5 categorias que deixam saudades

23/04/2013

Nos dias atuais, nós temos um monte de categorias de merda e um monte de categorias legais. Não quero falar de coisa ruim hoje, é véspera de feriado e não vou trabalhar amanhã, então vamos nos ater apenas às categorias boas. A Fórmula 1, com todas as suas politicagens, sujeiras e bizarrices, ainda é uma delas. Tem também a LMS, a GP2, o WTCC, o BTCC e por aí vai. Mas a história registra vários outros campeonatos que não existem mais, mas que foram marcantes por prover corridas sensacionais e muitos causos por trás.

O blogueiro colocará cinco categorias que fazem parte da memória e do gosto do próprio blogueiro, então não se assustem se vocês se perguntam se o 2º ou o 3º não poderiam estar no lugar do 1º.
5- FÓRMULA RENAULT BRASILEIRA
Largada em Jacarepaguá, 2003

Eu não consigo engolir o fim dessa categoria, surgida em 2002 a partir de uma belíssima iniciativa de Pedro Paulo Diniz. A Fórmula Renault propunha substituir a Fórmula Chevrolet na formação de pilotos brasileiros, e propunha isso com uma categoria de altíssimo nível, carros utilizados concomitantemente na Europa e premiação farta.
Eu acompanhei a temporada 2002 inteira. Não me lembro de ter me divertido tanto com uma categoria. Grids lotados, pilotos ávidos pelo sucesso tentando ultrapassagens impossíveis, patrocinadores e TV interessados. As ultrapassagens ocorriam em todas as curvas de todos os circuitos, mesmo os de rua como Vitória e Florianópolis. Quando uma tentativa dava errado, resultava em acidentes bizarros. Só havia um defeito: as corridas duravam muito pouco, 30 minutos.
Infelizmente, a partir de 2004, com o aumento de custos devido à atualização realizada nos equipamentos e à diminuição gradativa da divulgação e do televisionamento, os grids começaram a minguar e a categoria perdeu interesse. As corridas ainda seguiam ótimas, mas para a Renault já não dava mais certo. E no fim de 2006, de súbito, a montadora brasileira anunciou o fim da categoria, pegando todos de surpresa.
Fiquem com esse vídeo do Nelson Merlo em 2005. Não é jabá, embora eu o gostaria de fazer pela carreira dele. As corridas eram desse jeito.

4- DIVISÃO 2 DO RALLYCROSS EUROPEU COM CARROS DO GRUPO B
MARTIN SCHANCHE MITO

Esse eu descobri num antigo Havoc. O Rallycross europeu utilizava carros do antigo grupo B, um tipo de carros de rali cuja preparação era quase que completamente irrestrita: turbos, materiais de alta tecnologia, tudo era liberado. Desse modo, alguns dos carros mais velozes, ultratecnológicos e perigosos de todos os tempos foram desenvolvidos para o Mundial de Rali nos anos 80. Muitos acidentes e a morte de Henri Toivonen no Tour de Corse de 1986 levaram ao fim dessa anarquia automobilística.
Mas os carros continuaram correndo no Rallycross. Ao contrário do rali normal, o Rallycross era literalmente uma corrida ao redor de um circuito: os carros, geralmente quatro ou cinco, largavam um ao lado do outro e faziam voltas ao redor de um circuito de terra, asfalto ou tudo isso junto. Os carros eram extremamente potentes e os pilotos tinham de fazer mágica para segurar os rojões nas curvas. As corridas eram sensacionais.
Infelizmente, a FISA acabou com a festa já em 1993, fazendo os carros da Divisão 2 utilizarem o regulamento do grupo N, bem menos potentes. A categoria ainda realiza ótimas corridas, mas não é mais a mesma.
E eu sou fã do norueguês Martin Schanche.


3- GRUPO C – MUNDIAL DE PROTÓTIPOS
Sauber-Mercedes pilotada por Jean-Louis Schlesser e Jochen Mass em 1988

Ah, o Mundial FIA do Grupo C. Para quem não conhece a nomenclatura, a FISA considerava o grupo A como carros de turismo, o grupo B como carros de rali e o grupo C como carros esporte-protótipos. E a federação sancionou, entre 1982 e 1992, um dos campeonatos mais impressionantes já vistos no automobilismo.
O Mundial de Protótipos era uma mescla dos antigos campeonatos do Grupo 5 (carros fechados, de dois lugares e de produção limitada) e Grupo 6 (a única diferença é que os protótipos eram abertos). Eram carros vanguardistas, de mecânica, eletrônica e aerodinâmica sofisticadíssimas para a época. A única grande restrição do regulamento dizia respeito ao consumo: o tanque de combustível e o número de paradas eram limitados, e cada equipe que se virasse para minimizar o consumo sem prejudicar o desempenho. De resto, tudo livre.
Mesmo com todo o desenvolvimento, as corridas eram sensacionais. Os carros eram extremamente bonitos, coloridos e muito bem patrocinados. As equipes eram tão famosas e idolatradas quanto às da F1: quem não se lembra da Sauber-Mercedes, da Jaguar, da Lancia, da Mazdaspeed, da Porsche, da Kremer, da Ecurie Ecosse, da Brun? Os pilotos eram tão bons quanto os da Fórmula 1, sendo que muitos da categoria principal de monopostos corriam de vez em quando em protótipos, como Johnny Herbert, que venceu as 24 Horas de Le Mans em 1991 ao mesmo tempo em que corria pela Lotus na F1.
Era tudo muito legal. Mas a categoria morreu por diversos motivos. Um deles, e o mais óbvio, era o crescimento vertiginoso dos custos. O segundo era uma imposição da FISA, em 1989, para aproximar ainda mais a categoria da F1 restringindo o desenvolvimento dos carros e beneficiando os que utilizavam motores de 3500cc. As equipes de fábrica preferiram, então, investir diretamente na F1 e as pequenas não tinham como comprar esses motores. A pá de cal veio em 1991, quando a FISA baniu os motores turbo do regulamento, afastando a Porsche e também Mercedes e Jaguar, que previam que o campeonato seria uma merda em 1992. E ele foi, de fato. Belíssima história de triste final.

