Veja os pódios constrangedores da F1

26/03/2013

Mark Webber Sebastian Vettel RBR pódio GP Malásia Fórmula 1 2013 (Foto: Agência EFE)Risada eufórica, choro de alegria, mordidas nas medalhas, champanhe por toda parte. Seja onde for, pódio é lugar de celebração. No último domingo, na Malásia, a Fórmula 1 mostrou que a alegria da vitória pode dar lugar ao sorriso amarelo. E a crise entre Sebastian Vettel e Mark Webber, após o descumprimento de ordens da RBR, não foi o primeiro exemplo de climão na hora da entrega dos troféus. Conheça a seguir os cinco pódios mais constrangedores da história da categoria – as razões são as mais variadas, mas a tensão é sempre a mesma

1. GP da Áustria, 2002 – “Hoje não, hoje não, hoje sim” 

 Michael Schumacher Rubens Barrichello pódio GP Áustria Fórmula 1 2002 (Foto: Agência Getty)

Aquele domingo de maio na pacata Spielberg é um daqueles dias dos quais a Fórmula 1 jamais se esquecerá. Era apenas a sexta etapa de uma temporada de extrema supremacia da Ferrari, que terminaria o ano marcando exatamente o dobro de pontos de todas as outras equipes somadas. Após alguns azares e quebras, Rubens Barrichello parecia enfim rumar para sua primeira vitória no ano, em um fim de semana que o brasileiro dominou completamente, desde os primeiros treinos. Um desempenho insuficiente, porém, para sensibilizar a escuderia, que nas voltas finais ordenou uma troca de posições com o alemão Michael Schumacher, que já havia vencido quatro vezes até então. Contrariado, Rubinho deixou o companheiro ultrapassá-lo praticamente na linha de chegada, evidenciando a imposição à qual fora submetido. O constrangimento começou ainda nos metros seguintes à bandeirada, quando Schumacher comemorou o primeiro lugar, até ser avisado pelo rádio sobre as vaias do público. Percebendo que havia feito uma grande besteira ao concordar com a manobra, o alemão subiu ao pódio completamente sem jeito. Diante das vaias que persistiam, colocou Barrichello no degrau mais alto e ficou no lugar do segundo, enquanto era executado o hino germânico, e entregou também seu troféu ao brasileiro. Mas sua tentativa de manter o semblante de uma criança que acabou de chutar sua bola de futebol na vidraça do vizinho não convenceu ninguém. Sem regras que punissem o jogo de equipe, a FIA multou o time em US$ 1 milhão pela bagunça no pódio, mas a maior pena foi moral: daquele dia em diante, a Ferrari – que sempre se sustentou na imagem mítica criada em décadas de uma vitoriosa história – passou a ser odiada por grande parte dos fãs da Fórmula 1.

2. GP de San Marino, 1982 – Traição e mágoa 

 Pódio GP San Marino Fórmula 1 1982 Gilles Villeneuve Didier Pironi (Foto: Reprodução)

Vivendo uma crise política que dividiu o grid, a Fórmula 1 teve apenas 14 carros na pista de Imola em 1982. Para os torcedores da Ferrari, isso pouco importava. A corrida em solo italiano era uma chance e tanto para admirar o arrojo dos pilotos dos carros vermelhos, que não haviam brilhado nas três primeiras provas da temporada. Mas a força do público pareceu inspirar Gilles Villeneuve e Didier Pironi, que rumavam para uma fantástica dobradinha após diversas trocas de posição, numa briga direta pela vitória. Líder na volta final e entendendo uma orientação da equipe para diminuir o ritmo, o canadense não percebeu a sorrateira aproximação do francês e acabou ultrapassado por fora a poucas curvas da bandeirada.

No pódio, Pironi deu de ombros e fez questão de estourar a champanhe, enquanto Villeneuve se encontrava visivelmente magoado com aquilo que ele considerou uma traição. Declarando “uma guerra” com o companheiro a partir daquele momento, Gilles não teve tempo de uma revanche: após uma capotagem, morreu no treino classificatório do GP seguinte, na Bélgica. Ponteando o campeonato com folga, Pironi também foi vítima de um acidente sete corridas depois, na Alemanha, que destruiu suas pernas. O francês nunca mais voltou às pistas e, sem participar das quatro provas finais, perdeu o título para a Williams de Keke Rosberg.

