Imola-1985: Boutsen e um empurrão para o pódio

10/02/2013

Thierry Boutsen empurrou seu Arrows para o pódio: 3º virou 2º após a bandeirada
Thierry Boutsen empurrou seu Arrows para o pódio: 3º lugar virou 2º após a bandeirada

A Fórmula 1 vivia em 1985 um de seus períodos mais potentes. Explica-se: era o auge dos motores turbo na categoria máxima do automobilismo. Os carros no grid geravam aproximadamente 1.000 cavalos de potência (1.000 hp). Em suma, os propulsores eram verdadeiros canhões. Por outro lado, quanto mais potência, maior o consumo de combustível. Sobretudo em pistas como Imola, caracterizada como de alta velocidade. Essa seria a tônica do GP de San Marino, disputado em 5 de maio daquele ano: saber dosar o consumo em um circuito que exige os motores em altíssima rotação.

Thierry Boutsen era impulsionado por um potentíssimo motor BMW. Todavia, o veloz belga carregava nas costas o chassis da Arrows. Tanto que a escuderia desembarcou em Imola sem um ponto sequer no Mundial. Tanto Boutsen quanto seu companheiro, o austríaco Gerhard Berger, sofreram em Jacarepaguá e em Estoril com a falta de confiabilidade no equipamento. Diante da exigente pista de San Marino, as perspectivas não eram positivas. Porém, os treinos oficiais trouxeram um alento à dupla: o belga obteve um incrível 5º lugar, à frente de Alain Prost (McLaren), Nigel Mansell (Williams) e Niki Lauda (McLaren), enquanto o austríaco alinhou na 10ª posição.

A bordo de um Arrows-BMW, Thierry conquistou o pódio graças à pane seca dos rivais
A bordo de um Arrows-BMW, Thierry conquistou o pódio graças à pane seca dos rivais

Com dois carros entre os 10 primeiros, a ambição da Arrows passou a ser de pontuar na corrida. Contudo, a largada foi cruel para seus pilotos. Boutsen despencou para a 9ª posição na volta 1. Já Berger, depois de cair para a 12ª posição, se viu com problemas elétricos e foi obrigado a abandonar a prova. Seria uma corrida daquelas, imaginou a cúpula da Arrows. Não foi o que se viu. Boutsen se mostrou regular e consistente durante o GP de San Marino. Num ritmo constante, o belga se viu às voltas da zona de pontos. Porém, a disputa pelos pontos era ingrata: os adversários eram da estirpe de Niki Lauda (McLaren), Nelson Piquet (Brabham) e Mansell.

Mesmo diante do desafio, Boutsen não se entregou. Além disso, apostou no que tinha de melhor em seu Arrows: o econômico motor BMW. Os rivais caíram um a um – culpa da pane seca. Na volta 56, a quatro voltas da bandeira quadriculada, Ayrton Senna (Lotus), Stefan Johansson (Ferrari) e Piquet abandonaram sem combustível; já Mansell e Lauda deixaram de acelerar para não ficar a pé. O drama só aumentou. De 7º lugar na volta 52, Boutsen era o 3º na volta 57. Mas ainda faltavam duas voltas para o belga. Ele economizou o quanto pôde, mas as últimas gotas de combustível ficaram na reta dos boxes, a alguns metros da linha de chegada. Thierry empurrou seu Arrows até o fim. Até o pódio, o primeiro de sua carreira e o primeiro da escuderia desde o GP de San Marino de 1981 (com Riccardo Patrese).

Boutsen no pódio com De Angelis e Prost: o francês foi desclassificado
Boutsen no pódio com De Angelis e Prost: o francês foi desclassificado

Prost venceu, seguido por Elio de Angelis (Lotus). Os três celebraram a conquista juntos. Porém, horas depois, o francês seria desclassificado por seu McLaren estar abaixo do mínimo de peso permitido pelo regulamento. De Angelis ficou com o triunfo, e Patrick Tambay (Renault) foi alçado ao terceiro posto. Já Boutsen pôde celebrar, enfim, o segundo lugar, seu melhor resultado da vida até então e um dos pontos altos da vida da Arrows. Tudo fruto de um providencial empurrãozinho…






Matéria cedida gentilmente por Douglas Williams proprietário do Contos da F1

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