As cenas de Winkelhock no Brasil em 1982

18/10/2012

Mãozinha de Manfred antes da prova; 5º lugar veio com mão da FISA
Mãozinha de Manfred antes da prova; 5º lugar veio com mão da FISA
Cena 1: 21 de março de 1982. Grid de largada para o GP do Brasil, no Autódromo de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. Alinhado na 15ª posição do grid, o alemão Manfred Winkelhock, da ATS, dá uma conferida na máquina brasileira estacionada na Reta dos Boxes. Pecha de brincalhão, Winkelhock sempre teve, desde seus tempos na Alemanha. E nem o pífio equipamento fornecido pela ATS tirava seu bom humor.

Cena 2: Na pista, uma performance além das expectativas, apesar das limitações de seu carro. Era a segunda corrida de Manfred na categoria. Conservando ao máximo seu bólido e contando com a quebra dos adversários que estavam à sua frente, o alemão se viu num expressivo sétimo lugar. Há 30 anos, apenas os seis melhores pontuavam. Por pouco, o piloto da ATS não marca. Mas o resultado agradou Winkelhock e seu time.

Winkelhock em ação na temporada de 1982; o alemão defendia a ATS
Winkelhock em ação na temporada de 1982; o alemão defendia a ATS
Cena 3: À distância, Manfred acompanha o pódio do GP do Brasil. Nele, o brasileiro Nelson Piquet (Brabham), o vencedor da prova caseira; Keke Rosberg (Williams), segundo colocado e futuro campeão daquele ano; e Alain Prost (Renault), o terceiro. Após uma prova extenuante e emocionante, Piquet passa mal no pódio. Cenas emblemáticas. Porém, nem Nelson, nem Keke e tampouco Winkelhock sabiam que tudo aquilo não seria referendado.

Cena 4: Dias depois, a FISA (atual FIA), entidade suprema que comandava a Fórmula 1 na época, descobriu que a Brabham de Piquet e a Williams de Rosberg tinham uma artimanha que burlava o regulamento com relação ao peso mínimo de cada carro. Explica-se: as equipes fizeram um sistema de resfriamento dos freios com água. Os carros ficavam com o peso mínimo regulamentar no início da corrida. No decorrer da prova, o sistema se esvaziava e os carros ficavam mais leves que os demais. Com menos peso, se tornavam mais rápidos que a concorrência. A brecha foi revelada, e Piquet e Rosberg foi desclassificado.


Cena 5: Winkelhock não era sétimo, mas sim quinto. Foram os dois primeiros pontos da carreira do alemão. Os dois primeiros e últimos – ele nunca mais pontuaria. Quis o destino que o festeiro Manfred não celebrasse seu feito como deveria. Ele correu na Fórmula 1 entre 1982 e 1985. Em 12 de agosto daquele ano, num acidente em Mosport, no Canadá, em corrida válida pelo Mundial de Protótipos, Winkelhock perdeu a vida. Tinha 33 anos.

Cena para a eternidade: Nurburgring, 1980, Fórmula 2. O carro de Manfred perde o downforce e voa, dando um espetacular looping e capotando diversas vezes. A imagem impressiona. Mas o chocante estava por vir: o alemão deixou o carro andando, como se nada tivesse acontecido. Para a história.



Matéria cedida gentilmente por Douglas Williams proprietário do Contos da F1

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