3. GP de San Marino, 1994 – Sorrisos inconvenientes 

 Michael Schumacher Benetton GP San Marino Fórmula 1 1994 (Foto: Agência Getty)

Clima para festa era a última coisa que poderia se cogitar no encerramento de um fim de semana trágico como o vivido pela Fórmula 1 na terceira etapa de 1994. Nos treinos de sexta-feira, Rubens Barrichello sobreviveu por milagre a uma batida fortíssima; no sábado, a morte do austríaco Roland Ratzenberger em um acidente assustou a todos; por fim, todo o procedimento de resgate na tentativa de salvar a vida de Ayrton Senna após o choque com a curva Tamburello, no início da prova, deixava claro que se tratava de algo muito grave. Até que o brasileiro fosse transferido de helicóptero para um hospital próximo, a corrida sofreu uma longa e angustiante paralisação, pontuada pelas imagens impressionantes do local do acidente.

Quando o GP foi reiniciado, Michael Schumacher não encontrou dificuldades para vencer com sua Benetton. Ao receber a bandeirada, ergueu o braço e comemorou normalmente. No pódio, mesmo diante das reações contidas de Nicola Larini e Mika Hakkinen, o alemão não conteve os sorrisos, acenou bastante para o público e vibrou ao levantar o troféu. Mesmo que não soubesse do real estado de Senna, o comportamento do então jovem piloto não foi condizente com o tom de consternação que tomou conta do autódromo naquele doloroso domingo de maio.

4. GP da Alemanha, 2010 – “Fernando is faster than You” 

 Felipe Massa Fernando Alonso pódio GP Alemanha Fórmula 1 2010 (Foto: Agência Getty)

Naquele domingo de julho, Felipe Massa completava um ano de seu terrível acidente nos treinos classificatórios para o GP da Hungria, quando uma mola que se soltou do carro de Rubens Barrichello acabou atingindo em cheio o seu capacete. Recuperado e autoconfiante, o brasileiro saltou do terceiro lugar no grid do GP da Alemanha para a liderança logo na primeira curva. E parecia rumar para uma vitória consagradora após o drama vivido nas semanas seguintes ao trauma na cabeça. Até que recebeu uma ordem pelo rádio: “Fernando está mais rápido que você. Pode confirmar que entendeu esta mensagem?”

Era a senha para que Felipe deixasse seu companheiro ultrapassá-lo, dando ao espanhol o direito de vencer. Mas, àquela altura, um detalhe ainda não tinha ido a público: para favorecer a aproximação de Alonso, a Ferrari mentiu para Massa, convencendo o brasileiro de que ambos poupariam seus motores até a bandeirada. Desolado no pódio, Felipe era o retrato de alguém que acabava de ser traído. Inicialmente constrangido, o bicampeão mundial logo desfez a cara amarrada e celebrou o primeiro lugar sem parcimônia. Além do mal estar entre os pilotos, a manobra também custaria US$ 100 mil aos cofres da equipe por infringir a proibição ao jogo de equipe na F-1.

5. GP dos Estados Unidos, 2005 – A corrida de seis carros 

 Ross Brawn Rubens Barrichello Michael Schumacher Tiago Monteiro pódio GP Estados Unidos Fórmula 1 2005 (Foto: Agência Getty)

Uma sequência de acidentes nos treinos livres na pista de Indianápolis por falhas nos pneus fez a empresa que fornecia para sete das dez equipes da Fórmula 1 na temporada de 2005 pedir que a FIA modificasse um trecho da pista para a corrida em nome da segurança. Dependendo da concordância de todos os times, o pedido foi negado justamente com o voto contrário da Ferrari – que tinha outro fornecedor e vivia um ano difícil. Por orientação da fabricante, que sem a alteração no traçado não podia garantir a integridade dos pilotos que usavam seus compostos, aquele GP dos EUA acabou ainda na volta de apresentação para 14 dos 20 carros, que foram conduzidos aos boxes antes da largada.

Desta forma, a Ferrari correu na companhia das nanicas Jordan e Minardi, protagonizando um deprimente GP com apenas seis carros. Como se não bastasse a situação que surpreendeu negativamente os fãs norte-americanos, a equipe italiana ainda usou a telemetria para diminuir, via box, os giros do motor de Rubens Barrichello, que na pista era mais rápido que o companheiro Michael Schumacher. O alemão ainda deu um “chega pra lá” no brasileiro ao retornar de um pit stop, jogando a outra Ferrari na área de escape. Apesar da dobradinha, os dois mal se olharam no pódio, também envergonhados por terem triunfado devido à ausência dos rivais. O contraste com o clima pesado dos ferraristas vinha do português Tiago Monteiro, da Jordan, que não tinha nada a ver com a história e acabou conquistando seu único pódio na Fórmula 1.

fonte: globo.com

Posts Relacionados

0 comentários :