2- CHAMPCAR

James Weaver, equipe Dyson, Long Beach/1989. Ah, os rejects da ChampCar...
Quem não se lembra do show de Rick Mears nos ovais? De Al Unser Jr. nos mistos? De Nigel Mansell vindo diretamente da F1 para a Indy? De Bobby Rahal e sua extrema regularidade? De Paul Tracy e suas loucuras? De Alex Zanardi fazendo suas excepcionais corridas de recuperação? Do saudoso Greg Moore? Isso era a ChampCar, também chamada de CART e, anteriormente, de Fórmula Indy.
A categoria, surgida em 1979 depois de uma briga com a USAC, foi a melhor categoria de monopostos da história dos EUA. Corria em ovais velocíssimos como Indianápolis, Michigan, Fontana e Pocono, ovais pequenos como Milwaukee, Nazareth, Loudon e Gateway, mistos como Elkhart Lake, Mid-Ohio e Laguna Seca e pistas de rua como Long Beach, Toronto e Vancouver. Os carros utilizavam motores turbo que chegavam, no caso do Mercedes utilizado na Indy 500 de 1994, a mais de 1000cv. Os chassis, de marcas consagradas como Reynard, Lola, Truesports, Penske e March, tinham configurações distintas para superspeedways e para mistos e ovais curtos.
As corridas, tanto em ovais como em mistos, eram todas boas, com ultrapassagens, acidentes e atuações individuais impressionantes. Era muito difícil ter corrida monótona. Os grids eram lotados e os patrocinadores disputavam espaços minúsculos mesmo em carros do fundão do grid.
Infelizmente, a ChampCar começou a morrer a partir de 1996, com o surgimento de uma dissidência, a Indy Racing League. A categoria seguiu em ótimo estado até 2002, quando houve mudanças de gestão e a categoria perdeu sua principal equipe, a Penske. Entre 2003 e 2007, infelizmente, ela definhou, ficou por um bom tempo utilizando um mesmo chassi e virou refúgio de pilotos de segunda linha da Europa.
Fiquem com o vídeo da famosa briga entre Mansell e Emerson Fittipaldi em Cleveland, 1993. Desculpem os fãs de Gilles x Arnoux, mas acho isso bem mais legal.

1- FÓRMULA 3000 INTERNACIONAL

Fabrizio Giovanardi em 1989



Esse post foi meio que um motivo pra falar da Fórmula 3000 Internacional. Eu adoro a categoria, é o meu campeonato preferido, sou um raro fã xiita.

A categoria surgiu em 1985 substituindo a Fórmula 2. A intenção era fazer um campeonato bem mais barato que a antiga categoria utilizando os motores 3000cc (daí vem o seu nome) recusados pela Fórmula 1 da era turbo, além dos chassis antigos da categoria-mãe. Com o tempo, porém, os chassis March, Reynard e Lola especialmente preparados para esse nível substituiram os chassis de F1, mais defasados e ineficientes.

Era uma várzea, a F3000. A lista de inscritos era variável a cada corrida, e uma equipe podia se inscrever ou inscrever um piloto novo faltando horas pra começar o primeiro treino. Em 1986, a categoria chegou ao absurdo de ter mais de 70 pilotos inscritos para pelo menos um dos 11 fins de semana com corrida.

Até 1995, a situação era mais ou menos essa: grids cheios, pilotos promissores, disputas entre chassis e motores diferentes, corridas sensacionais, nenhuma divulgação ou atenção da mídia. A partir de 1996, a FIA quis fazer todo mundo utilizar equipamentos Lola-Zytek, muito piores que os Reynard-Cosworth mas muito mais baratos. Os grids continuaram lotados e as corridas continuaram boas, mas ninguém dava bola e os custos não paravam de crescer.

Com os grids de F1 cada vez menores, a F3000 cada vez menos passou a mandar gente para lá. Como a categoria era um fracasso comercial e só servia pra revelar talentos que não iam a lugar nenhum, os grids começaram a minguar, e o interesse, que era quase nulo, se tornou efetivamente nulo. Os últimos campeonatos, entre 2002 e 2004, viram corridas terríveis, pilotos pagantes fracos e um domínio insuportável da Arden.

Mesmo assim, todo mundo que viu a F3000 simplesmente se apaixonou pela categoria. Era o verdadeiro Patinho Feio do automobilismo. E, sei lá, a GP2 é muito legal, limpinha e bem-divulgada, mas não é a mesma coisa. Abaixo, Zandvoort 1985.

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2 comentários :

Anônimo disse...

Na minha opnião, quem está acabando com o automobilismo no Brasil é a TV aberta, Ninguém mais passa nada, e quando passa é F1 ou Indy.
Veja o que a globo está fazendo com a Stock Car, manipulando datas e deixando a categoria como tapa-buracos da programação. Na band, A indy é substituída por jogos tipo limoense X laranjal, a única coisa que sobrevive é a Truck, mais aqueles caminhões não formam pilotos.

ricardo disse...

Adorava o mundial de protótipos, todo mundo torcia pra Sauber-Mercedes. Adorava esse carro da foto, o Sauber C9, chamavam de flecha de prata com motorzão 5.0 V8, era o terror de lemans.