As grandes gerações

06/03/2013

Não existem dúvidas de que estamos vendo uma grande história sendo escrita. A rivalidade Vettel e Alonso está ficando cada vez mais legal. Já são 2 decisões de campeonato, contando o atual, e eternas discussões entre fãs de um e fãs do outro.

Mas o que é uma grande geração? Admito que não gosto dessa expressão, ela meio que desmerece as outras gerações e, automaticamente, os campeões que venceram nessas épocas. Digamos então que “grande geração” é usada, aqui, como uma geração em que temos vários pilotos acima da média e em que existe um certo equilíbrio entre eles, ou seja, ninguém tem um carro que passeia em cima dos outros.

As chamadas grandes gerações foram muitas, não me deterei muito nelas. Por que as pessoas lembram, quase sempre, das mesmas. Anos 60. Anos 80. Anos 10. E mais raramente o inicio dos anos 50 e 70. Uma coisa é comum, sempre que um piloto dominando de maneira desigual por mais de um ano normalmente não se vê aquela como uma grande geração. A época de Fangio, por exemplo, raramente é lembrada, por causa do Fangio. Ele dominou de tal maneira a época que eclipsou os outros pilotos. Nos lembramos de pilotos pontuais como Moss, Ascari, Hawthorn, Gonzalez. Mas raramente vemos a época como vemos o final do anos 60 por exemplo. Outro exemplo desse tipo, a época em que Schumacher dominou a F1, embora nesse caso o número de bons pilotos também não fosse lá essas coisas(Me desculpem fãs do Montoya).

A época dos anos 70 também é curiosamente esquecida. Sobretudo o período pós aposentadoria de Stewart. Não tivemos o domínio de um único piloto, mas o único ano em que ocorreram disputa acirrada pelo título foi em 76, e em parte por causa do acidente do Lauda. Todos os outros alguma equipe dominou. E de novo, nos lembramos de grandes pilotos, Lauda, Hunt, Andretti, Peterson e Villeneuve. Mas curiosamente não vemos aquela como uma grande geração. Outro fator que talvez atrapalhe: Ela veio após uma gigante entre as gerações da F1: Os anos 60. Talvez a época com mais pilotos de qualidade que já pos os pés na terra, embora seja errado julgar qualidade de pilotos.

Os anos 90 padecem do mesmo mal. lembram dela? Villeneuve, Hill, Schumacher, Hakkinnen e outros “menores”. Analisando friamente nem era tão ruim assim, mas os dois primeiros aí em cima são 2 dos pilotos mais subestimados da história do esporte a motor, sobretudo da comparação com seus respectivos pais. Dos 2 últimos são sempre lembrados entre os maiores da história. Embora tenham havido campeonatos disputados(94, 97, 99…) essa geração teve o problema de vir depois da morte do Senna e da aposentadoria do Prost. Os dois maestros da geração anos 80. Lembrada e celebrada, sobretudo por nós brasileiros. Deixando o nacionalismo de lado, foi uma bela época. Lauda( de novo!?), Piquet, Mansell, Prost  e Senna como os principais. Essas duas últimas duplas tiveram disputas dentro de equipe que animaram as corridas e os campeonatos.

E assim como os anos 70 sofreram por serem comparados aos anos 60, igualmente os anos 90 sofrem por serem comparados aos anos 80. os pilotos do fim dos anos 90 eram bons, mas convenhamos que comparados aos que pilotaram entre 85-93 eles estavam um degrau a baixo. E essa comparação muitas vezes inconsciente que quem assistia os gps da época fazia, depois de ficar dez anos vendo Prost e companhia acelerando acaba tirando um pouco o mérito da geração da virada do milênio.

Falemos agora daquelas consideradas as grandes gerações em si. Quais lhe vem a mente? responda nos comentários se possível, quero saber o que vocês acham. Na minha vem 3. Inicio dos anos 50(50-51). Os anos 60/70(64-73) e os anos 80(84-93). Não coloco a atual ainda, depois digo por quê.


Aqueles 2 anos no começo dos anos 50 são uma espécie de transição entre o passado e o futuro. Viamos pilotos do pré-guerra disputando posições com novos nomes do automobilismo. Nessa espécie de transição entre o que foi e o que seria. O 1° ano ficou nas mãos do veterano “Nino Farina”, que fez carreira antes da 2° guerra mundial. O 2° foi quem dominaria o resto da década. Quem mais tinha nessa bagaça? Faglioli, Ascari, Rosier, Chiron, Gonzalez, Villoresi dentre outros. Nessa época tivemos 7 vencedores diferentes em 15 corridas, um número bem razoável.

Anos 60. Nem preciso dizer por quê preciso? Surtess, Clark, Brabham, Hulme, Hill, Bandini, Gurney,McLaren começaram com isso no meio da década, e mais,  houve 2 campeonatos que foram bastante disputados(64 e 67), normalmente definidos apenas na última corrida, embora isso todos esses pilotos tinham plenas chances de ganhar provas  ou conseguir bons resultados e o acaso sempre dava um quê a mais para as corridas. O declínio desse geração coincidiu com a subida de outra: Rindt, Stewart, Ickx que já guiavam na época desse pessoal ai em cima, mas ficavem em 2° plano. Junto com novos pilotos: Fittipaldi, Peterson entre outros. Mas essa geração já estava um pouco abaixo da anterior.

