Grande Prêmio dos Estados Unidos-Oeste de 1983

27/03/2013



Após a corrida disputada em Jacarepaguá quinze dias antes, a F1 partiria para uma pista totalmente diferente. Se no hoje finado autódromo brasileiro havia grandes retas para os motores turbo engolirem a pista com toda sua potência, no circuito urbano e extremamente travado de Long Beach os carros com motores aspirados tinham alguma chance. Essa era a oportunidade que o então campeão Keke Rosberg com seu Williams-Cosworth queria, sem contar a McLaren dos experientes Niki Lauda e John Watson. E falando em experiência, o Campeão Mundial de 1980 Alan Jones voltava à F1 após mais de um ano fora das pistas e substituiria o brasileiro Chico Serra na Arrows.

Além da diferença dos motores, outro fator em Long Beach seria os pneus e a guerra tríplice entre Goodyear, Michelin e Pirelli. Mesmo contando com os potentes motores turbo, a Ferrari se aproveitou da boa fase dos pneus Goodyear de classificação e tomou a primeira fila de assalto, dando a primeira pole da carreira de Patrick Tambay na F1. Corroborando com a boa fase dos pneus americanos, a Williams ficou com toda a segunda fila, liderada por Keke Rosberg. A Pirelli dominou a terceira fila com De Angelis e Warwick e o piloto mais rápido calçado de Michelin era o oitavo colocado Alain Prost, que estreava o novo Renault RE40. O vencedor do Grande Prêmio do Brasil Nelson Piquet teve problemas na classificação e foi apenas vigésimo, enquanto as McLarens amargaram a vigésima segunda e vigésima terceira posição com John Watson e Niki Lauda, respectivamente.

Grid:
1) Tambay(Ferrari) - 1:26.117
2) Arnoux(Ferrari) - 1:26.935
3) Rosberg(Williams) - 1:27.145
4) Laffite(Williams) - 1:27.818
5) De Angelis(Lotus) - 1:27.982
6) Warwick(Toleman) - 1:28.130
7) Alboreto(Tyrrell) - 1:28.425
8) Prost(Renault) - 1:28.558
9) Sullivan(Tyrrell) - 1:28.833
10) Jarier(Ligier) - 1:28.913

O dia 27 de março de 1983 amanheceu com muito sol na Califórnia e o dia estava perfeito para a corrida. O clima também influenciaria os pneus, pois alguns pilotos iriam largar com pneus duros, inclusive o duo da McLaren. Mas no início ninguém estava prestando muita atenção no que acontecia no pelotão de trás, pois lá na frente as coisas estavam bem animadas. Rosberg sabia que Long Beach seria uma das poucas oportunidades que teria para enfrentar os carros turbo e logo na largada parte para cima das Ferraris, dando um pequeno toque no pneu traseiro de René Arnoux, atrasando um pouco a partida do francês. Tambay larga tranqüilo e faz a primeira curva sem muitos problemas na liderança, mas logo Rosberg partiria para cima do francês. Na reta oposta, Rosberg tenta colocar por dentro de Tambay, mas bate com força numa ondulação e dá uma espetacular rodada de 360 graus no próprio eixo.

O mais espantoso da rodada de Rosberg foi que o piloto da Williams não atingiu nada ou ninguém e só perdeu uma posição para o seu companheiro de equipe Jacques Laffite. Com o atraso de Arnoux na largada, Michele Alboreto faz uma ótima largada e sobiu para quarto, enquanto o piloto da Ferrari já era pressionado pela Brabham de Riccardo Patrese, que acabara de ultrapassar a Tyrrell do anfitrião Danny Sullivan ainda na segunda volta. Keke parecia possuído naquele dia quente de março e logo na segunda volta, na reta dos boxes, ele deixou para trás Laffite e partiu novamente para o ataque em cima de Tambay. O carro da Ferrari parecia um pouco desajeitado nas estreitas curvas de Long Beach, enquanto os ágeis carros da Williams encostam em Tambay. Logo, uma fila de carros começou a ser amontoar atrás do francês da Ferrari e os problemas começaram a acontecer.

