Brasil-1994: o dia em que Ukyo não catou grama

25/10/2012

Katayama foi 5º lugar no GP do Brasil de 1994


27 de março de 1994 foi um dia cercado de expectativas para o automobilismo. Nesta data, o Autódromo Internacional José Carlos Pace era palco da abertura do Mundial de Fórmula 1. Antes da temporada se iniciar, todos os prognósticos apontavam para a conquista do tetracampeonato de Ayrton Senna. Porém, nos testes de pré-temporada, um alemão impetuoso surgiu a bordo da Benneton-Ford disposto a desafiar o célebre brasileiro da Williams-Renault: Michael Schumacher. Como todos sabemos, o duelo propagado não aconteceu. Uma breve experiência foi vista em Interlagos há 18 anos, mas Ayrton rodou na Curva da Junção e viu Michael vencer no quintal de casa.
Se Senna ficou pelo caminho, Ukyo não. A rodada do brasileiro ajudou Katayama a pontuar pela primeira vez na carreira. O japonês da Tyrrell, que havia estreado na categoria em 1992 pela Larrousse, se transferiu para o time do velho Ken Tyrrell no ano seguinte. Todavia, nada deu certo para o nipônico. Katayama estava na Fórmula 1 mais pelo dinheiro que carregava do que propriamente pelo talento no cockpit. A falta de habilidade somada a um carro lento tornou o japonês num frequentador assíduo de britas nas pistas mundo afora.
Mas 1994 começou diferente para Katayama. Impulsionada com o motor Yamaha, a Tyrrell alinhou seus dois carros no top 12 do grid: enquanto o japonês figurou na 10ª posição (a melhor posição de largada na carreira até então), o britânico Mark Blundell ficou em 12º.  As perspectivas eram boas, mas a ratificação do potencial da escuderia só se daria durante as 71 voltas da prova de Interlagos.
A largada não foi boa para Ukyo. Cauteloso, perdeu uma posição logo no S do Senna para Rubens Barrichello, da Jordan. Na sequência, ainda seria ultrapassado pelo companheiro do brasileiro, Eddie Irvine. Logo, o japonês percebeu: teria de pensar na prova a longo prazo. A tática deu certo: os adversários, um a um, foram caindo por problemas em seus equipamentos - algo comum num início de temporada.

Primeiro, ficaram pelo caminho Mika Hakkinen, da McLaren, e Heinz-Harald Frentzen, da Sauber. Katayama voltava ao 10º lugar. Distante dos adversários mais próximos, o japonês sabia que algo realmente surreal deveria acontecer para flertar com a zona de pontuação. E a sorte sorriu para Ukyo. Na volta 35, na disputa pela 7ª posição, Irvine abalroou Jos Verstappen, da Benetton, Martin Brundle, da McLaren, e o retardatário Eric Bernard, da Ligier. Foi um acidente pavoroso. Por sorte, ninguém se feriu, mas os quatro abandonaram. O 7º lugar caiu no colo do nipônico.
Faltava pouco para Katayama marcar pontos pela primeira vez. Mas os rivais seguiam distantes. Foi então que a sorte premiou novamente o piloto da Tyrrell. Senna roda e abandona na volta 56. Ukyo estava nos pontos. Mas o melhor estava guardado para as voltas finais: o japonês alcançou Karl Wendlinger, da Sauber. O austríaco se arrastava na pista, e Katayama se aproveitou para tirar-lhe o 5º posto.
Era a glória para o japonês. Pela primeira vez, aos 30 anos, Ukyo marcou pontos. Foi também a melhor posição alcançada na vida do piloto – repetiria o feito no fatídico GP de San Marino de 1994. Katayama correria até 1997, porém sempre sendo tachado de desastre ambulante. Mas isso foi esquecido naquele 27 de março de 1994. Há 18 anos, Ukyo calou o mundo – e não catou grama.


Matéria cedida gentilmente por Douglas Williams proprietário do Contos da F1

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