Anos 80. Prost, Lauda, Piquet, Senna, Mansell. Correndo por fora Rosberg, Alboreto, De Angelis e mais alguns. Houve domínios de equipe, McLaren em 84-85, 88-89. Williams 86-87, 92-93. Apesar disso a disputa interna entre os pilotos dessas equipes davam um animo especial à disputa, o que fez dessa época uma das mais lembradas atualmente.

Já que falamos delas, por que eu não pus a atual? A geração atual é sensacional, mas ainda está correndo, ainda estão escrevendo a história e qualquer coisa que eu falar agora vai ser incompleta. Temos 3 grandes pilotos: Alonso, Vettel e Hamilton. E em 2° plano: Raikkonen e Button, que quando estão em grande fase atrapalham horrores os 3 ai em cima. Em questão de talento essa é uma geração bem servida, mas prefiro não fazer comparações com antigas, já disse que acho isso sem sentido. Esperemos para ver que marca essa geração vai deixar, será ela daqui a 20 ou 30 anos tão lembrada quanto nós lembramos dos anos 80? É possível, mas não é certeza. Talvez nos próximos anos o campeonato perca a graça e vire só mais uma geração talentosa.


Por isso não gosto de falar em “grandes gerações” prefiro, talvez, grandes épocas ou qualquer coisa do tipo. Toda época têm a sua grande geração, a questão é que por alguma razão algumas não são tão lembradas quanto outras. Talvez por que haja só um piloto que é campeão. Ninguém gosta de um campeonato onde sempre vence o mesmo time, o mesmo piloto, a mesma equipe( a não ser quem torce para ele). As pessoas assistem esportes em busca de competição. De ver pessoas atrás de limites para superarem outras e conseguirem as vitórias. É essa a razão para os esportes existirem, propiciar uma bela disputa. Mesmo quem é torcedor do time campeão depois de um tempo desgosta da situação. Ganhar sempre? Vai dizer que não é melhor ser campeão no último jogo, na última corrida, no último segundo, dando o melhor de si contra um adversário à altura? Os próprios atletas tem mais orgulho de um título ganho dessa maneira. Quem ganha nessas situações adora. Pode bater no peito e falar de um campeonato ganho de virada aos 47 do segundo tempo. Quem perde detesta, mas sempre existe um certo orgulho de ver seu time(ou atleta) brigar de igual para igual até o último momento. O velho “perder com honra”. Ou só eu me orgulho do vice do Massa em 2008?

Aí vem outro problema gerações marginalizadas: Normalmente elas vem depois de uma época genial. E por mais disputa que tenha elas sempre pareceram piores. Isso é característica do ser humano, depois de assistir disputas em alto nível por muito tempo você espere que elas continuem por mais tempo, quando isso não acontece ocorre uma decepção, mesmo sem você perceber. Inconscientemente você acaba comparando elas, é inevitável. E por isso acaba desmerecendo mesmo que seja sem querer a geração com menos pilotos excepcionais. Isso vai além disso. Os brasileiros por 20 anos viram os pilotos vencerem na F1. Quando a geração subsequente, mesmo dotada de bons pilotos, não conseguiu o mesmo resultado todos ficaram decepcionados e aos poucos passaram a desprezar a geração. O problema não é que a geração dos últimos 15 anos seja ruim. O problema é que os que vieram antes deles foram excepcionais.

A atual geração da F1 vem sendo espetacular, desde 2007 tivemos 3 títulos (em 5) que foram definidos na última corrida. Em 2008 na última volta. Em 2010 o Alonso podia ter passado o Petrov em qualquer momento e mudado a história do campeonato. Em 2007 Raikkonen virou de maneira sensacional. A grande maioria, provavelmente todos, os fãs de automobilismo estão gostando disso. Depois do marasmo da época Schumacher ver tantos pilotos diferentes brigando por títulos é espetacular. E isso obriga todos os pilotos a darem o melhor de si, assim como nos anos 60 ou 80. Eles sabem que podem ganhar. Não existe ninguém montado num carro de outro planeta por mais de 1 ano seguido. E com todos dando o melhor fica muito legal de se assistir.

Por isso essa geração provavelmente já está na história, mesmo que muitos ainda não tenham reparado isso. Daqui a alguns anos, quando alguém estiver dominando uma época, eles se lembraram com saudades da disputa de Vettel e Alonso em 2012. Ou da virada do Vettel rumo ao titulo ou da capacidade do Alonso de conseguir ser campeão mesmo com a superioridade da RBR no final. Então, terminando, embora a geração atual não possa dizer-se melhor que nenhuma outra, a época e as disputas fazem dessa uma bela época para assistir Formula 1. Esperem que as últimas corridas prometem. E sem me arriscar em previsões.

fonte: http://conversadef1.wordpress.com

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