Christian e o milagre de Kyalami

09/10/2012



4º lugar a bordo de uma Minardi. Um milagre que completa 19 anosKyalami, África do Sul. No dia 14 de março de 1993, começava a temporada que marcava os derradeiros duelos entre Ayrton Senna e Alain Prost. O francês retornava ao cockpit da Williams após um ano sabático e carregava consigo o favoritismo ao título. Na McLaren, o brasileiro se esforçava para tentar impedir o tetracampeonato do rival. Esse era o cenário desenhado, cujo final é conhecido por todos apaixonados. Mas e o resto? A diferença técnica entre Williams, McLaren e Benetton para os demais carros do grid de 1993 era gritante. Ferrari e Ligier vinham um passo atrás dos times liderados respectivamente por Prost, Senna e o então novato Michael Schumacher. Logo, pontuar (à época, figurar entre os seis primeiros) era um feito e tanto. Ainda mais na estreia de um Mundial recheado de expectativas. Christian Fittipaldi iniciava seu segundo ano na Fórmula 1. Assim como em 1992, defenderia a Minardi. Na temporada de estreia, marcou um mísero ponto no Japão. Aliás, foi o único ponto da equipe de Faenza.

Esse era o retrato exato do potencial da escuderia italiana. O time de Giancarlo Minardi lançou o M193 impulsionado com motor Ford com pretensões ao melhor estilo Tiririca (“pior que está, não fica”). E foi dessa forma, apostando no imponderável, que Christian e cia. embarcaram para a África do Sul. No circuito sul-africano, um alento: o brasileiro tirou leite de pedra na classificação de sábado e surgiu na ótima 13ª posição. Pouco? Para Christian foi como uma pole position. A título de comparação, o brasileiro anotou em sua flying lap o tempo de 1m19s285, enquanto seu companheiro de equipe, o italiano Fabrizio Barbazza, fez 1m20s994.  Mais de 1s7 de vantagem, uma imensidão na Fórmula 1. Na prova, Christian tomou um susto logo na largada. Ele se livrou do estreante Michael Andretti, da McLaren, que ficou parado no grid. Depois, desviou de Damon Hill, da Williams, que rodou e saiu da pista. Escapar ileso dos dois incidentes foi fundamental para o destino de Christian em Kyalami. O resto veio por acaso.

A Minardi sobreviveu ao calor, à falta de confiabilidade e à chuva, enquanto os adversários caíam, um a um. Na última volta, Derek Warwick e Gerhard Berger abandonaram, para deleite do brasileiro. Em êxtase, o brasileiro cruzou a linha de chegada logo atrás de Senna – uma volta atrás, é bem verdade – e celebrou o 4° lugar como se fosse um título mundial. Nos boxes da Minardi, uma festa apoteótica. Também pudera: Christian só foi superado por Prost, o vencedor, Senna, o 2º lugar, e Mark Blundell, da Ligier, o 3º. Foi o ponto alto da carreira do brasileiro na Minardi, o melhor resultado dele na Fórmula 1 (igualado em 1994 no GP do Pacífico, em Aida). Um feito. Um milagre. POR ONDE ANDA: Hoje em dia, Christian Fittipaldi, de 41 anos, atua na Fórmula Truck – correu a primeira etapa no Velopark, em março. Entretanto, o piloto ainda não definiu se correrá toda a temporada 2012. Ele substitui Geraldo Piquet, filho de Nelson Piquet, também no Rio, em 1º de abril, na ABF-Mercedes.

 

MELHORES MOMENTOS: Christian Fittipaldi só aparece no fim do vídeo. O GP da África do Sul foi protagonizado por Ayrton Senna, Alain Prost e Michael Schumacher. A disputa entre os três vale a pena ser vista e revista.


Matéria cedida gentilmente por Douglas Williams proprietário do Contos da F1

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