas este acabou sendo seu maior erro na F1. Com um carro horrível, Nelson amarga dois anos pífios.
Porém, tem uma bonita virada em 90, quando faz um contrato por pontos na Benetton, faz muitos pontos vence corridas e chega ao terceiro lugar no campeonato.
Em 1991, sua carreira se encerra na F1 com mais uma vitória e mais uma briga, com uma relação ruída com os novos donos da Benetton pela qualidade do carro e pela dispensa injusta de seu camarada e companheiro de equipe, Roberto Moreno.
Em 1992, Piquet topa correr em Indianapolis. Com um carro rápido, ele sofre seu mais grave acidente. Com múltiplas fraturas e muitos meses na fisioterapia, Piquet volta em 93 e corre em Indianapolis. Não vence, mas sua carreira vitoriosa continua por vários anos em carros GTs e Turismo até se aposentar definitivamente em 2006.
Este post retratou de maneira breve a carreira do "sessentão", mas mesmo com tudo citado, ele possui muita rejeição no país. Justa ou não, Piquet fora das pistas não é das pessoas mais "fáceis de conviver" e carismáticas e ainda sofreu ao ver sua fama ofuscada por um piloto tão brilhante (ou mais) que ele, ascender na F1 na sua época, sendo seu extremo oposto fora da pista. (Nem preciso citar o nome dele).
Independente de sua personalidade, Nelson merece esta homenagem e muitas outras. A F1 de hoje carece de pilotos de com o talento e seu jeito autêntico.
O Brasil carece de ídolos, Piquet é um, para o bem e para o mal.
Abraços and keep yourself Alive!  
          

Posts Relacionados

0 comentários :