EUA-Oeste/1982: os feitos de Patrese e De Cesaris

10/11/2012


Patrese à frente de Mario Andretti em Long Beach-1982

Riccardo Patrese foi um dos pilotos que mais disputaram corridas na Fórmula 1. De 1993, quando se aposentou, até 2008, ano em que Rubens Barrichello assumiu a liderança do ranking de GPs disputados, o italiano foi referência de persistência e de amor pela velocidade. Porém, há exatos 30 anos, essa paixão pelas pistas foi elevada ao quadrado. Nunca, em seus 256 GPs, Riccardo ultrapassou tantos adversários como no GP dos Estados Unidos-Oeste de 1982.

Por outro lado, um compatriota de Patrese, cuja carreira também foi longeva, mas sem tanto sucesso, largaria na pole position em Long Beach: o célebre Andrea de Cesaris, então na Alfa Romeo. Foi a primeira – e única – pole de De Cesaris na Fórmula 1. O italiano participou de 208 GPs, mas ficou marcado mais pelos acidentes espetaculares e provas irregulares do que por seus resultados.

Patrese estreava na Brabham em 1982. Talento promissor nos tempos de Shadow e Arrows, em meados dos anos 70, o italiano foi contratado para correr ao lado do campeão de 1981, o brasileiro Nelson Piquet. O desafio era enorme, mas a vontade do piloto de Padova era maior ainda. À Piquet, coube o desenvolvimento do motor BMW, o que o afastou da luta pelas vitórias e o impediu de defender o título. Patrese, por sua vez, corria com o velho motor Ford-Cosworth, vencedor no ano anterior.

De Cesaris tinha acabado de deixar a McLaren, time pelo qual fez sua primeira temporada completa na Fórmula 1, em 1981. Na escuderia, ficou conhecido como ‘De Crasheris’ – ele destruiu 22 chassis naquele ano. Demitido por Ron Dennis, o italiano retornou em 1982 ao time onde estreou na categoria, em 1980: a Alfa Romeo. Na África do Sul, o romano largou em 16º; no Brasil, em 10º. Em ambas abandonou.

Momento histórico: De Cesaris sai na pole na Fórmula 1. Há 30 anos...
Momento histórico: De Cesaris sai na pole na Fórmula 1. Há 30 anos...

Mas Long Beach reservou uma surpresa para Andrea. Seu Alfa Romeo se adaptou perfeitamente às ruas californianas, assegurando uma improvável pole-position, à frente de Niki Lauda (McLaren), Alain Prost e René Arnoux (Renault), Didier Pironi e Gilles Villeneuve (Ferrari). Em compensação, Riccardo teve um treino medíocre: o italiano alinhou seu Brabham na pífia 18ª posição. Diferentemente de De Cesaris, a prova parecia complicada para ele, que não vinha bem no time capitaneado por Bernie Ecclestone – não pontuou em Kyalami (largou em 4º) e em Jacarepaguá (ficou em nono no grid).

Na largada, Andrea manteve a ponta. Riccardo largou bem e passou a ser aproximar dos 10 primeiros. Na volta 5, um incidente tirou o companheiro de De Cesaris na Alfa Romeo, o também italiano Bruno Giacomelli, e Arnoux da prova. Prost quebraria na volta 10, deixando caminho livre para Lauda, segundo colocado, pressionar Andrea. Na volta 15, o austríaco da McLaren se aproveitou do vacilo – e do noviciado – do italiano da Alfa com um retardatário para assumir a liderança.

A perda da ponta desestabilizou o irregular De Cesaris. Na volta 33, o italiano escapou da pista e foi obrigado a deixar o GP. A prova caía no colo de Lauda. Atrás dele, Keke Rosberg (Williams) e Villeneuve disputavam o segundo lugar. O finlandês superou o canadense e ficou com o posto. Na ânsia de dar o troco, Gilles escorregou e perdeu contato com Keke, ficando na alça de mira de… Patrese! O piloto da Brabham fez uma prova de recuperação incrível. Com arrojo e contando com o abandono dos rivais, Riccardo passou a pressionar Villeneuve pelo lugar no pódio, mas não obteve êxito.

Contudo, Gilles foi desclassificado por conta de irregularidades na asa traseira de seu Ferrari, elevando Patrese ao terceiro lugar, atrás apenas de Lauda (que conquistou sua primeira vitória na McLaren) e Rosberg. Foi o primeiro pódio de Riccardo na Brabham – e a maior prova de recuperação da vida do italiano na Fórmula 1: ele subiu 15 posições na corrida de Long Beach.


Matéria cedida gentilmente por Douglas Williams proprietário do Contos da F1

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