Wilson Fittipaldi, O Barão

12/03/2013


Filho de imigrantes italianos, Wilson desde cedo interessou-se por carros e motos e no final da década de 1930, já era locutor. Em 1943 casou-se com Juzy Vojciechoski e no dia de natal deste mesmo ano, nasceu seu primeiro filho, Wilson Fittipaldi Júnior.

 Conhecido como Barão, Wilson Fittipaldi trabalhou durante décadas nas transmissões da rádio paulista Panamericana (depois conhecida como Jovem Pan) e também foi comentarista do telejornal Record em Notícias (1973-1996) da TV Record, na década de 80. Além da locução, ele também foi organizador de provas automobilísticas e de motos, acompanhando de perto o nascimento do autódromo de Interlagos. Como piloto, participou de várias provas, sendo, em algumas, piloto e repórter ao mesmo tempo.

Emerson Fittipaldi é um pioneiro. Ninguém questiona. Foi o primeiro piloto brasileiro a vencer uma etapa do Campeonato de Fórmula 1, em 1970, e a conquistar o Mundial, em 1972. Mais: o primeiro a ser campeão na Fórmula Indy, em 1989, e a celebrar duas vitórias na corrida mais famosa do mundo, as 500 Milhas de Indianápolis, em 1989 e 1993. O que pouca gente sabe, no entanto, é que esse caráter de pionerismo faz parte de uma tradição familiar. E nesse sentido, nenhuma obra teve a importância para o automobilismo da deixada por seu pai, o radialista, promotor e empresário Wilson Fittipaldi, carinhosamente conhecido com o Barão, falecido nesta segunda, no Rio de Janeiro, aos 92 anos de idade.


"Posso ter passado o amor pelo velocidade aos meus filhos, mas não o talento", disse o Barão em entrevista ao Estado em 2005.

Em 1940, a construtora Auto Estrada S/A construiu o autódromo de Interlagos. Na realidade, mal asfaltou um circuito brilhantemente concebido pelo engenheiro britânico Louis Romero Sanson, numa remota área de sua propriedade, distante do núcleo urbano de São Paulo. "Eu ia lá narrar as corridas para a rádio Excelsior, onde trabalhava." O então proprietário da Rádio Panamerica, Paulo Machado de Carvalho, no fim de 1946, foi pessoalmente à concorrente Rádio Excelsior agradecer aquele jovem de 26 anos, radialista apaixonado por automobilismo.

"Eu conhecia o dono de um restaurante próximo que me emprestou a linha telefônica para transmitir a corrida. Os outros não conheciam direito as dificuldades de Interlagos", falava o Barão, já naquela época bastante ativo na busca de patrocinadores para viabilizar seu trabalho. Por sua iniciativa, as rádios Panamericana e Record transmitiram em rede. Mas Paulo Machado Carvalho tinha mais a dizer ao Barão: convidou-o para se transferir para a Rádio Panamericana. Não é tudo, teria um programa de automobilismo, diário, Esportes e Motor, para começar das 20h30 às 20h45. A relação entre o Barão e a Rádio Panamericana deu tão certo que ele a deixou apenas em 1980.



Eu tenho uma imaginação que viaja bem longe. Para mim, em outra dimensão, existem corridas de carros e elas sãodisputadas pelos grandes pilotos que passaram neste mundo. De Jules Goux, Felice Nazzaro, Antonio Ascari e Pietro Bordino, passando por ases como Tazio Nuvolari, Achille Varzi, Bernd Rosemeyer e Rudolf Caracciola e seguindo em frente com outros mestres do naipe de Juan Manuel Fangio, Alberto Ascari, Giuseppe Farina e Jean Behra. Incluindo Jim Clark, Graham Hill, Jochen Rindt, Ronnie Peterson, Gilles Villeneuve, Ayrton Senna e outros tantos que se foram nestes mais de cem anos de competição automobilística, certamente precisavam de alguém que pudesse transmitir todas as emoções que estes gênios da arte que é pilotar. E homem que ajudou a erguer o automobilismo nacional ainda nos 50, organizando inúmeras corridas, como as Mil Milhas e as 24 Horas de Interlagos, e também foi um dos fundadores da Confederação Brasileira de Automobilismo, acabou sendo chamado para "transmitir" as corridas num outro plano: Wilson Fittipaldi, "O Barão", faleceu esta madrugada no Rio de Janeiro aos 92 anos de idade.
Infelizmente não pude acompanhar as suas transmissões na Rádio Jovem Pan, mas tive a oportunidade de ouvi-lo pela primeira vez em 1995 quando a mesma rádio exibiu um pequeno trecho do GP da Alemanha de 1978, quando Emerson Fittipaldi levou no quinto lugar. O Barão mencionou a chegada de Emerson naquele quinto lugar com "Aí vem o Emerson, com a tartaruguinha...", que no caso era o Copersucar. Mas sem dúvida a grande narração foi o do título de Emerson em 1972, quando veio a ganhar o GP da Itália e o Mundial de Pilotos.

O homem que narrou inúmeros GPs, desde a pré-F1 até os grandes dias do Campeonato Mundial, fará falta aos seus entes queridos e todos aqueles que o admiravam.


fontes: estadao; http://voltarpida.blogspot.com.br

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