No final da reta dos boxes Patrese tenta uma ultrapassagem em cima de Arnoux, que vinha tendo problemas de equilíbrio em sua Ferrari ainda pelo toque recebido por Rosberg na largada, mas o piloto da Ferrari resiste algumas curvas, com o Brabham e a Ferrari andando lado a lado aonde não havia espaço, até Arnoux errar uma marcha e perder várias posições. O piloto da Ferrari iria aos boxes trocar seus pneus algumas voltas depois. Enquanto isso lá na frente, Tambay fazia das tripas ao coração para manter Rosberg atrás de si, enquanto deixava sua Ferrari de lado nas curvas mais lentas, particularmente no grampo. Um pouco mais atrás, Jean Pierre Jarier revivia seus bons tempos e ultrapassa Patrese na volta 19, se aproximando do grupo principal.

Jarier nunca tinha sido um piloto dos mais pacientes e na volta 22 tentou uma ultrapassagem totalmente atrapalhada em cima de Alboreto e o italiano acabou abandonando nas voltas seguintes. Patrese ultrapassa Jarier, mas duas voltas mais tarde o piloto da Ligier ultrapassa o italiano. Após várias tentativas frustradas de ultrapassagem, estava na cara que Rosberg estava muito impaciente e um acidente era bastante provável. E ele veio na volta 25. Na pequena reta antes do grampo, Rosberg vem mais forte por fora, para ter a preferência na curva de 180 graus à direita. Tambay não deixa barato e freia no limite. O toque foi inevitável e a Ferrari de Tambay chegou a alçar vôo. Rosberg consegue evitar o pior, mas quem se aproveita é Laffite, que fica ao lado de Rosberg e quando ambos chegaram na variante antes da reta dos boxes, Jarier cometeu mais uma das suas e acabou tocando em Rosberg, acabando com a corrida do finlandês naquele momento. Após dois pequenos incidentes em poucas voltas, a Ligier de Jarier se entregou na volta seguinte, ainda dando tempo de cruzar a volta 26 em segundo. Patrick Tambay saiu do seu carro uma arara, revoltado com a manobra de Rosberg.

Com tantos acidentes em pouquíssimas voltas no pelotão da frente, muitos pilotos que largaram lá atrás começaram a ganhar posições rapidamente. Com Laffite e Patrese muito na frente, quem se destacava eram as McLarens de Lauda e Watson, que vinham trabalhando muito bem com os pneus duros da Michelin e estavam juntos, trabalhando em equipe, ganhando posições, com o austríaco sempre à frente e a dupla já aparecia em terceiro e quarto lugares. Para melhorar a vida dos pilotos da McLaren, Laffite e Patrese começaram a ter problemas de pneus e não demorou para Watson, já à frente de Lauda, encostar na Brabham de Patrese. O que prometia ser uma briga renhida acabou mais cedo quando Patrese passou reto numa freada na volta 43 e o irlandês já via Laffite um pouco à frente. Na volta 45 Watson se aproximou do veterano francês e com muita tenacidade, conseguiu a ultrapassagem após travar suas rodas e algumas curvas depois, Lauda conseguiu a manobra em cima da Williams.

Após assumir a ponta como tinha feito várias vezes em 1982, Watson começou a se distanciar do seu companheiro de equipe, enquanto Laffite ia perdendo rendimento e foi alcançado por Patrese na volta 51, com o italiano se instalando numa tranquila terceira posição. Mais atrás, René Arnoux fazia uma grande corrida de recuperação e se aproximava de Eddie Cheever. E o americano se aproximava de Laffite. Na volta 66, Arnoux deu o bote em cima de Cheever no final da reta dos boxes e de lambuja tomou a quarta posição de Laffite, já sem pneus. Cheever não se rende e começa uma briga sensacional com Arnoux, com os dois andando lado a lado por várias curvas, até o americano abandonar. Nas últimas voltas, Patrese tem problemas de turbo e Arnoux assume a terceira posição, coroando um belo retorno do francês. Foi uma péssima corrida para a Brabham, pois Nelson Piquet nunca andou no pelotão da frente e abandonou anonimamente. Mais atrás, Johnny Cecotto surpreende ao conseguir um ponto com um Theodore.

Após a Classificação no sábado, se alguém falasse para Ron Dennis que sua equipe iria fazer uma dobradinha em Long Beach, após ver seus dois pilotos largarem em vigésimo segundo e vigésimo terceiro, o então jovem chefe de equipe acharia loucura, mas não para John Watson, que utilizou sua experiência para conseguir uma das vitórias mais improváveis da história da F1.

Chegada:
1) Watson
2) Lauda
3) Arnoux
4) Laffite
5) Surer
6) Cecotto

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