Retorno à Argentina traz nostalgia a Pedro Muffato

05/09/2012

http://grelak.com.br/e-marketing/alta/fa0bc1447831c888f6ca33f395b8787d.jpgA temporada 2012 do Campeonato Sul-Americano de Fórmula Truck chega ao fim neste domingo (9), com a quarta e última etapa em Córdoba. E, mesmo havendo um piloto argentino no grid – Luiz Pucci, da ABF/Volvo –, já se verifica a identificação dos torcedores argentinos com outro piloto confirmado no grid do GP ZF Astronic. Trata-se de Pedro Muffato, paranaense que pilota o Scania número 20 de sua própria equipe, a Muffatão.

Muffato disputou corridas na Argentina por 25 anos, de forma contínua. A fase mais evidente começou na Fórmula 2 nacional, que no início da década de 80 foi transformada na F-2 Codasur e depois, em 1987, no Sul-Americano de Fórmula 3. Ele também criou vínculo com o automobilismo argentino nos anos 80, época em que implicações legais na importação de carros de corrida traziam dificuldades aos pilotos brasileiros.

“Nós tínhamos esse problema e resolvi tentar uma solução para isso”, recorda o piloto, que à época viajou à Argentina e acertou uma parceria com Oreste Berta, preparador de carros e motores de competição considerado um “mago” da atividade – a base de operações de Berta está justamente em Alta Gracia, na província de Córdoba, onde está localizado o Autódromo Oscar Cabalén, palco da corrida deste domingo da Fórmula Truck.

“Acertei com o Berta e mandei meus mecânicos para Alta Gracia. Eles ficaram lá 45 dias, aprendendo a produzir, soldar, alinhar, a montar um carro de corridas. Aí o Oreste me forneceu o gabarito e começamos a montar os carros no Brasil, no fundo da minha empresa”, recorda Muffato. Os chassis produzidos pela equipe do piloto paranaense e utilizados por dezenas de competidores de todo o país foram batizados como “Muffatão”.

A estreia do protótipo Muffatão aconteceu justamente no Autódromo Oscar Cabalén, no primeiro semestre de 1981. “A estreia do carro no Brasil só aconteceu alguns meses depois, em agosto, em Cascavel. O Berta veio para cá para supervisionar o trabalho. O carro era Berta, motor Berta e construção Muffatão. Foi um sucesso, cheguei a vender mais de 30 carros, e esse sucesso se deveu à genialidade do Oreste Berta”, atribui.

Esse carro praticamente monopolizou o grid da F-2 Codasur, até que a importação foi liberada pelo governo brasileiro, permitindo a chegada dos Ralt ingleses e dos Dallara italianos. “A parceria foi importante para o crescimento do automobilismo argentino e brasileiro. Havia a rivalidade natural entre os pilotos, mas isso ficava em segundo plano diante da consciência de todos de que era importante trabalhar para fortalecer a categoria”, frisa Muffato.

Piloto da Truck desde o ano 2000, Pedro Muffato deixa-se levar pela nostalgia quando recorda sua atuação junto aos argentinos. “Lá se vão mais de três décadas. Vou procurar o Berta em Alta Gracia e dar um abraço forte nele, vou convidá-lo para à corrida, vai ser o meu convidado especial”, planeja. “E é sempre ótimo voltar a correr na Argentina. O clima lá é especial, a atmosfera do automobilismo por lá é especialmente saudável”, atribui.

Posts Relacionados

0 comentários :