No dia 19 de outubro de 1958, há 54 anos, a Vanwall se sagrou a primeira equipe campeã mundial de Fórmula 1. Isso mesmo, foi naquele ano que começaram as disputas entre construtores, após oito anos do início da categoria. A instauração serviu como uma forma de estímulo às escuderias, que naquela época já gastavam uma fortuna para mandar seus carros para a pista.
Muito em função disso, algumas equipes não participavam de todas as etapas da temporada. Em 1958, por exemplo, 19 times tiveram algum tipo de participação no campeonato, mas apenas seis (Ferrari, Maserati, Cooper, Lotus, BRM e Vanwall) o disputaram para valer.
A questão dos custos veio à tona logo na prova de abertura da temporada: somente três escuderias disputaram o GP da Argentina, que contou com a participação de seis carros da Maserati, três da Ferrari e um da Cooper. Ironicamente, venceu este último, pilotado por Stirling Moss, que correu “emprestado” pela Vanwall. Os ferraristas Luigi Musso e Mike Hawthorn completaram o pódio.
A partir do GP seguinte, o de Mônaco, as seis principais escuderias participaram de todas as provas, exceto Indianápolis. A Cooper voltou a vencer, desta vez com o francês Maurice Trintignant ao volante e a Ferrari novamente ficou com os outros lugares do pódio, com Musso repetindo o segundo lugar e Peter Collins em terceiro.
Na terceira corrida, disputada na Holanda, a sequência da Cooper foi quebrada pelo mesmo Stirling Moss, que lhe dera a vitória na Argentina. O inglês, vice-campeão do ano anterior, despontava rumo ao título de pilotos e a Vanwall começava a desafiar o poderio das escuderias italianas, que tiveram pilotos campeões em seis das oito temporadas anteriores.
Após as 500 milhas de Indianapolis, que não teve a participação dos pilotos e equipes que disputavam a temporada regular, Tony Brooks levou a Vanwall novamente ao topo do pódio na Bélgica, com o companheiro Stuart Lewis-Evans em terceiro.
Nos GP’s da França e da Inglaterra, a Ferrari deu o troco vencendo com Mike Hawthorn e Peter Collins respectivamente. A reação, porém, ficou por aí. Tony Brooks e Stirling Moss alternaram-se no topo do pódio nas quatro provas finais: Brooks venceu na Alemanha e na Itália e Moss em Portugal e no Marrocos, encerrando a temporada em 19 de outubro de 1958.
Com seis vitórias em nove corridas disputadas, a Vanwall surpreendeu a Ferrari e faturou o primeiro mundial de construtores da história da F1. A escuderia italiana por sua vez viu seu piloto Mike Hawthorn, com apenas uma vitória, superar Moss (que venceu quatro provas) por um ponto e ser campeão. Vanwall e Hawthorn, no entanto, teriam pouco tempo para aproveitar suas respectivas glórias.
 
Stirling Moss (esq.), da Vanwall, perdeu título de 1958 para Mike Hawthorn (dir.), da Ferrari
Getty Images
Cometa Verde
Fundada por Tony Vandervell em 1949, a Vanwall entrou na disputa da F1 em 1954. Em meio ao domínio da Ferrari, da Alfa Romeo e da Mercedes, demorou a engrenar, pontuando pela primeira vez somente em 1956 e completando uma corrida apenas no ano seguinte. Por ela passou o lendário Colin Chapman, fundador da Lotus. A trajetória de Chapman foi curiosa: ele era um dos pilotos da escuderia, mas sequer chegou a largar, depois de bater durante um treino no colega de equipe, que na época era Mike Hawthorn.
Chapman passou a se concentrar na função de engenheiro e muito do seu trabalho se refletiu no surpreendente título mundial de construtores da Vanwall em 1958. Porém, a morte do piloto Stuart Lewis-Evans seis dias após um grave acidente no GP do Marrocos abalou profundamente Tony Vandervell, que logo deixou a equipe. Sem sua liderança e seus investimentos, a Vanwall disputou apenas um GP em cada uma das duas temporadas seguintes. Tony Brooks não completou nenhuma delas.
Em 1961, ela já não existia mais como equipe, mas Colin Chapman testou um motor da Vanwall em um dos chassis da Lotus. A experiência não foi levada adiante e pôs um ponto final na breve história da primeira escuderia campeã mundial de Fórmula 1.
Temporada de 1958 foi marcada por mortes
Não foi apenas Stuart Lewis-Evans que perdeu a vida pilotando um carro de Fórmula 1 em 1958. Outros dois pilotos, ambos da Ferrari, morreram naquele ano. Em julho, Luigi Musso capotou na 10ª volta do GP da França e não resistiu aos ferimentos.
Quatro semanas depois, Peter Collins teve seu corpo arremessado contra uma árvore em um acidente no GP da Alemanha e morreu com 26 anos.
Para terminar a temporada trágica, Mike Hawthorn, campeão daquele ano, morreu em um acidente de carro na Inglaterra em janeiro de 1959. O britânico tinha anunciado aposentadoria das pistas depois do título.
 
 
fonte: ig.com.br
 

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