Montreal-1997: azar de Panis dá ponto a Nakano

29/04/2013

Shinji Nakano conquistou seu primeiro ponto na carreira no GP do Canadá de 1997
Shinji Nakano conquistou seu primeiro ponto na carreira no GP do Canadá de 1997

Imagine o seguinte cenário: você é notadamente inferior a seu parceiro de equipe. Nunca obtém sucesso em superar seu companheiro. Porém, quando ninguém espera, é você, e não o colega veloz, que pontua. Tudo bem, ele sofreu um sério acidente. Mas só assim, com o fracasso alheio, que a glória surgiu. Se Shinji Nakano quiser recordar como conquistou o sexto lugar no GP do Canadá de 1997, disputado em 15 de junho daquele ano, terá de dar os créditos pelo feito a Olivier Panis, que dividia a Prost-Mugen Honda com o piloto japonês. Não fosse o sério acidente sofrido pelo francês, Nakano não celebraria o primeiro ponto de sua carreira.

Nascido em 1º de abril de 1971 na cidade japonesa de Tóquio, Shinji só conseguiu o assento na Prost graças a dinheiro, muito dinheiro. Entrou na Prost, escuderia capitaneada por Alain Prost. O tetracampeão comprou a Ligier e passou a utilizar a estrutura montada pelo antigo chefe da equipe, Guy Ligier. Alain teria Panis como primeiro piloto do time. Olivier estava com crédito. Em 1996, venceu o GP de Mônaco. Liderar a nova fase da escuderia seria natural para o francês. Nakano teria a seu favor apenas o fato da Mugen Honda ter bancado seu ingresso na Prost.

Alain Prost só aceitou Nakano na escuderia por imposição da Mugen Honda
Shinji tinha total consciência de que Panis era o dono do pedaço. Estava ali para aprender e convencer Alain de que tinha alguma capacidade para permanecer no time em 1998. Por outro lado, Olivier estava ambientado na escuderia e conquistava uma sequência de bons resultados, como o terceiro lugar no GP do Brasil, em Interlagos. Mas o ápice viria no GP da Espanha, sexta etapa do Mundial. Em Barcelona, o francês obteve o segundo lugar, atrás apenas do vencedor e futuro campeão daquele ano, Jacques Villeneuve (Williams).

Com dois pódios, Panis chegava a Montreal como terceiro do Mundial, com 15 pontos. À frente dele somente Michael Schumacher (Ferrari), com 27, e Villeneuve, com 30. Enquanto Olivier media força com os pilotos de ponta, Nakano tinha como melhor resultado o sétimo lugar na estreia na categoria, no GP da Austrália. O japonês tinha consciência de que, se não mostrasse um bom resultado, seria sacado do time. O GP do Canadá seria um divisor de águas para Shinji. E foi, literalmente.

No Circuito Gilles Villeneuve, a Prost não mostrava grande forma nos treinos. Tanto que Panis obteve um modesto 10º lugar no grid. Nakano, então, foi pior: largaria na pífia 19ª posição, com 1s3 de desvantagem para Olivier. A corrida dava sinais de que seria um novo martírio para o japonês. Após a largada, porém, a sorte começou a sorrir para Shinji: Panis se chocou com Mika Hakkinen (McLaren) e Eddie Irvine (Ferrari). Olivier caiu para último, e o finlandês e o irlandês deixaram a prova.

Pressionado, Nakano não ofereceu resistência a Panis em Montreal
Pressionado, Nakano não ofereceu resistência a Panis em Montreal

Para Nakano, o problema de Panis estar em último era que ele era o penúltimo. Na volta 6, Ukyo Katayama (Minardi) sofreu um acidente e obrigou a entrada do safety car. Na relargada, na volta 9, Shinji abriu para Olivier superá-lo. O francês foi fazendo uma corrida de recuperação, enquanto o japonês perseguia Jarno Trulli (Minardi). Mesmo com o pior carro da Fórmula 1, o italiano segurava o nipônico com maestria.

Na volta 18, Panis para nos boxes e cai novamente para último. Mais lento, Nakano voltou a enxergar Olivier em seu retrovisor. Na volta 30, o francês passou de novo o japonês, assumindo o 13º lugar. A partir de então, Shinji tentou acompanhar seu companheiro de equipe, e não fazia feio. Com um ritmo razoável, se mantinha próximo do francês.

Em 1997, Shinji conquistou dois pontos; desempenho não o segurou na Prost
Em 1997, Shinji conquistou dois pontos; desempenho não o segurou na Prost

Conformado, Nakano veria uma reviravolta completa acontecer na volta 51. Na oitava posição, o japonês se deparou com o Prost de Panis no muro de Montreal. Não só isso: David Coulthard (McLaren), que liderava a prova, foi aos boxes e enfrentou problema na troca de pneus. Resultado: de oitavo, subiu para sexto lugar na volta 52. O forte acidente de Olivier era sério. O francês quebrou as duas pernas. Com isso, a direção de prova deu a bandeira vermelha, interrompendo o GP na volta 54. Vitória de Schumacher, seguido por Jean Alesi (Benetton) e Giancarlo Fisichella (Jordan) – era o primeiro pódio da vida do italiano.



E Nakano? Foi para os boxes com um ponto no bolso. O desempenho se repetiria na Hungria, quando obteve mais um sexto lugar. Shinji somou dois pontos na Prost em 1997. Apesar disso, Alain dispensou Nakano e o motor Mugen Honda. O japonês correu em 1998 pela Minardi, sem sucesso algum. Em resumo: correu na categoria máxima do automobilismo porque tinha suporte financeiro e levou um ponto que caiu do céu.


Matéria cedida gentilmente por Douglas Williams proprietário do Contos da F1

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